Arquivos

Arquivo para a categoria ‘Disney’

Diário de um Pateta – Pt XI: Últimos dias, Grand Floridian, Disney Quest, Sea World, Valentine’s Day, Último Wishes.

Finalmente cheguei a minha última semana em Orlando. Por muita coincidência estamos em novembro, exatamente um ano em que parti para essa viagem mal sabendo tudo que passaria e como minha vida estaria completamente diferente agora. E se ela está assim, completamente diferente, é devido em grande parte a essa última semana que vos relato agora.

10 de Fevereiro 2011

Era meu último dia de Woody e havia checado no sistema que seria com o meu Buzz. Eu estava muito animado porque eu adorava ser o Woody e queria mesmo fazer na última semana como despedida, ainda caiu de ser com o meu Buzz que foi o meu primeiro também, nos dois sentidos possíveis. Confesso que nem sabia qual seria minha reação ao vê-lo. Se ficaria feliz, se me sentiria estranho, mas fui. Eu havia mandado mensagem falando que ele teria uma surpresa, dai quando ele me viu na sala de warm-up já falou algo do tipo “tava torcendo que fosse isso! Quase dei call sick porque tô meio resfriado e blá blá blá mas pensei que poderia ser isso e vim”, dai pronto, já fiquei feliz só de ver que ele tava muito de boa mesmo eu tendo furado com ele horrores. Principalmente fiquei mais feliz ainda pois ele ainda era aquele mesmo ser fofo que eu havia conhecido.

Eu não queria falar que tava saindo com outra pessoa, e acabou que nem foi preciso. Ele era tão fofo que o fato dele estar resfriado já era um motivo pra gente não se beijar e ele mesmo falou isso. Eu normalmente cagaria e ficaria com a pessoa mesmo assim (inclusive já fiz isso), mas né, simplesmente perfeito pra situação. Foi um dia bem emotivo pra mim. Emotivo e cansativo. Fazia tempo que eu não trabalha lá, não lembrava que eram tantos sets seguidos e nos últimos eu já tava morrendo, mas tive umas visitas tão bacanas que só fizeram desse dia lindo mais do que memorável.

Primeiro foi a Erika linda, da qual dessa vez eu tive o prazer de ver né, diferente do Pirate Goofy.

Ela fez a guest padrão com a bolsa da Tommy. Se tivesse ido com casaco da GAP, levaria um soco na cara e eu me recusaria a tirar a foto. Iza e Mari Rio me visitaram, mas elas foram duas vezes, uma comigo sozinho e depois com o meu Buzz. Por isso deixarei por último e falarei primeiro da May que me proporcionou um magical moment tão lindo que merece ser contado com detalhes.

No meu penúltimo set antes do almoço eu já a vi do lado de fora pela janelinha, ela fez um sinal do tipo “aguarde, no próximo eu vou”. O tempo no backstage passa tão rápido que quando me dei conta, já era pra voltar. Pois voltei e ela foi uma das primeiras. O “aguarde” dela na verdade era um “aguarde que irei te fazer desidratar seu filho da puta”. Chegou quase chorando, segurando um papel dobrado que tinha “De: May / Para: Woody”. Então ela abriu e eu vejo isso:

O desenho dela com o Woody e a letra de “You’ve Got a Friend in Me” que agora está devidamente pendurada no meu guarda-roupa. Enquanto eu lia aquilo eu chorava tanto, mas tanto, que no final já não tava conseguindo enxergar direito. Peguei o papel e fiquei mostrando pra attendant, pro photopass, pra todo mundo que tava ali e devo a ter abraçado zilhões de vezes. Não tenho nem palavras direito pra expressar a emoção que foi na hora. Uma coisa tão simples, singela, mas que naquele momento conseguiu ser maior do que qualquer presente que eu poderia ter pensado em ganhar.

*chora*

Eu fiquei o set inteiro ainda chorando. Ela continuou me esperando do lado de fora e de vez em quando eu ficava olhando com as mãos no coração para ela. Quando acabou eu só fiz voltar mostrando o desenho pro meu Buzz e ele “omg, that’s so amazing. She better come back when I’m there!”. Eu ainda pensei em sair pela portinha como Woody pra dar um outro mega abraço nela, mas eu seria atacado por crianças loucas sem menor sombra de duvidas. Foi a razão falando por cima da emoção no último segundo. Me segurei e fui voltar a ser Charles antes.

Sai já dando um mega abraço apertado, agradecendo feliz da vida e fomos passear rapidinho pelo parque. Ficamos com a Iza também, ainda fomos tentar tirar foto com a Nat de Handy Manny mas a attendant não deixou (é num restaurante e pra tirar a foto tem que ser guest). De qualquer forma fomos passear e por ser no Hollywood, eu sempre amava.

Eu morro com essas fotos de fugidas do trabalho porque eu consigo claramente ver minha cara de acabado, basics disfarçadas como roupa e lá no parque para os guests eu era no máximo alguém com um gosto duvidoso para roupas ou nem isso se for levar em conta o que muita gente de fato vestia para ir ao parque.

Depois dessa companhia maravilhosa, voltei pro tronco chorando quase todo set por algo que acontecia. Primeiro foi a volta das minhas lindas Iza e Mari Rio:

AMOR

Woody mais sexy da Disney

QUEM É O XERIFE AQUI EM?

E por fim, o casal mais errado da Disney.

Iza além de ótima visitante, ainda tira as melhores fotos. Eu trabalhei lá e se não fosse a foto, não saberia que o Woody fica em cima da cama. Mesmo. O mais engraçado foi no final quando ela pediu pra tirar uma foto só dos dois (ela tinha mania de tirar até do personagem sozinho!) e eu fiz essa pose ai em cima. Ela queria uma pose Woody e Buzz, mas eu não contive e tive que fazer Charles Woody e o seu Buzz. Ela só saiu de lá gritando “que viaaado!” e eu chorando de rir.  Eu cheguei a beijar o Buzz, colocar o pézinho no alto à la princess pose e tudo mais e a cara da minha attendant era de “whathahell?!” mas acho que só o photopass pegou e eu não peguei as fotos ainda, a Iza fica enrolando pra me mandar! Ela só me mandou essa que mostra que eu fazia o P.A.S.S direitinho:

Ela com cara de quem tá confiscando se tá direitinho, vê se pode? Depois disso ainda ganhei um desenho do Woody de uma criança mega hiper blaster fofa:

E pra terminar o dia, no último set o meu Buzz me surpreende dançando tango comigo. Eu, morto, acabado, já desidratado de tanto chorar o dia inteiro, e ele ligado no 220 em seu modo espanhol. Ele é uma pessoa muito querida da qual lembrarei sempre com carinho (apesar daquela parte fail que não preciso relembrar) e antes de cada um seguir seu caminho na vida, tirei uma foto para registro.

Ele parece uma menina, né? Passividade define. Me pergunto agora se eu tava numa seca aloprada, se o fato dele ser fofo afetou, se era só eu querendo realizar o que deu inicio ao Ano Fouquet, tudo junto ou algo que desconheço. Nunca mais falei com ele desde então. Ele me deu o email (outro que não tem Facebook) só que eu me esqueci. Era alguma coisa com crazyfordogs@email.com, mas né… Acho que eu ia brochar de escrever um email sempre que lembrasse que esse era o endereço.

Eu comprei uma mochila do Buzz e pedi pra ele autografar. A do Woody parecia ser muito brega, peguei a do Buzz mas me arrependi logo em seguida (sou complexo), mas enfim, uma das mochilas mais estilosas que tive na vida (apesar de ser visivelmente para criança). Eu alternava com a outra do Mickey e sempre recebia elogios pelo caminho, me sentia como né? Aqui no Brasil ainda não usei, acho que meu espírito Woody aflorado renega.

:(

Saindo de lá esbarrei muito ao acaso com o Tyler. Era tanta coisa acontecendo que eu realmente me esquecia de quase tudo. Nem vocês devem lembrar direito, mas é o garoto do meu training, que o Vini me falou dos babados lá que ele ficou uma vez com um amigo nosso, se apaixonou crente que era namoro, dai ficou revoltado quando o viu com outro. Ele tinha me mandado aquela mensagem no Facebook querendo saber se eu ia sair, eu nem respondi nem nada, e assim ele deu a entender que eu tinha o ignorado de graça. Fui convincente ao falar que estava perdido no tempo, ele riu e me deu uma carona de volta pra casa. E foi ai que fiz minha boa ação do dia e fui ator fora do trabalho (habilidade essa que cumpro de vez em quando).

Como já disse, ele já havia me dado carona no seu carrinho amarelo lindo e fofo, só que daquela vez eu nem tinha sentido que ele havia dado em cima de mim. Agora seria a minha vez, mesmo não querendo ficar com ele, eu daria a entender que queria ficar com ele e caso ele retribuísse, inventaria alguma coisa que até então estava ainda processando. O motivo pra isso? Sei lá. Parecia divertido na minha mente, e a cena em si foi muito engraçada. Sim, sou perturbado. E no fundo, queria que ele sei lá, meio que visse que brasileiro não é tão whore assim (muito embora seja) e que existem excessões blá blá blá.

Eu comecei falando que tava numa loucura sem fim, que o programa já tava acabando e que o trabalho acabava tomando o tempo vago que eu tinha e assim muitos podiam pensar que nem ele, que eu tava ignorando, mas não era. Ele falou que entendia e tal, que pra ele era diferente por ele morar lá, dai eu já fui “pois é, se eu morasse aqui eu não ia nem querer só sair com você, eu ia querer te namorar sem dúvidas”. Ele  sem reação, do tipo “whaaaat?” e eu continuando “mas como não rola, prefiro nem começar algo que teria potencial de ir muito além de só uma noite”. Silêncio básico e ele responde “really? pensei que você não me via com esses olhos…” e eu respondo lindamente “via desde a semana de treinamento, mas nunca te falei porque pensei que não teria chance, só bem depois que criei coragem era tarde pois fiquei sabendo que você ficou com o *amigo*”.

Ele falou que foi um erro, que foi uma vez só, eu já sabia mas ficava respondendo com “juraaa?”. A partir dai rolou um papo super eu puxando a bola dele que no fundo, era bonito mesmo, só não era muito meu estilo, mas meio que fazendo um magical moment sem ele perceber. Quando chegamos em casa, ele respondeu “se eu não te ver mais, saiba que foi um prazer te conhecer e essa foi provavelmente a melhor carona que já dei na vida”. Respondi “Pode ter certeza que foi a melhor carona que já peguei, mas me prometa não tentar pensar no que teria sido, e sim, no que você poderá e terá no futuro com alguém que te merece”. Dei um beijo e sai. Mereço ou não mereço Oscar?

O carrinho amarelo.

O próprio.

Agora ele trabalha como Chef num dos restaurantes lá. Também não falo muito mais com ele, mas curto alguns status que ele posta (descobri agora que ele também curte musicais) e consequentemente, ele curte alguns dos meus. Aparentemente ainda solteiro, mas espero que um dia ele arranje alguém e venha me falar “sempre acreditei no que você falou!”.

Cheguei em casa, tomei banho, dormi um pouco até ser acordado pelo meu verdadeiro amor de verão. Ele tava me chamando pra ir assistir filme no lugar onde ficam os computadores. Eu nem sabia que podia ver filme lá, mas fui só pra ficar com ele mesmo. Estavam Loren, Sarah (a americana que eu também achava que era australiana e conheci no mesmo dia que conheci Loren e Cody) assistindo Peter Pan. Eu odeio Peter Pan com todas as minhas forças, o filme filme eu acho mais chato ainda, mas só estando com alguém que você goste muito que você acaba descobrindo que consegue fazer coisas que nem imaginaria ser possível só para estar perto daquela pessoa.

Não satisfeito, ele coloca um filme da Queen Latifah super antigo que eu assisti nos meus tempos de cursinho de inglês em que ela é ex-presidiária e fica na casa do Steve Martin (outro que não me desce). É um filme tão ruim que eu lembro que na época que eu assisti eu nem tinha critérios ainda para achar um filme ruim ou não e ainda assim eu já tinha achado horrível. Assistir aquilo novamente era simplesmente deprimente. Mas eu olhava pro lado, via aquele ser lindo me fazendo carinho, colocando pipoca na minha boca, eu ria olhando pro band-aid que ele colocou pra tapar os resquícios do meu chupão, ele jogando M&M em mim, que pronto, o filme não importava.

Depois de reclamar com ele sobre a péssima seleção de filmes só por encher mesmo e de me despedir de Sarah e Loren, fomos a casa dele onde pretendiamos assistir Inception no seu laptop. Pretendiamos, mas claro que não rolou. Foi mais algo nesse nível:

Só que eu super recomendo Inception, assisti quando estive pela última vez em São Paulo e nossa, fazia tempo que não sentia tanto nervosismo assistindo algo. Foi até bom não ter visto lá que não teria dado a atenção que ele merece. Nem tinha como. E a trilha sonora é foda mesmo, isso pelo menos eu já sabia desde Orlando.

Ainda liguei pra Diva Marcela depois em busca de festa, novamente não encontramos, mas fomos parar na casa de uma das gêmeas lindas onde teve aquela festa bafônica e Vini Tigger estava lá, ficamos bebendo e discutindo/analisando músicas de Rihanna que aliás, faz parte da minha trilha sonora ICP. Toda música pop que eu ouvia em boate e amava se eu fosse conferir, era da Rihanna. Praticamente todas do CD dela que se eu escuto, sou só mix de saudade com vontade de levantar e dançar loucamente. Depois segui com Cody para meu cafofo 2910 para um segundo round e dormir.

11 de Fevereiro 2011

Havia combinado de ir tomar café-da-manhã no Grand Floridian com Mari Rio e SP e suas roomies. Eu até então não havia comido em nenhum restaurante da Disney se quer. Nem fazia questão, mas fui nesse pela companhia e pra ver como é a visão de um guest num restaurante com Characters. Antes de ir, não resisti e fiz uma brincadeira fofa com Cody. Como estavamos ambos pelados, peguei a roupa dele jogada no chão e vesti no Stitch. Olha que coisa mais linda:

Chegamos super cedo, o hotel do restaurante é super bonitinho e o restaurante em si também. Tiramos foto com Pooh, Tigger, Mary Poppins (por coincidência a que eu peguei carona no dia que fui Fera), Chapeleiro e Alice. Ficamos do começo ao fim porque fomos pra comer eternamente. Minha geladeira era só pão, powerade (o energético que os characters ganham de graça) e four loko. Eu comeria ali o suficiente pra sobreviver o resto do programa inteiro. Você pode repetir quantas vezes quiser por um preço único, então vale muito a pena.

Como já disse, fui mais pra ver como é a visão de um guest quando se tem characters e no caso era um restaurante tranquilo só com dois fur characters. Foi engraçado perceber quando era um Pooh e quanto era o outro, mas coisa que só a gente repara, os outros (inclusive pessoas na nossa mesa) não faziam ideia. Eu sinceramente achei foi um saco ter que ficar levantando pra tirar a foto, mas as pessoas em geral curtem. Eu já me indagava se iria curtir quando via aquelas mesas lotadas de gente e tinha que esperar aquela cambada levantar quando trabalhava, mas é, definitivamente não é pra mim.

Mari Rio linda <3

Quem vê até pensa que eu gosto desse urso escroto.

One shoe may change your life.

Pode vir, pode vir, esquerda, esquerda...

Seguimos de lá para o Property Control (era no caminho, por que não?) e eu comprei umas coisinhas básicas incluindo um trocinho do Peter Pan que tocava You Can Fly. Tava custando $10, acho que foi o que me fez comprar porque novamente, eu odeio o Peter Pan! Tinha o Capitão Gancho tentando enfiar a espada nele, acho que isso pode ser um motivo também. Depois, fomos pra casa deixar as coisas. Eu só fiz entrar, largar tudo e vi o Stitch já pelado só que um com detalhe no pescoço. Peguei e era o band-aid do chupão e nele escrito “I’ll miss you Charlie”. Pra quê, né? Lá estava eu caído no chão e chorando. Fiquei bem uns 10 minutos, até me tocar que já tava atrasado e sai correndo. Nós tínhamos uma entrada de graça pro Disney Quest que fica no Downtown Disney, por que não ir? Eu queria pelo menos ir uma vez em tudo e foi bem o que fiz.

Confesso que esperava mais, os brinquedos são meio patéticos mas como estava com a May, Mari Rio e SP, deu pra se divertir bastante. Valeu a pena pelo brinquedo de dança. Sim, aquele brinquedo de dança que tinha nos shoppings da vida. Aquilo faz parte da minha adolescência total, adorava dançar naquilo e gastava todo pouco dinheiro que tinha. Dancei horrores com May, de suar e ficar tão nojento quanto dentro da costume, e reviver esses momentos já fez valer a pena ter ido.

Depois seguimos direto para casa da Mari SP que resolveu fazer o jantar e o que era pra ser algo super pequeno, se transformou no evento. Todo mundo chegando, a gente chamando várias pessoas, incluindo o affair da Mari SP e o Cody. Só que eu fui ver o que ela estava fazendo e era praticamente arroz e feijão. Eu falei “o quê? eu convidei o amor da minha vida pra comer isso? no fuckin’ way!”. Fui correndo com a May no Walgreens e comprei uns troços lá que juro que nem lembro o que era, mas deu pra juntar e ficou bom. O Cody também amou e me falou depois que voltei pro Brasil que adotou arroz e feijão pra comida do dia a dia dele.

O mais engraçado era todo mundo falando “ai, ele é lindo!” “ai, ele é fofo!” “arrasou!” e eu rindo sem saber como reagir a isso. Eu nunca tive um namorado na vida, e agora tava tendo um (mesmo que com data de validade) que todos achavam fofo e amavam. Principalmente eu. E ele realmente era, não ficava tímido com ninguém, saia conversando e aturava minhas brincadeiras idiotas. Ria comigo e de mim, o que acho fundamental. Era felicidade plena.

VIBE DE AMOOOOOOR.

Sai de lá mais uma vez feliz e o que já era bom, só ia melhorando com o tempo. Por mais brega e clichê que soe, sexo não era mais fazer todas as coisas que podem ser feitas e gozar, era mais. Era se conectar, entender as coisas que o outro curtia, fazer pelo prazer do próximo e isso em si te dar prazer também. Ele não é o tipo de cara que se eu visse na rua eu falaria “hmmm eu quero”, mas ele era tão fofo, tão sei lá, tão especial que era melhor que isso. Podia nem ser amor, mas aquilo me bastava.

12 de Fevereiro 2011

Era dia de Goofy Swan Dinner, shift mais tranquilo do mundo que eu amava fazer, mas eu tinha ingresso pro Sea World e se não fosse nesse dia, não iria mais! Portanto combinei com meu roomie amado Phe que me acordou e fomos só nós dois. E como já esperava, foi incrível.

Eu e Phe com a Shamuzinha.

Eu, lindo, cara de morto de sono, com frio, é nóis.

GO WILLY!

I FOUND NEMO!

GARHAHGAIHGAGAHIKMGAGAH.

Fomos bem cedo então fizemos tudo que tinha pra fazer. Tem uns showzinhos bem ruins, outros bem legais, é um parque mais família e pra quem curte ver pinguins, ursos, seres aquáticos e etc. Eu achei mega fofo e ainda tem dois brinquedos fodas que é o da Manta e o Kraken. Depois que terminamos o parque todo nós fomos fááárias fezis, bem umas 8 em cada. Um frio do cacete e a gente indo nesses brinquedos. Turista é assim mesmo né.

O melhor foi que fomos muito sem querer num que jogava água. Eu queria matar o Phelipe na hora por aquilo porque ficamos encharcados no final, morrendo ainda mais de frio, mas agora eu só faço dar risada lembrando da gente gritando com o povo que queria ver nosso sofrimento. Haviam maquininhas que colocando 50 cents dentro, cairia água na gente e as pessoas estavam pagando e eu gritando “NOOOOO, PLEASEEEE DON’T DO THAT!” e eles se acabando de rir e pagando os malditos cents.

Em alguma das minhas conversas com Cody eu perguntei qual animal ele mais gostava. Ele respondeu otter. Eu não sabia o que era isso, então perguntei e acabei descobrindo que é lontra. Ele chegou a me mostrar um vídeo no celular dele super fofo. Era um parque aquático, então imaginei que devesse ter pelúcia de lontra. Tinha. Comprei uma super fofa para dar para ele no Valentine’s Day. Tava me sentindo muito idiota por aquilo, mas o Phe mesmo me falou “você não tá gostando dele? não quer dar? então dê!”. Entre repetir os brinquedos, nós também fazíamos maratonas até o locker sempre pra pegar alguma coisa e dessa vez foi a última para deixar a otter lá dentro.

Não é linda mesmo?

No fim do dia eu não sentia mais nada, tava morto de frio (e reparem que eu fui de bermuda!) então só fiz chegar em casa e me jogar no edredom! Confesso que era bom dormir logo também que assim não ficava ansioso esperando meu lindo chegar. Ele sempre ia e me acordava. Minutos depois estavam lá Marcela, Paulinha, Jeejay e Loren para uma festa particular, ai era acordar, beber, conversar besteira, sexo, dormir. Como não amar dias assim?

ALÔ FOUR LOKO NA CARA DA CRIANÇA.

13 de Fevereiro 2011

Meu último dia de trabalho no Epcot e era Goofy no Character Spot. Confesso que estava com saudades de lá, isso até de fato chegar lá. Saudade essa que era pra ser utópica e não foi. Eu gosto de pensar que essa é a mesma saudade que eu sinto de querer voltar pra Disney, mas sobre isso conto mais detalhadamente pro final do post.

Eu nunca havia sido do grupo 1 e achei muito engraçado porque somos nós que abrimos o parque. Eu aprendi na hora, Biancão já havia mencionado mas eu já até havia esquecido. Nós temos que sair, dar um tchauzinho básico pra galera que já está na porta só esperando o parque abrir (momento fama total e as pessoas vão a loucura com você), quando a contagem regressiva chega no três tem que voltar correndo e aí assim que abrir pessoas loucas irão correr e o primeiro grupo que chegar ao Character Spot ganha uma foto com todos os personagens juntos. Um grupo de japonesas loucas ganhou e ficaram me puxando loucamente e eu só rindo por dentro. Depois cada um segue pro seu spot e pronto, dia normal.

Pelo menos achei que seria um dia normal, mas aconteceu tanta coisa que nossa. Um grupo de brasileiros (pra variar) arranjou um auê tão grande que voltando de um dos sets, uma attendant chorava como se não houvesse amanhã. Eu que normalmente não conforto pessoas (nem as que eu conheço, quem dirá desconhecidos) fui lá, dei um abraço, falei que não era pra ela se preocupar, blá blá blá. Era a segunda semana dessa attendant então meio que dá pra entender. Eu falei que era brasileiro mas que a maioria que vai pra Disney é a parte estragada e consegui faze-lá rir no breve intervalo que tive.

Depois disso eu voltei num set e a mesma attendant estava branca de tanto pavor. Fui ver o que era ainda de Goofy e ela disse que o outro Goofy teve um problema na costume e não ia poder ir e ela não sabia o que fazer. Eu confesso que tava morrendo de suor, mas né, coitada, falei “eu posso ir de novo nesse set e depois ele compensa com dois?”. Ele aceitou, logo, eu fui e ela com cara de “não acredito que você vai fazer isso”. Foi mais tranquilo do que imaginei porque meu corpo já tava bem acostumado, mas no começo eu provavelmente teria morrido. Ela morreu de agradecer e eu super de boa. É incrível o que o tempo lá não faz com você.

Com a Ju no meu último CSpot!

Saindo de lá, como já estava no Epcot, resolvi visitar Loren no trabalho que ficava numa área super idiota que eu nunca tinha ido e chegando lá eu só fiz comprovar o porquê. Innoventions ou algo do tipo o nome, bem pra criança retardada mesmo. O melhor foi eu chegando e olhando pra costume e falando “nossa, que linda” e ela “não precisa mentir, sei que é ridicula” e eu “é… realmente…”. Ela falou que o Cody também tava trabalhando (normalmente ele trabalhava a noite mas naquele dia o shift era na parte da tarde) então fui lá visitá-lo.

Ele trabalhava numa das lojas perto do Duffy Bear (o urso ridículo que a Disney “adotou” pra fazer pessoas idiotas gastarem mais dinheiro) e a costume dele era mais fofinha, uma camisa com várias bandeiras dos países. Ele tava tão lindinho lá e ficou todo feliz quando me viu. Eu ainda brinquei com ele. Tinha um cara lá trabalhando com ele que se chamava Javier e eu fiquei brincando que ele me traia com ele e que eu ia dar o troco. Fui com o tal Javier procurar algo pra comprar e fiquei enrolando dizendo que ia comprar uma cueca samba-canção ridicula que tinha lá mas falava que o tamanho pequeno ainda era muito grande pra mim. Cody quase morreu de tanto rir no fundo e eu me sentindo numa cena de As Patricinhas de Beverly Hills. Incrível como a Disney te deixa patético.

Tava indo pro Hollywood Studios sozinho mas na saida do parque encontrei Mari Rio, Júlia (uma amiga dela super fofa que acabou virando minha amiga também já na reta final) e mais alguém que tava no jantar da Mari SP. Elas iam só fazer algo rapidinho no Epcot e também iam para o Hollywood, então acabei seguindo com elas, fomos de novo na loja do Cody (porque elas também já o amavam como eu) e ai sim fomos para o Hollywood.

Ainda tinha atrações que eu não havia ido, consegui ir em algumas e ainda pude me despedir do Fantasmic. Provavelmente a melhor atração de todos os parques da Disney na minha opinião. Chorei do inicio ao fim só relembrando de quando eu sentei ali pela primeira vez sem nem saber o que viria e agora já sabia cada detalhe decorado e ainda assim era tão mágico quanto da primeira vez.

Fui pra casa me arrumar para última House of Blues. Fui com Cody, Loren (detalhe que na agenda que uso como guia tá Jordan haha), Sarah, Diva Marcela e Phe! Como já disse no último post em que fui lá (que sinceramente não lembro quando mas faz tempo) eu não curtia muito o ambiente, mas claro que com esse grupo e four loko na veia, foi diversão na certa!

Cody, Sarah, Loren e eu (imitando as caras que o Cody fazia nas fotos)

Aí a cara. Você a verá em outros momentos também.

14 de Fevereiro 2011

Meu último dia no Hollywood Studios de Frozone. Adorava ser, adorava o parque, mas era muito, muito triste acordar todo dia e ter que deixar essa criatura na minha cama:

COMO LIDAR?

Eu colocava o despertador uma hora antes (coisa que como vocês bem acompanharam aqui, não fazia sozinho de jeito nenhum!) só pra ficar cuddling e conversando, com uma finalização digna com sexo quando o Phe não estava (que nessa reta final, era quase sempre!). Era Valentine’s Day então o fiz fechar os olhos para dar minha otter de surpresa. Ele ficou todo feliz, me disse que tinha uma toda ferrada que a mãe deu quando ele era criança e ele tinha até hoje (e de fato me mostrou depois) mas que aquela era mais linda ainda e ele guardaria pra sempre com ele. Foi tanto amor (com sexo) que perdi a hora e mais uma vez, cheguei atrasado.

Eu não sei se o povo que trabalha no Animations lá (área do Frozone e cia incluindo os randoms) é fixa ou não, mas era o mesmo grupo de attendants/captains da última vez que havia trabalhado lá e eu mal cheguei e eles já vieram me perguntar se eu dessa vez eu havia levado a costume inteira! Eu só fiz rir e falar “sim sim, agora eu sei e conferi três vezes antes de vir pra cá!”. A Sra. Incrível era a mesma que trabalhou comigo no meu primeiro dia, mas ela tava com o Sr. Incrível enquanto eu estava… sozinho. É, passei o dia inteiro sozinho mas no fundo foi divertido. Eu podia interagir mais, fiquei quase que por conta própria, inventava várias coisas e sentia que os guests estavam gostando.

Uma garota do braço quebrado chegou a pedir se eu poderia se o Valentine dela, dai eu respondi que não era solteiro. Só que eu apontava pro dedo e ela não entendia. Dai eu apontei para mim mesmo, fiz um não e fiz com a mãozinha e o pescocinho o passo de Single Ladies. Todo mundo na fila começou a rir. O melhor é que eu saia do set, ia pro intervalo e tinha zilhões de mensagens do Cody e eu só ficava respondendo e já tinha que voltar de novo. Americanos amam text messages, tipo, o tempo inteiro. Eu como tava todo apaixonadinho adorava.

A Sra. Incrível no seu último set me fez uma surpresinha fofa. Ela me deu um pacotinho de balas que vinham com recadinhos fofos de Valentine’s e na capinha tinha “De: Ms Incredible / To: Frozone”. Achei aquilo tão fofo, ela era muito foda. Eu cheguei a provar as balas depois e são piores que os feijõezinhos do Harry Potter, mas enfim né, o que importa é o gesto e na hora eu fiquei todo abobadinho.

Cheguei em casa, tomei banho e fui passear com Loren, Sarah e a piranha da Ella. Antes passamos rapidinho na casa da Nat Teco que era aniversário dela. Iamos jantar no Applebee’s para comemorar o Valentine’s (acredito que todos já saibam mas enfim, caso tenha um desavisado, lá fora o valentine não precisa ser namorado em si – melhores amigos também se considera) só que estávamos esperando o Cody chegar do trabalho. Ele chegou depois e fomos. A atendente era a mesma do dia que eu fui com a família Fortaleza, foi tudo ótimo e tranquilo. A essa altura eu já não era mais o mesquinho que tinha que economizar pra NYC, eu nem sabia quanto eu tinha mas eu não conseguia não gastar estando com eles. A companhia deles era linda demais pra eu ficar recusando porque não podia gastar, simples assim. Que passasse fome em NYC, ali com eles eu não iria.

<3333

Dai tá, estou voltando pra casa e puxo o Cody pra ir comigo e ele fala que vai depois. Eu “como assim depois? vamos logo!” e ele falou “eu só quero falar algo em particular com a Loren rapidinho, eu vou depois” e eu “tá, tá” e fui né. Cheguei em casa e todo mundo sorrindo olhando pra mim, eu sem entender nada até que entro no quarto:

*todas chora*

Sério, como lidar? Eu cai no chão que nem da vez do band-aid sorrindo, todo bobo com aquilo. Um tempinho depois o Cody chega e eu só faço jogá-lo em cima da cama e começar uma pegação frenética entre os chocolates, pétalas e o Stitch. Tá que logo em seguida o Phe bateu na porta e tivemos que parar, mas sério, se eu tinha alguma dúvida que eu tava começando a gostar muito dele, ali foi resolvido na hora. Só que com isso vinha um problema: teria um fim, um fim muito próximo.

15 de Fevereiro 2011

Era pra ser reserva no Animal Kingdom, mas Biancão havia dado call-sick e ela tinha o shift de Goofy no Camp Minnie Mickey. Eu já faria isso no dia seguinte (inclusive, último shift do programa) então simplesmente não queria ir para aquele lugar demoníaco. Também dei um call-sick lindamente (no total tendo três durante o programa todo, palmas para mim) e pude pela primeira vez dormir e acordar com o Cody. Sem o momento triste de deixá-lo para trás.

Ele acordou e abriu um sorrisinho e disse “que bom acordar e te ver aqui”. Ai, como não amar? Ele só ia trabalhar a tarde então pude passar a manhã e o inicio da tarde com ele. Biancão até me chamou pra ir fazer umas últimas compras (precisávamos de um casaco forte para NYC) mas não teve jeito, acabei ficando com ele. No começo do dia, ainda na cama, ensinei ele a contar em português:

No vídeo dá pra ver melhor como ele era, nas fotos ele sempre sai diferente! Ele já sabia falar “oi, tudo bem?” mas queria mais coisas pra poder impressionar os guests brasileiros. Ele pegou super rápido e eu achava ele falando português a coisa mais fofa do mundo. Depois ficamos conversando, mas só lembro que eu falei algo sobre sentir saudade do Phe e ele falou “mas vocês vão se ver no Brasil”, eu falei que ele morava em outro estado dai ele “mas ainda assim não é perto?”, tive que mostrar o mapa do Brasil pra ele que só fez um “woah, realmente é grande, não fazia idéia”.

Cantamos Elephant Love Medley do Moulin Rouge como se não houvesse amanhã (estávamos sozinho em casa, óbvio – e nem sei como não filmei isso), realizei meu sonho de sexo na cozinha (sorry roomies – dançar na bancada na primeira festa não foi a única coisa que fiz ali), fiz miojo pra dar de almoço pra ele sendo que ficou uma grande bosta e fomos para casa dele fazer outro, dai tomamos banho juntos, conheci o roomie dele que queria ser performer mas era maior do que eu então no máximo seria o Darth Vader, fizemos na cama dele pra variar um pouco o ambiente e então deu a hora dele ir embora.

O levei até o ônibus, deixei na porta e voltei pra casa. Sem perceber estava chorando, não conseguia parar. Deitei na minha cama e comecei a escrever na minha agendinha. Eu não atualizava tinha tanto tempo e vejo isso visivelmente agora o tanto que eu forcei pra conseguir lembrar os últimos acontecimentos. Nesse momento que estou agora está escrito “Finalmente cheguei no momento em que estou. Queria voltar no tempo e mudar algumas coisas e ao mesmo tempo creio que tudo ocorreu como deveria ter ocorrido, como explicar?”. É exatamente o sentimento do fim. Quando tudo aquilo está acabando, tudo aquilo que te deixa feliz dia após dia vai acabar. E você não sabe direito se curtiu da forma correta, se poderia ter aproveitado mais, e ai vai.

Sempre que eu saia pra trabalhar depois que conheci o Cody, além do pensamento “caralho, tô atrasado!” eu me olhava no espelho, via o meu reflexo, via ele deitado na cama, sorria e ia. O próprio já havia falado que eu sou lindo mas que o que eu tenho de mais lindo era meu sorriso. Eu nunca reparei direito mas realmente, meu sorriso é lindo mesmo. Incrível como a gente tem que esperar alguém notar algo em nós mesmo para então se dar conta do quão foda nós já somos. Eu estava com alguém que eu gostava muito, me achando lindo como nunca e indo para um emprego que eu amava. Era a vida perfeita. O único problema é que era temporária.

Na parte da tarde Biancão cortou meu cabelo mais uma vez já que iria pra NYC, já tava ficando mega grande e era um mês que ficaria lá. O namorado dela no programa, Tyler o nome dele também, nem sei se comentei sobre ele aqui, comentei? Enfim, ela também tava tendo um namorado lá que era um fofo, era chef num restaurante e cozinhou pra gente nesse dia. Eu quase morri quando ele veio com um prato lindíssimo com um peixe enorme e perguntei “isso tudo é pra mim?” como quem não acreditasse. Sem dúvidas foi a melhor refeição do programa inteiro, que o resto… Depois fui pra casa dormir mais.

A noite o Cody me acordou e ele tava com o laptop dele. Ele queria assistir Tarzan comigo porque era o filme favorito dele da Disney. Eu amo Tarzan, não é meu favorito (posto ocupado por Corcunda de Notre Dame) mas eu vi Tarzan umas três vezes no cinema. Tenho álbum, bonecos e o escambal e simplesmente amo a trilha, o roteiro, tudo. Já era fã da Terk sem nem saber quem era Marya Bravo. Quando tocou “You’ll be in my heart” eu olho pro lado e ele tá chorando. Comecei a chorar também e ao acabar a música ele fala junto com a mãe do Tarzan “always”. Pronto, paramos de ver o filme nesse exato momento para mais uma dose daquilo que vocês estão pensando só que com uma pitada de amor (ou paixão, ou seja lá o que aquilo era) que fazia tudo tão lindo.

16 de Fevereiro 2011

Chegou o último dia de trabalho. Goofy no Camp Minnie Mickey, tinha que ser logo no Animal Kingdom né? Esse dia era pra ser memorável, minha despedida e tal, mas não foi. Foi simplesmente um dia ruim. As pessoas naquele dia estavam piores do que nunca. Tava uma ditadura dos infernos a ponto de uma gorda escrota que nunca havia visto na vida ir falar de character por character que tinha que sair 10 minutos antes, que estavam todos avisados, e quem não fizesse era reprimand. Eu, chorando já saudoso, e a mulher falando isso comigo sem nem se dar ao trabalho de saber o motivo do meu choro. Animal Kingdom, a gente se vê por aqui.

A cada set que passava eu só conseguia chorar. Eu tentava parar mas era mais forte do que eu. E no celular só mensagens e mais mensagens de despedida, todo mundo na mesma vibe e uma que eu não esqueço foi da Diva Marcela em que eu li e conseguia claramente ouvir a voz dela falando aquilo no meu ouvido. Eu nunca, nunca tinha sentido isso antes. Aquilo mexeu comigo de uma forma que eu tive que sair e respirar um pouco, mesmo que me custasse um esporro por ter deixado minha roupa bagunçada lá (e sim, eventualmente a mulher foi lá mesmo).

Nesse meio tempo vi que o Giovani tava no break do almoço e veio falar comigo. Ele me viu chorando e antes que ele falasse alguma coisa já falei “é meu último dia, só isso” e ele muito fofamente “ah tá, não te vi no Tusker House pra te ver desse jeito”. Eu ri muito com essa. Depois falei “embora não tivemos contato nenhum, gostaria de te dizer mais uma vez que você é um herói de sobreviver aquele lugar 4 vezes por semana e que você com certeza é uma das pessoas que lembrarei desse programa pelo dia que me salvou”. Ele deu um sorriso, pedi um abraço e assim o abracei. Mesmo emocionalmente abalado, me aproveitei para tocar em seu tanquinho fenomenal. Precisava me despedir decentemente gente. E assim vi meu herói do Animal Kingdom pela última vez.

Fui almoçar, esbarrei com o Bruce que também me deu um abraço, Jessica Cracco, minha outra heroína (que aliás fui a SP recentemente e tive o prazer de conhecê-la melhor e sim, ela é made of awesome linda e já tá na Disney de novo arrasando na Haunted Mansion) e voltei para a porra daquele Camp amaldiçoado.

Chorei de rir ao reparar que a garota do braço quebrado (do dia do Frozone) foi lá tirar foto comigo. Até ai tudo bem, achei uma coincidência incrível mas tá, seria só isso até que ela pergunta “Goofy, lembra que ano passado no natal eu te pedi uma namorado e você falou que ele viria? Cadê?”, nossa, mas eu ria tanto, mas tanto. A garota não satisfeita em pedir pra sair com o Frozone, ela pedia para outros characters para arranjarem um namorado pra ela! E ainda vinha cobrar depois! Forever alone, a gente vê por aqui. Sério, que dó. Respondi que ele iria vir ainda esse ano. Só que ela tapada não entendia e eu tive que fazer “2011″ com a mão. Quando ela tava indo embora a attendant só me olhou com uma cara que diz “creeepppyyyy”.

Tirando isso, acho que não aconteceu nada de espetacular não, até o último set. Uma família com três crianças veio correndo na minha direção. Eu tava tão fraco, tão abalado, que eu cai no chão. A attendant  cagou, simples assim, mas eu gostei. Fiquei lá no chão com as crianças todas felizes ao meu redor e a mãe tirando zilhões de fotos. Momentos depois acabou e foi isso. Recordo de voltar aquele caminho no meio do mato pela última vez, olhando ao redor como quem sabe que vai sentir saudades mesmo odiando mortalmente aquilo, esfregando uma luva na outra como quem se despede daquele ser tão querido por tantos e especialmente por mim.

Por mais brega, clichê, estupido, infantil, nonsense e o escambal que seja, o carinho que eu adquiri pelos personagens que fiz (em especial Goofy e Woody) é algo que só passando pra saber. Eu até pensei em escrever uma carta falando mais ou menos sobre a sensação e dar para um Goofy no dia seguinte, mas não tive tempo e no fundo sabia que essa pessoa um dia sentiria tudo aquilo também, logo, desnecessário. É uma sensação diferente, é um amor infantil, feliz. Você sabe que ali só tem partes de uma fantasia e ainda assim você deu vida a um personagem que faz parte da vida de muitas pessoas. Eu fui a alma dele. A gente acaba se apegando muito, a sensação é quase que eles são nossos filhos. Não sei se algum dia terei um de verdade, não pretendo, mas algo no fundo me diz que deve ser uma sensação parecida.

Devolvi a costume chorando e fui chorando até metade do caminho do Epcot. Passei lá rapidinho porque queria preparar uma surpresa final para o Cody. Nas nossas conversas, ele me falou que morava em Michigan, que fica perto do Canadá, e que ama a França e sonha em um dia morar lá. Lembrei que no Epcot tinha pelúcia do Goofy com a bandeirinha do Canadá e fui depois na França pedir o favor de alguém pra traduzir uma carta que eu havia feito durante o dia. Eu basicamente escrevi o que significou ter ficado com ele naqueles dias, que sentiria saudade, que ele foi uma das melhores coisas que aconteceu já pelo final, essas coisas babacas/românticas/bregas. Mas por ele amar francês, ter traduzido aquilo só deixou mais fofo. Comprei também uma caixinha de música que toca La Vie En Rose. Pronto, tinha meu presente de despedida.

Fui pra casa, tomar banho e ficar horas lá dentro pra me recompor e corri pra última Buffalos que foi outro momento emocionante. Era o melhor programa da gente e todos, todos sem falta foram. Muitas fotos, muitas despedidas, muito amor.

Mari Rio, SP e Fabinho.

Fra, May e Ra.

Loren, Sarah, Saulo (o macho de Fortaleza que me emprestou a roupa social!) e Diva Marcela ao fundo.

Iza Attendant revelvou umas fotos e me deu de presente a dela comigo de Woody e eu, ela e May na frente do chapéu do Hollywood com um “I’ll miss you”, coisa mais linda. O Cody não iria porque ele ia ter uma prova no dia seguinte (o programa dele era diferente, tinha a parte chata e burocrática da faculdade que no nosso não tem)  só que quando eu olho, de surpresa aparece ele, Loren e Sarah. Mais feliz, impossível.

Detalhe que eu cantei Cabaret performando mais que a própria Sally Bowles (sério, gente que eu nunca vi na vida veio falar comigo depois daquilo) e ainda rolou o revival de I’ve Had the Time of My Life com a adição de Fabinho e Ju Attendant para fins de registro:

O melhor é que ele chegou nessa parte. Eu fiquei “ai meu Deus, era uma vez a mínima reputação que eu tinha!” só que ele simplesmente falou que amou. Pronto, era o que eu precisava pra ficar mais mal ainda. Ele não só era lindo, perfeito, como ria das minhas bizarrices. Era pra casar. E eu não ia.

O ônibus de volta da Buffalos era sempre uma loucura, super lotado mas numa diversão sem fim. Só pra vocês terem idéia:

Phe e Ruan ADORANDO esse momento.

Mesmo assim eu me acabava de rir. Nesse dia eu acabei voltando a pé com Cody, Loren, Sarah, Gabriel e Jeejay. O ônibus levava uma meia hora pra chegar, a pé era 20 minutos e de táxi era 5. Simples assim. Tá que eu só descobri isso bem depois e ainda assim, a palhaçada no ônibus fazia parte do fechamento da noite. E claro que nós, bêbados, andando também foi algo digníssimo. O Cody chegou até a zoar a forma que eu ia correndo atrasado todo dia pro ônibus. Chorava de rir.

Chegando em casa o Phe tava dormindo e Miguel ou Lucas também, então só tinha um quarto vago que era o do Ruan e Flávio que tava uma zona sem fim. Ficamos lá deitados, assinando coisas de despedida, naquela vibe não quero dormir amanhã é o último dia fodeu, mas eventualmente, fomos.

17 de Fevereiro 2011

Eu devo ter dormido questão de horinhas, acordei mega cedo pra ir resolver o lance das taxas. Nós brasileiros pagamos umas taxas que eventualmente são repostas para gente, pode ser feito no Brasil mas eles cobram taxas por isso também e acaba que o seu lucro não é tanto. Enfim né, nós sabemos bem o que é pagar taxas e mais taxas abusivas. Tinha planos de abrir o Hollywood Studios que nunca fiz e queria foto com o Goofy do Chapéu, mas entre ter mais dinheiro e ir abrir um parque por uma foto, ter mais dinheiro é prioridade.

Voltei pra casa, deixei as papeladas e tive minha despedida com Mari Rio. Ela precisava autografar um outro presente que ia dar pra Marcela Diva. E ainda assim, a própria era uma pessoa que havia me apegado muito, logo, tinha um presentinho especial pra ela também. Comprei um chá da Alice mesmo e dei. Ela começou a chorar falando “mas a gente se vê em NYC, você expert em musicais vai comigo em pelo menos um” e eu pensando “não sei se estarei ainda em NYC quando você for e se estiver, provavelmente estarei pobre” mas respondi “vou sim, claro” já quase chorando também. Fomos juntos a casa do Cody onde deixei meu presente em sua cama. Pedi pro amigo dele Darth Vader e fui. Coloquei a cartinha aberta com a caixinha de música em cima e o Goofy canadense usando a minha name tag (sim, dei minha name tag). Quem é Performer não se apega tanto a name tag já que nós nem usamos, e achei fofo na hora. Mari RJ olhou como quem diz “ih, fodeu, o negócio tá ficando sério”. E eu nem falei nada, só sai.

Ela foi trabalhar e ai sim fui pro Hollywood e à caráter, fui de Goofy pra despedida. Fui fazendo as rides que eu nunca tinha feito (e ainda assim faltaram algumas), depois chegou Biancão com o Tyler e fomos matando tudo na correria.

Patetando na Chuva!

Se despedindo dos amigos!

Fomos na área do Animations que eu sempre passava na frente como Frozone mas nunca entrei como Charles que era onde ensinavam rapidamente a desenhar os personagens. Entrei de Goofy e a moça falou que havia acabado de ensinar como me desenhar, que era uma pena, e eu falei “imagina, sem problemas” e então ela ensinou a desenhar a Minnie. A minha saiu até bonitinha levando em conta que sou eu desenhando. Dediquei até com um “to the best Minnie Disney ever had” e pretendia dar pra May na despedida. Só que eu iria perder aquilo no Magic Kingdom, o Gabriel iria achar e me devolver e eu iria perder na mala novamente para vir pro Brasil com ela, mandar pelo correio, a carta voltar e ficar aqui comigo até eu poder finalmente dar pessoalmente.

Depois corremos pro Magic para assistirmos o último Wishes. Enquanto esperava o ônibus, eu olhava pra trás como quem se despede do primeiro parque que entrou, se tornou favorito, amou visitar, trabalhar, tudo. Não chorei, tava tranquilo ainda, até mesmo que Biancão me deu um tapa e falou “olha pra frente!”. Chegando no Magic encontrei Cody e Loren na entrada e começou aquele que antecede, o do The Memories & You que tem as paradinhas do castelo, o lance do Woody que eu já havia chorado, etc. Claro que chorei de novo e logo em seguida começou o Wishes. Ai pronto, foi pra desidratar.

Naquele momento, pelo menos pra mim, não era mais Disney, não era mais o show de fogos de artifícios que é lindo e tal, era simplesmente a forma de cair a ficha dizendo “acabou”. Sabe esse garoto lindo que você tá ficando? Sabe essa menina do seu lado que você tem um carinho imenso e não sabe explicar? Sabe aquela sua amigona que também foi character e que você via todo dia? Sabe a sua diva das festas? Sabe o seu roomie querido? Sabe a família Fortaleza? Sabe a família 2910? Sabe tudo isso que você vem vivendo nesses dias incríveis? Acabou.

Quando os fogos cessaram eu tava destruído, sem saber direito como reagir aquilo tudo. Claro que Cody e Loren me deram mil abraços e tal, mas eles não sabiam o que era aquela sensação ainda. Eles haviam acabado de chegar. Quando a Loren foi embora ela me falou que ali sim ela entendeu, e é fato, é só nesse momento que cai a ficha. Eu abracei a Biancão e comecei a chorar mais forte ainda. Um aperto filha da puta que deu, até momentos depois eu a empurrei falando “eu vou te ver no Rio porra!” e ela “é, é…” chorando também. No fundo a gente sabia que não nos veríamos todo santo dia, mas é a vida. E assim fui de um em um. Para Marcela Diva dei a foto com todos os Characters autografada do nosso dia do Chef Mickeys, fui falando com todos que eu conhecia, até com pessoas que eu só trabalhei uma vez. O importante era abraçar e se despedir. O amor e a tristeza era mútuo.

Gabriel, Paulinha, Diva e Jeejay.

<3

Esperando o ônibus pela última vez.

Para despedida, eles fizeram uma reserva no Applebee’s. Mais uma vez eu, Cody, Loren e Ella. Eu tava em estado de choque ainda, não conseguia falar muito, mas fui voltando ao normal aos poucos e tive uma despedida fofa com eles. A sensação era que os conhecia tinha era tempo. Se uma semana lá parecia um mês, imagina quando você tá na sua última semana e encontra um grupo na vibe que acabou de chegar. Fiz coisas que se não fosse por eles, sem dúvidas teria voltado sem nem saber do que se tratava!

Cheguei em casa e bem, era hora de arrumar a mala. Deixei tudo pra cima da hora mas eles ao menos estavam lá pra me ajudar. Eu havia levado duas malas exatamente pra nem ter que comprar uma nova, só que eu só me toquei que uma das malas era extremamente pequena na hora. Não caberia nem 1/4 das minhas coisas ali! Entrei num desespero fodido, ficava andando de um lado pro outro sem saber o que fazer, até que decidi primeiro fechar a mala maior com todas as roupas e o que mais desse pra depois ver o que faria com a outra.

Tava lá Sarah me ajudando a dobrar as roupas, toda fofa usando técnicas que ela mesma aprendeu na Disney, Cody deitado me xingando por não ter feito aquilo antes, Loren me ajudando com os presentes e etc e eu tirando forças do além pra fazer aquilo. A Ella eu já havia me despedido porque a presença dela me perturbava, claro que não falei isso, mas ela falou que tava cansada e eu falei “sure, ok, you can go blá blá blá”, cheguei até a falar que ela não me devia nada de $10. Fui bonzinho no final das contas. E hoje em dia até de xingá-la eu sinto falta.

A Sarah levantou, disse que ia na casa dela rapidinho e já voltava. Deu 10 minutos e ela voltou com o laptop dizendo que ia ver se achava não sei o quê. Eu desesperado nem me toquei. De repente a Loren me chama pra ver algo ali, quando eu vou eles dão play num vídeo. Se eu achava que não era possível chorar mais que no Wishes, aqui eu chorei.

Para os que não conhecem, a música tocada é de RENT, meu musical favorito do qual descobri que Loren também amava. As fotos vão na sequência de quando a gente se conheceu, nossa primeira saída, o four loko, tá tudo ai. O mais engraçado é que eu realmente não estava documentando nada dessas coisas, mas ela estava não só com fotos mas com vídeos dos quais só vi naquele momento. Foi uma puta surpresa. Eu já perdi as contas de quantas vezes vi esse vídeo e morro de chorar sempre. Pra vocês podem ser no mínimo fofinho, brega até, mas pra mim é a lembrança de uma das melhores semanas da minha vida com pessoas fantásticas e incríveis. Não bastasse o vídeo, ainda me deram isso:

Porta retrato comigo de Fera e os dois. Sério, presente mais lindo que eles poderiam ter me dado. Foi mais uma hora pra conter o choro e voltar a arrumar a porra da mala. Eu havia levado meu cachecol do Mark (que nem usei) mas depois disso eu dei para Loren. Eu amava aquele cachecol, óbvio, mas aquilo era demais e eu precisava retribuir de alguma forma. Foi tão no impacto que ela mesmo recusou três vezes antes de aceitar, mas eu empurrei. Queria mesmo que ela ficasse e falei “you’re totally Mark Cohen, you deserve it”. Ela foi embora mas me prometeu ir lá cedo para um último adeus e ficou só eu e Cody. A partir daqui é tensão total porque eu queria muito uma despedida com ele, mas faltava tanta coisa pra arrumar ainda.

Corri na porra do Walgreens pra arrumar uma mala e tudo que achei foi uma horrenda toda rosa com bolinhas brancas. Era o que tinha pra hoje, foi o que comprei. Nem foi cara também, mas caguei, foi ela que me salvou. Comprei também um álbum de fotos que tem Woody e Buzz na frente, claro que já pensando nas fotos que revelaria no Brasil. Passei a madrugada fazendo a mala, era muita coisa que eu comprei, só nesse momento que me toquei. Queria estar com o Cody, ou me despedindo das pessoas que não vi, mas não, estava fazendo a droga da mala. Deu umas 2 e pouca da manhã e o Vini Tigger foi lá me visitar para se despedir. Um abraço que eu tava precisando mesmo, ainda mais de uma pessoa tão querida e especial como ele. Apontei pro Cody morto na cama e falei “se não fosse você, nem teria o conhecido, então obrigado”. Ele fofamente respondeu algo que não recordo e foi embora. Continuei fazendo a mala.

Fui na sala respirar um pouco, vi que ainda tinha um pouco de comida lá e liberei para meus roomies, tava todo mundo bebendo e eu adoraria estar com eles também mas né… Fui ver a porra do voo pra fazer check-in, desisti que não tava nem conseguindo usar o computador direito, o pessoal tava ouvindo pela última vez o Gato Mole, limpando tudo, todos dando um jeito também. Eu me sentia mais destruído do que qualquer dia de trabalho já feito ali. Meu emocional é muito mais sensível que o físico, só fui descobrir isso depois da viagem.

Em suma, eu fui terminar mesmo já pra 5 da manhã. Eu iria pegar o táxi lá pelas 7 ou 8, não lembro exatamente, mas eu tinha pouquíssimas horas. Tentei acordar o Cody, não consegui. Enfim, não teria a última relação mas no fundo nem sei se eu conseguiria também. Eu tava destruído de chorar, meu corpo tava cansado, não ia dar muito certo. Então só fiz me deitar do lado dele pela última vez.

18 de Fevereiro 2011

Acordei depois de dormir horinhas que eu nem senti direito. Já levantei meio desnorteado, conferindo se estava com as passagens, documentos, etc, até que o Flávio aparece no quarto todo desesperado falando para eu ir dar um pulo na sala. Não fazia ideia do que poderia ser, mas fui. Chego lá e vejo a May segurando o Stich com a cara destruída também de tanto chorar. Só fiz abraçar, não tinha nem forças pra consolar porque eu também tava na mesma situação. Eu lembro que eu cheguei a falar algumas coisas, mas o que meu filho, só Deus sabe. Incrível como a primeira performer que eu conheci na cama do meu roomie, agora estava ali, sendo a minha ultima despedida no mesmo lugar.

Phe tinha dormido fora, voltou só de manhã e deu tempo de dar um abraço, fui falando com meus roomies um por um mas só questão de abraço, chorar e é isso, ninguém tava conseguindo falar direito. O melhor é que eu tinha emprestado dinheiro pra meio mundo e nesse momento estavam todos me pagando e eu normalmente ficaria animado de estar recebendo dinheiro, mas nem isso me animava. Raissa me ligou e era isso, era hora de descer com as malas. Loren chegou bem nesse momento e eu decidi por puro impulso dar para ela o tal presente do Peter Pan que eu também comprei por comprar. Minhas malas estavam lotadas, aquela porra ia eventualmente quebrar e eu ainda estava querendo mostrar o quanto ela havia sido significativa. Ela adorou, claro, sem contar que ela se tocou que era porque havíamos visto o filme juntos, blá blá blá. E eu “isso, isso” sendo que né, nem era.

Eu desci com as duas malas por aquela escada e já estava morrendo. Cheguei lá em baixo e estava Raissa com a Fra. Essa vocês vão rir muito, mas lembra da menina que no momento em que entramos ao Vista estava morrendo de chorar que mencionei no primeiro episódio? Pois é, a própria. Adivinha quem me consolou nesse momento difícil em que eu estava botando minhas tripas pra fora em forma de lágrima? A própria também. Ironia do destino. Deixei as malas com ela e fui com a Raissa devolver os cartões, chave do apartamento, etc. No caminho eu ia encontrando pessoas e só conseguia abraçar chorando, na volta inclusive encontrei meu querido roomie Miguel. Ele foi o que eu tive menos contato mas por ele ser super na dele mesmo. Naquele abraço os dois começaram a chorar, sem nem falar muito ambos conseguímos passar a tristeza e a saudade que íriamos sentir um do outro. Mesmo sem muito contato, era parte da família 2910.

Volto e minhas malas sumiram, pergunto da Fra e ela diz lindamente com um sotaque fortaleza querido: “seu príncipe levou”. Cody e Loren haviam levado minhas malas para o táxi. Inclusive, se não fosse a Raissa, eu nem saberia como ir para o aeroporto porque eu simplesmente não tava com cabeça de programar nada, ela que resolveu e fomos com Johnny e Carina.

Coloquei as malas no taxi e fui dar o último abraço. Pronto, voltei a chorar como nunca e não parei mais. A própria Carina dentro do táxi falou “você não tem ideia do quanto isso tá quebrando meu coração”. Raissa falava “Charles, você tá indo realizar seu sonho!”. Eu não conseguia. Meu coração estava se partindo, sangrando, era uma dor que eu nunca havia sentido até então em toda minha vida. Eu peguei meu celular e já tinha mensagem dele, eu respondendo, momentos antes de chegar no aeroporto ele viu a surpresa que eu deixei. Ai pronto, mandou outra mensagem linda que me destruiu.

Chegando no aeroporto tinha muita gente conhecida, inclusive Diva Marcela que me viu e falou “esquece, esquece, já foi”. Eu consegui arranjar as passagens, Raissa tava tendo problema e teve que entrar na fila. Nesse momento eu não tinha mais forças de ficar em pé, encontrei um canto e sentei no chão. Alguma pessoas me acompanharam e inclusive a Isis, também performer, veio me abraçar e falou “não fica assim não, ano que vem a gente volta”. Só consegui pensar “caguei baldes pra Disney, não tô assim pela Disney, e sim pelo Cody”.

Toda a experiência foi incrível, como vocês bem viram, mas eu tava daquele jeito exclusivamente por ele. Eu sabia que teria um fim, eu quis aproveitar até o último momento, mas a dor eu não previ até mesmo que se eu tivesse ideia de que era algo naquele nível, eu provavelmente teria terminado com ele uns três dias antes ou nem começado! Eu estaria triste normalmente pela Disney, todo mundo fica, mas nesse caso, deixando alguém que você realmente se envolveu, é pesado gente…

Corremos para pegar o voo que já estava pra sair, entramos, tudo ok, tirando que nem do lado da Raissa eu sentei. De qualquer forma o voo era de 40 minutos. Eu nem senti, sentei, pisquei, estava em NYC. A partir daqui vimejá é outra historia, mas no fundo eu sabia que eu e Cody ainda teríamos uma história linda tipo…

NOOOOOOOOOOOOOOOOOT! HAHAHAHA.

The End.

Obrigado a todos que acompanharam a saga e espero que tenham gostado. Foi bacana relembrar esses eventos muito embora seja sempre bem difícil transmitir as mesmas sensações que vivi lá. Eu não anotei tudo portanto posso ter esquecido coisas, o próprio convívio com meus roomies queridos foi maravilhoso e eu não anotava porque era convívio diário, para explicar certas coisas eu teria que me prolongar mais do que o normal e no fundo, não interessa pra vocês. Coisas como roubos de pão, louça sempre suja, discussões e brincadeiras internas, coisas que de vez em quando surge e fico rindo sozinho. Esses dois meses e meio foram incríveis e destaquei aqui os momentos que davam para ser externados.

Se você leu porque é meu amigo da vida, agora você entende mais ou menos minha vibração na Disney assim que voltei. Se eu te conheci lá, agora você sabe o quanto é especial para mim. Existem pessoas que eu não listei pelo simples fato de que são muitas , mas se eu te dava nem que seja um “oi” quando eu passava por você, pode ter certeza que eu tenho lembranças suas. Se você leu porque pretende fazer o programa, super recomendo. É uma experiência única e se sentiu vontade, vá! Se você é Disney Freak, voltará mais ainda. Se não, ficará ao menos durante o programa e um tempo depois. Eu gostava muito mas não era muito freak e bem, devo confessar que tive meus momentos… Não chego ao nível extremo de muita gente, mas tive. Eu sou agora uma pessoa completamente diferente dessa que foi e viveu lá, mas parte disso é também pela minha experiência em NYC da qual relatarei provavelmente só ano que vem.

Luv, Goofy.

CategoriasAventuras, Disney

Diário de um Pateta – Pt X: Typhoon Lagoon, Bliss, Jellyshots, Breakfast de Brer Bear, Superação do Tusker House, Workshop de Tall Characters e Tell Me More, Tell Me More!

Faltavam 18 dias para o fim do programa. Nesse mesmo momento, em NYC, os musicais que eu mais gostaria de assistir fechavam. Next to Normal, In the Height, A Little Night Music, Fela!, entre outros. Eu estava tão submerso no mundo Disney que nem senti tanto. A sensação é que eu já era de casa, mas ai certos momentos a ficha que você em breve vai embora e ainda não fez tudo caia. Assim, loucamente irá tentar matar tudo de alguma forma. Eu até tinha tempo pra fazer tudo que eu gostaria (afinal, 18 dias né gente) mas o destino quis me surpreender de outra maneira.

01 Fevereiro 2011

Como eu disse, deveria acordar às 08:30. Não foi o que aconteceu. Quando acordei já era umas 09 e pouca, só fiz levantar, escovar os dentes, jogar uma água na cara, pegar minha ID, celular, mochila e sair correndo. Mesmo. Eu fui de pijama, cara toda amassada, pensei seriamente em faltar logo mas era Tusker House, eu queria superar aquele trauma (e bem, era dinheiro né). No caminho só fiz ligar dizendo que ia me atrasar e foi isso, continuei correndo. Se existe um lado positivo em se atrasar é que a adrenalina toma tanta conta que o sono vai embora no mesmo momento.

Como eu já disse em algum capítulo anterior, pra entrar no Animal Kingdom é a maior frescura. Tem que fazer filinha e passar a ID pra poder passar por uma catraca. Nunca deu problema comigo, mas claro, aquele era o dia pra dar. Eu passava e nada, recusou umas 10 vezes. Fiquei barrado com um outro brother lá que tava puto pois iria se atrasar e era semana de treinamento dele ainda. Tivemos que falar com uma voz do além via um rádio que perguntava quem era nosso manager, nosso nome, etc. Eu tava muito sem paciência, falei que não tinha manager fixo, que era Character e que já estava mais do que atrasado, o cara super grosso do outro lado falando que eu só ia entrar quando averiguassem, blá blá blá, ainda mandou eu olhar pra câmera, mostrar minha ID pra ela, etc. Sem contar que nesse momento, meu pijama não ajudou muito.

Me revoltei, peguei meu cartão e comecei a limpar loucamente na blusa. Tentei mais cinco vezes, na quinta foi. O outro carinha “como você conseguiu?” louco pra entrar, só falei “limpa na roupa e tenta!” e fui correndo pegar minha bicicleta. Cheguei morrendo pra dar o check-in e falei “Goofy Tusker House 2, really extremely late”. O cara falou pra eu correr atrás de um cara que já tava saindo e falar que ele não precisava ir mais. Um spare no caso já tinha até pego meu shift, já tava com a black bag andando pro lugar e eu o parei no caminho.

Ele me deu na hora, só perguntou se meu tamanho era M, falei que sim e pronto. Muito embora mesmo que ele fosse GG, eu provavelmente usaria. Não tava com tempo pra me dar o luxo de escolher nada. Eu pedi desculpas por fazer ele arrumar minha costume e ele disse que sem problemas, que melhor que não fazer nada. Ainda falou algo do tipo “eu que agradeço de não ter que ir pra esse lugar”. Eu respondi “já trabalhou lá, né?”, ele só fez uma cara do tipo “sim, sei bem o inferno que aquilo é”. Eu ri e lá fui, mal sabendo que teria outro dia péssimo.

Meu back-to-back era o Giovani pelo menos, fiquei mega feliz de vê-lo lá e dessa vez iria mostrar que evolui né. Não era mais aquele idiotinha que chegou e não sabia nada direito. Só que pra coroar meu dia, a Crystal estava lá. Só que ela não era Attendant, era a Captain. É tipo uma attendant que manda em tudo. Se ela já tinha sido escrota comigo pelo simples fato de ser, imagina depois daquele dia do Brer Bear que eu praticamente enfrentei ela de frente. Ela tirou o dia pra me irritar.

Cheguei tarde, logo, tinha menos de 10 minutos pra me arrumar. Fiz tudo correndo, ela vendo que eu tava correndo e ficava me apressando mesmo assim. Eu bloqueei mentalmente, até mesmo que tinha ali os gominhos mágicos do Gio. Durante o set ela vinha no meu pé fazer aqueles comentários nem um pouco legais. Tecnicamente quem fica perto é a attendant, mas ela quis fazer esse papel comigo, claro. Ela procurava tudo pra reclamar. Meu autógrafo ainda era lerdo, eu tava muito devagar, ela veio até me falar que minha dança do “celebration” era muito espalhafatosa. Eu falei “mas eu sou o Goofy, não tá certo?”. Ela “não, é só pra você bater o tamborim e deixar as crianças te seguirem, simples assim”. Não existe coreografia pra isso, eles sempre deixam fazer como a pessoa quer e ela veio querer reclamar até disso comigo só por puro ódio no coração.

Primeiro set terminado, havia sobrevivido e tava bem. Cheguei na sala e vi que eu tinha feito a rotação completa, dei aquele sorrisinho do tipo “se isso é ser lerdo, porran, quê que quer dizer ser rápido…”. Fiz questão de brincar com o Gio pra ela ouvir, falei “nossa, viu? Fiz tudo dessa vez, tô evoluindo”. Ele riu e falou que era assim mesmo e que um dia eu seria tipo ele, que acharia aquilo tão normal quanto amarrar o cadarço. Eu disse que não até mesmo que eu ia embora e não queria mesmo que aquilo fosse parte do meu dia-a-dia. Ele tava quase pra sair e eu perguntei “como você faz a sua dancinha com os tamborins?”, ele fez loucamente, até mais espalhafatoso que eu, dai olhei pra cara da Crystal, olhei pra ele já de Goofy e só falei “ah tá, obrigado”.

Ela não satisfeita fez “ó, tá vendo aqueles cartões de aniversário? Aproveita pra treinar o seu autógrafo neles”. Eu fiz porque querendo ou não, ajuda a galera do restaurante, mas fiz questão também de dar o autógrafo em 5 segundos e pular pra outro. Quando ela voltou eu já tinha feito em todos os cartões e eu tava lá lixando minhas unhas com uma lixa imaginária. Pensei que tinha ownado ela e que ela finalmente me deixaria em paz, mas não, não mesmo…

No outro e último set o meu chapéu começou a mostrar que ia cair, eu tentava mostrar pra ela, apontando, e ela ignorava. Devia ter pedido do Gio me ajudar a colocar (pois como já falei, não sabia de jeito nenhum pregar direito!) mas seus gominhos me desconcentraram ou sei lá. Pois não deu outra, ele caiu. Só que ele não caiu no chão, ele caiu em cima de um prato de comida e sujou todo (além de ter que fazer o garçom mudar o prato). Ai pronto, foi o motivo que ela tinha pra me detonar. A família em si tava rindo da situação, me chamou de Goofy, eu fiquei demonstrando que tava envergonhado porém rindo, eles estavam super de boa. Até a galera do restaurante tava rindo e trocaram o prato quase que instantaneamente. Só que ela não né, e juro, aposto que era só por ser eu mesmo.

Ela me chamou num canto e falou que ia falar com minha manager, que eu ia levar um reprimand, que eu tava fazendo de mal jeito pra irritar ela, blá blá blá. Comecei a chorar loucamente. Esse é o tipo de coisa que não me atinge, mas lá você fica extremamente sensível e até um “você é feio” já te deixa meio sei lá. Sem contar que é seu trabalho, você não quer ouvir reclamações por mais injustas que elas sejam. Sorte que eu tava de Goofy ainda então ela nem me viu chorando, não dei esse prazer pra ela. Meu dia que tava lindo foi completamente destruído pela mesma vaca mais uma vez e fiquei com ainda mais raiva daqueles chapéus escrotos. Tive que voltar rapidinho e o Gio colocou um novo no lugar sem eu nem tirar a cabeça, sério, como não amar?

Quando acabou, eu sai de lá e fui de basics falar com alguém responsável da área do restaurante pra pedir desculpas, que eu poderia pagar o prato e falei com um Chef lá e ele foi super bacana. Falou que isso era normal de acontecer e que já tiveram casos piores onde personagens derrubaram bandejas inteiras em cima dos guests, que não precisava me preocupar, etc. Depois disso fui pegar a black bag pra ir embora logo, só que eu acho que tava tão abalado que esqueci a minha roupa toda lá. Tô correndo pra me livrar daquele inferno de uma vez por todas e só escuto um “heeeeeeey”, olho pra trás e vem logo quem com minhas roupas na mão? Eu queria me enterrar, morrer, correr, tudo ao mesmo tempo. Ela me deu as roupas quase que jogando em mim, fez um “pfttt” e foi embora. Eu não consegui nem falar “thank you”, eu fiquei um tempo imóvel só me imaginando pulando em cima dela, a enchendo de porrada, rolando até o laguinho puxando seu cabelo e tentando afogá-la e o quanto eu faria daquele lugar menos infeliz sem a presença daquele ser. As pessoas iriam me vangloriar e ainda ganharia um fanatic card, aliás, mais. Ganharia uma estátua com um “Making Animal Kingdom a happy place to work since 2011″. Eu preferia ter perdido aquela roupa (era um piajama mega vagabundo) do que ter que vê-la mais uma vez, sério, trauma pra vida daquela mulher.

Eu tava cagando se ganhasse mesmo um reprimand, mas nem ganhei. Só fica minha dica pra quem tá indo. Por mais escrota que a pessoa seja (e se duvidar vocês podem acabar trabalhando com ela também), não discuta. Só balance a cabeça dizendo que sim e a odeie por dentro. Eu tenho certeza que essas coisas não teriam acontecido se eu não tivesse respondido nas primeiras vezes. Foi muito sem querer, mas saiu. Tentem conter esses impulsos. E como vocês viram, eu ownei ela de formas lindas, mas ainda assim ela encontrava formas de me perturbar. Ou seja, não compensa. Xingue mentalmente, xingue no Twitter, mas não confronte.

Se existe um lado positivo em trabalhar no Animal Kingdom é a sensação de liberdade ao sair de lá. Eu pegava a bicicleta e ficava sentindo o vento batendo na minha cara como quem dizia “parabéns seu herói, vá aproveitar o resto do seu dia que você merece!”.

LIBERDADE.

E para fechar ainda mais essa felicidade, existia uma pessoa chamada Jessica Cracco. Eu não a conhecia direito, pra não dizer que não a conhecia ponto, mas existem pessoas que você não conhece mas ela faz parte do seu dia-a-dia de vista com uma certa frequência que você dá até oi por educação. Ela conversando no ônibus era minha diversão, ficava feliz só de vê-la no ponto pois já sabia que iria rir. Ela é minha amiga no Facebook agora e não deu outra, os melhores posts que já vi na vida. Me arrependo de estar sempre tão traumatizado a ponto de nunca ter puxado um assunto decente com ela, certeza que ia me divertir horrores, mas faz parte… Temos a vida real para compensar isso agora e São Paulo é logo ali.

Havia marcado de ir à Universal mais uma vez com Biancão, como ela não tem celular eu fui e fiquei no Commons esperando até ela aparecer. Ela chegou uma hora e pouco depois dizendo que tava podre de ressaca do dia anterior mas nem fiquei puto nem nada, já tava no nível que se ela me desse um tapa na cara e me chamasse de sei lá, “viado escroto de merda”, eu ia falar “também te amo”. Eu fiquei foi mais chateado por ela mesmo pois o ticket que ela comprou expirava naquele dia e ela não poderia ir de novo, mas ela tava de boa, logo… Segui pra casa e fui dormir.

Eu apaguei muito, e tava sem celular também porque havia emprestado pro Ruan (ele ia vender blue pass e precisava, sem contar que ele me ajudou pagando já que havia feito um trato com ele no começo do programa, era o mínimo emprestar quando ele me pediu) mas Murphy né, no dia que você pensa que não vai ter nada demais, foi o dia que tinha era tudo de uma vez só. O party bus para Rain que havia combinado com o Vini saia às 23h, Ruan me acorda às 22:30 perguntando se eu não ia mais. Só deu tempo de levantar, tomar banho, me arrumar e sair correndo pro ponto! Eu cheguei e o ônibus já tava pra sair. Só ai que eu sentei, respirei, comecei a beber o que ele havia levado e fui ver meu celular. Tinha mensagem de Deus e o mundo!

Meu Buzz perguntando se eu iria trabalhar cedo no dia seguinte, Tyler me escreveu no Facebook perguntando se eu ia sair (eu tinha ativado o Face pra me mandar mensagem quando escrevessem no meu mural – explico futuramente o motivo dele ter feito isso), Zach falando se eu tava livre que ele queria conversar (eu tava tão sonolento que tava “gente, quem é Zach?” mas é o menino do Pirate Goofy) e Cody (o australiano do dia anterior) perguntando se eu ainda ia sair mesmo que ele queria ir. Eu parei por um momento e me senti completamente Guido:

Só que infelizmente não dava tempo de marcar nada com ninguém, já tava a caminho da Rain. Respondi a mesma mensagem para todos e foi isso, voltei a beber pra deixar minha noite mais divertida.

Tecnicamente deveria me sentir até forever alone, mas era impossível se sentir assim lá com tanta gente querida. Encontrei o Fabinho no party bus, inclusive, tava tão altinho que posei pro fotógrafo da festa (que é o Kevin, mesmo responsável pelo party bus) e encontrei no face mega por acaso:

COM A DRAG, LINDA.

MODELANDO PRO KEVIN DO PARTY BUS.

LINDOS E DIVOS QUE TAMBÉM ESTAVAM LÁ.

Minha olheira linda, né gente? Perceba minha magreza também de quem não come direito tem tempo.  Mas eu me diverti muito nessa noite, não peguei ninguém (e no fundo nem queria, eu ficava pensando nas mensagens e só) mas eu nunca saia nessa intenção também. Eu ia mais pra curtir, dançar e se acabar, até mesmo que se eu faço isso, é certeza que ninguém vai me querer porque minha dança é uma coisa de outro mundo e nada atraente. É o oposto da dança do acasalamento. Sério.

Um detalhe que descobri recentemente que vai mudar por completo a vida das pessoas tímidas que pretendem fazer um Epcot Worldshowcase de homens (minha intenção antes da viagem): baixem o app pro Ipod/Iphone chamado Grindr. Ele rastreia os homens perto da sua região e você fala diretamente com eles, sério, é absurdo o quanto ele facilita. Isso lá deve ser uma perdição. Tira a graça de você conhecer, conquistar, se arriscar e ir conversar, mas confesso que até eu teria usado em casa, deitado, morrendo de preguiça na cama e chamando quem eu gostasse pra ir lá pra casa. Falo mais sobre isso no capítulo final com altas revelações.

02 Fevereiro 2011

Nós temos caixinha de correio lá, só que só o Ruan tinha a chave, ele nunca ia verificar, eu nem sabia onde ficava e ainda assim tinha coisa que chegava pra um e não pro outro. Todo mundo recebeu o “Holiday Pass” que é um cartão que dá uns descontos, pipoca e refrigerante de graça, uma foto revelada de graça, etc, menos eu. Isso ainda no natal, verifiquem pelo nome do cartão. Sendo assim combinei com o Johnny (namorado da Carina que tirou foto comigo de Pirate Goofy) e um outro amigo dele (que devo $1 até hoje pois nunca mais o vi) e fomos de táxi. O lugar onde se pega não tem transporte dentro da Disney mas fica a dica pra quem vai que compensa, não dá nem $5 de táxi pra cada um. Eu até esqueci o nome do lugar, mas todos sabem. Perguntem e se possível, não deixem pra última hora que assim vocês podem usufruir de todos os direitos mesmo.

Meu trabalho seria no Epcot e uma amiga minha de Manaus passaria o dia lá, mas não consegui marcar horário nem nada, logo, fui na esperança da magia Disney acontecer e encontrá-la por acaso. É, não rolou. Ao menos tirei fotos em quase todos os países com a May e fui trabalhar depois.

Portão do Inferno - onde tudo começou!

Para todas as Maries.

Cinderela lost no Epcot.

Sendo criança feliz, pra variar.

Arebaba!

GRRRRRRRRRRRRRR.

ALÔ LADY GAGA, TÁ ME OUVINDO?

Especialmente para minha sado-lesbo favorita. E veja como performers no break trabalham mais que os performers de lá!

May foi antes pro trabalho dela que era um pouco mais cedo, eu matei só mais uma attraction e fui também. Encontrei a Tamy Attendant lá (a que o cara deu em cima na fila quando eu tava de Fera). Era praticamente o último dia dela, ou penúltimo, mas já tava pra acabar. Ela vai e me fala a história mais linda que eu ouvi até aquele momento, que o cara a levou pra um jantar romântico, foi pra praticamente mansão dele, altas paradas “pretty woman walking down the street” que você acha que não acontece na vida real e ali, acontecendo com ela, prestes a ela ir embora. Eu encantando, achando tudo lindo e mal sabia que eu teria um destino bem parecido. Na verdade muitas pessoas tiveram, acho que faz parte do final de programa de todo mundo.

Essa Cinderela lost da foto apareceu e ai vi que segurava em suas mãos o livrinho de treinamento, dai tudo fez sentido. Inclusive fui falar com ela, elogiar que ela já tava ótima, ela ficou toda feliz. Mas sério gente, a pessoa saber o nome do cachorro da Cinderela, pra mim, é algo admirável. Tinha que elogiar. Deixando claro que isso é louvável levando em consideração o trabalho dela, se você sabe isso na vida real, eu tenho é medo de você. Mesmo.

Meu shift era o Swan Dinner, caso não lembrem, é aquele shift mega fácil que você trabalha no restaurante morto, é só você e o Pluto, e você fica inventando o que fazer, brincando com os guests, é ótimo. Eu tava meio resfriado, mas nem era problema porque nem tinha gente pra me ouvir espirrando. O mais tenso é quando você tira a cabeça e tá puro catarro, mas ai você delicadamente se esconde e limpa.

A attendant era a mesma da outra vez e ela lembrou de mim. Eu me impressiono muito com esse povo, eles trabalham com várias pessoas diariamente e conseguem lembrar o nome! Ela era muito fofa, ela mal ficava do meu lado porque era muito vazio, não precisava. Falou que eu podia ficar brincando, me deixou mega à vontade, teve uma hora que tava tão morto que ela me deixou andando pelo saguão do hotel brincando com os guests que nem eram do restaurante, e no último set tava tudo vazio então fiquei numa mesa com ela me dando dicas de NYC. Eu achava aquilo tão engraçado no fundo, sabe, imagina uma pessoa sentada numa mesa com o Goofy. Isso por si só já basta. Ela ainda falando olhando pra mim, super séria. Falava que lá era perigoso, pra eu tomar cuidado, eu só imaginava “amiga, sou do Rio de Janeiro, tell me something new” mas por fora o Goofy balançando a cabeça.

Eu cheguei a sentar em várias mesas pra ficar brincando, uma senhora falou por uns 10 minutos comigo enquanto o marido estava no banheiro, dai ele voltou, tiramos a foto e chegou o garçom com a conta dai ela “o Goofy vai pagar”, eu sai correndo e eles rindo. A Pluto do dia era uma garota que era Pocahontas e Mulan. Eu queria perguntar “como? co-mo você consegue essa proeza?” mas seria muita indelicadeza da minha parte.

Enquanto eu morria de espirrar sozinho na sala improvisada que era nosso “camarim”, depois de já checar as novidades do Facebook, Twitter, me enchido de refrigerante e sem mais nada pra fazer, me toquei. Aquele era o momento de ter a foto com a roupa sem cabeça. Não deu outra, coloquei a máquina no balcão, temporizador e pronto, bati minha foto clássica de Goofy sem cabeça. A única diferença é que eu não sou estupido de postar aqui. Tem um cara que colocou num blog dele (encontrei antes da minha viagem) mas não, isso é muito errado. Não é por medo de processo, é por quebrar a magia mesmo. Uma coisa é você ler, imaginar e pronto. Sem contar que duvido que crianças estejam lendo isso aqui, mas a foto, é de traumatizar qualquer criança. Eu tenho e posso mostrar pra alguns amigos, e só. É minha forma de recordação apenas e sou muito feliz de ter a tirado.

Indo embora a attendant reparou meus sapatos (os que eu comprei a um século atrás com o Phelipe, lembram?) e começou a rir falando que eram os sapatos mais Goofy que ela já viu na vida. Eu, óbvio, tomei como o maior elogio de todos os tempos. E de fato, eles são. Reparem no sapato das fotos que postei ainda com a May. Lindo, né? Passo mal com eles. Falando em May, ela lindamente me esperou para voltarmos juntos para casa, nos arrumarmos rapidamente e partirmos para mais uma noite de Buffalos!

Nat Teco vivia falando que seu sonho era cantar “(I’ve Had) The Time of My Life” comigo, eu falei que cantava numa boa. Só que foi muito engraçado, ela ficava mandando mensagem “vem logo! só vou pedir quando você chegar!” e eu “pede logo, eu vou!” ai “já pedi, se você não vier eu vou cancelar!” e eu “calma, eu tô chegando!” e quando eu cheguei que ela me viu, pronto, soltou aquele ar de alivio e eu chorando de rir. Deu um tempinho e cantamos, eu fiz quase que a cena do filme mesmo, com o único diferencial que não teve saltinho final, mas foi super bacana. Fui fazer alguma outra coisa, a encontrei um tempo depois e ela pegou na minha mão, olhou bem no meu olho com os olhinhos brilhando e falou “obrigada!”. Eu não tinha feito esforço nenhum, muito pelo contrário, amei aquele momento mas pra ela era como se eu tivesse feito ~o~ Magical Moment. Tão fofa. Fiquei mega feliz e curti como sempre o melhor dia que eram as quartas. Ainda teve uma semi-festa lá em casa pra fechar o dia com chave de ouro.

03 Fevereiro de 2011

Meu segundo call-sick. Seria a Fera mas não deu tempo de dar o shift porque fiquei sabendo em cima da hora que Mari Rio e Iza Attendant iam à Universal e eu queria ir mais uma última vez, ainda mais com essas lindas, impossível recusar. Uma coisa boa de ser Character é que você ama tanto seu trabalho que no fundo você não queria dar o shift, mas você dá por pura necessidade de curtir a vida fora do trabalho e tenta imaginar que seu dia lá seria sofrível.

No meu último call-sick eu fui no the Color Purple, lembram? Eu amei e queria muito mesmo, logo, foi necessário. Só que naquele mesmo dia tinha uma hora extra pra fazer o Woody na maratona. É uma maratona em que os guests correm e os personagens ficam no caminho dando aquela força. Deve ser no mínimo engraçado, eu ia amar ter feito, mas não deu. No dia seguinte eu fiz até o Contemporary e geral tava com a medalha do Goofy (que eu descobriria só bem depois que é a medalha de participação, ou seja, todos ganham!) e eu ficava apontando todo feliz e a resposta era sempre a mesma “yeah, it’s you Goofy!”.

A Mari Rio tava mais “viajada” do que sempre, ela tava usando uma bolsa da Alice e foi dai que nasceu a expressão “olha o chá!”. Sempre que ela falava algo pela lerdeza, ou por viajar, a gente usava. E sim, foram muitos momentos de chá que eu não sei como não morri de tanto rir. Sabe quando você ri de uma coisa, mas se você tentar explicar pra outra pessoa ela vai te achar retardada? Pois é. A Iza linda levou sua máquina profissa do cacete que faz você sair mais bonito que na vida real e tirou várias fotos lindas, mas selecionarei só as melhores das melhores das melhores:

Poder, riqueza e sedução no trolley.

Beetlejuice, beetlejuice, beetlejuice!

Todo mundo batia e falava "thank you", eu falei "hashkangammm" e ela se segurando pra não rir.

For all the Goofies, Munk, Tigger, Pluto and Mouse heights!

É TUDO NOSSO!

CRUCCIO!

Foi bacana porque consegui repetir coisas que já havia feito, além de algumas novas. No fundo acho que fiz 90%, só deixei algumas que não davam por conta de horário, tipo o showzinho do Sinbad e tal. Mais uma vez, amo aquele parque mais que a Disney em si. É muito mais adulto, muito mais minha cara e ir em boa companhia só tornava isso ainda mais óbvio. Deve enjoar trabalhar lá porque só são dois parques, mas como guest eu amei.

Voltamos pra casa, Mari me alimentou e fui pra casa dormir. Digo, quase. Eu ainda não tinha a chave de casa desde que havia perdido (tava todo dia ligando pro lost and found na esperança de recuperar meu goofy key chain) e não tinha ninguém em casa pra abrir a porta. Eu bati horrores e nada. Voltei pra casa da Mari e ela me abrigou em seu sofá. Detalhe, Zach me ligou mas como não podia ficar falando pra não atrapalhar as roomies da Mari, disse que ligaria no dia seguinte. Eu não fazia ideia do que ele queria, mas suspeitava que fosse algo bobo. Não era.

04 Fevereiro de 2011

Acordo e tem um papel na mesa. “Charles, fui trabalhar mas sinta-se à vontade de ficar até quando você quiser. xoxo, Mari”. Algo assim, não lembro exatamente, devia ter mais coisas fofas no meio e achei a coisa mais linda. Eu lá de intruso no sofá dela, e ela ainda deixando recadinho fofo pra me sentir em casa.

Esse foi um day-off que tentei pegar shift, mas já era mais que impossível achar shift disponível por conta dos novos CPs, logo, fui curtir. Havia conseguido falar com minha amiga de Manaus, Laura, e combinei de encontrá-la cedo na entrada do Hollywood. Eu passei em casa, me arrumei e fui. Ela se atrasou e por muito pouco eu não desisto e vou embora, mas deu tudo certo.

Ela já tinha comprado entrada ainda no Brasil, xinguei muito porque né, tinha todos meus blue passes ainda disponíveis, mas enfim. Eu confesso que fiquei muito feliz de encontrar alguém que eu já conhecia do Brasil. Todo mundo recebe família, amigos vão visitar, e eu não. Então só por isso já tinha ficado feliz, ainda pude ajudá-los dando desconto e tal. Foi engraçado que fomos correndo de loja em loja e eu comprando tudo por eles loucamente. O dia havia amanhecido bem com cara de chuva, mas do nada saiu um puta sol. Era o momento. Mandei mensagem pra Mari Rio, SP e Iza para irmos ao Typhoon Lagoon, o outro parque aquático que a Disney tem. Adoraria ficar com a Laura o dia inteiro, mas um dia como aquele era impossível de desperdiçar. Dei beijos, abraços e lá fui.

Eu já tinha ido no outro parque aquático mas fazia tempo, elas nem isso. Então tava todo mundo feliz em ver água e uma praia, mesmo que falsa e com areia de cimento. Sério, era todo mundo só sorrisos e falando “ai gente, arrasamos”. A sensação de ser guest é aumentada e muito num parque aquático. É tipo SPA de relaxamento. Ficamos pouco, questão de uma hora ou duas, mas foi o suficiente pra ser muito feliz.

Até então eu sabia que ficaria em NYC por duas semanas, mas tava querendo ficar um mês que era o que eu havia planejado e até comprado as passagens contando com isso. Mandei mensagem pra um amigo virtual que tinha, perguntando se ele morava só e tal, e ele vai e fala “sim, quer ficar aqui em casa?”. Maior facilidade do mundo. Morri de felicidade, sério, o dia tinha chegado no nível extremo.

Não satisfeitos com o SPA da Disney, jantamos na casa da Mari Rio e fomos para a jacuzzi. Fica perto da piscina que aliás, era do lado da casa da Mari, que era do lado da minha casa. Ficamos olhando pela janela até geral sair e fomos. Sério, que coisa gostosa. Tem gente que fala que existe um vídeo ai que mostra coisas tão nojentas que aconteceram ali que tecnicamente faria a gente nunca desejar entrar, mas sério, podia ser o cenário do vídeo da garota do sanduíche de boceta, eu iria. É muito, muito bom. Relaxa o corpo inteiro e quando começa a ficar muito quente, é só sair, se jogar na piscina e voltar. Eu nem creio que só usei uma vez enquanto estive lá.

O dia podia terminar ai que eu já estava mais que satisfeito, mas não, as meninas queriam sair. Eu tava falando “aham, vamos sim” mas na cabeça “chegarei em casa e vou é dormir”, só que de tanto elas falarem eu me empolguei e tirei forças do além pra ir. Nos arrumamos e rumo à Bliss!

No party bus veio um cara brasileiro que mora em Orlando puxar papo, simpático até, mas feio que só ele com um amigo o oposto, mais na dele mas lindo de morrer. O bonito tava super dando umas olhadas na Mari SP e ela nem vendo. Chegando lá, todos entrando e o cara na bilheteria vai e me fala “próxima vez usa um sapato lalala”, nem entendi o que ele falou, mas era falando que naquele clube não pode entrar “bagunçado” e eu tava de tênis. Tiraram o boné do date da Iza também, maior frescura. Duvido se aparece uma mulher mal vestida se eles não vão deixar entrar da mesma forma.

Caguei né, entrei dançando já, super abalativo. Uma das situações mais engraçadas da minha vida foi todo mundo dançando e de repente eu sinto uma coisa na minha cabeça, passo a mão e ahn, dólares? E mais e mais caindo, todo mundo pegando e eu “tipo, sério isso?” e comecei a pegar no instinto total. Meu cérebro não tinha processado que aquilo era dinheiro mesmo, tipo, não tava acreditando. Só depois olhei pra cima e vi gente da área vip fazendo o Silvio Santos. Sério, eu peguei bem uns $15. A entrada era $10, então entrei de graça e ainda ganhei dois shots. Eu fiquei rindo por uns 15 minutos dessa situação, sério.

Dançando achamos os meninos do ônibus e eu falei “Mari SP, vai!” e ela “não, é impressão sua” ai eu “ah é?”, comecei a empurra-la dançando até que se encontraram, ficamos dançando em rodinha e pronto, já estavam os dois num canto dançando juntinhos e dali sairia o affair dela até o final do programa. Eu tava de olho num italiano chamado Marcelo, sério, ele era muito fofinho. Na época eu achava, hoje em dia nem sei se de fato pegaria, mas eu sou muito assim. Se eu tô numa festa e vejo alguém que me chama atenção, ele é o foco, é ele que eu quero, é nele que eu tentarei chegar, não quero mais ninguém.

Infelizmente não bebi pra chegar no nível de chegar, e eu meio que sentia que ele queria vir mas era tão timido que nem eu. Dançamos até muito perto um do outro, mas ficou nisso mesmo. Inclusive veio um outro italiano enorme, maior que eu, todo fortão, cabelo mega escuro, querendo dançar comigo e eu recusei por conta disso. Arrependimento pra vida. Ele até falou que trabalhava no Epcot na parte da pizzaria, que eu podia visitá-lo lá, mas enfim, faz parte. O Charles daquele momento não queria né…

Diva Marcela me manda mensagem perguntando onde estava, respondi e ela falou que iria me esperar em casa. Eu chego em casa e ela tá lá, pergunto “que foi?” e ela “nada, só queria te ver”. Uma pessoa que te espera chegar em casa lá pras 3 da manhã só pra te ver, é ou não é muito amor? Sério, sem duvidas, um dos dias mais bem proveitosos de todos. Carpe Diem total e aposto que as meninas concordam comigo sempre quando lembramos da viagem e relembramos esse dia made of win.

05 Fevereiro de 2011

Agora, seguido de um dia desses, se existe o dia que foi histórico em todos os aspectos, foi esse. É até emoção demais pro meu pobre coração relembrar esses dias, nossa. Considero sem sombra de dúvidas o melhor do programa inteiro e vocês verão o porquê.

Eu seria a Fera mais uma vez, mas fucei no sistema que a Biancão seria o Sr. Incrível e o Yargo o Frozone. Ele já havia trabalhado no dia anterior com ela, então pedi o favor se ele aceitaria me dar esse shift que ele ia me fazer um puta magical moment de trabalhar com minha Goofy sister. Ele aceitou desde que eu desse o shift de Fera. Consegui dar a tempo, peguei o shift e por muito pouco quase nem faço porque não haviam ainda atualizado no sistema que eu passei no fitting, ou seja, se não fosse por isso eu nunca mais teria feito o Frozone por puro erro deles. Muito provavelmente eu já teria sido chamado na semana em que Biancão só fez Sr. Incrível mas enfim, pelo menos deu tudo certo no final.

Eu fui mais cedo, arrumei a costume e fiquei a esperando. Dai tá, ela chega, pergunta o que eu ia fazer e eu menti falando que Sulley. Fomos fazer o warm-up, fiz junto dela e ela nem se tocou nem nada. Ela foi arrumar a costume dela, dai ela pegou a luva e eu me toquei “caralho, não peguei a luva!” dai peguei e ela “pra quê tu tá pegando isso?!” e eu inventei uma desculpa muito ruim, algo do tipo “sei lá, quero ver, tô com saudade” e ela com cara de “wtf?” e eu não aguentei “tá caralho, eu vou ser seu Frozone hoje, surpresa!”. Ela abriu um sorriso tão mas tão mas tão lindo e o olhinho brilhando, sério, queria ter uma máquina naquele momento pra registrar.

Vale lembrar que eu não o fazia desde da primeira vez, e daquela vez eu já fui vestido direto, logo, eu não lembrava tecnicamente todas as peças que eu deveria pegar. E a) pela emoção de fazer com Biancão, b) por ser de manhã e c) por eu fazer nas pressas pra surpresa, acabei esquecendo coisas e só fui me tocar já lá. Tô me vestindo e me dou conta “gente, tô muito magro… holy shit, esqueci os músculos!”. Eu morrendo pra Biancão e ela “zomfgholyshit” foi e ligou pro costuming pedindo. Eu tava sem cabeça até pra pegar o telefone! Um cara chegou com a maior cara de raiva e entregou. Quisera eu que tivesse terminado ai.

Fui me vestir de novo, faltava a espuma branca que cobre os músculos e os deixa mais suave. Conferi tudo de novo e sim, era só isso que faltava. O mesmo cara foi lá puto da vida e nisso meu set já havia começado tinha uns 3 minutos. Fui vestir a luva, pra quê? Peguei duas mãos esquerdas. Ai pronto, o mesmo cara foi pela terceira vez com aquela cara de xingarei muito no Twitter e falou “ACABOU AGORA MESMO?”. Eu pedi desculpas e tal mas né, compreensível ele ficar puto. Eu fui no set já com uns 15 minutos perdidos. O mais engraçado é que eu cheguei e um cara na fila fala “Where is my super suit?!”. Graças a Deus eu lembrei que isso é uma referência do filme, dai interagi como se tivesse procurando e o pessoal riu.

Mal sabia ele que de fato, eu tive problemas com minha super suit! Só que a culpa não era da mulher, era do Charles mesmo. Voltei sabendo que ia ouvir algum sermão, dai um manager veio falar comigo e falou que isso não poderia se repetir, que dessa vez não ia ter nada grave mas que a roupa é responsabilidade minha. Respondi que sabia disso mas que era a segunda vez que fazia e da primeira eu já fui vestido, mas que ainda assim devia ter pedido ajuda, blá blá blá. No fundo eu tava cagando porque faltavam duas semanas pra ir embora, tava com Biancão ali sabe, um beijo pra tudo de errado que poderia ter acontecido naquele dia e tirando isso, nem aconteceu. Acho que também depois de sobreviver a Crystal, sobreviveria todo o resto.

Nos divertimos horrores, foram muitos momentos memoráveis. Dançamos o Cupid Shuffle com o Handy Manny e a galera ficou aplaudindo. É o tipo de dança que eu falei pelos primeiros capítulos. Você aprende na hora e vira vício. É divertido pela ideia de todos seguindo a mesma coreografia bonitinha.

Eu ficava perturbando a Biancão na hora do autógrafo, porque a luva é tão tensa que tem que escrever em cima de uma mesinha. Enquanto ela escrevia eu ficava atrapalhando batendo na caneta e teve uma hora que ela respirou fundo e foi levantando a cabeça bem devagar. Gente, eu morri muito de tanto rir. Imaginem aquela cara do Sr. Incrível levantando pra você com olhar de reprovação, sério, foi sensacional.

Com Caro e Beatriz!

Goofy pose!

Eu acho que tivemos mais visitas, aliás, tenho certeza porque mandei zilhões de mensagens avisando desse dia histórico só que não anotei na agenda e foi tanta felicidade que esqueci gente, desculpa. O importante é que vocês foram e se você era performer, sabe bem da emoção que é ver um rostinho conhecido e nem preciso explicar! Inclusive me mandem as fotos porque assim eu não esqueceria e as quero de recordação!

Em termos de companhia de trabalho, sem duvida alguma foi a melhor. Era mais que um prazer, era uma honra estar me divertin… *cof* trabalhando com Biancão. Palavras não expressam o amor que sinto por ela e o quanto ela foi fundamental no meu programa. Eu poderia ser a pessoa mais odiada do programa inteiro, se eu a tivesse, não me importaria. Ela me entendia sem eu nem precisar terminar a sentença, eu ia visitá-la em sua casa mesmo sem nada pra falar só de saudade que eu sentia, ai enfim, mais dedicação melosa no último capitulo mas Biancão é pra vida.

Na volta nos ainda fomos no Walgreens comprar umas coisinhas, eu já revelei algumas fotos que queria dar de presente pra algumas pessoas, fui pra casa da Biancão e enrolei horrores, jantei lá, e tava indo pra casa crente que ia dormir. Mas não, o destino me aguardava com algo que até hoje eu paro pra pensar e acabo chegando a conclusão que é, era pra ser mesmo. Não tinha como escapar. Tô abrindo a porta de casa e quem tá no corredor do meu prédio conversando com outra pessoa? Jordan. A australiana daquele dia voltando da balada com Vini.

Eu fiquei surpreso e ela já solta “vai fazer o que agora?” eu “dormir” ela “não, nós vamos no hashakadofjla, vamos?”. Eu disse que tava cansado e tal, que ficava pra próxima. Entro em casa e surpresa, a porta do meu quarto tava trancada por dentro. Pensei que o Phe tava lá, mas não, ninguém dentro. Mistério. Deixei minha mochila na mesa, sai e falei “changed my mind” e assim parti com elas. Sabe? Dormir no sofá podendo conhecer um lugar que eu nem conhecia ainda? Claro que não.

Ela estava acompanhada de uma gorda nojenta que parece a Hannah do Glee Project só que tirando que ela não é fofa, só é chata mesmo. Sim, o nojenta é por isso, ela é chata mesmo, nada contra gordos. Mas foda-se, queria me divertir, independente do que “hashakadofjla” fosse. No caminho conversando sobriamente pela primeira vez com ela descobri que Jordan na verdade se chamava Loren. Ela é linda, muito muito linda. É o tipo de mulher que eu tenho certeza que iria querer pegar se fosse hétero. Sem contar que ela é engraçada, fofa, você se apaixona em questão de minutos. Fomos andando pelo Epcot porque o tal do lugar era no Boardwalk. Um local fora do parque que fica perto de um dos hotéis e tem vários restaurantes e tal, e chegando lá eu vi que “hashakadofjla” era “Jellyrolls”. Eu não entendi nada quando ela falou na minha porta. Não sei se era o sotaque, eu cansado, meu cérebro falando “não vá! não vá!”, mas enfim, já me animei de ter ido porque parecia ser bem legal.

Passeando ainda pelo Epcot passamos numa lojinha que tava vendendo o passaporte de lá. Eu já havia ouvido falar, mas não tinha visto ainda. É um passaporte onde você passa pelos países pegando carimbos, selos, frases na língua do país. É fofo. Inutil, mas fofo. Ela comprou, eu acabei comprando também pois havíamos combinado de fazer o lance de beber nos países (um tour de bebida alcoólica típica de cada país) e ir pegando os carimbos, mega me animei. Ficamos andando pelo Boardwalk, tava um frio bacana, ar gostoso, tava adorando só por aquilo. Dai Loren fala “só temos que esperar o Cody” e eu tranquilo. Ficamos sentados conversando um tempo, até que ele chegou reclamando que no trabalho todo mundo vem falando português ou espanhol como se ele soubesse, e eu só fiz rir e falar que era assim mesmo, que ele ia se acostumar. Logo, fomos para o tal Jellyshots.

É um lugar que eu recomendo muito, é tipo uma Buffalos só que no lugar do telão com karaoke temos dois pianistas maravilhosos e geral faz o sing-along sem microfone. Uma vibe sensacional, fiquei encantado e sem acreditar que eu nunca havia ouvido falar de lá. Infelizmente é só pra galera acima de 21 anos, o que eu não vejo o menor motivo pra isso, mas é. Eles estavam com um grupo da galera que trabalha no UK do Epcot, todos super simpáticos e fofos. Fomos comprar bebida e tinha uma promoção de um drink de morango e altas frutas deliciosa por apenas $10. Sério, era muito, muito bom. Eu fiquei tomando aquilo feliz da vida mas o Cody queria ficar bêbado pra esquecer o stress do trabalho, logo, deixamos tudo com a Ella (gorda ridicula do caralho) e fomos comprar a tal bebida.

Só que não tinha nada perto, então andamos muito e muito, e eu morrendo de rir com eles. Chegamos num posto e compramos. Eu nem ia comprar, mas quando vi que era só $2 e pouquinho e segundo eles, era o suficiente pra ficar muito bêbado, comprei pra ver como seria. O nome da bebida: Fourloko.

Cody, Loren e a arma secreta da noite.

É uma experiência de outro mundo. Mesmo. Caso não acreditem, só deem uma olhada nessa matéria da Superinteressante: clique aqui.

Sim, pra tu ver o nível de álcool que aquilo tinha. O gosto era meio ruim, mas tem outros sabores e eu provei quase todos, mas logo naquele dia eu peguei um muito ruim. Eu virei por virar (já que o gosto era tenso) e eles ficaram chocados em como eu havia tomado tudo aquilo. Eles já haviam tomado, então eles sabiam como eu ficaria. Eu ainda não.

Na volta aquilo já começou a fazer efeito, tudo era lindo, tudo era digno de foto. Nós tiramos muitas fotos das quais não postarei pois vocês verão em breve. Chegando de volta, as pessoas que já eram legais, eram extremamente super mega legais. Falei com todo mundo, dancei com todo mundo, me diverti horrores.

Ella, Loren, Cody, eu e Ruth (até então nem sabia o nome, só que trabalhava no UK!)

Momentos depois eu lembrei da bebida deliciosa e fui perguntar da Ella onde tava, ela respondeu “vocês me abandonaram, joguei fora”. Eu fiquei “whaaaaat?” revoltado com aquela gorda escrota. Ela tinha me dado o motivo pra odiá-la. Eu gastei $10 numa bebida deliciosa e a vaca havia jogado fora com mais da metade! Sério. Largava na mesa, foda-se, não precisava jogar fora! Eu fiquei indignado, ainda mais com efeito do Fourloko, era como se tivesse sido a coisa mais grave que ela poderia ter cometido comigo.

Tudo foi muito divertido, apesar disso, e ainda conhecemos um casal que nos falaram serem amantes, que um dia iriam se casar (tá né) e ela falando pra mim “he’s amazing, he’s got a 9  inches cock!” e eu tipo ‘omggggg” sendo que nem sabia quantos inches aquilo dava em cm. Agora eu sei que dá 23 e sim, isso é um número e tanto né minha gente? Dai tá, seria algo normal se ela não tivesse falado “pode tocar, você eu deixo”. Normalmente eu juro que não faria isso, mas né gente, four loka loka loka. Toquei e caraca, de fato, Katy Perry would shed a tear com aquela peacock.

The 9-inches cock guy.

Muitos detalhes desse dia eu nem lembro muito claramente, outros só vieram à tona quando eu vi nos vídeos que eles me mostraram, mas deixo pra mostrar pra vocês no último capitulo. Só gostaria de comentar uma coisa. Muita, muita gente depende de bebida pra ser feliz. Eu não. Eu gosto de beber porque ela inibe os mínimos filtros que existem no meu cérebro e assim você está livre, feliz e apto a fazer o que te deixa feliz. Em alguns casos isso é perigoso, mas no meu eu só quero brincar, ser feliz, coisas de criança. Eu não dependo de bebida, eu gosto da sensação de liberdade. O que eu acho ridículo são pessoas que falam de aventuras bêbados que incluem vômito, quebrar algo, fazer coisas ilegais, etc, como se fosse algo bonito. Nunca cheguei nesse nível e nunca chegarei.

Fomos pegar o ônibus que demorou um tempão pra chegar e nesse meio tempo ficamos cantando de tudo. No ônibus não sei o que deu em mim, comecei a pegar o Cody. Freneticamente, como se eu nunca tivesse pego ninguém na minha vida. Tava num nível tão tenso que o motorista falou que era pra parar, e a gente continuou. Tava tudo escuro. O motorista conseguiu se perdeu (enquanto continuava gritando pra gente parar), foi chegar perto do aeroporto (?????), a viagem que devia ser rápida levou uma hora e pouco e eu lá com ele. No fundo eu não achava ele bonito, atraente, nada. Meu contato com ele tinha sido mínimo. Foi a primeira vez que eu de fato fiz isso pelo simples poder da bebida. Eu fico muito horny bêbado, logo, Fourloko era afrodisíaco.

Chegamos e cada um foi pra sua casa. Eu tô entrando e vejo a mensagem dele “cadê você????” e eu “ué, tô em casa”. Dai ele me chamou pra ir se agarrar no sofá dele. Eu respondi “não, vem você pra cá”. Ele falou que tava sem chave, blá blá blá, dai eu falei que tá, que iria. No que eu mandei essa mensagem meu corpo caiu na cama e não levantou até algumas horas depois.

06 Fevereiro de 2011 

Eu não sei como acordei na hora, não sei mesmo. Eu nem lembro do meu celular despertando. Só lembro claramente de ter levantado, escovado os dentes, jogado uma água na cara e sair. Mais uma vez de pijama mas sem medo nenhum porque você vê pouca gente pegando o ônibus 05:30 da manhã e foda-se também, naquele momento só de estar levantado já era uma vitória. Eu fui dormindo no ônibus e ainda na vibe da noite passada, tanto que tava feliz ainda. Nem tava puto de só ter dormido duas horinhas. Era uma ressaca com felicidade, coisas que só o Fourloko te proporciona. Eu tava muito feliz de ter ido num lugar desconhecido, ter experienciado algo novo, conhecido pessoas bacanas. O dia com a Biancão já havia sido ótimo, com aquele final então… É uma sensação que eu simplesmente amo e gostaria de sentir todos os dias. A de fazer algo no impulso e se impressionar em como a vida pode te surpreender.

Eu estava a caminho de um Breakfast como Brer Bear. Mesmo de ressaca eu me perguntava “quem nesse mundo gostaria de receber um urso pra tirar foto durante seu café da manhã?”. Acreditem, tem. O bom de fazer esses ursos é que o corpo é uma coisa só. Tem a parte por baixo, tem o corpo peludo, tem o sapato, tem a pele do sapato, cabeça  e fim. Isso pra quem é Goofy é um alivio pois você se arruma em menos de um minuto brincando. Eu nem lembro quantos sets eram, acredito que quatro, pois eu dormi o intervalo inteiro e só acordava faltando dois minutos pra entrar e me arrumava numa boa.

No caso, ainda era o Brer Bear. Um urso do qual só lembrava que era lerdo e burro, e isso me bastava. Nesse caso eu não precisei atuar muito. Eu estava cansado, de ressaca, meu andar normal já era de uma pessoa morrendo. O attendant me elogiou e eu respondi um “thank you” imaginando “se ao menos ele soubesse…”. Acho que eu nunca estive no personagem tão sem querer. Por isso amava tanto meu trabalho. Ele me deixava ir mesmo acabado, ninguém me via de verdade, não precisava perder tempo me arrumando, e em alguns casos ainda era válido. Tudo nessa vida.

Só que ainda assim, novamente, não entendia como aquelas pessoas ficavam felizes em me ver. Eu tinha pelos que poderiam facilmente passar pra comida delas. Sério gente. Alô? Alguém avisa?

O restaurante era bem tranquilinho, eu ia junto do Brer Fox (que até tirou minha duvida e disse que a gente só tava ali porque eramos costumes baratas e aquele restaurante em si era pobre) e depois tinha Minnie e Pluto. Acredito eu que a galera se animava com Minnie e Pluto, mas a gente era metade pessoas doidas que ficavam muito felizes, metade “ah olha o urso ali” sem nem saber nosso nome, dai falava qualquer coisa e as vezes nem queria foto ou autógrafo (que eu achava ótimo) e pronto. Eu lembro que uma menina até deu um puta soco na cabeça (que óbvio, nem senti, só levei um susto com o barulho) e a mãe revoltada fez ela pedir desculpas a todo custo e eu lá dentro só gargalhadas e falando comigo mesmo “vai sua monstra, pede desculpas!”. Ela pediu e eu respondi “isso mesmo sua vaca” e por fora demonstrando que tinha aceitado o pedido de desculpas.

Foi tranquilinho, como não tava passando mal nem nada apesar de estar meio sonolento, tudo fluiu numa boa. Eu paro pra pensar e nem acredito ainda em como foi tranquilo. E nem sei como um shift desse veio cair logo pra mim. Falei com quase todos e nenhum deles me falaram dele. Coincidência? Destino? Que seja.

Cheguei em casa, dormi mais um pouco e resolvi organizar minha vida. Não sei se perceberam, mas faz um tempo que não falo em lavar roupas, né? Eu tinha uma pilha imensa mas por pura preguiça preferia comprar roupa nova do que lavar as que tinha. Aquele era o momento de finalmente lavar. Eu já tinha comprado umas 30 cuecas novas, sem sacanagem. Aproveitei e lavei louça acumulada, tirei o dia de dona de casa mesmo e depois fui dormir mais um pouco porque aquilo por si só tinha me cansado. Nasci pra ser Goofy, não Cinderela pré-realeza.

Acordei com o Zach me ligando. Eu tinha esquecido de ligar pra ele de volta, mas enfim né gente, muita coisa acontecendo, pouco tempo, vocês tão vendo bem como tava tudo muito agitado. Ele queria me ver pra conversar, dai falei pra ele ir lá em casa que eu tava morrendo. Ele foi. Abri a porta e levei pra minha cama… pra conversar gente.

Ele veio me falar que finalmente tomou coragem e foi falar com o quick que ele queria, que eu dei força, blá blá blá. Eu curioso pra saber como tinha sido e tal, e ele me falou que saíram pra jantar, se conheceram e… ele achou ele chato. Eu comecei a rir sem acreditar. Ele “não ri não, é sério! Ele tá me perseguindo desde então!”. O cara que ele tinha  paixonite a distância era chato e ainda tinha virado stalker. Não era mesmo o final que eu esperava, mas né, fazer o quê?

Respondi que melhor saber logo disso do que passar um tempão gostando daquela pessoa à toa. Só que não era isso, o cara tava freneticamente seguindo ele no túnel, oferecendo carona, querendo ir na casa dele. Fiquei assustado. No fundo eu não sabia se pedia desculpas por ter incentivado ou se tinha sido melhor assim. Ele sentiu isso e falou “não, só tô te falando pra você saber! Não me arrependo de ter falado, agora eu posso partir pra outra”.

Eu concordei. Ele parou. Eu olhei pra ele e falei “é, concordo”. Ele ainda parado. Só ai que eu, lerdamente, ainda da ressaca entendi que o “partir pra outra” já seria eu no caso. Eu falei “olha, você sabe que eu dei em cima de você descaradamente e isso porque te acho um fofo, mas eu não sou prêmio de consolação de ninguém”. Ele ficou meio errado, tentando corrigir, mas enfim. Ele era uma graça, mas depois que já chega no nível amigo comigo, que eu só vejo como amigo e fim, já era. Eu sabia que era um amigo que iria dar tchau em algumas semanas e fim, não ia mudar muito eu ficar com ele e não, mas nesse caso ainda tinha o orgulho de só ser desejado depois que o foco dele não o quis. Sem contar que já tinha ficado com o Cody na noite anterior (tava tão desligado que só me toquei nesse momento que nem havia mandando uma mensagem se quer pra ele – e momentos depois esqueceria de novo), então era tudo falando que não, não ia rolar.

Depois de conversar mais um tempão ele foi embora e ficou nisso, ele é um fofo, me mandou mensagens ainda até o dia que eu fui embora e de vez em quando me manda emails (sim, nem Facebook ele tem! se não postava uma foto pra vocês verem como ele é fofo) que eu enrolo pra responder, mas respondo. Atualmente ele está namorando um cara que por futuro do destino é performer na Universal, incrível como as coisas acontecem né? Ele ainda fala comigo como se eu fosse sei lá, o cara que mudou a vida dele e que um dia vem para o Brasil me visitar.

Fui pra casa da Raissa conversar mais, e esse foi meu dia. Era o mínimo pra compensar as emoções passadas.

07 Fevereiro de 2011

Vocês não vão acreditar qual foi meu shift desse dia. Eu seria a Fera, mas dei o shift (de novo! pobre Fera!) por conta de um workshop que teria no final do dia do qual comentarei logo. Só que os pais da Raissa estavam em Orlando e nesse dia eles iriam ao Animal Kingdom. Tinha um shift sobrando pra Tusker House, logo, por mais que odiasse aquele lugar com todas as minhas forças, eu queria muito receber a visita dos pais dela e fiz esse sacrifício que no fim, valeu muito a pena. Caso não lembrem, tem que cobrir o almoço num set no Camp Minnie/Mickey. Era o momento que precisava pra eles irem me visitar. Um set, um único set. Só que antes dele, dois sets de tortura no Tusker House.

Fui cedinho pra não ter confusão e pra minha surpresa, nada de Crystal. Era a Clara. Biancão já havia me falado que ela era fofa e eu não acreditei até de fato vê-la. Era dificil de acreditar que naquele ambiente de trabalho existia uma boa alma e lá estava Clara para me provar o contrário. Ela era quase uma senhorinha já, muito fofa. Minha costume veio com um detalhe errado. Em alguns Goofys você pode usar uma luva com manga comprida preta que cobre o braço todo, mas a blusa dele no Tusker House é tão curta que aparece um pouco da pele por isso o certo seria usar uma espécie de camisa preta que cobre tudo. Eu sabia disso, mas só vi quando já tava lá. Se fosse Crystal, ela teria comido meu cu com certeza como se o erro fosse meu. A Clara foi super fofa e ainda pediu se eu poderia sobreviver com aquilo no primeiro set, ficar com os braços com movimentos limitados e depois ir buscar o certo, pra não dar problema. Falei que claro, sem dúvidas e sim, era erro do costuming mais uma vez e ela soube reconhecer isso de uma forma que Crystal não reconheceria.

Eu até ajudei uma menina que tava lá pela primeira vez e era o Donald. O Donald sai antes que todo mundo pra tirar foto na entrada do restaurante com os guests. Só que ela era nova, não sabia o foco direito e saiu em algumas fotos olhando muito pra cima. Uma família até reclamou que eles queriam muito a foto mas tava ruim, blá blá blá e uma manager foi lá falar com ela. A manager foi até bem educada, mas dava pra ver que a menina tava desapontada e não é pra menos. Depois que a manager saiu eu falei rapidinho com ela, pra ela não ir triste fazer o set que isso acontece, e no intervalo contei toda minha saga de Tusker House pra ela rir e esquecer um pouco. Funcionou, o que me deixou bem contente.

Pra deixar aquilo mais feliz ainda, Fabinho era meu Goofy back-to-back. Pronto, tava no céu. Sem Crystal, uma attendant boa e um back-to-back maravilhoso, até o lugar mais horrível brilhou de uma forma que eu nunca havia visto antes. Sendo assim, foi bom ter pego essa hora extra porque no fundo superei um trauma fodido. Foi muito, muito tranquilo. Eu tava encantado. Seria meu último dia ali sem dúvidas, e ao menos, sai sem odiar tanto quanto eu costumava.

Quando me dei conta, já era hora de cobrir o almoço e tirar foto com a família da Raissa. Mais uma vez, estava animadíssimo. Muitas pessoas recebem as famílias lá mas não sabem dar o valor certo pra isso. Muita gente só foi lá por conta da família que pagou tudo e ainda acha um martírio ter que andar com eles pelo parque. Esse era o caso da Raissa. Não julgo, cada um sabe o que faz, a família que tem, etc. Mas minha família lá, nossa, eu teria levado eles com o maior prazer em cada canto dali, falando tudo que aprendi, vi, descobri, contando minhas histórias, programando pra eles tirarem foto comigo. Sério, piraria loucamente e seria guest como até então não tinha sido ainda. Mesmo tendo meus probleminhas com cada um deles, ali, naquele momento, seriamos uma família como numa antes fomos. Seria a coisa mais mágica do mundo. Seria… tá, parei. Voltando, era a família da Raissa. E isso de uma certa forma me confortava. Eu conhecia a mãe e o pai dela e os achavam uns fofos, fiquei muito feliz de recebê-los e naquele momento, projetei como se fosse a minha família e fiquei muito, muito, muito feliz e emocionado.

<33333

Eu perdi a foto em que estou com a mãe, pai e a Ra. Já pedi pra ela me mandar, mas como não mandou a tempo, eu posto no último post porque merece muito. É foto de álbum de família total.

Sai tão animado e feliz que resolvi fazer um magical moment também. Me arrumei em questão de segundos, devolvi a roupa rapidamente, dei clock-out e fui visitar o Fabinho no seu set no Camp Minnie/Mickey. Ele tava lá, sozinho, fazendo nada e levou um susto quando me viu. Como tava vazio deu até pra brincar com ele lá.

Saudades dos dois!

Fui o último guest que ele recebeu naquele dia e deu pra ver que ele ficou bem feliz.  Sai de lá e fui encontrar os pais da Ra, agora como eu mesmo e brincamos um pouco no parque. A mãe dela quis tirar uma foto comigo mesmo e adivinha o local que ela escolhe pra tirar? Em frente ao Tusker House. Eu morro gente, eu morro.

Sou lindo até morto depois do trabalho, né?

Como disse, iria dali para um workshop com Biancão. Só que tecnicamente era no Animal Kingdom então fomos rapidamente assistir o show do Lion King pois uma pessoa do elenco, o Bruce, queria tirar uma foto com a gente antes de irmos embora. Ele é muito fofo, daquelas pessoas que tenta te fazer se sentir em casa sendo agradável, isso já na semana de treinamento. Ele ainda deu lugares VIPs pra gente, foi ótimo. A foto tá bizarramente estranha, mas para fins de registro:

Pois bem, saímos de lá pra descobrir que o local era na verdade antes do Animal Kingdom, ficava perto do costuming. Por isso pegamos o ônibus, fizemos uma viagem completa passando pelos condomínios, pra ai sim chegarmos no costuming. Uma hora de viagem praticamente. Perguntamos de um cara onde era, nem ele sabia direito mas depois falou que era só seguir a rua na estrada que dava lá, só que segundo ele, levava uma hora andando.

Eu e Biancão apressamos o passo, chegamos em 20 minutos, rindo de como os americanos são exagerados e preguiçosos. Rindo também do fato de termos visto uns bois pela estrada que ficavam encarando a gente. Era estranho ver bichos assim do nada no meio de Orlando, e ainda nos encarando como se nunca tivesse visto gente antes na vida. E novamente, era um boi.

Chegamos mas tudo fechado, não conseguíamos falar com ninguém, foi ai que liguei pra luz da minha vida (Re Luz) pra conferir se tava no endereço certo e depois ela falou o número e vimos que tínhamos que andar mais um pouco. Isso com minha bateria do celular já morrendo, foi uma mini-aventura até que finalmente avistamos isso:

Pronto, finalmente! O workshop era só pra galera que faz os personagens da nossa altura. Pra aprender melhor como fazê-los e tal, e no fundo a gente achava que teriam costumes lá e ambos queríamos ser alguns personagens que não havíamos sido ainda (tipo Jaffar, Frolo, etc). Só que o workshop era bem mais pobre que isso e no fundo eu não sei ainda se gostei de ter ido ou não.

Só tinham umas 7 pessoas na sala, foi tranquilo só que eu era claramente o pior dali. Todos faziam com alguns comentários, o meu era sempre o mais demorado, o mais “errado”. O lance é, eles são hipócritas. Na hora de andar como Fera todos eles iam como se fossem um monstro, se curvando e tal, e eu ia andando normal porque sabia que dentro da costume aquilo ali era impossível de se reproduzir. Então me corrigiam e querendo que eu andasse que nem monstro também, e eu ia com muita má vontade porque novamente, sabia que era impossível. Você mal consegue andar normal dentro da costume da Fera, quem dirá andar curvado! Eu quase morria pra pegar a capa.

Era engraçado porque o pessoal fazia muitas piadas, ficavam brincando, e todos Characters, logo, pessoas extrovertidas. Mas em termos de aprender sobre o personagem mesmo era muito nada a ver. No Capitão Gancho eu tive certeza disso. Só havia feito uma vez e fui mega elogiado pela attendant, ali eu fui massacrado dizendo que tava muito feminino e parecia uma mulher. Na minha concepção ele é meio feminino, aliás, até demais. Dai depois disso comecei a fazer tudo meio de mal jeito e nem ai. Tecnicamente eu já ia embora, aquilo não me interessava, mas eu realmente achava que eles iam dar um toque mais legal. Nada. Esse tipo de workshop devia ter na semana de treinamento, isso sim. Foi só questão de duas pra três horas, devia mesmo ser obrigatório e super dava pra ter mesmo, mas não.

No final a gente ainda treinou como fazer parada, coisa que eu e Biancão nem poderíamos, mas fizemos. E foi ai que eu recebi um elogio inesperado pois a mulher falou que eu me movimento melhor com som, que eu vou ando no ritmo, quase que dançando. Fiquei surpreso porque nem percebia. Mas nem isso me animou muito. Elas deram um papel pedindo feedback e coloquei tudo isso lá. Imagino a cara delas lendo depois.

Ao menos ganhamos carona de um dos Goofys que era novinho, tava na primeira semana de trabalho ainda e eu e Biancão acalmando, falando que acostuma, blá blá blá. Super bacana o cara e engraçado ver que estávamos em situação bem diferente de quando chegamos lá. Pela carona, cheguei mega cedo em casa e ainda corri no Dowtown Disney que queria comprar uns presentes pra galera do Brasil, minha amiga de NYC que iria me abrigar e pouquíssimos lindos da Disney. É que tecnicamente eles podem muito bem comprar o que querem, mas existem pessoas especiais que você quer dar um presente mesmo assim.

Cheguei em casa e recebo mensagem do Cody perguntando se tinha alguma festa naquele dia, falei que não. Mas liguei pra Marcela Diva e falei “vamos procurar uma festa comigo e com o Cody?”, ela topou e pronto, fomos na nossa jornada. Ash, Brock e Misty praticamente. Ficamos passeando pelo Vista procurando algum sinal de barulho e nada. Passo na frente da academia e quem está lá? Vini Tigger. Eu perguntando “como você consegue ainda malhar? me explica?” e ele aparentemente já fazia isso com uma certa frequência. Enquanto conversava com ele, Marcela e Cody foram causar com os homens que tavam na jacuzzi. Eles gritando pra ela entrar, ela respondendo que eles eram gordos. Sim, isso ainda sóbria. Me acabo. Chamei o Vini pra minha casa então que daríamos uma festinha particular. E foi isso.

Eu já tinha estoque de Four Loko, pegamos o laptop de Phe, chamamos também Paulinha, Jeejay, Gabriel e pronto, a festa começou.

Garota propaganda do Four loko.

Aconteceram coisas impublicáveis, mas foi muito divertido. Acho que no fundo eu prefiro mais esses encontros sociais do que de fato sair pra uma festa. Você gasta menos e se diverte bem mais. E se alguém duvida ainda dos efeitos do Fourloko, Vini Tigger fez um vídeo do qual você pode ver claramente como uma pessoa fica. Ele começou perguntando quais personagens eu fazia, eis a resposta:

Quem ainda lembra de como era meu quarto na época do documentário de Janeiro? Veja agora como tá bem diferente. Bem mais criança com vários brinquedinhos, coisas penduradas na parede, a roupa de cama nova, amava meu quartinho! E preciso dizer mais? Eu nem lembrava dele filmando! E acho que esse é o maior perigo de todos!

Phe nem voltou pra casa, logo, convidei Cody pra dormir comigo. E foi a partir dai que eu comecei a gostar mesmo mesmo dele. Eu convidei pra dormir no sentido de sexo mesmo, mas ele não quis. Ele disse que não fazia assim de começo com ninguém, que ele tinha que conhecer primeiro e tal, e futuramente eu até entenderia essa noia dele, dai tá, respeitei. Ficamos nos pegando como namoradinhos dos anos 70, bem comportadinho, até que ficamos conversando a madrugada quase que inteira. Ele me contou a vida dele, eu contei a minha, falamos de relacionamentos, hobbies, etc, etc, etc. Como eu digo no vídeo, ele é americano, não australiano. Eu jurava que fosse por conta do dia que nos conhecemos, mas era a bebida novamente. Só a Loren é da Australia! Morri de rir disso e quando me dei conta, já estava amanhecendo.

08 Fevereiro de 2011

Dei um cochilo de meia hora só pra dizer que dormi e fui pois tinha outro breakfast a fazer. Era aquele do Regal Sun. Novamente, caso não lembrem, é aquele que além de morto ainda dão comida. Eu sabia que era muito tranquilo, então fui numa boa. Me despedi e falei “pode dormir ai sem problemas”, ele ficou dormindo e eu fui. Com dor no coração, claro, mas tinha que ir. Eu provavelmente perderia o horário se não fosse o Fabinho. Ele tinha Goofy Beach Club no mesmo horário que eu, e como morava no Chattam, o ônibus passava lá antes. Ele me mandou uma mensagem com uma piada fofa que me acordou e me fez ir correndo pro ônibus onde só tinha a gente praticamente. Era muito triste pegar aquele ônibus antes do sol nascer. Mesmo.

O Pluto do dia era um negão extremamente viado que tava com uma cara de morto, dai tive que puxar assunto. Perguntei se ele já havia trabalhado ali, ele disse que não. Disse que seria o shift que ele mais amaria na vida. O attendant parecia o David Tennant e super, super profissional. Com certeza o attendant que mais leva o trabalho a sério que já trabalhei lá. Ele veio na van relembrando regras do que pode ou não poderia fazer, quando chegamos ele conferiu se eu estava com todas as peças da roupa, frenético. Minha luva veio com problema, a mão era de Mickey/Minnie só que não dava tempo de trocar então usei assim mesmo. Ele faltou morrer de tanto agradecer e eu tipo nem aí pra parada. Nem senti diferença pra falar a verdade.

Como eu já esperava, um dia muito, muito tranquilo. Tão tranquilo que no final eu fiquei posando de modelo com uma mulher lá porque o hotel estava mudando de nome, nem lembro o nome agora mas provavelmente agora já tem o tal nome atual, e eles precisavam de fotos novas pro anúncio. Ou seja, sim, o Goofy dos novos anúncios desse hotel sou eu! Lindo, né? Depois disso ainda fiquei conversando com o attendant. Isso olhando pela janela a vista maravilhosa do hotel. Ele falando e eu só balançando a cabeça, até que ele fala “você sabe que comigo você pode falar né?”  e eu “desculpa, força do hábito!”.

Sai de lá e já tava na vibe de finalmente matar todas as atrações dos parques, escolhi o Animal Kingdom e consegui fazer tudo lindamente. Passei o dia ouvindo Hair (muito propício) mega feliz, peguei a porra do trenzinho do Rafiki (trem mega inútil que te leva a uma parte do parque mais infantil do que a Disney toda porque tem cabras pra ficar escovando e coisas do tipo) mas fui porque queria tirar uma foto com a Mari Rio de Jiminy Cricket. Dava pra sentir que ela ficou toda feliz que eu fui lá, toda fofa.

E momentos antes de ir embora, entrei pra fila do Dinoland. Só trabalhei lá duas vezes, no começo de Janeiro, mas foi uma work location que eu gostei tanto que tive que segurar o choro em vários momentos enquanto tava na fila e via o Pluto e Goofy mudando as poses com as crianças.

Uma coisa que eu amo de olhar nessas fotos é reparar nos pequenos detalhes. Esse casaco é do Ruan. O armário dele já era quase o meu de tanta roupa que eu pegava emprestado, principalmente casacos já que ele comprou bem uns 30!

Sai de lá e ainda passei no Hollywood Studios para encontrar Fabinho e Nat, eu ligava ligava e eles não atendiam. Pensei “certeza que tão no showzinho da Bela e a Fera”, não deu outra. Assisti o show, no final vi os dois. Depois fomos no show final do American Idol, nos divertimos como sempre e voltei pra casa.

NOSSO DUETO LINDO. THE TIME OF MY LI-I-I-FE.

Na saída, posando para os flashes dos fãs.

Fui pra casa, morto, destruído. Eu só me dava conta de que estava nesse estado ao abrir a porta de casa mesmo, nos parques eu andava lindamente como quem tivesse dormido as tais 8 horas mínimas necessárias para sua saúde blá blá blá. Tô dormindo na minha e do nada só sinto um mega peso em cima de mim. Acordo e Cody e Loren pulando pra me acordar. Eu normalmente teria muito, muito ódio de quem me acordasse assim. Mas eu fiquei todo bobo e alegre de vê-los ali. Como me disse Vini Tigger muito sabiamente (e muito Tigrão na vida real), “quando alguém te acorda e você gosta, é porque você ama”.

Eles estavam super já no Four Loko, segurando um cone inflável que dizia “party zone” que haviam roubado de alguma festa que tava tendo por ali, e ficaram gritando “quem vai dormir num sábado a noite?” e eu respondi “um Character Performer” e eles continuando gritando “te ligamos várias vezes, cadê seu celular?” e de fato, haviam mesmo mas nem ouvi.

Eles ficaram um tempinho conversando, ainda tentando me tirar da cama para irmos em alguma festa mas eu tava muito destruído pra isso. Quando me dei conta, Cody tava me agarrando, Loren se tocou e foi embora. Ele estava que nem eu no dia do ônibus, e começou a querer de fato fazer o que ele tecnicamente “não fazia com pessoas que ele não conhecia”. Eu falei “olha, você tem certeza? não vai culpar a bebida amanhã que eu te dou um soco” e ele todo fofo falando que não, que ele queria mesmo. No fundo eu sabia que era mais Fourloko que ele em si, mas foda-se, eu queria.

Phe não tava em casa (acho que tava passeando com a tia, teve um período que ele sumiu de casa por uns três dias por isso) e pronto, começou ali oficialmente meu summer lovin’ com Cody. Tudo que eu imaginava que sexo fosse, ali foi, e ainda melhor do que eu imaginava. E ainda seria melhor ainda.

09 Fevereiro de 2011

Esse era meu dia de folga, mas novamente a família da Raissa estaria no Epcot e o personagem favorito da mãe dela era a Fera. Biancão seria a Fera do dia, pedi pra ela que numa boa me passou o shift. Tava na hora depois de tanto renegar o coitado. Coincidentemente, também era dia de folga do Cody, Loren e seus amigos. Se não tivesse pego o shift teria ido passear com eles e ter um dia de namoradinho total, mas não me arrependo porque amei muito meu último dia de Fera.

Acordei e perguntei se o Cody lembrava da noite passada, se tava arrependido. Ele fofamente respondeu “lembro claramente, tanto que quero flashback” e assim fizemos o que viraria parte da rotina matinal. Tomamos banho, nos arrumamos e fomos ao Epcot. Eles iriam passar o dia por lá. Cody foi pra casa pra se trocar e quando volta ele tá usando um lencinho no pescoço e me xingando. Muito sem querer eu deixei um mega chupão no pescoço dele, eu só conseguia rir e ele fofamente tímido sobre isso.

Falemos primeiro das visitas. Recebi umas inesperadas, tipo a Nat, que até valsou fofamente com a Fera.

Um outro amigo dela que ela me apresentou no dia do Traditions também foi, só que ele sumiu, nunca mais o vi e nem o nome lembro! Só lembro que ele também era fã de musicais e foi engraçado que eu fiz o “I nose you” (código: apontar para si, nariz, para pessoa para dizer que a conhece) e ele falou “eu sei, por isso eu vim!”. A Nat deve ter o avisado, super fofo.

Falando em valsar, não sei se comentei, acho que não, mas a família da Mari SP tava em Orlando e eles tiraram foto comigo e eu nem sabia que eram eles. Foi no dia da Bela chata, acho que esqueci de comentar. Eu ouvi a Mari SP falando no telefone com a família, e ela tava rindo que a irmã dela ficou emocionada de ter valsado com a Fera. Dai eu lembrei que uma família de brasileiros veio, e a mãe empurrou que a menina estava tímida. Nem ia imaginar que fosse irmã da Mari! Comentei com ela, pra quê? A família dela me agradecendo por aquilo! Muito lindos.

Outra Nat também me visitou, mas foi a Nat roomie da Biancão com a Leila, também roomie que viviam atendendo meus telefonemas para Biancão. Elas ficaram todas felizes quando fiz também o “I nose you”, mas acho que eles achavam que devia ser ela. Por pouco não foi né, mas adorei vê-las lá. Ainda mais que era meu set sozinho sem a Bela.

Então veio Ra e família, motivo inicial deu estar lá. Olha que fofa a foto com a mãe dela. Ela voltou a ser criança na hora:

<3

Enquanto eu tirava essa foto com a Ra, eu conseguia ver que os próximos na fila já eram Cody e Loren! Então sussurei “tá vendo o próximo na fila?” e ela “aham”, dai eu todo feliz “tô pegando!”. Eu nunca falava dentro da costume, era mais forte do que eu, mas esse era um comentário que eu tinha que fazer.

E ai vieram meus lindos, pensei que não tinha como ficar mais emocionado que a família da Ra, mas ver seu “summer lovin’” indo fofamente te visitar é lindo demais gente.

Ele fofo de Ferinha <3

Lembrei que havia visto no Facebook que era aniversário do meu Amore Marcia. Sabia que ela amava também a Bela e a Fera, logo, fiz a homenagem.

Pedi pra Ra voltar exclusivamente por conta do papel. Ela tinha ido no set que eu estou sozinho, então eu segurei a folha mas com a pata enorme acabei escondendo o nome dela. Então ela voltou só que a fila já havia fechado. Ela chorou com a attendant que deixou. Tecnicamente, ela não poderia ter feito isso. Mas fez. Eu agradeci imensamente, nem sei se ela levou esporro por isso, espero que não (até mesmo que tinha uma mulher chata lá reclamando pra tirar foto e depois disso reclamou mais ainda) mas enfim, ficou linda a homenagem.

Num dos intervalos, acredito que antes do último, recebo a visita mais inesperada de todas. Estou sentado na minha no camarim quando escuto um “the UK decided to make a visit!”. Olho pra porta e Vini Tigger com o Rob. Nossa, quase chorei na hora ali. Eles foram lá durante o horário de almoço deles só pra me visitar. Rob ainda me deu um boné e um pin lindo do Goofy segurando sua nametag. Que dia amor!

Lindos! Olha meu olho lacrimejando!

Não bastasse essas visitas que já bastavam pro meu dia ser lindo, a Bela era incrivelmente fofa. Ela ria de tudo que eu fazia. Eu tava muito empolgado por conta de tudo, então eu tava muito agitado e respondendo tudo, pulando, brincando horrores e ela morria de rir. Ela falou que as Feras costumam ser um poste e que nunca viu alguém que interagisse tanto com ela. Fiquei mais feliz ainda, e a risada dela me fazia querer brincar mais e mais. Tanto que no final ela tem um set sozinho, tive que ir de surpresa tirar uma foto com ela.

Cheguei e ela “oh!” toda surpresa, dai respondi “meu amigo Fera me disse tão bem de você que tive que vir tirar uma foto!”. Ela toda fofa sorrindo:

A foto ficou bizarra mas é que eu não sabia mexer direito na máquina, já tava escuro como vocês bem podem ver (e falei com a Bela que achava um absurdo ela ficar ali sozinha no escuro sem a Fera pra proteger) e antes de bater a foto, tava pra fazer vídeo, dai a photopass falou isso e eu “ai, desculpa, me sinto um péssimo guest agora” e ela morrendo de rir.

Fechando as visitas do dia, fui correndo no UK para agora ver o Tigger mais lindo que essa Disney já teve.

Muita masculinidade e sedução numa foto só.

Mais uma com o melhor attendant ever!

Então me despedi do Rob pois provavelmente seria a ultima vez que o veria, agradeci tudo, disse umas palavrinhas fofas e fui atrás da família da Raissa. Depois de brincar de Kim Possible já que eles estavam em movimento, os encontrei e fomos jantar.

Eu havia pego o tal do Holiday Pass exclusivamente para Raissa. Não chegou pra ela também, e ele dava uns descontos em restaurantes como já disse. Eu sabia que ela iria sair muito com os pais dela, dei de presente. Se não fosse a Raissa, eu nem teria feito esse programa. Então sempre que podia, eu dava um jeito de retribuir. Infelizmente não tinha mais os restaurantes que ela queria, ela até se desesperou e começou a chorar e eu falei pra ela não ficar daquele jeito, que a gente faria algo. Nesse momento teve o IllumiNations. Seria a última vez que o veria e nem sabia, mas assisti meio que no fundo já sabendo. Lembrei da primeira vez que vi e já fiquei meio saudoso.

Passado aquilo, fomos ver na lista e tinha um restaurante no Boardwalk. Pronto, perfeito. Falei pra ela que ali era o máximo, contei do dia que fui no Jellyshots e fechou ele mesmo. Era um restaurante grego do qual não lembro o nome, mas jantamos e foi lindo. Esqueci de comentar que a mãe da Raissa ainda me deu um cachecol para usar em NYC, toda linda. Fui pra casa feliz da vida, dias abençoados assim me deixavam nas nuvens. Chego em casa e quem já estava todo lindinho deitado na minha cama? Cody. Eu estava meio cansado, mas vê-lo ali me fazia tirar forças do além para mais uma rodada de felicidade. If you know what I mean.

Termina aqui esse dia mas gostaria de adicionar que encontrei mega por acaso esse vídeo no youtube, nem acreditei quando vi mas é meu primeiro dia de Woody no Magic Kingdom!

Eu assisti e suspeitei que pudesse ser eu pelas interações. Eu sempre puxava a cordinha do Woody, eu passava a mão na cabeça das crianças e quando era ruivo apontava pro cabelo da Jessie. Sem contar que essa é uma criança fofa difícil de esquecer. Mesmo assim, pra ter certeza, fui olhar a data de envio e bateu lindamente com meu primeiro dia. Fiquei mega emocionado de encontrar já que eu mesmo não filmei nada. Estava meio duro ainda por estar no processo de me acostumar com a costume, mas mesmo assim, um presente assistir isso quase um ano depois ainda mais de um dos personagens que mais amei fazer!

No episódio final: Último dia de Woody com meu Buzz, Breakfast de Guest no Grand Floridian, Disney Quest, Sea World, Valentine’s Day e Último Wishes. Aliás, praticamente “últimos” tudo né. Aguardem fortes emoções no grande desfecho da saga! 

CategoriasAventuras, Disney

Diário de um Pateta – Pt IX: Universal Studios, Graduation, Beast e Pirate Goofy.

Antes de começar a relatar minha saga em si, venho anunciar que o incidente em que minha Diva Marcela ficou trêbada e o escambal foi sua primeira vez e última. Não pensem besteira em relação a sua reputação. Acontece nas melhores famílias sejam de Divas ou não. O importante é que agora ela ainda brilha lindamente em nossas vidas e na hora eu fiquei com raiva, mas fui tantas vezes à Rain depois que não me importo de ter perdido uma noite. O que eu realmente não poderia ter perdido era a presença desse ser iluminado em minha vida até o final do programa.

QUEM SOU LINDA?

Aproveitando, comentaram perguntando sobre como funciona o warm-up. Eu esqueci mesmo de detalhar mas é assim: Em alguns shifts você tem um horário específico pro seu warm-up e ele pode ser só você e mais uma pessoa como com várias outras. Dai você entra na salinha e espera começar ou já pega o bonde andando. Os primeiros 5 minutos são aquecimentos em que você só faz imitar quem está lá dando as instruções. Coisas bem básicas de alongamento. Em seguida ele fala que terminou e dá um tempo, normalmente uns 10 minutos ou até menos pra você fazer o seu individual. Dentro da sala tem pôsteres com as fotos dos personagens, logo, você procura o que tem o seu do dia e faz os exercícios que estarão lá. Existem uns bem inúteis (vocês saberão quais quando chegarem lá) então aconselho só fazer os que de fato vão te ajudar (ou que aparentam que vão te ajudar). Inclusive depois de um tempo você faz sem nem olhar nessas coisas, eu na maioria das vezes só fazia deitar na bola gigante e esticar o máximo minha coluna. Nunca me travei, logo… E por fim, os 5 minutos finais são o cool-down e é isso.

No começo eu odiava fazer. Eu pelo menos me imaginava num musical, um Flashdance da vida vendo tantas meninas com a meia quase até o joelho e meninos de shortinho querendo colocar o pé na cabeça a qualquer oportunidade que surgisse (ou não – eles inventavam) e fazendo aqueles exercícios ao som de uma música super agitadona pop e feliz. O mais bacana é a trilha sonora, já tocou You Can’t Stop the Beat, KT Tunstall, altas músicas que eu amo e você ali, se vendo no espelho com as outras pessoas e dançando. Sendo fã de musical não tem nem como não viajar e imaginar um grande número com todos ali com muito glitter, fireworks e tudo que tem direito.

A melhor parte vem agora, isso tudo no comecinho. Quando chega em Janeiro, lá pra metade, acredite, você irá sempre chegar e estará lá “self warm-ups” e se você for desses que de fato vai lá fazer por conta própria, talvez encontre uma pessoa na sala ou faça sozinho mesmo. Eu sempre dormia ou brincava de guarda-roupa da Barbie no costuming. Eu só gostava mesmo de warm-up quando o horário em si já era depois de meio-dia, fazer isso as 6 da manhã não era nada legal e nem imaginando o que fosse, não adianta! Você não tem forças nem pra ousar imaginar! Mas depois que você volta, ainda assim, você sente falta do momento mais musical dos seus dias por lá. E é isso.

Retornando…

27 de Janeiro 2011

Fui pra casa, tomei banho, café básico e já sai mega cedão para um dia feliz e divertido com Biancão na Universal Studios! Dessa vez fomos ao parque clássico mesmo que não conhecíamos nada e como já é de se esperar, amamos.

EEEEE!

ESTÁVAMOS SURFANDO...

... E AÍ HOLYSHIIIIT UM TUBARÃÃÃO, CORRE BIANCÃÃÃÃO!!!111

NÓS AFUNDAMOS, E AFUNDAMOS, E CONHECEMOS O BOB.

TÔ DE BRINKS GENTE, É QUE TAVA EM HOLLYWOOD, LÁ PODE TUDO ROLAR, VENDO A ESTRELA CAINDO, VENDO A NOITE PASSAR.

CONHECEMOS O SHEREKA COM TORCICOLO E FYONA NOS SEUS 40. O BURRO MORREU E ESQUECERAM DE TIRAR.

OS FLINSTONES.

O DIABO SEM CHIFRE PORQUE JESUS CORTOU *ALELUIAIRMÃO*

PRA COMPENSAR O BICHO RUIM, ACHEI DEUS.

E A MULHER DE DEUS (SIM GENTE, DEUS TAMBÉM CURTE DÁ UMAZINHA RSRSRS)

OLHA O PITOCO GENTE, ELE NÃO MORREU! LARGOU A ELIANA E FOI FAZER SUCESSO EM HOLLYWOOD!

E SIM, DIABO TAMBÉM TEM MULHER. SATÂNICA OFERECIDA!

APROVEITEI E DANCEI COM O DEMÔNIO, TIPO O TORKARTO RSRSRS.

DEPOIS DESSA NADA BARRA NÉ GENTE, CHEGAR EM XANACU É PARA POUCOS!

FUI PASSEAR NO MEU CARRO RSRSRS SOU PHYNO.

FUI ATÉ O EGÍTO VISITAR A ANAKUSUNAMUM.

MAS AI O MIB APAGOU NOSSAS MEMÓRIAS =(((((

QUANDO ME DEI CONTA TAVA AI DE VOLTA RSRSRS ONDE ESTOU GENTE? ALGUÉM ANOTOU A PLACA? RSRSRS.

Só ia colocar uma foto, mas tem tantas lindas que quis colocar tudo, ainda fiz historinha porque o blog é meu, beijos, web diva Charles Fouquet.

Foi um dia lindo porque ambos não conhecíamos nada e íamos descobrindo na maior felicidade, sem contar que fomos os típicos turistas felizes porém inteligentes. Íamos seguindo o mapinha, fazendo tudo no seu horário certinho, sério, fizemos 90% do parque inteiro. A gente chegava num lugar, aparecia o Character, batíamos a foto e já iamos andando. Não paramos pra nenhum, eles que surgiam. Estávamos olhando o carro do “De Volta Para o Futuro”, crente que era só aquilo mesmo dai o Doc. aparece atrás da gente perguntando o que estávamos fazendo. Sério, mágico.

O melhor brinquedo é um que você escolhe a música da sua viagem e vai ouvindo-a na montanha-russa. Viajar ao som de “Can’t Touch This”, tudo nessa vida. Se não me falha a memória, é Rock It o nome desa ride. Curti muito também o showzinho de Jazz e o do Beetlejuice, até filmei uns trechinhos:

Passamos o dia comendo pipoca e tomando refrigerante já que o refil era 50 centavos cada. Você fica tão empolgado que não sente fome, e se ousar sentir, comendo pipoca passava na hora. O melhor foi sair da atração do Twister e ver altos produtos do “O Mágico de Oz”, levei um tempo pra fazer a conexão. Ainda furtei um Espantalho de brinde. Eu tava do lado da Biancão, ela comprou uma camisa, eu tava segurando meu cartão e o Espantalho. A mulher vendeu pra Biancão e simplesmente saiu da loja, entrou numa portinha e sumiu. Vi isso como um sinal, quase um Magical Moment. Simplesmente joguei na minha bolsa e sai. Se a Universal se recusa a vender suas coisas, não vou reclamar, né?

Enfim, mais uma vez não irei ficar detalhando muito pois vocês irão lá lindamente um dia. Voltamos de ônibus e encontramos altos ICPs no caminho, fui jantar na casa da Paulinha linda minha salvadora da pátria e fui dormir.

28 de Janeiro 2011

Graduation Day. Quem foi pra lá no início de novembro já estava prestes a ir embora, logo, era a hora da graduação. Nós só iriamos daqui a duas semanas e o povo de dezembro ainda tinha quatro, mas a data da graduação é a mesma para todos o que é ótimo pois é o raro dia em que você finalmente vê todo mundo junto no mesmo lugar. Independente de datas, roles, condomínios, estão ali todas as pessoas queridas que você ama ver no seu dia-a-dia seja no trabalho, no Vista, nas boates, etc e todos curtindo a vibe Disney e se preparando para dar tchau para aquela vida linda.

Tiveram umas competições de bambolê (óbvio que May ganhou), acho que teve de dança, nem sei, mas eu cheguei meio tarde então basicamente tirei fotos com meus amados, furei fila pra tirar foto com o Goofy e foi isso. De qualquer forma, só de ver todos já valeu mais que a pena.

O encontro dos Performers só mostrou o quanto esse grupo era especial. Tinha gente ali que eu conhecia de vista só, ou já trabalhei mas nem falei muito, ou obviamente que eu conhecia e adorava. Não importava muito, naquele momento éramos os characters brasileiros. Pessoas que compartilham experiências parecidas, que viveram histórias engraçadas, bizarras, traumáticas. Os personagens que encantaram nossa infância agora estavam nos encantando de formas diferentes, ou ainda desencantando. Formas essas que nunca em nossa vida ousou passar pela nossa cabeça. “Nesse verão eu decidi fazer algo de diferente, decidi ir a Orlando brincar de ser o Pateta”. Né, não acontece.

Eu revi várias outras pessoas também, bati foto com as lindas que dividiram minha mesa de Traditions, meus roomies amados, família Fortaleza, todo mundo que fez parte de alguma forma do meu programa. Só que a aglomeração que os performers criaram era algo que total chamou atenção. Era um grupo de pessoas felizes fazendo as poses mais performáticas e nada chamativas, imagina.

Com meu melhor amigo Goofy, minha melhor amiga Goofa e um outro Goofy penetra que eu desprezo.

Me despedindo do Goofy (muito embora ainda brincaria de ser seu amigo por mais um tempinho)

Goofies brasileiros 2010/2011 (só faltou o querido do Rafa)

Goofies love Biancão.

Melhor grupo de training ever (faltando as Fernandas Gringa e Japa)

Todos agora! (digo, ainda falta né, mas era o povo que tava lá na hora hahaha)

Dando trabalho para melhor attendant 2010/2011!

High School Musical 4: Characters Attack!

Família 2910 e Família Fortaleza. Muito amor numa foto só.

Nem mencionei a Iza ainda aqui, mas ela era Attendant. Eu nem havia trabalhado com ela ainda (teria se tivesse sido a Rainha de Copas) mas ela foi com a gente no primeiro dia da Universal e passaria a ser minha amiga frequente no decorrer dos dias, vocês acompanharão isso. Mesmo que nem fosse, ela é o que todos os Attendants deveriam ser. Ela por si só já era quase performer, andava sempre com a gente, ainda tirou zilhões de fotos na máquina de todo mundo sem reclamar, uma linda. Esse ano ela volta de Merchan e tenho certeza que vai arrasar e ganhar zilhões de fanatics. Ela é tão profissional que um dia eu pensei em tirar foto com Biancão de Fera mas só ouvi ela falando “the line is CLOSED!”. Nem pensei que fosse brasileira, dai deixei pra lá. Caso outros Attendants brasileiros estejam me lendo nesse momento, eu gostei de trabalhar com todos vocês. Trabalhei com a Dani, Tamy e Ju e todas tão profissionais do inglês perfeito que super poderiam enganar com nametags falsas, mas a Iza é a Iza e super tem um espaço especial no meu coração de Goofy. Aguardem pra ver as fotos que ela tirou na Universal, ela é Attendant, Performer e Photopass numa só!

Aos Performers (digo, quase todos porque tem gente ai no meio que de fato fez por merecer meu desprezo) eu gostaria dizer do fundo do coração o quanto vocês fizeram meu programa especial. Eu queria ser Performer mas coloquei de segunda opção Custodial e se passasse seria de boa, só queria dinheiro mesmo. Só não saberia que estaria perdendo a oportunidade única de conhecer pessoas tão bacanas e especiais. Antes de ir pra Disney eu via o que comentavam nas comunidades e ficava achando que só ia gente retardada e idiota, vocês em questão de dias me conquistaram a ponto deu parar e pensar “é, esse é o grupo a que pertenço” e isso não tem preço.

Tô ficando muito melodramático antes do tempo, deixo pro final mais homenagens e amor para o restante. Pra quebrar o clima, um fato engraçado de backstage Disney em relação aos Goofies: Um é hétero sem sombra de dúvidas, um é hétero mas já brincou de ser bi só por curtir mesmo, um é gay assumido e ponto, um é gay assumido mas prefere não gritar pro mundo que é muito embora sua viadice é tão gritante por si só que não adianta, um foi hétero mas voltou gay na encolha e super compreensível dada as circunstâncias e o outro é gay que faz a linha hétero mas deu pra todos e volta pro Brasil para sua namorada que coitada, não sabe ainda o que é um homem de verdade.

Sexualidade não define ninguém, mas isso meio que já revela muito da personalidade de cada um e querendo ou não, essa personalidade é passada nos pequenos detalhes para os nossos personagens.  Isso só analisando o grupo brasileiro desse ano, se eu fosse analisar todos os back-to-backs que eu já trabalhei vocês iriam ficar passados. É uma heterogeneidade tentando formar uma homogeneidade, profundo não?

Passada a felicidade, fui ao Magic Kingdom com a Nat (que infelizmente perdeu esse momento das fotos) ter um dia Disney. Melhor, dia de turista bobo e feliz na Disney, claro. Chegamos no parque e já mandamos escrever nossos nomes no chapéu da graduação. Dai fomos passear e já demos de cara com o showzinho que tem na frente do castelo da Cinderela. É fofo embora tenha umas coisas bizarras (aka Captain Hook de cachumba!), mas olha que surpresa bacana, meu Buzz tava fazendo o príncipe da Branca de Neve:

Como não dá pra ver direito, uma foto de quando ele fez o príncipe no dia dos namorados em 2010:

Eu nem gostava mais dele e tal, mas né gente, como não achar fofo? Fiquei feliz de vê-lo ali e mandei mensagem e tudo. Depois do showzinho veio o “Move It, Shake It e Celebrate It!” que é uma parada super bacana onde os personagens descem do carrinho e ficam dançando com os guest, sério, amei demais:

Fomos tirar foto com as princesas na Toontown. Tinha Bela, Cinderela e Aurora numa salinha mas elas nem eram tão bonitas assim, logo, pulo essa parte. Finalmente seguimos novamente para frente do castelo assistir o “The Magic, The Memories and You” que era um novo show de projeção no castelo que fizeram a pouco tempo até então:

É lindo. Chorei loucamente quando apareceu o Woody abraçando as criancinhas, tava começando a cair a ficha que aquilo tava acabando, que já já iriamos embora e toda aquela vida perfeita (embora com momentos sofríveis) iria passar e ficar só na memória. Depois teve o Wishes que joga no youtube que deve ter vários, são os fogos mais famosos e geral já tinha visto, só eu e uma amiga da Raissa (não minha Raissa, a outra do dia da coincidência) que ainda não. Quem trabalha no Magic vê praticamente todo dia e não cansa. Foi lindo, dei uma chorada básica mas não tanto quanto ao anterior que me destruiu.

Raissa (a que encontrei por acaso no dia da Metro/Best Buy) e Nat.

Pré-Wishes com a Nat.

Foi um dia bem Disney e feliz, ainda fomos ao Wendy’s comer e conversar horrores, botei a Nat pra dentro do Vista só pra emprestar um casaco tamanho frio que tava e não queria que ela morresse até o Chattam e capotei.

29 de Janeiro 2011

Primeiro dia de Fera. Alguns personagens a gente acostuma a falar em inglês, tipo Frozone, Goofy, mas esse é um que eu nunca falei Beast, não consigo. Fui tranquilo porque já tinha os truques da Biancão, mas ainda assim passei um certo sufoco.

Na sala existem umas indicações de como se vestir e tal, mas é bizarro porque nem as pessoas que trabalham lá sabem direito. Nosso clock-in é meio-dia, nosso primeiro set às 13:30. Nunca entendi, nunca entenderei. Como tinha esse tempo todo, fiquei brincando de testar a roupa antes pra não dar problema. Coloquei a cabeça/corpo sozinho (merecia um prêmio por isso) e perguntei de todos se tava bom, todos falaram que sim. Chegou a Bela dizendo “are you my Beast?” toda sorridente e eu “yessss Belleeee” com voz de monstro, ela riu e falou algo do tipo “Dá pra ver que iremos nos divertir muito hoje”. Todos, todos de lá falavam que ela era a melhor Bela, e de fato, ela é. Ela sabe a história toda, comenta as coisas que eu nunca se quer pensei em reparar no filme, tinha resposta pra tudo, ela devia ter pós-graduação na “Bela e a Fera”, sério.

Só que claro, não seria Charles Fouquet se não tivessem problemas. Eu estava na altura da Bela, as pessoas estavam estranhando, teve até um cara que ficou filmando e falando “look everybody, is baby Beast! What happened? Turned into a kitty now that you’re good? blá blá blá?” e a Bela com aquela cara de “quero te socar mas sou uma princesa Disney”, sério, muito tenso. Isso já no primeiro set.

Voltamos, tentamos ver qual era o problema, ninguém sabia. Chamaram o cara do costuming mas ele não chegou a tempo, logo, mais um set como baby Beast. Dai tá, foi novamente estranho com algumas pessoas reparando, outras não, mas a própria Bela não se sentia bem. Dai voltando depois do segundo set tinha um cara do costuming lá que falou que eu tinha que apertar bem, eu mostrei que já estava no máximo, eu nem conseguia respirar direito. Ele olhou e falou “hmmmm, testou a outra cabeça?”, disse que não dai trocamos. Pronto, ficou bom. Eu perguntei no carão “qual a diferença de uma pro outra?”, ele falou que era a parte que fica nos ombros. Tem uma cabeça para ombros largos e para ombros mais estreitos. O meu era estreito, então o de largos fazia cair e tal. Só quando ele falou isso eu lembrei da photopass que tirou foto comigo de Sulley. Tecnicamente então eu estava com uma costume de ombros longos. Alguém sabia disso? Claro que não. Alguém me informou sobre isso? Claro que não. Eles se importam lá com isso? Claro que não.

A partir daqui o dia foi mais tranquilo, realmente fez uma diferença do cacete. Eu ganhei quase três palmas de espaço na cabeça e juro que nunca suei tanto na minha vida. É tenso. Existem itens opcionais que podemos usar e nisso inclui uma faixa branca que absorve suor na testa. Eu só usava quando fazia a Fera porque fazendo outros personagens na maioria das vezes escorregava e ia pro olho, dai em vez de ajudar só faz atrapalhar. De Fera nem mexia por conta do espaço vago e me ajudava a não ter gostas de suor no meu olho. Quando voltava o negócio tava preto, todo molhado, nojentão.

O mais idiota é que a Bela sai 10 minutos antes da Fera, dai a galera vai lá falar com ela e alguns criam uma fila alternativa pra falar tirar foto quando a Fera chegar. A maioria espera, logo, desnecessário. Nunca entendi, nunca entenderei parte II! Era mais fácil sairem os dois juntos, mas eu brincava com isso. Eu ia chegando de fininho por trás pra dar susto na Bela, ela ficava rindo, uma fofa. Até lembro o nome: Emily. A melhor Bela e já fez parte da minha estreia.

Já havia trabalhado com a Ju no Goofy Visa, agora era a vez da Dani. Conheci na hora e só sabia que era brasileira pela nametag, perfeito o inglês dela. Sem contar que ela me ajudou muito com o problema da costume e principalmente num quesito: ninguém sabe colocar a luva como ela! Aquela luva é horrível porque você sente que os dedos nem estão nos buracos certos, fica sobrando um espaço porque é super comprido, eles ficam caindo, é horrível. E se não puxar direito até o talo, fica horrível e parece até que ele tá com os dedos quebrados. Eu pedi pra várias Attendants puxarem tudo, mas elas nunca faziam. Dani entrou pra minhas memórias super por conta disso. Porque a vida é feita disso, momentos e detalhes que fazem a diferença.

Saindo de lá encontrei a Iza voltando pra casa, dai aproveitei para ir pegar umas fotos no computador dela e claro, conhecer os apartamentos do Patterson. É lindo. Eu só entrei no Chattam e Patterson, não deu pra ir no Commons, mas dos que vi, é sem dúvidas o mais lindo. Só que ela andava muito, tinha que sair pelo menos com 20 minutos de antecedência pra ir pro trabalho, logo, prefiro meu lindo Vista mesmo. Sem contar meus vizinhos, as festas e toda a comodidade do Vista Way of life. Não trocaria por nada.

Tava indo pra casa e Jeff Buzz me liga, tava sem sono, meu dia seguinte era só na parte da tarde, resolvi dar uma segunda chance, por que não? Ele foi me buscar lá no Patterson ainda e fui novamente para seu templo com pôsteres de Madre Teresa e o Papa Pop. Brinquei com as cadelas (elas são tão lindas que as perdoo pela minha brochada) e dessa vez ele fechou a porta pelo menos. Foi bacana porque conversamos antes, pude conhecê-lo um pouco melhor e fizemos dessa vez como deveria ter sido feito da primeira vez. Mesmo assim ainda foi ok, foi bom, mas não era ainda o que eu imaginava. Não me arrependo porque ele era uma boa pessoa, fofo, carinhoso. Ele até chorou comigo, acreditam?

Ele falou que nunca iria encontrar alguém que gostasse dele do jeito que ele era, que ele gostava de mim por isso, eu respondi que não é assim, que claro que ele vai encontrar e que eu na verdade gostava dele sim, mas que não teria futuro exatamente pelas nossas diferenças gritantes. Ele falou que só de eu respeitar ele já ficava mais do que feliz, dai não quis destruir o coração dele e respondi “é, mas eu moro no Brasil”, sabe, fim. Não ia falar que mesmo que morasse lá eu não iria querer pra uma pessoa que já se encontra nessa situação. Por mais triste que seja, foi basicamente um sexo carnal. Só que num nível abaixo exatamente por ele nem ter corpo pra chegar no nível de carnal. Era basicamente uma masturbação com ajuda e usando outros meios que não a mão. A sensação era essa. Sem contar que eu me sentia na Emmanuelle. Ele falava umas coisas que eu queria era só rir. Tipo “your lips are like candy, I just can’t get enough”. Sério, muito filme pornô isso. Essa em questão ele falou da primeira vez mesmo e eu acho que esqueci de comentar (ou tô sendo repetitivo, o que é provável) mas ele falava sempre e eu me segurando pra não rir.

Eu supostamente deveria me sentir mal falando isso, mas não. Eu sou antes de tudo verdadeiro comigo mesmo. Não consigo fingir esse tipo de coisa. Ele foi uma pessoa que eu adorei conhecer, considero um amigo até, mas não rolou. Vai ver era o destino falando que Buzz e Woody só deveriam ser amigos mesmo e incrivelmente esse não seria o último capítulo dessa história.

Ele me deixou no mesmo dia em casa e fui dormir pensando nisso. A vida de quem trabalha lá deve ser basicamente isso né, indas e vindas, casos e mais casos, mas nada que você possa de fato se apegar. É divertido a ideia de conhecer pessoas do mundo todo, mas sabendo que essas pessoas irão ir embora e é isso, somente pela internet ou algum dia num futuro distante quando sua estabilidade financeira permitir e provavelmente até lá nem estarão mais se falando. Tava pensando nisso e ploft, dormi.

30 de Janeiro 2011

Seria o Pirate Goofy no Magic Kingdom, não sabia ainda, mas seria o melhor shift do Goofy de todos os tempos, receberia visitas e ficaria extremamente emocionado e também seria meu último dia trabalhando no Magic Kingdom. Fechei com chave de ouro totalmente, então vamos logo descrever esse dia lindo e perfeito.

Cheguei, peguei a roupinha, tudo tranquilo como sempre. Joguei tudo no saco e fui caminhando em direção as vans. Era minha primeira vez logo eu deveria ter perguntando na hora do check-in se tem van, se tem que ir andando, mas eu já tava numa vibe tão por conta própria que fui andando pras vans e tinha um cara lá e eu simplesmente falei “essa é a van do Pirate Goofy?” e ele “errrr, o Pirate Goofy vai andando pelo túnel” e eu mega sem querer “oh fuck!”, ele riu e falou “mas vai, tô com tempo, sobe aí”. Sim, ganhei uma carona. O motorista era muito bacana, ele perguntou se eu era novo e tal, eu falei que não, mas primeira vez naquela work location e fomos conversando o caminho todo.

Ele era o motorista do Woody e da Jessie, dai vi duas pessoas novas todas felizes como um dia eu estava e indo fazer a mesma coisa que eu já havia feito também. É impossível não dar um sorrisinho bobo vendo essas coisas. É quase o sentimento de um calouro seu na faculdade todo agoniado com as xerox enquanto você lixa as unhas no hall. Pois em, ele os deixou lá, ainda dei um oi pra Jessie do dia do pedido de casamento e ela lembrava meu nome e eu todo trabalhado no “hey you!”. Depois ele foi e me deixou lá no meu camarim básico.

A roupa é a mais básica de todas, é uma calça, uma blusa e ponto. Sem contar que a roupa é confortável pra caramba. Eu sou ruim com nomes de tecidos e tal, logo nem sei o que era, mas é a coisa mais gostosa que já tocou minha pele. E também é o único Goofy que você pode se arrumar sozinho (não que eu fosse tentar por conta própria, mas você fica sozinho na porra da sala por um bom tempo!) exatamente pela comodidade da roupa e se não me falha a memória, nem corcunda a gente tem. A attendant até elogiou que ela chegava na sala e eu já tava pronto (e meu back-to-back idem). Eu me arrumava até antes do tempo só pra ficar com aquela coisa gostosa em mim. Fechava os olhos e o mundo era só meu.

Pirate Goofy e sua espada imaginária.

Best work location ever.

Meu back-to-back era um fofo, não só fisicamente como na personalidade. Na verdade eu prefiro até mais personalidade, sabe aquele ser tímido que fala fazendo a maior força pra sair alguma coisa mas em vez de você achar irritante você acha fofo? São raríssimos casos disso acontecer, mas quando acontece eu fico querendo praticamente casar com a pessoa. Quando eu não tô on set eu fico mandando sms, dormindo, o escambal, mas ele não. Ele ficava pintando uma revista de colorir da Disney e naquele dia específico um Goofy. Morri de fofura e não aguentei, falei. Ele riu e ficou vermelhinho. Pronto, a Valesca em mim gritou bem alto, mas isso seria depois de coisas lindas que aconteceram comigo nesse dia.

Já tava quase indo embora e nenhum amigo tinha ido tirar foto comigo, como assim né? Muita gente pedia também mas eu nunca mandava meus horários por preguiça, mas nesse dia mandei pra todos meus contatos meus horários certinhos e os que puderam ir, me fizeram bem feliz. Eu tava lá na minha quando escuto um “hello Goofy!”, a primeira da fila já era a Nat. O que falarei agora pode soar a coisa mais brega do mundo, mas a sensação de ver um rosto conhecido ali, naquele momento em que tecnicamente você não é você e sim um personagem que você sabe que aquela pessoa ama e no momento ainda mais um pouquinho pois sabe quem tá sendo a “alma” dele, sério, eu comecei a chorar no mesmo momento. Tava tão emocionado que fui péssimo, só abracei, fiz “I love you” e pronto, foi isso. Depois que ela saiu que eu me recuperei que eu pensei “caralho que péssimo que eu fui”. Por muita sorte do destino, as fotos ficaram ruins e ela encontrou a Raissa que também tava indo tirar foto comigo, então ela voltou e fiquei mais feliz ainda.

No que eu vi, ai pronto, tava emocionado da mesma forma mas deu pra pensar e fiz várias paradas, inclusive usei até o canhão, fiz poses fofas, amei minhas primeiras visitantes.

No outro set foi hora de vir Carina (a fofa que conheci no aeroporto – e pararei de falar isso, vocês que decorem os nomes dos meus miguxinhos):

Momentos depois veio o Johnny, namorado dela que conheceu lá e estão juntos até então sendo o casal mais fofo dessa ICP.

Fui pro backstage quando o set acabou e já tinha mensagem da Nat me elogiando, a Carina agradecendo que ela disse que eu fui mega fofo com ela, sabe, lindos lindos. Johnny me mandou mensagem falando pra ir procurar a Raissa depois num canto lá do parque que esqueci o nome agora, mas é perto da área do Woody/Jessie. Era minha hora de visitá-la no trabalho, e olha o que ela tava fazendo:

Ela me deu a estrelinha por conseguir fazer essa paradinha (na verdade eu nem consegui fazer direito, mas ela me deu mesmo assim haha) e era muito bacana vê-la brincando com os outros guests. Passei meu horário de almoço ali. Voltando eu ainda vi um pouco do meu back-to-back trabalhando e ele arrasava.

Chego lá e vou ver meu celular e tem uma mensagem da Erika (roomie da Raissa que cantou Lady Gaga comigo no dia do visto do passaporte – novamente, última vez que faço isso) falando que amou tirar foto comigo e eu “ahn?”. Perguntei quando ela havia ido e ela falou que logo após Carina e Johnny, eu nem vi! É que chega um certo momento que você nem tenta mais olhar a cara de quem tá tirando foto contigo, você de fato só olha pro pé e pronto. E foi exatamente isso que fiz com ela, tanto que a foto saiu linda de perfeita, olha só:

Ela falando comigo depois disse que ainda ficou me apertando e tal, e de fato, depois lembrei que senti uns beliscões mas eu já tava tão acostumado com guest sem noção que pensei que fosse o caso. O certo seria ela ter falado comigo né, que ai sim, mas ela fez o guest mudo, ai não deu. Imagino o tanto de gente que pode ter tirado foto comigo, não avisou e eu nem vi hahaha mas tranquilo. Lembrei inclusive que nos meus primórdios de Woody no Magic uma garota foi com uma bandeira do Brasil mas no círculo azul era o Mickey e onde tem “ordem e progresso” era “ICP 2010/2011″, não a conheço, mas se alguém já viu por aí Facebook afora, me avise.

Um momento que foi muito especial também foi um senhor com aparência de ter uns 30 pra 40 anos que falou que já havia sido melhor amigo do Goofy um tempão atrás e me deu um abraço mega apertado, dai me coloquei no lugar dele e o quanto o Goofy devia significar pra vida dele que interagi como se eu estivesse triste e com saudades. Quando ele tava indo embora eu simplesmente foquei meu rosto nele com a mão no coração, imóvel, sem fazer mais nada. Ele fez um “awwwwwn não fica assim meu amigão”. Dai voltou, me abraçou de novo, os olhos dele marejados, a mulher dele sorrindo toda boba, ai vai e fala “eu sempre vou te amar Goofy” sério, como não chorar? Só de relembrar eu já quase choro.

Eu tava tão empolgado que perguntei se poderia usar uma espada de plástico que ficava lá no backstage e a attendant disse que não, que era proibido. Eu imaginei que sim né, “magia Disney blá blá blá violência só existe nos filmes e na vida fora dali blá blá blá” mas não custava perguntar. Só que olha só que ridiculo:

Isso é na Disneyland, as regras não são tão rígidas quanto na de Orlando. Mas é Disney não é minha gente? Sério, nunca vou entender essas coisas. Nunca mesmo.

Foi um dia divertidíssimo com minha espada imaginária mas não terminaria por aí. Como eu disse, meu back-to-back era muito fofinho, ele inclusive me levou até o banheiro que era mega longe (não, sem banheirão, só queria saber onde era mesmo!) e conversou um pouco comigo no finalzinho do meu tempo de almoço. Ele ainda falou “acho que já te vi por aí” e no que ele falou lembrei que ele já tinha sido meu back-to-back no Character Spot. Só que como lá é tudo tão corrido e ele entra e eu já saio, nem me marcou naquela época.

Eu já não sabia mais o que era ser tímido, final de Janeiro né, logo, fiz algo que normalmente eu não faria. Peguei um papelzinho, coloquei meu número com um “you’re cute, call me if you feel like going out” e botei no livro de desenho dele e fui embora. Como eu havia ido de van, não sabia que caminho seguir para chegar no costuming. Eu rodei aquele túnel do Magic Kingdom inteiro com a black bag nas costas! Eu demorei tanto que cheguei pra entregar a roupa e o meu back-to-back tava lá, dai ele me viu e ficou mais vermelho do que já tava, ou seja, já havia visto meu papelzinho à la Valesca.

Eu fingi que nem tinha escrito, sei como americanos funcionam né, só na base do text message. Mas não ele. Saímos de lá juntos, conversando normalmente, ele ofereceu carona até minha casa eu falei que ia pro Walmart antes que não tinha mais nada na minha casa. Ele falou “eu te levo lá, sem problemas”. Pronto, já sabia que no fundo ali tinha. Chegou lá e já ia me despedir e ele “se importa se eu fizer compras com você? também tô precisando de umas coisas” e eu “imagina, maior prazer”.

Fizemos compras, eu levei meia horinha mas ele queria fazer as compras do mês praticamente, então mais o ajudei do que fiz as minhas propriamente ditas. Faltavam duas semanas e pouco só, comprei milhões de miojo, pão e o escambal e ia ter que durar. Ele no carro na volta agradeceu e tal, que ele odeia fazer compras sozinho e eu falei que odiava fazer compras e ter que pegar ônibus, então né, era mútuo. Ele riu e começou a falar da vida dele sem eu nem perguntar, mas né, eu gosto mesmo de saber dessas coisas. Ainda mais que era ele em questão, uma pessoa fofa e que eu tava mega interessado.

Foi ai que ele falou que tinha um garoto ai que ele gostava, mas que ele nem sabia que ele existia, que trabalhava na Disney também mas era Quick no Magic e como ele trabalhava muito por lá, sempre o via no túnel. Me toquei que essa era uma forma educada de falar “não quero sair contigo pois sou afim de outro”, logo, comecei a dar conselhos de amigo mesmo. Eu falei que ele devia tentar uma aproximação, que ficar só de longe não era legal (por mais que eu entendesse porque já fui assim) dai ele quase se tremendo todo fala “é, tô falando isso por conta do seu papel e… err… eu queria saber ser assim e… er… blá blá blá” dai eu respondi “Já fui muito como você, acredite. Antes mesmo de chegar aqui eu era bem assim, mas aqui eu aprendi que cada momento você tem que aproveitar e se arriscar. Se eu não tivesse feito isso, nem aqui nesse carro eu estaria agora blá blá blá”. Ele “é…blá blá blá”.

Foi ai que abri o coração “Te achei fofo mesmo, assumo, e agora ainda o acho mais ainda de falar isso, se abrir comigo e não simplesmente me ignorar ou sei lá. Só isso já é querendo ou não coragem da sua parte. Tira disso a coragem de ir falar com o seu Quick, o máximo que ele pode falar é não e pronto, você fica triste por um tempo e depois supera. Melhor que só ficar imaginando e nada”. Ele me agradeceu e tal, sério gente, um fofo. Me deixou lá no Vista, agradeci a carona, a cia e tal, ele vai e me dá um beijo no rosto. Isso pra americano já é muita coisa, ai pronto, morri de fofura, retribui e fui embora. Dai ele grita do carro “I still have your number so you’ll hear from me!” eu falei “You better let me know!” e pronto, se foi.

Cheguei em casa e arrumei minhas comprinhas e fui escrever no meu diário/caderno sobre essas coisas até que a Raissa chegou. O Toontown ia fechar, é uma área do parque que é super infantil, tem só a casa da Minnie, Mickey, fila pra bater foto com eles, uma ride fofa do Goofy e basicamente é isso. Em 2012 onde era a Toontown vai ter a nova Fantasyland com castelo da Bela e a Fera, ride da Pequena Sereia e etc e então combinamos de ir lá antes que fechasse que eu queria conhecer. Como já era tarde Raissa falou “eu não vou conseguir acordar”, eu falei “dorme aqui que eu te acordo e ai vamos!” então ela ficou e dormiu na sala, até ofereci minha cama mas ela não quis, dai botei meu travesseiro e meu cobertor no sofá e eu fiquei na cama com o Stitch de travesseiro e sem cobertor mas com tanto sono que nem senti falta.

31 de Janeiro 2011

Fomos cedão pro parque fazer isso, aliás, achei a coisa mais fofa a abertura do parque. Eu não vi desde o comecinho mas tinha gente dançando, cantando, pegando o bondinho e cantando The Trolley Song, sério, perfeito. Não esperava isso. Fizemos ainda umas coisinhas que não havia feito ainda (como girar loucamente no chá da Alice) e outras rides fofinhas e fomos ao Toontown.

UM BEIJO PROS MOUSE HEIGHTS QUE A-DO-RA-VAM TRABALHAR AQUI... NOT!

XOXO, MINNIE MOUSE. Mari SP, te dedico!

XOXO AGAIN, MINNIE MOUSE. Agora pra Mari Rio!

NÃO É MINHA CARA?

Fui na ride do Goofy que é a coisa mais fofa de todos os tempos, eu já havia ido no dia da Graduation, mas não resisti e fui de novo e dessa vez ainda pedi pra Raissa filmar.

Como sempre, na minha vida de Charlie Brown, tive que sair correndo pra não me atrasar. Quem disse? Cheguei atrasado por 2 minutos. É que do Magic pro Epcot tem que pegar o Monorail, andar maior trecho dentro do parque pra sair na área certa do backstage. Leva um tempinho mesmo e se você atrasa um pouco, já era. Fiquei puto, uma coisa é atrasar 15 minutos e tal, mas dois minutos dá raiva. Imagina um, caralho, ia xingar muito no Twitter. Mas tá, pior que isso foi olhar minha paradinha do pescoço e ver que minha chave caiu no meio do caminho. Fiquei triste por conta da keyholder que a May me deu. Uma chave nova é $5, tipo, foda-se, mas a keyholder era presente e nem tinha mais do Goofy no Walgreens. Descobri isso enquanto via Vini Tigger e Curt Colindo esperando suas vans para o UK enquanto eu esperava a minha pra França, mais puto da vida ainda.

O lance da chave já era um sinal de que o dia não seria tão legal já que a Fera estava tristinha, mas pra coroar ainda ganhei de brinde a Bela mais escrota do mundo. Cheguei lá e ela nem me deu oi, mas foda-se né, tava cagando pra ela. Se fosse só isso, seria o de menos, mas caralho, ela cortava muito as crianças. Acho que era o destino compensando o fato de ter me dado a melhor Bela na estreia, agora eu tinha a mais escrota. Ninguém lá gostava dela, ela chegava no backstage dizendo que odiava criança, falando mal de tudo e todos, era tenso o negócio.

Minha attendant do dia era a Tamy, brasileira também (os attendants brasileiros só ficavam no Epcot), linda, parecia gringa mesmo com um cabelo escuro e curto à la Zeta-Jones em Chicago, muito muito linda. Ela não ficava muito com a gente, até mesmo que acho desnecessário tendo um face character do seu lado podendo contornar tudo numa boa enquanto ela lida com a fila que costuma ser imensa.

Eu não lembro todas as grosserias da Bela, e sim, foram muitas! Mas as três que mais me marcaram foram:

- Criancinhas cantando “Happy Birthday” na fila, quando chegou na vez delas ela: “vocês não vão cantar happy birthday aqui” tipo super séria, e eles pararam, intactos, bateram a foto e foram embora. Juro que fiquei esperando a hora em que ela falaria “just kidding” mas na-da.

- Garotinho me dando instruções pra eu olhar pra foto. “Fera, olha aqui. Mais pra direita, mais pro alto, agora esquerda, etc”!” e ela “Onde estão suas maneiras? Onde está o ‘por favor’ e ‘obrigado’?” Gente, nem Mary Poppins faria isso! Ele parou na hora, simples assim.

- Crianças brasileiras, com os pais falando em português e a tapada não percebe, dai fala: “Oi, qual o nome de vocês? Oi? Bem, ou vocês são surdos, mudos ou são mal educados mesmo”.

Esse eu não me aguentei e falei no backstage que eles eram brasileiros e ela “ah bem, eu odeio brasileiros de qualquer forma”. Eu falei na lata “Eu tenho certeza que se eu fosse guest eu te odiaria também, então no offense taken”. Ela não sabia até então que eu era brasileiro e pronto, não falou mais comigo depois daquilo. Preferi assim, entre ouvir grosseria e nada, prefiro nada.

Dentro da cabeça da Fera eu tenho um espaço imenso, então lá dentro eu conseguia virar meu rosto direitinho pro dela e fazia caras do tipo “whaaaaaaaat?”. Ficava muito chocado vendo ela fazendo aquelas coisas. Se ela odeia crianças, tá ali por pura necessidade, mas custa forçar um pouco a barra? No fundo é um emprego como outro qualquer. Eu tentava pegar na mão dela, ela tirava e falava que esquentava muito. Depois de um tempo eu era um poste pra ela, não fazia mais nada e ignorava completamente o que ela tava dizendo.

Preferi ficar conversando com a Tamy no backstage e descobri que ela curtia musicais também, subiu no meu conceito quando disse que o seu preferido era Sweeney Todd mas caiu um pouquinho depois que falou que seu favorito no Brasil é o Saulo (entramos no assunto por conta da Bela e a Fera). Mas tá né, entendo. Ainda colocaram Moulin Rouge na tv do backstage e consegui ver as partes que ficavam no meu intervalo.

O melhor vem agora, pedi pra ela tirar uma foto minha quando tivesse no final do set pra eu ter de recordação que não havia tirado ainda. Dai tô lá esperando e só vejo um cara falando maior tempão com ela, já com a fila fechada. Sai de lá sem entender nada, mas tranquilo. Chegando no backstage ela começa a falar que o cara deu em cima dela! Fiquei passado, morrendo de rir e impressionado na cara de pau de um guest em dar em cima de um funcionário assim! Ela pediu desculpas que até esqueceu de bater as fotos e eu “imagina, tranquilo”. Por algum motivo que eu não lembro, a minha attendant ficou sendo a Iza por um set só. Ela tava sendo da ridícula da Marie (personagem, a pessoa que fazia era um cara mega fofo – e sim, um cara) mas adorei que ela foi minha e ainda bateu umas fotinhos na sua máquina fodastica e maravilhosa:

Fera do bem, Bela do mal. Quem diria?

Prova de que eu me ajoelhava para as crianças! Morria, mas me ajoelhava!

Inclusive sou escroto, adicionei essa Bela tem um tempinho no Facebook. Quero muito deixar um “You’re not singing happy birthday here” no aniversário dela. Talvez ela nem lembre, mas que seja. Questão de honra pelos corações destruídos naquele dia. Eu fui embora sem nem trocar uma palavra, me despedi até da Aurora que era uma fofa, o brother que fazia a Marie e era sua primeira semana já odiando aquela personagem vagabunda, um grupo legal incluindo os attendants, só tirando aquela vaca da Bela que passei batido. Pra quem vai trabalhar lá, Gabrielle o nome dela! Pode falar que eu mandei um beijo!

Até a motorista da minha van na volta foi bacana, ela falou “Cuidado, você está na van com Mary Poppins!” e vocês já sabem como eu amo a Mary, então respondi “OMG!!! Mas ok, ok, eu já fui uma Fera muito malvada, agora eu sou do bem”. Elas riram e não perdi oportunidade e puxei maior papo com a Mary. Perguntei se o povo pedia pra ela falar Supercalifragilisticexpialidocious ao contrário, ela disse que sim e falou na hora pra mim. Eu todo bobo batendo palma e ela rindo. O caminho devia ter sei lá, 15 minutos e olhe lá. Pois eu passei os 15 minutos fazendo todas as perguntas que eu faria pra personagem no parque mesmo mas não teria tempo e ela me expulsaria. Ali ela tinha tempo e estava me respondendo tudo numa boa, muito fofa. Ela respondeu tudo tão lindamente que fiquei ainda mais encantado pela personagem, sério. Pensei que isso não era possível mas ela conseguiu.

Cheguei em casa e Vini Tigger me chamou pra sair. Não era dia de nada bom na verdade, mas ele sabia de uma balada alternativa ai que só precisava pagar $2 pra entrar e diziam que era boa e dava pra ir de táxi baratinho. Resolvi ir né. Fui o encontrar na casa de nem sei quem, não lembro, mas acho que era uma das gêmeas. Ele ainda tava brigando com uma amiga dele lá, quase que a gente nem ia mais, mas eles já eram daquele nível de amizade que mesmo uma briga não muda muita coisa, muito pelo contrário, só fortalece a amizade. Enquanto ele brigava, ele me contou que o Tyler tinha dado em cima dele no carão (o que me fez ter certeza que ele havia feito isso daquela vez na carona) e depois disso havia pego um amigo nosso em comum. Seria o tipo de coisa que eu nem postaria aqui porque né, não interessa muito, mas a parte engraçada é que ele ficou com esse nosso amigo uma vez, dai saiu novamente e o viu pegando outro cara, se sentiu traído como se eles tivessem namorando, xingou o coitado, fez a louca total traída. Eu ri muito da situação toda, ainda mais lembrando de como ele tava no dia que me deu a carona. Eu conseguia imaginar aquela cena claramente. Ainda faria uma boa ação depois de saber isso, aguardem o próximo episódio.

Tá, ainda fomos pra festa na vibe da briga dele com a amiga. Eu não a conhecia direito (na verdade ainda não conheço mas sei quem é de vista) mas tava com uma das gêmeas (horrível você não saber quem é quem né, mas enfim, blame it on the alcohol! – e ela fofa ainda me chamava de Woody, vou chutar que era a Stephanie!) e lá na hora eles fizeram as pazes. Eu não lembro nem o nome da festa, na verdade acho que eu nunca soube mesmo, nem lembro de ter perguntado. Eu já tava na vibe de aceitar quase todos os convites. Se eu gostasse da pessoa e ela falasse ” ah vamos n-” eu já respondia “sim, bora”.

Era um lugar pequeno mas super bonito, um look meio Merlotte’s do True Blood só que sem vampiros, shifters e sangue por toda parte. Tinha uma área externa enorme e geral tava se pegando por lá, mas eu tava numa vibe muito não querendo ninguém. Eu acho que era pelo lance do Buzz em si, não queria encontrar outra pessoa por encontrar, fazer e ponto. Eu tava numa vibe “se vier, ok” mas eu não iria procurar porque ai sim eu me sentiria culpado. Inclusive o tal britânico que todos pegavam tava lá e eu nem me dei ao trabalho. Dancei horrores, bebi bastante (os shots lá também eram baratos) e chegamos meio tarde então quando me dei conta, já havia acabado.

Iriamos voltar de táxi, mas tinha tipo um mini-party bus na porta e que passaria pelo Vista Way. Era uma espécie de furgão e lá dentro era exatamente um party bus mas por ser pequeno, tava lotado e nós bêbados empurrando todo mundo, dançando, agitando, e eu conseguia ver visivelmente um certo repudio e raivinha na cara de uns que já estavam quase morrendo querendo dormir. Mas e daí né? Ninguém ali me conhecia mesmo ou iria me ver novamente, logo, tava total na vibe da loucura. Posso dizer que naqueles 10 minutos (ou mais, ou menos, não lembro) eu me diverti de uma forma inexplicável, conversando com zilhões de pessoas aleatórias e dançando, cantando, gritando, e por aí vai.

Chegamos e eu tava mega feliz, aliás, todos estavam. Ninguém queria ir pra casa ainda, tava cedo (duas horas da manhã vai). E é ai que Vini poe seu lado Tigger pra fora e vai pulando num grupo de três pessoas e começa a perguntar “pra onde vocês vão? Nós não queremos dormir agora!”. O seguimos e lá estavam três australianos que começaram a puxar papo com a gente. Eles eram muito gente boa e bem, tava todo mundo altinho ali, logo, o papo fica ainda mais engraçado. Eles começaram a falar coisas sobre a Austrália, perguntavam sobre o Brasil e tal. Eles estavam ali tinha apenas uma semana então perguntaram sobre nossas roles, essas coisas, ficaram todos felizes quando falamos performers, ai pronto, pediram foto com a gente:

Detalhe, primeira semana e já em baladas alternativas, eles sim sabiam se divertir! Eu não lembro de ter os vistos por lá, na verdade eu só descobri que estavam vendo as fotos da Loren (australiana morena) e inclusive, ela tirou um no furgão que dá pra ver meu cabelo:

Inventamos de querer comer alguma coisa então fomos ao Wendys. Tava fechado, só dava pra pedir comida pelo Drive Thru. Chegamos a pedir no carão pra um pessoal de carro comprar pra gente, eles negaram. E ai nós fomos ter a ideia genial de ir simular o peso de um carro pra ver se eles aceitavam. Resultado:

Confesso que na hora eu estava simplesmente pulando por pular, não fazia ideia da razão de estarmos fazendo aquilo. E pensando agora, ainda assim é nonsense né, então que seja. Mas ainda assim olha o meu sorriso de bobo na foto, essa era a sensação no momento. Pure sheer happiness. Depois voltamos, eu fiquei ensinando palavras essenciais em português para o australiano (como “você é gostoso!”, “me pega!” e variados), ele falava umas expressões de lá como “g’ day mate” e eu rindo porque lembrava disso de Xanadu, quando a Kerry Butler imita o sotaque da Olivia Newthon-John.

Estávamos nos despedindo e o Vini falou que iriamos no dia seguinte para Rain e esse menino queria conhecer uma balada gay, trocamos telefones mas sabe quando você pega o telefone de alguém super por trocar, do tipo “provavelmente nunca ligarei pra essa pessoa mas bora fingir e anotar aqui numa boa”? Pois é. Fui pra casa dormir. Já era umas 03:30 e eu tinha que estar de pé as 08:30 adivinhem pra quê? Tusker House! Eu tentei dar o shift de todas as formas, mas não havia conseguido. Pensei em dar call sick mas já tava com muitos pontos, logo, seria a hora de enfrentar o trauma de uma vez por todas.

No penúltimo episódio: Typhoon Lagoon, Bliss, Jellyshots, Breakfast de Brer Bear, Superação do Tusker House, Workshop de Tall Characters e o começo do meu Summer Lovin’. E só pra constar, esse post foi um dos que eu mais gostei de escrever até então por conta de só ter nele dias especiais mesmo. Não estou com tempo de reler pra ver se consegui passar essa magia, mas espero que sim. Até o próximo!

CategoriasAventuras, Disney

Diário de um Pateta – Pt VIII: Universal Island of Adventures, Rain, Busch Gardens, Florida Mall, Sulley, Darth Vader e Regal Sun.

18 de Janeiro 2011

Sabe aqueles dias raros que tá todo mundo de day off e ai resolvem marcar alguma coisa? Todos estavam marcando de ir à Universal Studios. Eu tinha Goofy Beach Club, mas consegui dar o shift e logo tive um dos dias mais divertidos da minha vida com a melhor companhia possível!

Eu não conhecia nada nada da Universal (assim como a Disney) mas consegui amar mais que todos os parques da Disney e a emoção de entrar lá foi ainda maior. Acredito que seja mérito do parque em si, ou talvez pelo simples fato de que não é o quintal da nossa casa, aí você aproveita tudo like there’s no tomorrow.

Primeiramente fomos ao Hard Rock Café comprar nossas entradas. Dica que lá eles vendem o passe anual bem mais barato pra quem é Disney Cast Member. O ideal mesmo é tentar trocar blue pass com os cast members de lá, mas como eu não tive tempo pra isso, comprei mesmo.

Tirei fotos lá dentro mas tá na máquina de alguém, se você está lendo isso, eu quero! E bem, fomos correndo para o Island of Adventure porque todo mundo queria ir no parque do Harry Potter e até eu fui mordido pela febre. Só que entrando lá você acaba ficando meio hipnotizado com tudo, então mesmo querendo correr, fizemos zilhões de coisas antes.

Srsly.

Betty POOP.

TÁ!

Esse vídeo faz um tour legal pelo parque todo porque é tudo tão emocionante e empolgante que na hora eu mesmo nem pensei em filmar nem nada, bati umas fotos e o resto é viver o momento. O que eu fiz foi filmar bem pouquinho a empolgação do começo e depois os comentários na saída enquanto esperávamos o táxi.

Esse segundo vídeo é o tipo de coisa que só performers muito muito muito felizes vão entender. É o tipo de coisa que até eu deveria achar idiota, mas não consigo. É simplesmente… isso. E é. E ponto.

Eu que nem sou tão fã do Harry Potter fiquei encantado com aquilo tudo, tem uma foto que a própria Biancão comenta no vídeo que resume tudo:

Eu amei a parte toda da Marvel, sou fissurado desde criança e foi lindo demais ver tudo aquilo ganhando vida. Os Characters de lá não são nível Disney, aliás, essa é a grande diferença. Os brinquedos fazem o parque, enquanto na Disney são os Characters. Só que eu não sou mais criança né, então se o Wolverine é um gordo escroto do cacete, caguei, quero foto da mesma forma e tô feliz da mesma forma.

O melhor brinquedo disparado é o simulador de voo de vassoura do Harry Potter, é uma mistura de 3D com objetos reais só que de uma perfeição que sério, parece mesmo que você tá numa vassoura, que um dementador vai te sugar (fiquei com medo gente!), é sensacional. E dica: vão de single rider que a fila que normalmente duraria 2 horas leva 15 minutos.

Um momento engraçado que lembrei agora também foi que entramos numa parada lá que era não sei o quê do Poseidon. Dai tem um ator que fica falando lá que o professor sei-lá-quem sumiu, que estamos ferrados, só que ninguém tava entrando na vibe, tava com pena já dai soltei altão “omg!” e ele “I know, right?” e todo mundo rindo. Depois disso abre uma portinha e passamos por um corredor de água lindo lindo lindo, todo mundo chocado passando por lá. Dai vemos uma porradaria do Poseidon com alguém lá, altos efeitos fodas.

Saindo de lá jantamos no Bubba Gump (que eu só me toquei que era do Forrest Gump já lá dentro), ficamos brincando de pular corda do lado de fora e altas criancinhas vieram brincar com a gente, depois May ficou arrasando no bambolê, sério, era uma felicidade extrema e excessiva. Sabe quando a excitação e a felicidade tá num nível que você precisa compartilhar? Precisa correr, gritar, pular, abraçar e por aí vai? Pois é. Tem várias coisas legais na verdade mas né, eu sei que vocês que me leem um dia irão visitar (se é que já não foram) e irão se divertir horrores como eu, logo, não vou ficar explicitando tudo.

Chegando em casa tava tão animado que fui na Rain com meus lindos Phe e Marcela e dessa vez entramos! Considero a melhor balada que tem lá. É perfeita em todos os sentidos, é gay mas tem go go girl também, muitos héteros andam por lá, as músicas todas são boas e sabe variar, tem uma drag na entrada que eu me acabava de rir com ela. Sério, a melhor na minha opinião. Passaria a frequentar quase sempre.

Diva Marcela simplesmente não aprende e tinha que aprontar outra. Como ela é de menor, não podia comprar bebida. Dai o Phe ia lá, comprava e dava pra ela. Tinha um segurança olhando pra ela, e ela super dançando pra ele, tirando maior onda e ele só rindo. No que o Phe pegou a bebida que foi entregar pra ela, ele o puxou e expulsou da boate. Ele tava bêbado e ficou xingando o cara, muita sorte que o segurança era de boa, porque né… Marcela já queria sair pra ficar com o Phe, eu falei que não ia adiantar nada porque o party bus só passa depois que a balada acaba, mas enfim, não dava pra conseguir aproveitar 100% com essa situação então tentamos até ficar mais um pouco mas saímos logo em seguida.

Detalhe que ele tava super entrosado com outras bichas que também foram expulsas por fazerem coisas ainda mais elicitas, a Marcela ficou discutindo com a drag falando que ela era uma “fake woman”, que ela queria ser mulher e não podia, dai ela vai e humilha: “honey, I may be a fake woman but I have a thing that men love it and you don’t have it: a dick!” e todo mundo aplaudindo e Marcela inventando de discutir, chorava de rir. Se tem gente que sempre vai ganhar discussão independente do assunto são drags e travestis. Sério, ninguém barra.

Um gordinho ainda veio do nada perguntar se eu conhecia o musical de Legally Blonde, ele falou “omg really? no, you’re just sayin’ that” então cantei um trechinho de Omigod You Guys e a resposta dele, óbvio, foi “Omigod!”. Isso tudo pra ele me dizer que era amigo da Pilar do tour que tava tendo na época. Tipo, foda-se, mas bicha bêbada dá nisso.

19 de Janeiro 2011

Seria Goofy Character Spot, dei meu shift para ir ao Busch Gardens. Tava na hora né, faltava um mês exato para ir embora e não tava curtindo direito as coisas fora da Disney. Combinei de ir com Raissa e foi uma amiga dela japoca e lá encontramos Jaque e Danuza (duas roomies da Biancão). Eu tava mega animado de ir já que fui à Tampa duas vezes e sempre dava meia volta volver na frente do parque que parecia ser incrível, e de fato, é.

O parque é basicamente zilhões de montanhas russas fodas e algumas coisas aleatórias no meio tipo galerinha do Vila Sésamo, brinquedinhos alternativos, animais, admiro muito. Só sente isso:

Eu fui na primeira fila e fiquei suspenso quase caindo por uns 5 segundos, sério, é muito foda. Algumas fotos do dia feliz:

A foto de cabeça pra baixo foi no barco, aqui no Brasil tem mas eles só sobem até um certo nível, né? Lá ele chega a dar voltas, fui zilhões de vezes. E depois de tirar essa foto com o Cookie Monster a moça perguntou “você trabalha na Disney?” eu falei que sim e ela “ah tá, vi pelo pezinho, trabalhava lá também”. Eu “é automático já, eu esqueço” e ela “eu sei, levei meses pra tirar do meu sangue”.

Ficamos até o parque fechar, deu pra fazer tudo e ainda repetir algumas coisas. Me diverti horrores. Dai todo aquele trajeto de volta pra casa, tava cansadão mas como era quarta-feira, Buffalos pra que te quero!

Roomies Biancão, meus roomies, Raissa, May, Paulinha e Jeejay.

O melhor é que depois fomos lá pra casa e eu coloquei no laptop o nosso karaoke particular, ou seja, só jogar no youtube “nome da música + karaoke” e ficamos lá, bebendo, cantando, performando entre outras coisas que por mais que eu diga, vocês não entenderiam (beijos para Isaura!)

20 de Janeiro 2011

Era dia de folga, mas como queria dinheiro e estava com saudades do Woody, peguei shift no Magic Kingdom (e vamos lembrar que já havia dado dois shifts por conta dessa minha mini-férias!).

Esse dia foi engraçado porque por questão de segundos cheguei na hora certa. Eu desci do ônibus e sai correndo até a máquina do clock-in, quando eu passei o cartão que vi que bateu na hora exata exata eu não resisti e gritei “yeeeaaaaaaaahhhh” e todo mundo em volta rindo e eu muito nem aí porque eu necessitava comemorar aquele momento.

Minha Jessie era um cara, o único homem que faz Jessie (pelo menos até então) só que ele é tão mas tão viado que consegue ser melhor Jessie que muitas ali. E quem era minha Jessie back-to-back? Molly, linda. Esse dia tava muito, muito, muito quente. Pela primeira vez eu só imaginei o que deve ser trabalhar ali no verão, eu não aguentaria mesmo. Você coloca a cabeça e já tá suando, começa a andar até o work location e já tá morrendo, dai aguenta meia hora sem nem conseguir ver direito de tanto suor. É complicado, juro que não consigo imaginar como é no verão.

Esqueci de comentar mas não foi nesse dia, foi em algum outro dia em que fui Woody no Magic que eu conheci um negão muito muito engraçado e ele me falou pra procurar no youtube um vídeo em que ele fazia o Bullseye numa Dance Party. Vos apresento o vídeo:

Nos relacionados tem Single Ladies também, sério, incrível! Pena que só vi depois e nunca mais o vi no backstage, ia elogiar horrores.

Dai tá, eu tentei ir num workshop que não lembro o nome, mas era pra galera que faz o showzinho na frente do castelo pois a costume deles tem cabeça que abre e fecha a boca, os olhos piscam, é lindo. Tá que eu nunca faria isso, mas queria muito ver como funcionava dentro da cabeça porque devia ser bem, bem tenso. Só que eu não sabia exatamente onde era, tava sozinho, dai desisti.

Tava tendo festa no Vista, aquelas de boas vindas que sempre tem e já comentei, fui lá comer de graça e achei lindo que a galera que tava chegando já ia mega se enturmando. Eles eram bem diferentes da galera que recebeu a gente, porque esses eram bem fechados, tanto que percebam que até então nem havia feito amizade com gringos e tal, só de falar “oi tchau”. Isso mudaria muito em breve por conta dessa nova leva que havia acabado de chegar.

Fomos no Premium que eu fui devolver as calças que comprei e não gostei, lá fora tudo é tão tranquilo que se você quisesse ser o pobre de tipo, comprar umas roupas e usar o programa inteiro e ir lá devolver, eles aceitam. Sério, é lindo. Não ser pobre, mas a facilidade em trocar, devolver, etc. Dai como o dia seguinte era day off (tentei pegar shift mas exatamente por conta da nova leva não tinha nada) e o Jeff Buzz também tava de day off, ele me chamou pra sair. Eu disse que tá né, nem um pouco empolgado mas iria. Quem disse? Segunda vez que cheguei em casa, só sentei no sofá e quando me dou conta acordei no dia seguinte lá, todo largado.

21 de Janeiro 2011

Acordo e vejo as mensagens dele, perguntando onde eu estava, que ele tava me esperando, depois ele puto da vida porque eu sumi, blá blá blá, só mandei um “desculpa, tava tão cansado que dormi no sofá” e ele respondeu na hora “what a lame excuse!”. Fiquei puto, liguei pra ele e xinguei muito. Como assim desculpa? Ele que mora aqui tá acostumado com essa vibe, eu não, blá blá blá, ele pediu desculpa, perguntou se queria sair naquela hora então, eu falei que não e desliguei. Sou desses. Futuramente falaria de boa com ele, mas a partir dali já sabia que não sairia mais com ele como date.

Resolvi ir finalmente fazer umas comprinhas no Florida Mall com Paulinha, Phe e Lucas. Só que não era dia do ônibus que a gente tem direito, logo, fomos naquele normal que eu já havia me aventurado um tempo atrás. Sente, sente que situação engraçada. Sentamos na frente e ficamos conversando numa boa, dai tá, entra um negão com a calça lá no chão, cheio de cordão de ouro e o escambal e vai lá pra trás. Dá um tempinho e esse negão desce do ônibus. Em seguida uma mulher corre pra frente do ônibus, senta perto do motorista toda assustada e começa a conversar com ele. Pensamos logo que ele havia assaltado ela. Até perguntamos o que havia acontecido e ela respondeu “nem queiram saber” sendo que né, dois do RJ e dois de Fortaleza, a gente sabia bem como era.

O motorista parou o ônibus, saiu e foi num carro de polícia que tava parado na esquina (para parado na esquina). Na mesma hora ligou a sirene e saiu. O motorista volta e continua o caminho. Ela começou a falar com ele em espanhol, do nada ela fala o que de fato aconteceu. O negão não a assaltou não, ele simplesmente botou o dito cujo pra fora e queria que ela fizesse bem, coisas com ele né. Isso num ônibus! De fato tem doido pra tudo. Na hora que ela falou isso os quatro se segurando muito pra não rir. Momentos depois vemos que o carro da polícia já tinha até pego o cara, fiquei impressionado com a agilidade de tudo aquilo e ela comemorando toda feliz.

Antes de irmos ao Florida Mall passamos na Best Buy que alguém queria comprar não sei o quê, não resisti e acabei comprando uma máquina nova. Ela tava de $80, qualidade ótima e bem, era de bateria. A minha ainda era de pilha e isso me estressava, fui muito feliz na minha aquisição até mesmo que depois de voltar pro Brasil vi que a mesma custa aqui R$400. Chegamos no Florida Mall e eu fui muito, mas muito feliz. Comprei altas roupas baratas, muitas mesmo, devo ter gasto uns $150 só de roupa. Dai entrei com o povo na loja da Apple. Juro que não pretendia comprar nada mas não resisti e tive que comprar um Ipod. Fazia tempo que eu queria poder ouvir música sabe, só tive um MP3 player na vida, ele tinha 300MB, ganhei numa vaquinha das minhas amigas e ele não teve nem 6 meses de vida. Ia comprar um básico mas a diferença de preço era pequena então comprei logo o Ipod Touch que tem internet e o caralho a quatro e olha, melhor aquisição da viagem inteira.

Ele é meu melhor amigo, já até batizei de Marquinhos. Já enchi de música e ainda tem espaço, baixo apps inúteis toda hora, joguinhos felizes, tiro foto, faço vídeo, entro na internet roubando wi-fi alheia e o melhor de tudo: baixei um app de despertador do qual eu posso escolher a música em que irei acordar ouvindo! Tudo que eu desejava no meu celular (lembram da minha revolta?) e agora estava ali, nas minhas mãos. Custou $300 e tava desesperado pensando que ia morrer em NYC por conta disso, mas nem. Dou é graças a Deus de ter comprado.

Meu despertador até o momento era o começo de “Toxic” na versão Glee, os “tu tu tu ru tu ru ã Ã ÃÃ ÃÃÃN”. Eu acho que o Phe não devia aguentar mais. Depois eu coloquei “Good Morning” de Singin’ in the Rain até enjoar e virar “Morning Person” de Shrek. Mas tem tantas que podem ser que já coloquei até “Kere Kay” de Fela! Já acordo no embale dançando e pulando, catando a roupa no chão e indo trabalhar.

Pra fechar a noite de felicidade, fomos jantar na Applebee’s. Claro que eu fiz o trocadilho infame de que agora que eu era uma bee da Apple, não tinha lugar melhor para se comer! Tinha uma atendente negra muito engraçada que ficava dançando com a gente, foi ótimo.

Eu, Gaybriel, Paulinha, Jeejay, Phe e Diva M.

O Phe pediu um troço que veio tanta comida que tivemos que brincar de “eu nunca” com aquilo porque ninguém aguentava comer mais e assim era uma forma de ser obrigado a comer! Era raro essas coisas acontecerem, mas novamente, veio muita coisa!

22 de Janeiro 2011

Dia de Fitting de Frozone/Mr. Incredible, como já havia feito de Frozone, seria só do Sr. Incrível. A moça novamente falou “se você passar, você é ele. Se não, Sulley”. Fui lá fazer o fitting. Se eu achei que o Frozone tinha muitas camadas, o Sr. Incrível tinha muito mais! Sem contar que a parada dos músculos principais aperta muito, colocar a sunguinha preta também é um martírio, duas pessoas tiveram que me ajudar a colocar aquela roupa. A manager veio e falou “nossa, que estranho, tá muito magro”. Eu desfilei pra ela e tal, ela falou “é, não rola, tá muito magro”. E pronto, assim fui reprovado.

Conversando depois que voltei pro Brasil com minha linda Mari Rio, ela me perguntou uma coisa que faz muito sentido. “Você se sentia burro as vezes quando tava lá? Eu direto. Tem coisa que eu paro pra pensar e não sei porque não fiz diferente” e nossa, é muito verdade. Eu não sei se é por ser um lugar estrangeiro, se é a vibe toda, se a loucura do dia-a-dia ou até mesmo o fato de usarmos quase todo dia um ferrinho que aperta nossa cabeça e faz a gente não pensar direito, mas acontece muito!

A Biancão mesmo havia me falado que quando ela fez o fitting esqueceram de colocar a barriga, dai viram que tava errado e deram outra costume pra ela, dai ela passou. Era a mesma coisa só que não me deram a roupa certa e eu fui reprovado e aparentemente não tinha ninguém ali na hora que sabia desse detalhe. O pior é que ela me falou isso, mas eu tava tão sei lá, tão away, que a manager falou “não”, eu me senti a pior pessoa do universo (sério, que tenso que é isso) e fui né, sai de lá triste. Sente como é o Sr. Incrível sem pança:

Tirei essa foto durante o almoço desse dia. Parece mulher, né? Só que é puro erro de costuming, fiquei triste por conta disso mas olhando agora foi até bom porque a) era tenso mesmo e bem, ao menos me senti por 5 minutos como era ser o Sr. Incrível na sua fase magra b) Biancão depois que passou fazia direto, acho que não aguentaria – ela teve uma semana só de Mr. Incredible! c) Só fui Sulley nesse dia e foi lindo lindo lindo.

Voltei na mulher com maior cara de triste e falei que não passei, dai ela “fica triste não, acontece. Aquela menina ali é o seu Mike, segue ela que ela te mostra onde você vai ficar hoje”. Era uma japoquinha chata, mas eu já tava triste mesmo, nada mais importava.

O camarim do Sulley é pequeno, tanto que eu fiquei sentado boa parte do tempo e com aquele corpo imenso jogado aos meus pés. Nem que eu quisesse me movimentar eu conseguiria. Biancão já havia me instruído sobre a Fera, e pelo que vi, era bem parecido. Lá dentro era como se fosse uma mochila. Ela falou pra apertar bastante que assim o peso ia pra barriga e não pras costas, e funciona mesmo. Tem tanto espaço lá dentro e nesse caso como nós podemos ter nossas mãos livres lá dentro, dava até pra ter filmado a visão dele pra vocês verem como é! Só que só fiz uma vez e pensei nisso só depois.

Eu tava triste, mas aconteceram dois magical moments que me fizeram ter adorado ser o Sulley mais do que tudo. Eu tô lá na minha e voltam os back-to-back revoltados falando que tinha uma Boo linda na fila e que eles queriam falar com ela, mas que tinha acabado o tempo, logo, era com a gente. Eu pensei “affe, que coisa idiota” mas foi só sair e ver aquela criança com a roupinha de monstro da Boo que putaqueopariu, que coisa linda! Super entendi a reclamação. Ela chegou e eu fiquei todo animado, ficava apontando pra porta rosa e pra ela (como quem diz: você voltou!), ela rindo, dai ela começava a fazer “booo!” com a cabeça, tipo no filme, eu lá dentro só risos e felicidade. Dai eu com aqueles braços imensos (a gente segura num pedaço de madeira e o resto do braço vai até o chão) fazendo “I love you” e todo mundo em volta “awwwwnnn”, comecei a chorar lá dentro. Ia pedir da photopass as fotos, mas ela sumiu.

Ficamos bem uns 10 minutos só com ela, ela me abraçou e não queria largar mais e as pessoas na fila nem estavam putas porque super compreensível. Dai ela vai embora e diz “bye kittie”. COMO LIDAR? Só esse momento já teria feito valer a pena, mas surge um garotinho vestido de Sulley. As attendants tavam chocadas porque não é uma fantasia comum de se aparecer e tava muito, muito bem feita. Elas perguntaram da mãe depois e ela disse que ela mesmo fez, olha isso! E era muito perfeito, essa eu esqueci mesmo de pedir o photopass, uma pena, vocês iam morrer de fofura comigo vendo essas fotos.

Uma das photopass falou comigo “seus braços estão doendo?”, eu falei que sim, dai ela “ah tá, é que você tá levantando o braço toda hora… mas as fotos estão ótimas!”. É que a galera que já tá lá a muito tempo nem se dá ao trabalho de levantar o braço e sai na foto com eles no chão. Eu acho a pose do sustinho tão fofa, doer dói mas eu tô ali pra isso, né? Um dos attendants falou que o John Stamos tava no parque. Torci pra ele ir tirar foto com a gente mas nem…

O último set é tão morto que o cara fez um book meu de Sulley, mas compartilho só as melhores:

Boo!

Clock-in!

LIKE A BOSS.

A última photopass ainda tirou foto comigo dizendo que eu era o Sulley mais fofo porque era o menor. Fiquei com cara de poker face sem entender nada. Se é a mesma costume pra todos, por que eu era o menor? E de fato, vendo fotos de outros Sulleys, eles são maiores que a porta e eu tô abaixo. Não entenderia isso até fazer a Fera, então deixo pra explicar depois. E sim, essa é a magia Disney. Attendants não ligam pra esssas coisas, uma photopass que reparou e ainda assim quis foi foto.

Outra coisa que a Disney se mostra não-Disney: nós não autografamos por conta das mãos, já que eu seguro um pedaço de pau e quem faz o Mike uma manivela que gira os braços. Uma criança chega e fala: quero autógrafo. Eles falam: não, eles não dão autógrafo. Eu queria muito que uma criança perguntasse a razão disso, porque falar que “os braços das pessoas lá dentro já estão ocupados com outras coisas” não é lá algo bonito de se falar… Eu me pergunto: custa dar umas fotos personalizadas já com um autógrafo nelas para essas crianças? Custar custa mas não é nem 0,01% dos lucros que a Disney tem. Se eles prezam tanto o tal “keep the magic”, era o mínimo a se fazer. Mas enfim. Quem sou eu, né?

Depois fomos a Pulse e eu acho que fui com Phe e Marcela de novo, mas dessa vez eu bebi então não lembro exatamente tudo claramente. Mas eles deviam estar lá, certeza. Sair sozinho que eu não ia. Foi sensacional. Por conta da bebida que tira o mínimo de timidez/filtro que eu tenho, foi meu dia mais piranha. Peguei um americano, um britânico e um russo. O melhor foi o russo tanto pelo papo, pelo sotaque, por tudo. O nome dele era Vladimir. Básico né.

Eu amo russos desde que vi Dmitry e Pasha em So You Think You Can Dance. Sério minha gente, sex appeal é com eles. O melhor era ouvir elogios com aquele sotaque. Minha auto-estima nessas situações ia até o céu, mais alto que os fogos de artifício de Katy Perry, que os copos levantados por Pink, que o G6 do Far East Movement, e por aí vai.

Ele me chamou pra ir na casa dele, mas mesmo bêbado não sou desses, dai dispensei. Nem peguei telefone nem nada, acho que por mais vontade que você tenha das coisas, fazer já no primeiro dia demonstra ou um certo desespero ou que você é vadia mesmo. Se ele tivesse ao menos marcado um “ah então vamos sair amanhã e tal” ai tranquilo, mas direto da boate pra casa de alguém acho que nunca farei.

23 Janeiro 2011

Eu acordei com um pouco de ressaquinha do dia seguinte, mas coisa bem leve, só não tava no mood de sair mesmo. Fui na casa da Raissa equipar meu Ipod com o mínimo essencial para qualquer ser humano sobreviver: RENT, In the Heights, Hair, Next to Normal e The Color Purple. Tava feito. Nós iriamos passear no Magic (já que ambos trabalharíamos ali naquele dia e em horários parecidos, mas valeu a pena isso – seriam as músicas que eu teria até voltar pro Brasil).

Vale ressaltar que eu já estava dias sem ouvir músicas de musicais, era só as músicas das baladas mesmo mas sabe quando o sangue pede? Eu nem era de andar ouvindo música porque eu gostava de ouvir as conversas nos ônibus, de socializar e tal. Mas em casa antes de dormir eu ficava e morrendo de saudades total de ouvir aquilo no meu dia-a-dia.

Como a internet de lá é uma lerdeza, eu passei o dia fazendo só isso e conversando. Depois segui para o Contemporary onde minha back-to-back seria Biancão, eu cheguei no túnel e ela saindo com sua black bag e falando “só vim hoje porque sabia que era você”. Como não amar? Chego, faço clock-in, todo esquema de sempre e aparece Mari Rio falando “ai, você vai ser o quê? Eu tava de spare e vou pro Contemporary de Mickey, que saco” e eu “eu tô lá de Goofy!” e ela abriu um sorriso tão lindo e falou algo do tipo “ai que ótimo!”. Era a primeira vez dela lá mas expliquei que era tranquilo e tal, só que né, ela seria o Mickey. Sempre mais tenso ser o chefe da parada.

Ela deu a sorte de pegar logo um captain chato que pela primeira vez tava falando que tinha gente que tava devagar e tal e ela “ai amigo, acho que é comigo, não aguento, vou falar” e falou lá que era o primeiro dia dela, que se era com ela esse era o motivo, etc, e o cara na hora ficou bonzinho. Nunca tinha visto isso. A partir dali o dia todo fluiu. Eu fiquei conversando com a Biancão via papel e marcando já o que fazer nos day offs, nosso grupo era ótimo e super conversando horrores sobre tudo, agora a cereja do bolo vem agora. Ainda não falei onde Diva Marcela trabalhava na Disney, falei?

Eu descobri isso tinha um tempo já mas ela trabalhava no restaurante na recepção e o escambal. Nunca pensei que a veria por lá. O mais engraçado é ela imitando como ela fazia no trabalho. Eu que a via como ser normal e da putaria, vê-la toda séria com tom de retardada (in a Disney way) falando com as crianças: “are you excited to see Mickey? Today we have Mickey, Minnie, Goofy, Pluto and Donald Duck!”. Sério, choro de rir só de lembrar. Dai acabou meu set, ela veio tirar foto comigo e a attendant querendo que eu voltasse logo pra sala e eu demonstrando que eu conhecia ela, dai ela deixou tirarmos uma foto.

Esqueci de falar mas vendo a foto lembrei, essa calça é a calça que a galera que trabalha na cozinha usa mesmo. Ela é super confortável, muito gostosa de usar.

A mulher ainda veio falar comigo depois “aquela sua amiga, a… Rachel, né? depois eu bato mais fotos de vocês” e eu me segurando muito pra não rir porque ela usava uma nametag falsa pros brasileiros não encherem o saco. A irmã da Mari havia passado no vestibular também e eu dei a ideia de tirar uma foto segurando um papel falando parabéns e tal, fizemos mas a attendant não entendeu, ficou apressando a gente, dai nem rolou, mas ao menos fizemos um magical moment pra Diva Rachel (e a irmã da Mari ao menos sabe que tentamos):

Parece estupidez essas coisas que eu falo, mas para as pessoas que vão pra trabalhar lá, vocês irão sentir muito bem a diferença sempre que pegar um grupo bom como esse e um chato do caralho. O trabalho flui com mais facilidade, tudo parece mais lindo, eu me sentia mais motivado e com energia de dar meu melhor sempre.

Inclusive fui numa mesa que tinha umas crianças desenhando uma foto clássica do Goofy sentado dai puxei elas, coloquei todo mundo no chão e sentei imitando a pose. A mãe “olha gente, ele tá imitando o desenho!”. Tipo de coisa que tecnicamente não se pode fazer em dining por conta do tempo, mas foda-se, fazia mesmo. Sentava nas mesas também (que porra, esperar todo mundo se levantar pra bater foto tendo um lugar vago ali? mais fácil sentar e só um levantar e bater a foto), tinha um garotinho vestido de Capitão Gancho e devo ter ficado uns 10 minutos só com ele, morrendo de vontade de roubar. E o mais emocionante foi uma menina que devia ter algum problema, juro que não sei qual, mas ela mal se mexia e não tinha muito controle do próprio corpo. Ela pegou minha mão e apertou com uma força, mas uma força. Como quem não quer largar nunca mais e a mãe já ia gritar com a garota e eu fiz com a outra mão que não. Fui brincando, brincando, apertando o nariz dela com a outra, até que ela riu e soltou. Sério, como não chorar com uma coisa dessas?

Eu entendo quem trabalha lá, com o tempo cansa e você quer fazer de qualquer jeito e foda-se, mas são momentos como esse que você para pra pensar a diferença que você está fazendo na vida daquelas pessoas. Você tá escrevendo história, memórias, dando mesmo que por breves momentos felicidade e amor para pessoas que infelizmente têm uma vida mais sofrida e não tem esse tipo de coisa todo dia. Uma vez de Woody eu fiz o sinal de “I love you” pra uma garota e ela toda feliz pra mãe “see momma? he loves me! I am loved!”. É o tipo de pessoa que deve sofrer tanto mas tanto bullying da vida que ser amado por um personagem da Disney já é motivo de felicidade.

Enfim, deixando de ser emotional, depois disso fui pra casa com a companhia maravilhosa da minha Mari Rio que ainda me alimentou mais uma vez e fui dormir feliz como sempre.

24 de Janeiro 2011

Esse seria um dia de Tursker House mas que eu havia dado lindamente. Sofrer não mais! May e Caro tavam de day off, resolvemos ir no Magic Kingdom mas acabamos parando no Property Control, pra quê? 3 performers extremamente felizes juntos não dá certo num lugar desses. Elas compraram asinhas de fadas, eu comprei a fantasia do Darth Vader e assim fomos abalar no Hollywood Studios.

A fantasia tava super apertada (era grande mas não meu tamanho exato) e super improvisamos em vários detalhes, mas saiu né. Sem contar que com o desconto paguei muito baratinho. Me chamaram de Mouse Vader na entrada e pegou o apelido. Todo mundo que via se divertia horrores. Eu tava feliz que ninguém ia ver minha cara, digo, ao menos achava. Pra entrar no parque não pode estar usando máscaras. Então tá né… Tirei e só colocava de volta nas fotos e na minha área que tem lá dentro.

Como eu me sentia:

Realidade:

Quando eu tava na minha área, a attendant fofa me chamou pra tirar foto com meu sósia.

Duelando com a mocinha da minha loja.

Encontrei meu filho!

PODER

Visitando Paulinha linda.

Cantando na Chuva.

GOOFY VADER.

Pelas fotos dá pra ver o quanto foi divertido. É o tipo de coisa que dá vontade e a gente faz, ponto. Tinha um showzinho no Hollywood também e os caras ficavam falando comigo que a máscara tava no lugar errado (quando eu tirava a máscara eu pendurava nas minhas partes íntimas) e eu gritando que não podia andar no parque com ela. Fomos tirar foto com a Biancão de Sr. Incrível e dava pra ouvir ela se acabando de rir.

Só me arrependo de uma coisa. Devia ter feito algum magical moment pro meu irmão. Era aniversário dele, eu liguei, dei parabéns e tudo mais, só que depois que eu voltei que ele viu o que eu havia feito para uma amiga no aniversário dela (vocês verão futuramente) ele falou “e pra mim nada né?”. Me doeu o coração. Eu nunca pensei que ele, um bruto do caralho, iria querer um personagem da Disney segurando um papel desejando feliz aniversário. Julguei errado né. Se eu tivesse ido trabalhar, fato que tiraria uma foto comigo mesmo segurando o papel e tal, mas tava de off, fui curtir o aniversário dele por mim. EN-FIM.

Depois ainda fomos ao Wendy’s (e sim, eu ainda de Darth Vader porque sou desses) e fui dormir que dia seguinte era um breakfast mega cedão.

25 de Janeiro 2011

Esse é disparado o shift mais fácil que qualquer Goofy ou Pluto pode pensar em fazer: Regal Sun! É um breakfast no Epcot, dai você monta sua roupinha (que aliás, é tipo a normal mas com uma camisa super estilosa por cima), pega a van e vai pro hotel que se chamava Regal Sun (agora é Wyndham). Dai você entra num quarto do hotel estilo My Name Is Earl total, e bem, esse é seu camarim. Com tv a cabo, sofazinho pra você dormir enquanto espera o Pluto, uma maravilha.

O mais engraçado deve ser a galera que fica por ali ver o Goofy ou o Pluto saindo de um quarto do hotel, tipo, os melhores hóspedes né. E esse hotel não sei se tá falindo ou o quê, mas se tinha 4 famílias era muito. Sempre tava mega morto, tão morto que o attendant falou que não tem rotação. Ou seja, perfeito né, brincava horrores com as criancinhas (juro, a ponto de brincar de pique-esconde, de ficar batendo palminha e o escambal) e voltava e dormia por meia horinha. Devia ter pedido pra me filmarem mas nem pensava na hora (também né, de manhã!)

Se isso não bastasse, eles dão café! Depois que o shift acaba você vai lá como guest e come a quantidade que você quiser. Não é por nada não, mas acho que todos os restaurantes deveriam fazer isso. Eles jogam a comida fora quando sobra, o que custa? Dai ficamos eu, a Pluto e o attendant numa mesa comendo e conversando, sério, melhor shift eveeeer. Ainda catei uns bacons extras e levei pra dar pra Raissa.

Tentei pegar hora extra, não consegui. Resolvi então em cima da hora ir com a Paulinha no Florida Mall pra trocar umas roupas que eu comprei “M” jurando que ia ficar bem mas lá fora eu sou “P”. Comprei também um protetorzinho pro Ipod mas não sabia colocar direito, dai voltei lá e o cara num passe de mágica colocou. E claro, comprei mais roupas. Dessa vez colocando pra ver como ficava e depois de experimentar umas 5 “P” e ficarem ótimas, só comprava “P” mesmo sem nem vestir mais.

Tavam falando que ia ter um tornado nesse dia, mas nem. Choveu bastante e a gente se fodeu voltando pra casa, mas nada que chegasse num nível de tornado. Como havia acordado mega cedo, mesmo só tendo batido perna no shopping, fui dormir feito criança.

26 de Janeiro 2011

Gente, sente isso. Escrevi o seguinte no meu caderninho/diário: “Não sei o que esta acontecendo comigo, é uma sensação estranha, de que já tá acabando e não aproveitei, que não fiz tudo que poderia ter feito, enfim, coisa de só quem passa por isso. No momento estou chorando ouvindo the Color Purple depois de ter atualizado aqui, o sol bate na minha cara após chover como um sinal de que tenho que aproveitar e dar o meu melhor nessa reta final. Não são três semanas que faltam, são as três semanas que tenho! Bora lá! Terminar de arrumar minhas coisas e Magic!”.

Eu não sou o tipo de pessoa que escreve esse tipo de coisa, mas lá era assim mesmo. Cada dia era o dia de querer inventar fazer alguma coisa nova, de se divertir e de fato, eu não tinha feito tudo que tinha pra fazer e nem conseguia arrumar tempo pra isso. Sem contar que a emoção fica aflorada, nem sei explicar direito. Tentarei quando tiver acabando e infelizmente um trecho desses também já diz muito do que viria a acontecer comigo no último capítulo, e ai tudo passará a fazer mais sentido pra vocês.

Fui passear pelo Magic rapidinho, fiz as rides mais infantis porém fofinhas como a da Branca de Neve, Peter Pan, e claro, o Dumbo:

Como eu digo no vídeo, tirei foto também com o Gui Pluto de Mr. Smee:

Inclusive achei esse Peter Pan mega lindo, pedi pro Gui falar que eu disse isso mas ele viado não quis. O que eu trabalhei quando fiz o Captain Hook era bem mais, mas se vocês vissem o nível dos outros, esse dai também ganha de lavada. Dai tá, fui pro tronco (mas um tronco que eu gostava que era o Contemporary).

No meu grupo não tinha ninguém conhecido mas no outro grupo back-to-back tinha May e Beatriz. Mickey e Donald respectivamente. Nossa, o meu grupo tava reclamando delas direto, que elas tavam super lerdas, que tavam brincando e deviam acelerar. Eu fiquei imaginando se faziam isso comigo também e comecei a me sentir mal, até dei um toque na May mas ela ligou o foda-se, atitude super correta porque né, se a pessoa acha isso que venha falar com você e não fazer picuinha quando a pessoa não está. O melhor vinha no final, pela primeira vez na história daquele lugar ofereceram comida. Eles sempre davam refrigerantes, às vezes uns brownies, bolo e tal, mas comida comida mesmo nunca. Eu já na minha fase morto de fome peguei 3 pedaços de frango imensos e engoli em segundos (porque todo mundo já queria ir embora) e as pessoas chocadas e eu só falei “sorry, I’m Goofy”.

Saindo de lá fui pra casa, banho e tal, depois fui pra casa da Raissa que pretendi assistir os episódios finais da última temporada de Dexter. Quem disse? Cheguei lá, fiquei conversando e tal, provavelmente roubei alguma comida da Paulinha, sentei no sofá e dormi. É, não era mais novidade dormir no sofá, mas no sofá dos outros foi a primeira vez.

Próximo episódio: Universal Studios, Graduation Day, Beast, Pirate Goofy e como fechei o mês de Janeiro com chave de ouro. Só faltam três episódios para terminar a saga e não vejo a hora de terminar de vez, mas não sei se terei tempo até outubro por conta de uma visita de uma amiga aqui em casa. Se eu der uma sumida, tá explicado, mas eu volto!

CategoriasAventuras, Disney

Diário de um Pateta – Pt VII: Goofy Contemporary, Quase Rain, Goofy at the Hat, Vain, Frozone, Pulse, Wonderland.

09 de Janeiro 2011

Fui ao Premium Outlet com a Danne. Depois de não conseguir comprar roupas sozinho, precisava de uma ajuda bacana e ela é fantástica. Ela batia o olho em alguma coisa e falava “ó, bonito” e eu ia olhar e tava na promoção. Comprei praticamente metade das roupas que eu comprei durante o programa inteiro e não paguei mais que $100. Tá que nem tinha muita variedade porque os brasileiros já haviam depenado durante o natal, mas ainda tinha coisa bacana. Inclusive, vi o Giovani de longe com provavelmente o namorado dele. Ele merecia coisa melhor (se de fato era o namorado dele).

Nós nem ficamos muito tempo porque a Danne jurava que alguém havia roubado o Iphone dela, porque ela sempre sai com ele, tinha certeza que era pra estar ali, e ai voltamos pra ela ter certeza absoluta que ela havia esquecido em casa. Eu nem teria pensado na possibilidade de roubo, eu na verdade nunca me senti ameaçado em Orlando, só em Tampa mesmo que era mais barra pesada, mas em Orlando ao menos nunca vi nada que me desse o mínimo de preocupação. Eu já cheguei a deixar meu cartão de crédito num balcão, esqueci, voltei depois e tava lá. Claro, corri um risco, mas não aconteceu graças a Deus.

Falando em Danne, lembrei agora que foi ela que me salvou na época do natal me ensinando a Hot Dog dance justamente momentos antes de um guest pedir pra eu dançar. Foi muito mágico. É uma coreografia que os personagens dançam na abertura do desenho do Mickey que passa e as crianças de lá assistem. Esse é um detalhe crucial que super deveriam falar no treinamento, mas tu jura, né? E lembrei também que o Pluto hétero que eu trabalhei que era meio grosso e tal, no meu dia de Brer Bear ele tava fazendo o aquecimento enquanto eu conversava com ela, dai ele de longe fazendo sinais para eu apresentá-lo a ela, hahaha, chorava de rir. Ela já tem namorado, mas nem que tivesse, ela, a meiguice em pessoa com ele, grosso que só o caralho. Não ia rolar.

Nem lembro se fiz mais alguma coisa, mas devo ter passado a tarde arrumando minhas roupas novas mega feliz da vida e assim seguindo para um novo dining: Goofy Contemporary!

Eu havia dado call sick no dia anterior pois era o mesmo shift que esse, então não via problema nenhum, sabia que não havia perdido nada irrecuperável. Esse é um dos dinings que eu mais amei fazer. De começo é complicado pois são 5 áreas e você precisa seguir a ordem bonitinho mas novamente, é complicado quando só se pode ver o chão e nesse tem escadinha, mesas nos canteiros que eu quase sempre perdia, são muitos personagens as vezes na mesma área que você, mas existe um diferencial fundamental: a vibe dos attendants.

Eles são mega educados, ensinam a rotação com maior paciência, te ajudam caso você se perca, tudo de uma forma ajudando mesmo e não recriminando. Tipo “Oh Goofy, you missed that table! You’re so Goofy, aren’t you?”. Depois que você pega o ritmo, eles te deixam até bem à vontade. Só vão falar com você caso você perca alguma mesa ou para lhe dar o guardanapo pois no final de cada set tem o Celebration:

De tudo que eu já fiz, fazer essa dancinha maravilhosa no final de cada set é o que mais sinto falta. Eu me soltava todo pois depois disso já vamos embora mesmo. Então era o momento de celebrar que mais um set lindo havia terminado! Nossa salinha fica perto da cozinha, mas no começo eu me perdia tanto que já fui parar em outra cozinha e a moça super simpática rindo “Goofy, acho que você errou a saída!” e eu balançava com os braços, eles riam e eu ia embora.

Adorei também porque meu back-to-back era o Fabinho e a Pluto do meu grupo era a Re Luz. Logo, tava em casa. Eu iria trabalhar bastante ali, e iria adorar a maioria das vezes. O melhor é que na roupa tem um ketchup e mostarda, e eles sempre faziam a mesma piada “você é tão Goofy que derrubou tudo no seu jaleco né!” e eu só fazia fingir que tava rindo e fazia com a mão o “é, fazer o quê?”. Isso só não era pior que os que falavam “oh, você é tão alto!” e minha vontade de falar “sim, trabalho nisso exatamente pela altura”. E lá era o único lugar em que se um guest burro te chamasse de Pluto você podia apontar pro nome que tem na jaqueta e eles “oh, sorry, Goofy”. Sim, acreditem, tem quem confunda. Não vejo a menor semelhança a não ser que ambos são cachorros, mas O-K.

Chegando em casa estava no meio de uma festa do pijama que família Fortaleza e agregados estavam fazendo para o Phe que estava doente. Eu tava tanto tempo sem parar em casa direito que nem sabia que ele estava tão mal assim, da última vez lembro só dele reclamar que tava mais ou menos. Eu cheguei ele já tava até dormindo, então só fiz comer as sobras, assisti algum episódio de Glee que eles já estavam assistindo e fui dormir.

10 de Janeiro de 2011

Acordei mega tarde, mas aproveitei pra ir na casa do Gui Pluto que como os roomies deles foram embora e deixaram um bando de coisa, ele havia me dado uma roupa de cama nova que eu não aguentava mais a minha que vivia saindo do lugar enquanto eu me mexia a noite. Fui visitar a Raissa que fazia tempo que não a via, o meu amado Jeejay tava lá, salvei umas fotos de photopass e foi isso. Típico dia inútil que você faz algumas coisas, mas sente que não fez nada exatamente por estar no quintal da Disney podendo tá curtindo horrores, mas também é bom curtir a vibe preguiça e aí ficamos nesse loop eterno.

Fui mais uma vez ao Contemporary brincar de Goofy Chef e meu back-to-back era o Tyler. Não o via desde o treinamento e ele lembrava até meu nome! (eu penei um pouquinho pra lembrar o dele). Foi divertidíssimo, meu grupo todo era mega bacana, já tinha decorado a rotação numa boa a ponto de conseguir fazer quase que toda a rotação em um set, o Tyler era um fofo e ficava apertando a bunda do meu Goofy toda vez que eu ia falar pra ele onde eu havia parado, e foi isso.

Ele ainda me deu carona pra casa e, acho eu, que deu em cima de mim e eu não me toquei. Ele perguntou se eu estava saindo muito e eu falei que mais trabalhando que tudo, dai ele perguntou sobre os caras e tal, se eu tava saindo com muitos, falei que sai só com um e que nem gostei muito, que precisava sair mais pra conhecer mais gente. Dai ele ficou mudo. Pensando agora, acredito eu que ele queria que eu sei lá, falasse que ninguém e o chamasse pra sair? Ele era fofinho até, mas nem me arrependo também, não fazia muito meu estilo. O carro dele que era muito fofo, era amarelinho tão pequeno que eu mal cabia lá. Tenho mais detalhes engraçados sobre ele, mas como só descobri bem futuramente, conto quando o dia chegar.

Cheguei, tomei banho, rotina de sempre e fui na casa da Marcela Diva assistir “A Princesa e o Sapo”, só que com sei lá, 40 minutos de filme eu arreguei e fui dormir. Eu não tava gostando do filme, já tava na cena que ela vira rã e eu não tinha rido, não tinha gostado de nenhuma música, então pensei “ou o filme é muito ruim ou eu tô com sono” como não vi o filme ainda, não sei, mas na hora apostei no sono e fui pra casa dormir.

11 Janeiro 2010

Acordei cedo e fui com Re Luz num workshop de puppetry. Quem se interessa por teatro, ou até em melhorar como Character, ou quer conhecer seu corpo de uma forma que não conhecia antes, ou quer só ter o que fazer mesmo e cansou dos parques, a Disney fornece workshops de graça que valem muito a pena. Eu me diverti bastante e vou dizer que tenho admiração redobrada ao elenco de Avenida Q. Não é nada fácil. Foi um workshop básico de três horas se não me engano e era o primeiro nível, ainda tinha depois o workshop avançado que infelizmente não fiz, mas provavelmente nem conseguiria acompanhar a turma (eu já era o mais retardado da nossa turma mesmo).

O melhor de tudo, encontrei a Molly (minha Jessie favorita linda maravilhosa comia fácil) e ela até foi minha parceira quando no final da aula todos fizeram com as mão “A Whole New World”. Muito devia ter pedido uma foto pra vocês verem o quão linda ela é. Sai de lá com o tic na mão, tudo eu queria cantar como se minha mão tivesse vida. Mas novamente, elenco de Avenida Q, respeito eterno por vocês!

Como era no Hollywood, dei uma brincada básica em alguns brinquedos que não havia ainda, visitei o Jeff no backstage (ele tava de Buzz como sempre) e coisa rápida, de dar um beijinho e sair. Depois fui encontrar Diva Marcela, Jeejay e Paulinha para um dia feliz no Epcot. Eu já havia passeado lá zilhões de vezes, mas nada de registrar em foto direito, então esse foi o dia. Chegando lá, surpresa, Jeejay com a mesma camisa que eu:

WE <3 NERD GOOFY!

O melhor do dia foi quando Marcela foi tirar foto com a Mulan. Eu duvidei que ela cantasse Reflection, chega a Marcela pra Mulan: “Look at me…”, Mulan só a puxa pelo braço, força um sorriso e é isso. Guest interaction, cadê? Destruiu a magia total. Completo oposto da Aurora que até falou “nossa, o reino inteiro veio me visitar!” quando chegou o grupão e pensei em cantar “foi vocêêê o sonho mais lindo que eu sonheeeei” mas eu não lembrava como era em inglês, dai deixei pra lá. Eu passei o dia inteiro rindo dessa Mulan, pior que ela é feia pra caralho, nem na interação que ela poderia ser tão boa quanto a primeira que conheci ela sabia.

LOOK AT MEEEEEEEEE, MORRI!

Foi um dia bacana, já falei que amo o Epcot, só de passear por lá eu já ficava muito bem. Passear pelos países era um dos meus hobbys favoritos. Tiramos zilhões de fotos das quais colocarei no meu Facebook, aqui é um saco de colocar. Saindo de lá, Wendy’s e combinei com Marcela de finalmente ir numa balada! Perceba que já estava  a mais de um mês e não conhecia ainda a noite de Orlando! Vida de Character sedentário dá nisso. Tava muito, muito, muito, muito empolgado! Iriamos para Rain, uma das boates gay (das quais futuramente seria minha favorita).

Cheguei no ponto e encontro Marcela completamente trêbada, total na vibe, e eu sem uma gota se quer de álcool no meu sangue. Pegamos o Party Bus (olha que lindo, você paga $10 e isso já é a ida, a entrada e a volta) que já é uma balada em si. Som mega alto, iluminação, gente se pegando e o caralho a quatro. A Marcela tava muito, muito louca, mas nunca havia saído com ela até então, logo, julguei ser normal. Cheguei a fazer coisas com ela e um outro ser que prefiro nem comentar e que iria me arrepender logo em seguida. Não é nada que eu não poderia escrever aqui, mas tenho raiva só de lembrar então prefiro pular.

Pois é chegar na porta da balada que eu me dou conta da situação precária que minha Diva se encontrava. Ela não conseguia nem ficar em pé, ela desceu do ônibus e caiu no chão. Simples assim. Começou a vomitar tudo que eu vi ela comendo comigo no Wendy’s e eu tava perplexo ainda. Nem sabia o que fazer direito. Nunca tinha tomado conta de alguém assim antes. Uma menina que nunca vi na vida veio me socorrer, ficava puxando a cabeça dela, tirando o vômito de perto e perguntou “ela é menor de idade?”, eu disse que não sabia mas acreditava que não. Fui pegar a ID dela e lá estava “UNDER”. Na hora que a garota viu isso, ela só falou “olha, vou te ajudar mas se aparecer polícia eu vou sair correndo e você fica ai com ela”, ou seja, “se fode aí”. Eu sou tão bonzinho que essa garota queria mijar e lá se te pegam mijando na rua é crime do mesmo jeito. Eu fui com ela num cantinho, fiz barreirinha (enquanto um outro menino ficava ajudando a Marcela), ela mijou, voltamos. Sim, minha noite já tava bizarra e ficaria mais ainda.

Ela começou a vomitar muito, parecia que ia botar as tripas todas pra fora, geral começou a fazer uma aglomeração perguntando se queria que chamasse ambulância mas não podia, porque se vissem que ela era menor de idade, já era. Eu ficava dizendo que não, fazendo o máximo pra tentar melhorar aquela filha da puta, e nada. O cara do ônibus falou que conhecia um cara que poderia levar a gente de volta pro Vista por $20, eu não tinha nem $1 na carteira (não costumo sair com dinheiro porque sei que gastaria com bebida, logo, saio pobre mesmo e não me julguem!) mas abri a bolsa dela, vi que tinha um dinheiro lá e pedi pra que ele chamasse. Depois de uns 10 minutos chegou o táxi. O taxista olha pra Marcela e só fala “é $20, se ela vomitar no táxi fica sendo $50″. Me deu um saco plástico e foi isso.

Joguei ela no meu colo no banco da frente e lá fomos. O taxista falando que só fazia isso por brasileiro e tal, porque nós somos bacanas, blá blá blá, americano que se foda. Eu puxando papo com ele e metendo o saco na cara daquela vadia. Nem sei quanto tempo levou, mas eu tava tão tenso dela vomitar lá dentro que pareceu uma hora e pouco. Chegando perto do Vista eu pedi pra ele me deixar no Wendy’s que se os seguranças vissem, já era. Pois ele tá quase parando e ela não inventa de querer vomitar? Não pensei duas vezes, abri a porta do carro, joguei a cabeça dela pra fora e lá foi. Questão de segundos e estaríamos mais fodidos do que já estávamos.

Fiquei uns 10 minutos com ela na rua, tentando colocá-la em pé e nada. Entrei com ela no Wendy’s quase que empurrando e fui pro banheiro feminino. Entrei num box, ela caiu no chão e eu simplesmente não sabia o que fazer. Joguei água na cara dela, fazia de tudo pra ela tentar se recompor, comprei água, nada. Ela tava num nível que sério, nunca vi ninguém tão mal. Liguei pro Flávio que foi lá socorrer enquanto eu procurava alguma solução pra aquilo. Não dava pra entrar no condomínio no estado que ela estava, ela seria mandada pro Brasil no dia seguinte. Entrei, fui em casa e vi que o Ruan tava lá, chamei ele pra nossa aventura Pokémon. Eu tava tão desesperado que minha ideia era encontrar alguém com carro e pedir pra fazer esse favor pra gente, de ir até o Wendy’s e só colocá-la pra dentro. Claro que não tinha ninguém ali na hora, então fui na casa dela. Qualquer roomie dela teria que ajudar, porque se pegassem o Flávio no banheiro feminino iria piorar a situação toda porque ainda seria considerado sexual harassment.

Batemos na porta e lá estava Bianca, uma linda que já tava quase indo dormir, mas foi lá salvar nossa amiga sequelada. Ela entrou e ficou tacando água na cara dela até ela quase se afogar, enquanto eu e Ruan ficávamos conversando com a dona da lojinha. Tava ficando muito suspeito, estávamos olhando um tempão e nada. Ela super achou que iriamos assaltar ou algo do tipo, tanto que veio falar com a gente, dai começamos a puxar um assunto mega aleatório, eu perguntei se ali vendia tickets pra Universal, o que tinha de legal pra fazer na cidade, blá blá blá, e ela fala “blá blá blá, GOOD NIGHT”. Sim, expulsando mesmo. Não teve outro jeito, saimos da loja e iriamos esperar do lado de fora, mas foi exatamente na hora que eles saíram com a Marcela carregada tipo Jesus na cruz.

Ela tava menos pior do que antes, mas ao menos tava em pé né, já era uma vitória. Os sprinklers molhando a gente, ela descalça (só que um pouco antes colocamos o salto porque o cara ia perceber se ela tivesse descalça) e lá foram eles na frente. O guardinha fez eles pararem e mandou ela andar sozinha. Ela deu três passos, cambaleou mas o guardinha devia estar num dia tão feliz que deixou passar. E assim a aventura acabou, mas caralho, como eu queria matar aquela vaca! Novamente, ia ser minha primeira balada! Só eu sei o que eu senti enquanto via todo mundo na fila entrando e eu lá segurando a cabeça dela pra não se afogar no próprio vômito.

Agora ao menos todos nós podemos rir da situação, é o tipo de coisa que acontece nas melhores famílias. Mas que por muito pouco ela não se fode e não só perde o programa da Disney como seria presa. Então fica minha dica para os menores de idade que curtem beber uma ou outra, só percam a linha se não irão sair de casa! Se vai sair, bebe pouco ou não inventa de misturar!

O que mais me revolta nessa história é que por muito pouco eu nem iria sair, mas fui, e o tal “amigo” dela que já ia com ela, viu a situação tensa em que ela se encontrava e simplesmente entrou na balada, como se nada tivesse acontecido. Ele que deu a bebida pra ela (era uma mistura tensa de vodka com não sei o quê e logo, obviamente, ela passou mal), viu o estado dela e foda-se, entrou. Esse tipo de gente não pode ser considerado amigo de forma alguma. Não considero nem ser humano. Se fosse comparar, ele já a conhecia até antes de mim. E podia ser ela, podia ser quem fosse, se eu visse alguém nessa situação eu faria o máximo pra ajudar. Com certeza seria a garota que apareceu tentando ajudar, faria o meu melhor até ver que não tinha mais condições. Claro que não pegaria um táxi e tal se nem conheço, isso tem que ter o mínimo de intimidade até mesmo que tava me arriscando muito também, poderia ter sido preso e o escambal, mas fiz e não me arrependo. No fundo eu sei que esse “amigo” ainda vai passar por algo parecido, e espero do fundo do coração que seus amigos sejam tão “amigos” como ele foi.

PROVA DE QUE DIVAS TAMBÉM CAEM DO SALTO, MAS SE LEVANTAM DEPOIS COM DESENVOLTURA.

Ela vai querer me matar depois de ler isso tudo, mas merece. É um exemplo pra muita gente que vem querer inventar de beber tudo que lhe dão. Não façam isso minha gente! E fim da aventura mais louca que passei por lá (louca no sentido de quase ser terminated), fui dormir sem balada, sem pegar ninguém (tava tão na vibe que aposto que pegaria sem dúvidas), mas ajudei minha Diva e isso que importa.

12 de Janeiro 2011

Eu não recordo que dia em que a menina veio falar comigo, mas alguns dias antes quando eu fui fazer o check-in no Epcot, tinha uma garota que tava me esperando. Dai ela falou “você já fez a Fera?” eu falei que ainda não, mas que faria no dia 12. Ela toda sem graça vem e me pergunta se teria alguma possibilidade de dar o shift pro namorado dela. Olha que lindo, eles se conheceram fazendo a Bela e a Fera, começaram a namorar, dai era o último dia dela de Bela e ela queria a Fera dela ao seu lado. Como dizer não pra uma história dessas?

Só que óbvio, ainda brinquei. Falei “hmm… I don’t know, it’s my first time, I really want this shift and… OF COURSE!”, ela “OMG, OMG, CAN I HUG YOU?”, uma fofa. Eu respondi “How could I say no to love?” e ela quase chorando. Fiz um magical moment quase sem esforço nenhum (afinal, era a Fera, simplesmente a costume mais pesada de todas!) e se for analisar, ela sim me deu um Magical Moment sem saber pois ela me passou o shift que seria do namorado dela e eu simplesmente amei e só faria uma vez durante o programa todo (e graças a ela, se não nem saberia que esse shift existia!)

O nome era Goofy at the Hat no Hollywood Studios. Nem sabia que Goofy era esse, mas é um shift bem cedo, é só pra galera que abre o parque e tem uma surpresa maravilhosa. Muitos, muitos personagens, todos os principais e uns especiais ficam perto do chapéu do Hollywood na parte da manhã. E o melhor, com roupinha de gala, a coisa mais linda do mundo. Eu não fazia ideia disso (óbvio, nunca fui cedo pros parques – e me arrependo disso).

Única vez que trabalhei no Hollywood que tive que pegar minha roupa. Peguei, segui o bonde que levava a costume até nossa salinha. Era a tal salinha que teve comida no natal que eu me perdi pra chegar. O Jason (que fez o training também com a gente) estava de Eeyore, e ele é muito, muito simpático. Ele começou a falar comigo como se fossemos grandes amigos sendo que no training mesmo se eu troquei 5 frases com ele, foi muito. O Goofy fica com o Pluto e não existe work location melhor quando o assunto é a trilha sonora de fundo (desculpa Visa!)

Tocava My Fair Lady, Singin’ in the Rain, Estranho Mundo de Jack, Mágico de Oz, zilhões de trilhas de filmes conhecidos. Eu sabia todas, ficava dançando mega empolgado, tava friozinho no dia então dava pra se mexer muito. Nada barra eu dançando com uma garotinha ao som de “On the Street Where You Live”. Ela com os olhinhos brilhando e lá dentro os meus também. Por muita, muita, muita sorte do destino, exatamente nesse dia escolheram pra me analisar e me dar um feedback.

Uma gordinha super fofa veio falar comigo e foi só elogios. Disse que eu era ótimo pra quem começou a pouco tempo (nem tão pouco assim mas né), que minhas interações estavam ótimas, que eu tava fazendo o P.A.S.S direitinho, só disse que eu poderia tornar algumas coisas ainda maiores. Como por exemplo, eu interajo com alguém mostrando o chapéu e ficando feliz, eu tinha que fazer isso ainda maior, mostrar pra fila toda que ele tinha o chapéu. Eu concordei e tal, mas achei muita idiotice. Eu tentei fazer em alguns sets mas desisti depois, as pessoas da fila estão cagando pra quem tá batendo foto, eles querem é que chegue logo a vez deles! Então qual o nexo?

Eis, o malandro na praça outra vez...

Peguei hora extra no Character Spot e fui feliz porque minha Minnie era a Sara (fofa que falava português que conheci no último dia do ano) e Re Luz de Pluto. Existem lugares que por mais chato que seja trabalhar, se seu grupo do dia é bom, você se diverte do mesmo jeito. Se não me engano foi o dia que o Tiki Tiki Room (um brinquedo que nem fui) pegou fogo e quase que a attraction do Piratas do Caribe vai pro saco. O mais engraçado é que a Re contou isso e todo mundo rindo, feliz… A galera que trabalha lá já odeia tanto a Disney que até isso é motivo de felicidade.

Não cansado o suficiente, fui pra Buffalos. Cantei Toxic com as roomies da Biancão (quem é da UERJ já imagina mais  ou menos como foi essa cena) e Take Me or Leave Me com a Ju Attendant. Primeira vez na história que a Joanne era mais empolgada que a Maureen. Havia combinado de ir com Biancão no Epcot no dia seguinte, cheguei em casa, sentei no sofá e… dormi.

13 de Janeiro 2011

Só acordo e vejo no Facebook “Charles Fouquet, és um homem morto” de Biancão. Pedi zilhões de desculpas mas realmente apaguei de não ouvir nada nada, ela disse que ainda bateu na minha porta e eu na sala, não ouvi. Tinha combinado de passear porque ela seria a Fera e eu Goofy Character Spot, então seria o típico passeio antes do trabalho, mas né…

Dei sorte novamente, encontrei Danne de Mickey e Mari SP de Minnie. Ela é uma linda linda linda, nem lembro quando a conheci, nem falava muito com ela, mas morria de rir dela falando mal das gringas porcas que arrotam toda hora. É sério, tem umas meninas loirinhas lindas, tiram a cabeça e dão o maior arrotão. Algumas ainda pedem “excuse me”, outras nem ligam. E ela xingando em português, passava mal de rir. Tanto ela quanto Mari Rio eu viria a ser muito amigo mas mais pro final do programa, vai entender né.

Eu já tava tão na vibe rotina que nem anotava mais coisas engraçadas que aconteciam, mas parando pra pensar agora lá acontecia de tudo. Por ser no Epcot (único parque que rola bebida alcoólica), de vez em quando apareciam uns brutamontes todos bêbados e felizes falando que o Goofy era o cara, e eu todo felizão com eles, abraçando mega forte (mal sabiam eles que lá dentro eu tava era tirando uma casquinha), chegou uma menina bêbada perguntando se eu era ICP e eu tendo que fingir que não sabia o que era isso, já foi uma cega com cachorro guia que era a coisa mais linda do mundo. É maldade parar e pensar “por que uma cega vai querer uma foto dessas se ela nem vai poder ver a foto depois?” mas enfim, direito dela. Quase chorei enquanto ela passava a mão na minha, ficava acariciando a cabeça, os bigodinhos. Brinquei com o cachorro também (imagino a felicidade dele com o Pluto), era bacana.

No natal esse lugar era um inferno, vinha aqueles grupos de 50 brasileiros e você não tem saco nem de mudar de pose, mas passando essa fase é um lugar legal. Eu ao menos, como era o último da fila, brincava adoidado. Os attendants quando eram legais também ajudavam e eu ficava brincando com eles, mexendo com o povo que passa do lado de fora, ficava dançando, eu gostava bastante.

Cheguei em casa e Familia Fortaleza me chamou para ir na Vain, uma balada hétero que geral falava bem. Fui né, e dessa vez já falei “Marcela, você pode morrer na entrada, eu vou entrar!” hahaha, brincando, óbvio, mas lá fomos nós. No party bus fiz um magical moment, tinha uma garota muito, muito, muito apertada e doida pra mijar. Ela perguntava toda hora se demorava muito e eu “linda, nunca fui, mas é em Downtown Orlando, deve ser longe sim” e ela “ai, vou morrer”. Eu que já tinha pós-graduação em fazer barreirinha falei “quer fazer ali no cantinho? eu te cubro”. Os olhinhos brilharam, e ela fez. Ninguém viu porque a) é escuro b) geral se pegando ou dançando c) sou uma ótima barreira. O melhor é que uma roomie da Biancão PISOU no mijo depois e a gente rindo daquele momento trágico.

Bom, sendo muito sincero, não curti. Eu odeio baladas hétero e as de lá não eram diferentes. Digo, eram, tem mais negões rappers e os héteros “normais” são sem noção, de já chegar empurrando e se a vagaba for fácil, já libera. Sempre tem uns viados perdidos, mas nem na vibe tava. Fui pra dançar e me divertir e consegui com meus lindos. O lance é: com eles me divirto até no inferno. Quando digo que não curti é o ambiente mesmo. O melhor momento da noite foi estar dançando, dai procurar Marcela e não a encontrar, quando nos damos conta, ela tá lá na área VIP sensualizando para todos. Chorei de rir. Tinha um negão encoxando a Paulinha também, dai fiz meu papel de barreira mais uma vez e ele desistiu.

Todos falavam que essa era a melhor, se isso era a melhor, porran… Como voltei morrendo de fome (coisa rara de acontecer) fui pra casa da Marcela que me deu um jantar decente e tava com tanta preguiça que dormi por lá. Eu dormi com a Bianca , dai quando Marcela foi trabalhar eu fui pra cama dela e fiquei até sei lá, meio dia do dia seguinte.

Depois de fazer tantos magical moments, ganhei um. Bianca linda comprou uma caneta linda linda linda do Goofy. Eu já até pretendia comprar, mas é muito melhor ganhar nem pela economia, mas adoro olhar para as coisas que tenho e lembrar que foi presente de alguém que eu gosto. Vocês verão essa caneta num vídeo bem futuramente. Duvido que Bianca esteja lendo isso, mas mando um beijo que ela irá sentir no momento que eu clicar em “publicar”.

14 de Janeiro 2011

Deu saudades do Visa, logo, puxei hora extra lá. Até mesmo que não aparecia hora extra de shifts legais legais, logo, tinha que pegar sempre esses. Quem era a Pluto? A “I’m a Dancer” do Dinoland. Descobri que ela era libriana também (faz aniversário um dia antes do meu!), falamos sobre zilhões de assuntos aleatórios, só não foi melhor porque o Rob não tava lá e sim a Patty, que todos conhecem pela belíssima cor de sua pele: laranja! Ela tinha cara de que dormiu numa máquina de bronzeamento artificial e só acordou no dia seguinte, era muito engraçado. Ela era uma fofa também, vivia me elogiando de lindo, gostoso, falando coisas do tipo “ai, tô puta hoje mas eu vejo esse Goofy lindo e fico feliz”. Como não amar?

Eu tava com saudades principalmente da trilha de fundo, porque no começo eu ainda era muito travado, agora que já tava mais solto, ai sim que eu dançava horrores aquelas músicas maravilhosas. Sem contar que a Minnie era novamente a anã do olho de vidro que parece que levou uma pá na cara e gente, sente o que ela fez. Eu não sabia que o olho dela era de vidro até esse momento. Dai ela tava falando sobre isso com um pessoal lá, ai todo mundo “nossa, nem parece que é de vidro” e tal, ela vai, tira o olho e mostra “aqui ó”. Eu fiquei sem ação, olhei por 3 segundos e virei a cara pensando “por que diabos ela fez isso?!!!!!” Traumatizado pra vida.

O shift que já era chato pelo lunch coverage ficou ainda mais porque agora ainda tinha que fazer o dining coverage! Sim, ir ao Character Spot duas vezes! Fiquei muito revoltado com isso, ridiculo! Mas o Fabinho tava trabalhando lá, então suavizou.

Todo mundo falava da Cici’s Pizza, que é um rodízio que tem pertinho do Vista. Passei o dia mandando mensagem pra geral para irmos lá, então sai do trabalho, tomei um banho e fomos. É muito, muito, muito ruim! Nunca vi pizza pior, fiquei com dor de cabeça de tão ruim! Só que também tem rodízio de doces, só valeu a pena por isso. E pela companhia, claro. A Bianca encontrou muito por acaso uma amiga de infância de Fortaleza, Sarah. Uma linda linda linda, aliás, repararam que eu chamo muita gente de linda, né? Mas é fato, nunca vi tanta gente linda quanto lá (sendo brasileiro ou não). Fomos para casa do Alan onde descobrimos muitos babados e confusões que não podem ser postados, mas que mudaria o rumo de algumas pessoas nas nossas vidas.

15 de Janeiro 2011

Spare no Hollywood = sinônimo de felicidade. Fui mega feliz da vida. Cheguei e a moça perguntou se eu já tinha feito fitting de Frozone, disse que ainda não mas que tava marcado pra aquela semana. Ela falou que o do dia havia faltado, então que eu faria o fitting, se passase, seria ele. Se não, seria o Sulley dos Monstros S.A.

Fui fazer o fitting, uma moça negra muito simpática me ajudou com todos os detalhes porque a roupa dele é meio tensa, são muitas, muitas camadas. Os músculos, uma roupinha branca pra suavizar um pouco, e por aí vai. Detalhe, não usamos basics! É a roupa colada na sua pele! Fiz o fitting, a manager olhou e falou “hmmmm, tem uma coisinha estranha ali”. Eu pensando “fodeu, fui reprovado”. Sério, acho que nunca fiquei tão nervoso quanto ali. Eu me sentia num teste e o pior, o resultado não dependia do meu talento nem nada, era puro look físico. Mas era só que eu não tinha puxado muito a roupa então ficou tipo uma prega, dai a moça negra só falou “da próxima vez puxa bem como se você tivesse usando uma meia-calça” dai eu “moça, sou gay, não travesti, nunca usei meia-calça na vida”. Ela começou a rir e falou “ah é, claro, mas bem, puxa bastante!”.

Assim, já vestido na roupa e tudo, peguei o carrinho para minha work location. Mari Rio tava lá de Mickey Feiticeiro e ela ficava rindo comigo desfilando porque eu tava tão feliz quanto como Capitão Gancho. Ele não tinha salto, mas era legal ter um tanquinho definido pela primeira vez na vida. Ficava alisando sempre. O único nojento eram as luvas, você coloca uma luva de plástico, joga talco pra poder enfiar na sua luva de borracha. Na hora do autógrafo você sente sua mão toda nojenta, é horrível. Biancão iria futuramente me ensinar uma técnica boa contra isso, mas naquele dia sofri.

Normalmente o Frozone fica com o Sr. Incrível, mas só tinha um no dia (que inclusive, era lindo de morrer, ele tirou a cabeça e ainda parecia o Sr. Incrível! Loiro, lindo, olhos azuis, passei mal) então passei o dia com a Sra. Incrível.

Perceba as pregas perto das partes íntimas dela, foi isso que ficou comigo e quase fui reprovado. Eu adorei ser ele porque é tudo tão apertado, no começo parecia que eu era do “É o Tchan” mas com o tempo você se sente bem, eu andava feio nigga, tirava maior onda, era um super-herói sabe… Se no filme ele tivesse tendências homossexuais pra usar um salto, ai pronto, ia ser disparado meu personagem favorito de se fazer.

Essa Sra. Incrível também era de fato incrível! Ela fazia umas coisas que eu ficava boquiaberto, ela conseguia escrever “have an incredible birthday blá blá blá you’re my favorite heroine, love” e com a mesma caligrafia do autógrafo oficial. Sem contar que essa luva é pior do que tudo que já havia usado antes porque é borracha, eu levava um tempão pra conseguir só escrever o autógrafo e ela fazia isso. Dava gosto de ver. Eu a elogiei, ela agradeceu e falou que já fazia tinha um ano e pouco e que ela era mãe, por isso sabia bem o sentimento, era a personagem favorita dela, blá blá blá, uma fofa.

Na hora de voltar pro costuming, ia no mesmo carrinho Sra. Incrível, Mickey e Frozone. Eram momentos como esse que eu ficava pensando enquanto o frio gelado batia na minha cara (digo, na cara do Frozone mas entrava na minha consequentemente) “gente, estou no mesmo carrinho que o Mickey e a Sra. Incrível”. Quando na minha vida eu pensei que passaria por um momento desses? Chegando no costuming a gente tira a roupa na frente de todo mundo, é engraçado ver quem nem liga (trabalha lá tem um tempo) e quem fica admirando e vendo a magia sendo destruida (newbies).

No caminho de volta, como sempre, Paulinha linda tava lá. Já era tradição encontrá-la depois de trabalhar no Hollywood. Iriamos em outra boate: Pulse. Uma outra boate gay mas que dessa vez, entraria! Só que fomos com a Sarah que é tão fofinha, tão meiga, tão novinha que nunca havia ido numa boate gay e estava com medinho. Eu falei “relaxa, nós não mordemos não” só que eu não conhecia a boate e até eu fiquei chocado.

Nós mal entramos e já tinha uns 4 go go boys só de sunguinha e dinheiro pendurado dançando em cima do balcão, nos poles, galera gritando, drags performando. Só virei pro lado e vi ao desespero em seu rosto. Peguei ela e falei “calma, bora andar” e do lado tinha uma pista normal, só com pessoas dançando e ainda tinha umas mesinhas, uma área externa, ai ela relaxou. Eu até tava na vibe piranha, mas novamente, não consigo me divertir com alguém numa situação dessas. Eu fiquei um tempão dançando com ela, deixando ela mais à vontade, só sai quando ela resolveu sentar numa das mesinhas e o Flávio e a Bianca ficaram com ela.

Nesse ínterim fui rondar o lugar e nossa, como é fácil arrumar homem lá fora. O lance é, nós que somos de fora somos os exóticos, os que eles desejam, enquanto nós os desejamos também então tudo fica perfeito. Eu demorei muito, mas muito pra me tocar disso. Perdi tantas oportunidades mas experiência né. Eu rondei não teve nem 10 minutos e um francesinho veio falar comigo. Uma gracinha, com boina e tudo, dai ficamos conversando e ele era tão educadinho que não queria se pegar na frente dos outros (como 90% dos americanos). Puxei ele pra um canto mais escuro lá e ficamos.

Só que sabe aquele “amigo” da Marcela? Tava lá, e tava pedindo justamente pra quem ficar batendo fotos dele beijando um cara lá? Sarah! Sério, que patético. A garota nem à vontade direito tava lá, vem o infeliz e fica pedindo pra ela fazer isso? Sem contar que tirar foto disso já mostra o quão baixa a pessoa é. É tão ridículo que precisa provar pra todo mundo que pegou alguém. Disse pro meu francesinho que já voltava, fui lá, tirei a máquina da mão dela e falei “não bate mais!”, eu mesmo bati algumas fotos e dei puto da vida a máquina de volta pra ele, quase falo “enfia no cu” mas deixei pra lá.

Voltei e meu francesinho sumiu, acho que ele pensou que eu não tava curtindo ou sei lá, mas nem precisei procurar muito que apareceu um americano loirinho querendo dançar. Dancei horrores com ele, fui chegar perto e ele me empurrou falando que não, eles não curtem muita proximidade quanto a gente, isso até só em falar. Dai vai e me convidou pra ir na casa dele. Claro né, porque é assim que funciona. Dispensei na hora, aliás, fiz a Elle Woods. Falei “você nem me beija na boca e quer que eu vá pra sua casa? tchau” virei jogando meu cabelo imaginário, como quem sai em direção a uma porta que se abre e entra uma luz intensa que é a deixa pra transição da cena em que eu estou me formando em direito e fazendo um discurso lindo.

Claro que na realidade e não na minha mente doentia eu fui é dançar, e a partir dai foquei num outro. Eu sou meio assim, se eu vejo alguém que eu quero, fico focado. Pode vir quem for, irei dispensar até eu pegar aquele. Só que eu não dou em cima, eu fico olhando até a pessoa vir. Eu só dou em cima se eu bebo muito. Caso a pessoa não dê em cima, eu também não dou e fica nessa. Só eu sou assim? Mas bem, que seja. Falei com Marcela e ela foi lá falar com ele, mas ele falou que tava com uma amiga e não ia deixá-la sozinha.

Dai fiquei dançando sensualizando perto dele (minha arte isso gente), dai surgiu até um cara lá muito engraçado, careca, que ficou cantando e dançando comigo. Ele me deu o nome dele num guardanapo e pediu pra adicionar no Face, eu dei o meu, guardei o guardanapo e foi isso. Nem iria lembrar dele no dia seguinte, mas iria aceitá-lo no Face super por aceitar. Eu usava muito pouco o computador, não era nem culpa da bebida. E sobre esse garoto que eu foquei, eu não lembro o nome dele, mas falarei sobre ele futuramente por conta de um caso engraçado.

No ônibus voltando pra casa ainda conhecemos umas (acho eu) americanas e ensinei como cantar Rihanna em português, foi meia hora só no “oh na na qualé meu nome?”. E tá né, rolou um caso chato que a Bianca perdeu o casaco dela, deixou no ônibus e sumiu, blá blá blá, mas o mais engraçado foi que um cara que tinha muita cara de viado (mas se dizia hétero) e o próprio Phe já conhecia e chamava ele de straight guy tava lá e fez o cavalheiro. Tirou o seu casaco e deu pra Bianca. Eu tava achando ele bonitinho, mas quando ele tirou o casaco, gente, passei mal. Ele era super bombado e não dava pra ver antes por conta do casaco! Eu e Paulinha secando do tipo “não quero ir dormir sozinho essa noite!” e Bianca sortuda perdeu um casaco mas ganhou um bofe pra noite. Se ele era gay ou não, foda-se né, é o que eu digo, se ele acha que ainda é hétero, a mulher tem mais é que aproveitar enquanto pode.

16 Janeiro 2011

Nesse dia eu faria o Goofy Chef novamente no Contemporary, e por muita coincidência do destino, também era o dia de Wonderland. Um musical novo baseado na Alice do País das Maravilhas e se fosse só isso eu dispensaria facilmente, mas tinha Kate Shindle e Janet Dacal. Já havia assistido dois musicais mas nenhum com alguém que eu se quer conhecesse. Então resolvi ir. The Color Purple tinha sido tão legal, já sabia ir mesmo, duas pessoas que admiro, por que não?

Claro que acordei tarde, claro que fui correndo novamente, e dessa vez tive a proeza de sair sem dinheiro e tive que caçar um ATM correndo em Tampa porque não tinha dinheiro nem pro ônibus! Mas tá, passado isso foi tranquilo. Cheguei, comprei o ingresso com um desconto absurdo novamente (dessa vez a moça falou que não tinha mais de estudante mas ela iria tentar fazer algo e me deu um desconto especial de natal – detalhe, metade de Janeiro já hahaha),  agradeci horrores e entrei. Comecei a bater foto de tudo e uma senhora veio falar “ó, só pra avisar que lá dentro não pode tá” e eu respondi “sim minha senhora, sou fã de musicais, sei como funciona, obrigado”. Ela “só estou fazendo meu trabalho” eu “e eu o meu de turista consciente que sabe muito bem o que pode fazer, obrigado”. Ela foi embora mas me irritei com ela, ela veio numa vibe muito me chamando de turista idiota sendo que né, não era o caso mesmo!

O engraçado de lá é que você pode ir sozinho ao teatro, mas você não irá sair mais sozinho. As pessoas do seu lado puxam assunto, eu acho isso incrível. Sentei do lado de um senhor mega fofo que era tipo mórmon, não lembro se exatamente mórmon mas alguma religião que tem que ficar viajando pra pregar em outros lugares e ele já tinha ido até em Manaus. Ele ficou abismado em como eu ia ao teatro sozinho por gostar, que isso não era comum e blá blá blá, falei que até era sim, mas ainda assim não tanto, que aqui no Brasil já tinha muita gente como eu, blá blá blá. Me diverti, eu gosto de conhecer pessoas novas, mesmo que eu nunca mais vá ver essas pessoas novamente.

Começou e na primeira música eu já tava meio arrependido de ter ido. Foi emocionante ver Janet Dacal ali, a poucos metros de mim, mas é muito ruim. Pior, mega previsível. A primeira música já mostra isso. Alice é uma executiva lá que não tem tempo pra nada, mega ocupada, canta como a vida dela é uma loucura, blá blá blá. Chega em casa, briga com o ex-marido, blá blá blá, vai dormir e a filha enche o saco pra ela ler Alice no País das Maravilhas pra ela, ela começa a ler, blá blá blá, pega no sono e tcharám, ela está no País das Maravilhas! Originalidade mandou lembrança.

Depois só piora, os personagens mais famosos vão aparecendo mas de formas ridículas. O gato é um mexicano ridículo, a lagarta é um negão que jura que arrasa, e por aí vai. Kate Shindle, deusa, maravilhosa, é o Chapeleiro. Nem ela se salva, coitada, o roteiro é ruim e as músicas piores. Só gostei de duas e olhe lá. E né, muita maconha pra colocar o Chapeleiro como mulher!

Se você aguentar ver esses 12 minutos, parabéns. És um guerreiro. No intervalo o senhor fofo perguntou o que eu tava achando, fui sincero, e ele “nossa, você é bem crítico em!”, respondi que gostaria de nem ser tanto porque assim amaria mais, mas né… Ele riu. Falei que gostei só dos efeitos porque de fato, tem uns efeitos lindos que nunca havia visto nada parecido ao vivo. Mas isso eu considero o de menos, se o roteiro e as músicas são ruins, nada mais salva.

Eu sabia que era preview, então torci pra arrumarem tudo pra ter uma vida bacana na Broadway que a Janet Dacal super merece, mas fui rapidamente agora no Wikipédia e durou apenas 31 previews e 33 apresentações. E que fofo, o Dareen Ritchie pediu a Janet Dacal em casamento no closing night. Tá, isso teria feito valer a pena assistir esse lixo. No final a platéia parecia ter amado, o senhor mórmon adorou, eu sai mega desapontado. O final consegue ser tão pior quanto tudo. A Alice chega a conhecer o Lewis Carroll (autor da obra), eles tem um papo de Pequeno Príncipe (sabe aquelas filosofias baratas sobre a vida? pois é), acontece um bando de coisa bizarra, o Chapeleiro tem uns solos no meio do nada só pra Kate Shindle soltar o vozeirão que ela tem, e é isso. Bloqueei metade mentalmente pra não sofrer.

Eu jurava que indo assistir algo que tivesse alguém que você admira já era o suficiente pra você sair ao menos feliz, mas não é. Também tinha a ilusão de que tudo lá fora é bom, e não, não é. Eu queria muito a Lais, ou Leo Polo, ou minha irmã Carol ao meu lado pra poder alfinetar tudo e rir, mas estava com um mórmon fofo que ria das piadas, que tava amando. É a vida né. De qualquer forma fui fazer stage-door. Falei com a Janet que tava feliz por ela, que eu só a conhecia de vídeos de In the Heights e que era um sonho realizado estar ali ao seu lado, ela muito fofa me abraçou, conversou comigo uns 5 minutos e foi falar com o resto do povo.

Eu só queria tirar foto com ela e com a Kate Shindle mesmo, ignorei todos os outros mas o Dareen Ritchie é tão bonitinho que pedi pra bater também.

Eu tava bonito também, né? Eu me olho no espelho e não vejo esse Charles ai mais. Enfim… A que fez a Rainha de Copas eu não gostei, logo, ignorei. Mas pelo fato dela ser A Rainha de Copas (personagem esse que eu poderia vir a fazer na Disney) eu pedi o autógrafo dai ela “não quer foto não?” eu “não, obrigado” e ela com poker face, me senti até mal depois mas eu não queria mesmo, pra quê né?

Esperei a Kate Shindle o máximo que eu pude, até fiz amizade no stage-door. Tinha uma garota que eu jurava que já tinha visto na Disney, fui puxar papo, e não, me enganei, mas ela era simpática então fiquei lá conversando mesmo assim. Ambos queríamos uma foto com a Kate na verdade, mas ela demorou tanto e como tínhamos horário, desistimos. Eu desisti tão em cima  da hora que por questão de segundos não perdi o ônibus e iria dormir na rua em Tampa.

Esse dia era feriado (ou pré-feriado, não lembro) do Martin Luther King Jr, ou seja, se as ruas já eram desertas, nesse dia tava mais ainda. No caminho de volta pra casa ficou um negão enchendo o meu saco, perguntando onde eu tava, pra onde ia, blá blá blá. Eu já fui assaltado somente uma vez na vida e foi exatamente assim, só que naquela época eu era criança, agora não mais. Ele falava e eu fingia que nem era comigo, dai quando ele forçava a barra eu falava “yes” ou “no”, e ele falando praticamente sozinho. Na hora que eu desci ele veio me seguir e perguntou “você mora por aqui? pra onde vai?” e eu “pra lá, pra lá” andando fugindo dele, dai entrei no estacionamento do Busch Gardens e ele me seguiu até metade do caminho mas voltou (até mesmo que ali tem altas câmeras e guardinhas).

Dai tá, todo aquele caminho eterno na volta, dormi horrores, cheguei em casa e todo mundo ia na House of Blues (a que eu fui barrado por conta da identidade). Resolvi ir pra dessa vez ver como era e adivinhem? Não curti. Falando assim parece até que eu sou um chato, mas cara, não é minha vibe. Eu gostava de ir pelas pessoas que estavam comigo, por dançar, mas até as músicas depois de um tempo ficavam repetitivas, ficava tocando um hip-hop fodido e os negões jurando que arrasavam, não era pra mim.

O melhor da House of Blues eram as dançarinas, gente, peeensem em dançarinas do Gugu levadas a um level acima. Elas sensualizavam muuuito, pena que não era go go girl de dar dinheiro e tal, se não eu muito, muito daria! Eu ficava tentando dançar igual e não conseguia, uma chegou a ver e fazia devagar pra eu ir pegando e eu jogando beijo e ela rindo, morria com elas.

17 Janeiro 2011

O que é pior que trabalhar no Animal Kingdom? Ir trabalhar no Animal Kingdom com chuva! Quando eu sai até dava pra ir, mas no caminho engrossou muuuuito. Eu cheguei a dormir no ônibus e graças a uma boa alma que falou com o motorista e ele gritou “hey yoooooooo” eu acordei e ele “are you staying at the parking lot?” e eu “yes omg omg i’m sorry thank you thank you” todo errado. Se ele não tivesse feito isso, ia chegar no mínimo com uma hora de atraso porque ele iria dar a volta ao mundo pra chegar ali novamente.

Cheguei no costuming, peguei minha roupinha, fiz a porra do warm-up jurando que nem ia trabalhar. Dai tá, eu sei que em dias normais nós vamos andando até o nosso “camarim” por conta própria, mas tava chovendo muito. 10 segundos lá fora seria o suficiente para encharcar a roupa toda. Dai eu perguntei para uns attendants que estavam por ali que horas viria a van, dai uma espertona vai e responde “não tem van, tem que ir a pé”. Juro, não falei nada, só empurrei a porta com o pé e apontei. Ela com cara de cu “tá, pera, vou ver o que posso fazer por você”. Isso que eu odiava no pessoal de lá. Gente, é meu trabalho? Sim, é. Mas se eu molhar a porra da roupa toda não seria um problema meu e sim deles! Fazer o que eu pedi era o mínimo! Fiquei lá lixando minha unha imaginária e depois de uns vinte minutos veio uma van e me levou. Juro que o tempo que eu levei só de colocar o saco na van e sair depois eu já me molhei horrores, se eu tivesse ido a pé (coisa que eu jamais faria dada aquelas circunstâncias) teria chegado encharcado.

Cheguei lá e Mari Rio era do grupo 1 (eu do 2) e falou que o grupo dela nem saiu por conta da chuva, então tava tranquilão. Tecnicamente em casos assim nós temos que ficar meio vestidos e ai dependendo da ordem da galera, saímos ou não. Então comecei a fazer tudo mas na calma, inclusive prender a porra do chapéu que como já disse, até hoje não sei fazer. Do nada eles falam “bora, dá pra sair, todo mundo saindo agora!”. Desespero mode on, me arrumei da forma mais rápida ever, levei um minuto pra colocar tudo (com a linda ajuda da Mari, claro). O melhor era sair carregando um guarda-chuva imenso e ver Donald, Mickey, Minnie e cia na sua frente fazendo o mesmo e pulando as poças d’água. Desumano minha gente, se duvidar caso eu falasse isso ainda iam responder “nesse momento você é um cachorro, vai!”.

Chego na minha tendinha e não é que tinha gente na fila? Fiquei muito passado. E aí era uma enrolação pra tirar foto porque tinha que tirar a capa de chuva, deixar com alguém, bater a foto, pegar a capa, e assim foi um set inteiro. Eu só imaginando “esses pais não tem o mínimo de bom senso? essas crianças vão ficar resfriadas!” mas até é compreensível né, gastou maior dinheiro pra perder o dia assim? Só que eu pelo menos iria esperar num brinquedo coberto pra depois sim, caso a chuva melhorasse, ir tirar fotos com os personagens. Tu jura, né? Passou esse set, no meu próximo a chuva já havia parado, tava até saindo um solzinho e cadê o pessoal? Não tinha ninguém! Parque vazio vazio.

Ficou tão vazio que eu podia ficar passeando por aquela parte do parque procurando guests que pudessem querer fotos. Cheguei até a sentar do lado de um senhor que levou um susto quando viu que era o Goofy, tinha um garoto com necessidade especiais tirando foto com Mickey, Minnie e Pluto (sim, os três juntos por conta da chuva!) dai eu e o Donald fomos lá e ele ficou todo feliz. Claro né, todos os personagens principais numa foto só era só em ocasiões especiais como essa. Logo, o dia que tinha tudo pra ser horrível foi bom. Mari Rio me salvou muito do tédio, me deu almoço e tudo mais, uma linda, amo pra vida. Tirei altas fotos também já que tava com esse tempo livre:

Cheguei em casa e fui novamente ao Premium com Danne, só que dessa vez não dei muita sorte. Comprei uma calça que na vitrine tinha ficado legal, cheguei em casa e já odiei e logo, algum dia iria trocar. Para fechar a noite fomos numa festa que todos, todos estavam comentando que seria a festa do ano! Juro que nunca vi todo mundo que eu conheço indo pra mesma festa. Claro que não ia dar outra, cheguei lá e juro, juro que nunca vi tanta gente como ali. Eu entrei como quem entra num metrô em SP as 18h. Só via cabeça e mais cabeça, e o som alto, maior loucura. Eu como sou diva subi na mesinha (a qual dividi com mais 5 pessoas, desafiando as leis da física) e fiquei dançando loucamente. Claro que depois de um tempo bateu security e geral teve que vazar. Mas muito engraçado eles contando, me falaram que tinha mais de 130 pessoas! Gêmeas Otto, vocês mandaram muito! Melhor festa do ICP inteiro! Depois fomos pra outra na casa do Gui Pluto, mas também não durou muito… Os roomies dele são uns ridiculos, na verdade eu não tinha nada contra, até descobrir nessa noite que eles tinham coisas contra mim. Coisas que nem eram bem verdade, mas olha pra minha cara de quem ia se importar com besteira de gente que não me dizia nada? Aham, tá. Fui pra casa dormir ainda meio altinho da festa das gêmeas e novamente suas lindas, vocês mandaram muito!

No próximo episódio de Dragon Ball Z: Universal Studios, Busch Gardens, Florida Mall, Sulley, Darth Vader e Goofy Regal Sun.

CategoriasAventuras, Disney

Diário de um Pateta – Pt VI: Goofy Dinoland, Captain Hook, Documentário, Swan Dinner, Brer Bear, the Color Purple em Tampa.

01 de Janeiro 2011

Já se passou um mês e a sensação lá era de ao mesmo tempo uma eternidade, ao mesmo tempo pouco já que não havia feito ainda quase nada nos parques e trabalhado horrores.

Comecei o ano total de pé direito: Goofy no Dinoland! Pensei que ia odiar por ser no Animal Kingdom, mas é o único lugar lá que eu amei trabalhar. Único! É bacana porque você tem o Pluto pra brincar, o attendant era um senhor muito fofo que ficava gritando “make way, make way, big dogs comin’ through!” e você tem que andar um pedaço do parque até chegar a work location e acontece de tudo no caminho. Crianças te parando, homens loucos, você sai dando hi-5, é sensacional. A roupinha é bem tosquinha, mas me diverti muito:

Perceba que roupinha de Natal ainda, será que eles só mudam também no dia dos reis magos? E essa meia gente? Morria. Esse short é de costume mesmo, tem gente no parque que trabalha com uma calça dessa forma. Eu ia morrer se fosse minha, nossa. Perceba como estou todo troncho, todo já in character. A Pluto era uma garota muito bacana, ela era tipicamente a pessoa desse vídeo (que aliás, todo mundo, todo mundo mesmo, comentava sobre):

Ela veio querer me dizer que era dançarina sem eu nem ter perguntado! Exatamente como no vídeo! Eu demonstrei interessei, até falei sobre alguns musicais, mas ela era o cúmulo. Ela ficava se alongando no chão fazendo spaghetti, sabe? Desnecessário, mas me diverti muito com ela. Aconteceram umas coisas muito engraçadas nesse dia, mas como já comento num vídeo que postaria mais abaixo, pularei aqui pra não ficar repetitivo.

O dia passa rápido quando você se diverte, e foi bem o caso desse. Na volta pra casa encontrei o Gui Pluto e a Isis Mouse, ela me convidou para comer panquecas na casa dela. Eu já tava no nível “não tenho comida em casa e nem pretendo mais comprar pois não tenho tempo pra preparar, não sei, não ligo, junk food vai reinar o mundo, aceito quem quiser me alimentar”, logo, fui sem pestanejar. O que era pra ser só comer panquecas na casa dela se tornou numa reunião performer, como sempre! Tava morrendo de saudades deles, foi bacana começar o ano assim. Tivemos até momento celebridade com as roomies dela que tiraram zilhões de fotos do tipo “performers na minha casa!”. Só que a Isis sumiu, logo, não tenho essas fotos ainda.

Sai de lá e fui comprar bebida porque a Raissa era de menor, tecnicamente não podia beber (mas né) e lá fui eu comprar pra ela ter a virada digna já que trabalhou na virada e não comemorou como eu. Eu só tinha uns $40 e foi tudo na vodka. Futuramente iria descobrir que ela não iria me pagar esse dinheiro, mas tava de boa… O pai dela havia pago uma taxa no Brasil no cartão pra mim, e eu não paguei, era como se tivesse quitando. O pior foi checar no computador que não computaram que eu tinha dado check in! Pensei que tava ficando louco porque eu lembrava claramente de ter feito, mas relevei… Do jeito que eu era, era bem provável ter esquecido mesmo.

02 de Janeiro 2011

Mesmo shift do dia anterior, logo, fui feliz sabendo que não ia ser tenso nem nada. Só pra registrar o amor que eu já trocava com meus roomies:

Como era raro todos se encontrarem, mandávamos recadinhos na geladeira. Depois de um tempo virou putaria e geral tava só se xingando e colocando quotes, mas tudo bem, era divertido. O meu favorito era “todo mundo é todo mundo” dito pelo Flávio. Na época do Buzz eu cheguei em casa e falei que tava pegando ele e tal, dai ele solta “mas o Buzz é mulher?”, chorei de rir em como uma pessoa que estava morando comigo já a um tempo realmente achou que eu enganava de hétero. Mas o Flávio é assim, ele tem uma inocência que nem criança mais tem hoje em dia. Falei que era gay, perguntei se ele realmente nem desconfiou e a resposta foi essa “ah, não… mas tranquilo, todo mundo é todo mundo!”. Baldes de amor para o Flávio.

O Pluto do dia era muito engraçado, era o típico hétero com muito ódio no coração de estar fazendo aquilo, mas tava ali porque é uma renda como ser vendedor no Walmart. No fundo era simpático, conversou bastante comigo até. Eu me diverti muito, apesar de ser chocante ver um Pluto pela primeira vez na vida empurrando uma criança (ele empurrava sem pena mesmo e ainda falava no backstage “ah tava me empurrando, mostrei como era!”). O mais engraçado é que a Pluto do back-to-back era uma garota que era afim dele, mas ele não ficou com ela, e sim com a melhor amiga dela. Logo, eles tinham uma rixa. Na nossa salinha tem os nomes de quem tá trabalhando no dia, tipo assim:

Por conta dessa rixa, os dois ficavam se xingando por esse quadrinho. Era sair, voltar e ver um xingamento novo. Me acabava de rir! Nem lembro quais, mas era de whore pra baixo. Lá pro fim do dia eu falei “ah quero brincar também!” dai apaguei meu nome e coloquei “faggot” dai a Pluto veio falar comigo toda preocupada “olha, não fui eu tá! deve ter sido ele! ele é um escroto mesmo!” e eu me acabando de rir. Aconteceu outra coisa mega bizarra, mas eu conto no vídeo, logo, pulando!

Saindo de lá fui pra casa da Nat Teco, eu acho que foi o dia em que ela fez o King Louie e tava morrendo por conta dos braços. Se não foi, ela tava tão acabado quanto nesse dia (só não estaria tão emocionalmente abalada). Conheci o Chattam que é lindo, maravilhoso, aquilo sim é um apartamento de verdade. Fiz miojão pra gente, descobri as maravilhas do molho ranch, peguei umas fotos minhas que ela tinha e fui pra casa.

Pretendia dormir, mas tava todo mundo indo pra House of Blues que é uma balada lá que quem tem mais de 21 também entra de graça, dai fui né. Seria tecnicamente minha primeira balada, não havia ido em nenhuma ainda por conta do extremo cansaço, mas Deus não queria que fosse a hora ainda. Eu levei minha identidade mas por ela ser plastificada, me barraram. Eu não sabia disso e parece que fazem isso no Brasil também, né? Mas enfim, barraram o Gui também por alguma coisa que nem lembro então fomos passear por ali e entramos no Planet Hollywood que é super lindo, fiquei admirando, ele tomou alguma coisa lá, tranquilo…

Depois disso passaria a sair com meu passaporte, todo mundo metia maior medo que eu podia perder, blá blá blá, ia dar maior merda pra tirar outro, mas entre isso e não entrar em nenhuma boate, como lidar? Fui pra casa, fiquei conversando até ter uma visita mega indesejada e fui pra cama passado com os bafões do que rolou na mesma festa lá em casa no dia anterior.

03 de Janeiro 2011

Eu fui pra cama no dia anterior com a roupa de sair ainda porque a May foi na House of Blues (ela foi comigo, mas entrou né) e ia me ligar quando saisse. Quem disse? Apaguei de acordar no dia seguinte já meio-dia, mas tava me sentindo tão bem. É bom fazer isso às vezes, chegar em casa, se jogar na cama e foda-se o mundo., foda-se o horário do dia seguinte. Amo essa sensação.

Eu passei a tarde resolvendo tudo que tava errado. Vi que constava lá que não dei clock-in novamente, liguei puto da vida reclamando e ela explicou que haviam mudado o cartão que a gente dá clock-in na virada do ano que eu tinha que ir buscar a nova em um apartamento lá no Vista. Adoro né, dois dias depois avisam a gente e porque eu liguei reclamando! Fui lá pegar. Depois tentei fazer um depósito do Banco do Brasil pro meu VTM, não consegui, dava que tava bloqueado. Iria descobrir que só pode fazer depósito estando no Brasil, então liguei pra minha prima que fez pra mim (comigo no passo-a-passo, uó) mas fiquei bem mais aliviado porque estava pobre falido e necessitava daquilo. Por fim liguei pra Metro pra reclamar que eles me cobraram umas taxas nada a ver lá, eles me ensinaram como tirar, fui no site, tirei. Eu tava era puto de estar perdendo uma tarde fazendo essas coisas, mas foi melhor assim porque a Disney ligou lá pra casa avisando que o horário do meu shift a noite agora seria mais cedo, e se eu tivesse saído, iria provavelmente perder o que foi sem sombra de dúvidas o melhor shift que fiz no programa inteiro! (acho que só perde pra Dance Party).

Era o Capitão Gancho no Magic Kingdom, nunca havia feito, não fazia ideia de como seria mas tava muito feliz por ser ele! Fazia tanto tempo que eu não era que nem sabia mais o autógrafo direito, sabe onde fui treinar? No ônibus indo pro trabalho. Pelo menos os ônibus lá não são que nem os daqui então até que deu pra adiantar muita coisa. O melhor de trabalhar no Magic como eu já falei é por ser um dos parques mais movimentados então você vê muita gente, como já estava ali a um mês, via muita gente conhecida e eu já me sentia muito em casa. Fui no costuming, pedi ajuda porque eram muitas peças e nem todas estavam juntas. O melhor é que uma brasileira mega hiper super ultra fofa me ajudou. Era a primeira vez que via uma brasileira no costuming, nem sei o nome dela (e juro que queria muito!), a veria mais vezes e sério, que linda. Queria abraçar sempre que a via. Existem pessoas assim, né? Que você bate o olho, acha linda, sorriso lindo, sei lá, que passa uma vibe positiva. E é bom ver pessoas assim em lugares como um costuming, que entra zilhões de pessoas perdidas pedindo ajuda, pessoas estressadas pegando ou devolvendo roupa, e por aí vai.

Minha attendant falou que não ia ter warm-up, pra pegar a roupa e encontrá-la tal horário lá fora pra pegar a van e tomar muito cuidado que se eu esquecesse uma peça se quer, não ia dar tempo de voltar. Tranquilo, fiz isso. Entrei na van e tinha uma garota loira fofa e um garoto lindo lindo lindo lindo. Já sabia que ela era o Mr. Smee e ele o Peter Pan, mas sério, Peter Pan mais lindo que vi na Disney! Tem uns bizarros pra caramba no parque, mas aquele, uau. Super simpático também, embora tenhamos conversado pouco porque o próprio evento impede.

Nós vamos para um hotel e ficamos num quartinho que é a coisa mais linda, tinha um banheiro todo luxuoso e pra gente uma mesinha com espelho de camarim (que tem aquelas lâmpadas redondinhas em volta) e o Peter já foi se enviadar né, maquiagem, pentear peruca, coisa que nós fur characters nem precisamos nos preocupar. Dai eu e a Mr. Smee já tinhamos que nos trocar porque o evento começava com a gente. Me troquei numa boa, at’é que veio a cabeça mais uma vez. Ela não tava entrando direito, verifiquei se tinha mais algum puff do inferno me atrapalhando de novo, e não. A attendant me perguntou se eu havia testado no costuming e eu falei que não até mesmo porque a cabeça é uma medida só, não tem tamanhos diferentes. Ela foi chamar alguém pra falar sobre isso e eu na hora pensei “não vou perder esse shift de jeito nenhum” e pam, forcei a barra e a cabeça entrou. (ui!). Eu até me cortei numa parte e fiquei com um roxinho no queixo, mas total compensador. Na verdade era só a forma de colocar que eu tava encaixando errado, mas foda-se, já havia entrado. Um cara chegou e falou “ué, cadê o problema?”

A attendant ficou meio sem saber o que fazer, e foi isso. Dai ela ao menos explicou o que faríamos (era a primeira vez daquele Mr. Smee ali também): entraríamos numa sala onde haveria uns piratas falando algumas coisas, nós iriamos parar na frente de uma tela lá, as pessoas formariam uma fila pra tirar foto, autógrafo, coisa tranquila e depois era enrolar até anunciarem que tava na hora de ir pro barquinho, nós iriamos recepcioná-los até o barquinho e pronto, fim do trabalho.Enquanto não dava a hora de entrar na salinha eu fiquei desfilando e brincando com a attendant, e ela rindo falando que eu já tava total no character e que nem parecia que era primeira vez. Eu falei que só havia feito no treinamento mesmo e tal, fiquei brincando com a Mr. Smee que era muito boa também, e ai anunciaram e entramos.

Perceba que meu eye focus nem tá muito bom, mas eu olhava pra câmera, o lance é que tem uns que você tem que olhar ainda mais pra cima. A Biancão tirou foto de Rainha de Copas e era a mesma coisa, mas enfim, se eles não te instruem, né, fazer o quê?

Tava bem morto, acho que só umas 30 pessoas foram tirar foto com a gente. Isso é pouco levando em conta que é um evento fechado e que segundo a attendant, já tiveram mais de 100 pessoas em algumas ocasiões. Eu achei ótimo porque pude brincar numa boa, enrolava até uns 8 minutos com cada guest, tinha o Mr. Smee que segurava o caderninho pra eu dar autógrafo (aliás, aposto que ela ficava fazendo cara feia ou rindo pros meus autógrafos que eram tensos!), então adorei. Terminamos e agora era hora de enrolar. Ficava tocando músicas com coreografias tipo “passarinho quer dançar, as asinhas balançar, porque acaba de nascer, tchu tchu tchu tchu” e o Mr. Smee ficava dançando com as criancinhas que adoravam. Dai um pai perguntou se eu não iria dançar. Apontei pra mim, apontei pra dança, dei uma risada e virei de costas. Todo mundo rindo. Eu era o Captain Hook, eu não me submeto a essas coisas. Não satisfeito em não dançar, ainda ficava olhando com o Mr. Smee com cara de desprezo e dava umas porradas leves na cabeça. Tinham umas mesas com moedas de chocolate e algumas crianças pegavam e me davam, dai eu pegava e roubava mais das mesas e ficava dando para alguns pais, na verdade eu roubava deles, eles reclamavam e eu dava as que eu peguei e mais algumas. Porque né gente, vilão Disney é isso. No treinamento mesmo eles passam um vídeo mostrando que você pode ser malvado e tal, mas não tanto.

Uma garotinha fofa chegou bem perto de mim, puxou minha calça, agachei pra falar com ela e ela bem séria: tick, tick, tick (imitando o som do relógio do crocodilo). Eu sai correndo com medo, do nada tinham umas 20 crianças correndo atrás e fazendo o som, e eu correndo feito louco, me escondendo atrás dos pais. A attendant até veio me procurar falando que se elas tivessem enchendo o saco que ela podia fazer algo, mas eu tava era adorando aquilo tudo. Claro que depois de correr por uns 5 minutos eu cansei e tinha que inventar como parar aquilo. Foi quando eu fiz silêncio e comecei a dar moedinhas caso eles parassem. Eles concordaram e pronto. Crianças, como não amá-las? Mesas cheias de moedinhas que elas podiam pegar numa boa, mas da mão do Captain é diferente, né?

Eu tava feliz porque tava conseguindo me comunicar desse nível só com expressão corporal, e eles estavam entendo, até os pais respondiam exatamente o que eu tinha tentado falar. Dai o pirata lá falou que já tava na hora, nós fomos andando e no caminho ainda brinquei com mais uns pais. Teve uma garota que pisou no meu pé, dai ela pediu desculpa e eu só olhei pra ela como quem olha com desprezo e ela chorando de rir. Ficava brincando com meu bigode também, ai, sério, ser vilão é tudo nessa vida. Levamos eles no barquinho e pronto, era só voltar e esperar.

Chegamos no camarim e o Peter já tava pronto, conseguindo ficar mais lindo ainda com aquela peruca ruiva. Não resisti e falei que ele era o Peter mais lindo que eu tinha visto por lá, ele respondeu (com sotaque de Peter) agradecendo mas que não recebia elogio do Capitão Gancho porque sabia que ali tinha emboscada. Como não amar meu Deus? Desejamos sorte pra ele, e lá se foi ele. Ele iria aparecer no meio da viagem desse barquinho que nós nos despedimos, ia fazer a parte dele que nem sei direito o que é, o barquinho assiste Wishes, e é isso. Só que demora, nós ficamos bem umas duas horas lá na salinha. Tempo que eu fiquei conversando com a Mr. Smee e a attendant, falamos de tudo um pouco, de filmes, séries, Disney, foi bem bacana. A attendant ainda falou coisas que me deixaram mega feliz, me elogiou, disse que eu fiz umas paradas bem bacanas e que a maioria dos Captains costumam só ficar com as crianças e fazendo a egípcia, e que eu fui nos pais também, andei bem no lugar todo, essas coisas. Foi a primeira vez que recebi elogios assim, eu agradeci e falei que adorava ser ele pelo salto, pela atitude, ela concordou, e bem, foi isso. Depois o Peter chega, todos vão pra van, e fim de um dia feliz.

Chego em casa e o Vini Tigger me convida pra uma festa gay no Commons (lugar que só os gringos moram) e eu queria muito ir por ser uma festa gay e no Commons, queria conhecer o apartamento, ia ser bacana uma pegaçãozinha básica, chamei a Biancão que topou e falou pra eu ir na casa dela que iriamos. Cheguei lá, ela tava preparando uma comida, dai ficamos conversando, fomos comer e… é isso, não é nem que brochei, mas a vibe mudou. Conversamos horrores e foi bom por isso, mas quando paro pra pensar que não fui, bate o arrependimento. A May chamou pra uma festa na casa dela, fomos, bateu security, fui dormir.

04 de Janeiro 2011

Só acordo com as mensagens do Vini falando da festa, o quão foi foda, que ele pegou um britânico lindo (e eu vi depois e era mesmo) e eu mais do que arrependido. Eu havia pego uma hora extra nesse dia, mas caso tenham reparado, eu estava trabalhando desde o Natal sem uma folga! Biancão no dia anterior me convenceu a dar essa hora extra pra alguém pra gente ter um day off juntos, fui lá e dei pro Fabinho que tava tão louco por trabalho quanto eu.

Fomos lavar roupa, enquanto lavava Biancão cortou meu cabelo, era o dia que May ia ter que se mudar (inclusive, a festa no dia anterior era a despedida do apartamento velho e tinha altas bebidas, valeu a pena por isso) e ajudamos carregando as coisas (eu sai com o cabelo meio cortado e com um saco da Disney me cobrindo, mas né, pra ajudar os amigos tem que parar tudo mesmo e ir), dai voltei pra terminar de cortar o cabelo, secar a roupa, limpar tudo e se arrumar pra ir curtir o Hollywood Studios.

HEHEHEHE.

Minha Schocantelle Brown Particular <3

Foi só chegar em casa que eu me toquei “já tô aqui tem um mês, não documentei nada em vídeo, é hoje!”. Meu espírito Marcos Cohen voltou depois de tanto tempo, e eis que saiu isso:

É longo, dá praticamente uma hora de documentário, mas é bacana ver agora como nós éramos naquela época. Só felicidade. Sem contar que amei o corte de cabelo que a Biancão fez, ela fez com aquelas maquininhas de barbear, sofreu pra conseguir ficar direito e ficou ótimo! (meses depois né, mas adorei hahaha).

Eu falo horrores e parte dessas coisas eu já comentei aqui no blog (devia ter visto o vídeo antes pra poupar algumas repetições, mas já foi) mas tem coisa nova, coisa que eu não comentei por puro esquecimento mesmo, como por exemplo a carta fofíssima que a May me deu de ano novo. Eu cheguei em casa acabado de dançar horrores na frente do castelo, cheguei em casa e tava na minha cama. Só deu tempo de ler, fazer um “awwnnnn”, pensar em agradecer por celular mas morrer na cama antes de se quer clicar em “write a new message”.  Também tem o lance do carimbo do Buzz que eu achei sensacional e não sei como havia esquecido. Acho que pra quem nem me conhece, ver esses vídeos vai fazer com que parte do que eu escrevi até agora ganhe uma certa vida.

Como digo no vídeo também, o Fabinho acabou fazendo a Rainha de Copas e eu voltei pro Brasil sem fazer. Me arrependo no fundo porque queria muito ter feito, mas foi um dia bem fofo, assisti Tangled que amei, documentei e não sei se faria isso algum outro dia como fiz nesse, e principalmente, não dei o shift consciente de que seria ela, foi questão de sorte. Era pra ser, ele adorou fazer, me senti feliz por ele. Depois fomos para casa do Gui Pluto ficar conversando e foi isso.

05 de Janeiro 2011

Como mostra vídeo já bem no finalzinho, combinei com a May e Danne de irmos passear no Epcot. Consegui matar altas atrações que não tinha ido ainda, fomos bem guests, foi bem bacana. A Danne chegou a comprar uma comida que conseguiu derrubar no mato, quase chorou e eu “Danne, esqueceu que você tá na Disney?”, peguei o negócio com matinho e tudo e fui trocar, na hora eles dão outro.

Encontramos o Vini de Tigger mega por acaso, foi um dia bacana de passear. Sempre bom né. Só ela tava de day off, May foi trabalhar as 15h e eu acho que tinha que ir as 17h e tava morrendo de medo porque era um dining que eu não havia feito ainda. Danne me mandou tanto amor e me acalmou tanto que foi muito, muito, muito tranquilo.

Era o Swan Dinner, restaurante do hotel Swan (que aparece no vídeo, olha a coincidência). Esse restaurante é tão morto que você pode brincar à vontade com as famílias e ainda assim você volta nas mesas, fala de novo, fica brincando com as crianças de brincar meeeesmo, senta nas mesas pra conversar, é muito divertido. É tão morto que a rotação é a attendant falando “ah, vai ali, hmmm, volta naquela, hmmmm, ah chega, bora enrolar no backstage”.

A roupa é a roupa do Goofy normal, você fica numa salinha sozinho por meia hora esperando a attendant voltar com o Pluto e ai ela fala “só tem uma familia nova”, você sai, fica 15 minutos com essa família, e volta a brincar com algumas antigas, fica passeando, chega até ser chato de tanto que você fica ali forçando algo que não tem pra quê. De vez em quando voltávamos até antes do horário. A attendant era muito querida, dessas que dá prazer de trabalhar.

Dava até pra ter pedido pra filmar, mas nem pensei nisso. Só pedi mesmo pra ela tirar umas fotos (já que não tínhamos nada pra fazer) e acabou saindo uma das que mais gosto:

O melhor de fazer dining é que eles dão refrigerante, eu me enchia todo de Coca pra ficar acordado. Tem que andar da salinha até o restaurante, passando pela cozinha, altos corredores e em três momentos a attendant tem que falar pra se abaixar se não, você bate a cabeça. Eu bati umas diversas vezes, depois com o tempo ela ia contando “eeee, dessa vez foi só uma!”.

Esse shifts eram os melhores, eu me sentia “caralho, ‘trabalhei’ por 6 horas, ganhei uns $50 e pouco doláres e quê que eu fiz? na-da” (comparado com os shifts tensos, era muito, muito leve). Depois ainda fui no Walmart com a May, fiz umas comprinhas básicas e não me recordo de mais nada.

06 de Janeiro 2011

Era spare no Animal Kingdom, tava chovendo, eu tava com sono, cheguei a dormir no ônibus e por muito pouco não perco o ponto (mentira, eu perdi, mas acordei quando ele tava já saindo do estacionamento, dei uma choradinha e ele me deixou sair mesmo sem ser no ponto – coisa que pouquíssimos faziam, foi sorte mesmo!), tive que andar com aquela névoa do cacete, tudo escuro, o lago saindo altas fumaças por conta do frio, era total filme de terror. Mas ficaria pior, ah se não ficaria. Cheguei e falei que era spare, crente que já ia ter que fazer algum Tusker House da vida, graças a Deus falaram pra eu voltar um tempo depois. Fui deitar no sofázinho que tinha dentro da salinha de warm-up e fiquei feliz da vida ali, vendo todo mundo se aquecendo e eu ali, na boa. Inclusive vi a Danne, Nat, May, Gio, geral tava trabalhando lá naquele dia. Depois de um considerável tempo (até dormi mesmo) eles falam: você será o Brer Bear.

Pela primeira vez na vida, eu não fiquei feliz ao ouvir que faria um personagem novo. Digo, ele é um urso, ponto. O que diabos eu ia fazer com aquilo? Mas era a vida né, fui pegar a roupa, pelo menos era só vestir uma peça única e colocar  a cabeça por cima. Eu dividia o camarim do Camp Minnie Mickey então até via de vez em quando meus amados, mas meu horário era bem diferente do deles.

Só que aquele dia como eu disse, era dia de terror. A captain era a Jane Macaca e minha attendant nada mais nada menos que Crystal. Juro que só de ver isso eu já queria chorar, mas tudo bem. Fui colocar a roupa e implicância número 1 “essa capa do Brer Bear é de parada, você pegou a costume errada”. Eu respondo que nunca fiz essa porra na vida, era a única roupa que tinha lá, ela reclamava falando que eu devia ter perguntando de alguém no costuming. Ela então ligou pra lá e eles pediram desculpas porque realmente alguém havia montado errado, tu acha que ela me pediu desculpas? Aham, tá. Depois de dois sets levaram lá uma capa nova e eu troquei.

Fui relembrar como era o autógrafo (que é bem fácil, o que eu mais faço bonitinho) e ela “devia ter treinado em casa”, respondi “em casa eu não tenho luvas peludas que dificultam se quer segurar uma caneta, queria só ter uma noção de como era, o autógrafo eu sei fazer”. Fomos andando até o work location que era no sol, simples assim. Quando não tinha ninguém na fila eu corria pra trás de umas folhinhas pra ficar na sombra. Na volta ela vem reclamar que eu não posso me esconder, blá blá blá, ai eu não aguentei, botei toda raiva pra fora “meu personagem é um urso preguiçoso, você realmente acha que um urso preguiçoso ia ficar no sol por ficar sendo que não tem ninguém pra querer falar com ele? Eu aceito numa boa que alguém fique me criticando, mas por favor, pense antes de criticar porque a impressão que tá é que temos assuntos mal resolvidos e você só quer descontar isso em mim”.

Nem eu acreditei que eu havia feito isso, na verdade eu falei isso com a roupa ainda do Brer Bear então acho que isso me deu forças, ela não tava me vendo mesmo. Foi mágica gente, melhor coisa que eu fiz no dia inteiro. Ela foi falar com a captain que queria ser attendant de outro personagem sei lá inventando o quê (provavelmente que eu era ruim, blá blá blá) e me deram uma attendant mega fofa que ficava brincando comigo e tudo. Depois disso o dia fluiu tranquilo, eu só ficava dançando e lerdava um pouco (na ficha do personagem falava basicamente isso, que gosta de música, dançar, e é lerdo) e super entendi quem odeia fazer o Pooh. É um saco não fazer nada direito, só que por incrível que pareça teve gente que amou ver o Brer Bear.

Chegou um cara falando com um sotaque mega fofo que adorava ele porque eles eram da mesma cidade (falou o nome tudo e eu nem sabia dessa informação, mas reagi animado e ele ficou todo feliz), depois veio uma garota pedir o autógrafo, eu dei e ela “nossa, esse é o melhor autógrafo que eu já vi na vida!” e eu tipo “sério?”, cara, é um garrancho feião em que o “e” é ao contrário porque tecnicamente o urso não teve alfabetização, mas né, tem gosto pra tudo.

Eu nem levei minha máquina porque não pensei que ia ser nada novo, dai pedi pra attendant fofa tirar uma foto com meu celular. Ela não sabia mexer direito, pediu pra eu informar e eu não tinha dedos para apertar e não podia falar, foi engraçado ensinar isso só com expressões corporais, ela fazia chorando de rir. E deve ser bem engraçado mesmo ser ensinado por um urso burro como tirar uma foto num celular.

Nos dois últimos sets me colocaram do lado do Brer Rabbit (outra spare que teve essa infelicidade) e a attendant ficou sendo a Jane Macaca. Tipo, eu que nem conheço a história direito sei que eles são inimigos. Todo mundo vinha tirar foto e perguntava “mas o que aconteceu com vocês?! viraram amigos agora?!!!” e minha vontade louca de dizer “somos inimigos no filme, lá eu tento cortar o pescoço dele, tento comer de todas as maneiras, matar e tal, sou um urso maligno, aqui é só amor, paz, felicidade e zzzz…”. É a falsid… opa, Magia Disney né.

Saindo do trabalho ainda faltavam umas horinhas pra dar meu horário, então lá fui eu novamente para o costuming ficar ajudando com coisas inuteis, fazia com uma boa vontade que só vendo. Dai finalmente deu o horário, sai e fui visitar a Pocahontas que já tava ali mesmo.

ESPECIALMENTE PARA O MEU ELENCO DO REVIVAL COM DIVA CLAUDJA.

Mas sai pelo parque porque queria aproveitar e tirar uma foto com a Danne de Donald. Inclusive ainda fui lá na frente esperar o parque fechar porque ela iria fazer o ACG e eu tirei umas fotos dela arrasando no carrinho (sensação mais próxima que ela deve ter sentido de fazer uma parada né).

Inclusive, esse gordo attendant nojento dava em cima dela. Era de chorar de rir porque ele é mega afeminado, o cabelo todo nojento de gel, e ele jura que ainda tem chance com alguma garota. No Facebook dele a foto ainda era do Kenai do Irmão Urso, como lidar?

Esperei ela sair para voltar acompanhado pra casa (comprei o camaleão da Tangled pra dar pra ela de presente), ainda rolou uma festinha performer na minha casa. Muita felicidade, bebida, comida (todo mundo levou alguma coisa e minha casa nunca teve tanta comida quanto naquele dia), Twister, teve casamento (sim, eu fui a noiva e casei com Caro Mickey Baú), eu só sei que eu fui dormir sem entender nada do que tinha acontecido. Era quando batia a vontade de ser performer na vida, você atuava horrores, geral ria, e era isso. Tem coisas que não precisam de explicações mesmo, o importante é ser feliz. Pena que não sei quem filmou/tirou fotos, mas um dia isso surge, ah se surge…

CP REUNION, LOVE ALWAYS.

07 de Janeiro 2011

Day off, combinei de ir ao Animal Kingdom com Fabio, Isis e Andressa. Fiz praticamente tudo e era exatamente o que eu queria. Matar logo aquele parque que até como guest não era lá um dos meus favoritos. Eu me diverti, o show do Rei Leão é incrível (melhor atração de lá), eu fui crente que ia ser uma mini história do filme mas não tem nada a ver e é ótimo, fizemos o safari, fomos nas atrações principais e foi bem bacana.

TÔ DE GUEST MÃÃÃÃÃEEEE!

Olha um spare gente, digo, o Flick!

Adoro como a Disney se preocupa com work locations boas para as fotos sairem sensacionais!... not. Meukuu.

TRAUMAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!

A noite fomos ao aniversário do Gui Pluto, tinha altas bebidas que os gringos que moravam com ele deixaram, bebi horrores, a ponto de ligar pro meu Buzz convidando ele pra festa, mas ele tava doente e não quis ir (amém!).  Fui pra casa e escrevendo no meu diárinho eu me toquei que no dia seguinte era o dia do the Color Purple, estava sem condições físicas de ir pesquisar como fazia pra ir, mas botei meu despertador pra tocar cedo no dia seguinte que eu iria ver se seria possível ou não. Eu tava na dúvida ainda porque não era day off, mas não que isso fosse um problema.

08 de Janeiro 2011

Esse é um dos meus dias favoritos do programa inteiro, então detalharei ainda mais do que já faço de costume. Teria the Color Purple em Tampa, mesmo esquema do Violinista que eu perdi. Por muito, muito pouco eu não perco também, mas no dia anterior eu usei o computador muito rapidamente e gritei no Twitter para que alguém me ajudasse que eu não tinha tempo de procurar e ver como fazia. Guál Dídimo, ex-Cast Member de sei lá que ano e também fã de musicais me socorreu e vi a solução no dia seguinte.

Ele falou que o ônibus que vai pro Busch Gardens deixa em Tampa, e de lá só era pegar ônibus normal. Joguei no Google Maps e realmente, perfeito. Só que sabe quando eu tive tempo de fazer isso? Umas 09:00 e pouca. Fui ver e o ônibus saia as 09:30 da Publix (um supermercado que fica um pouco perto do Premium Outlet, tem que dar uma caminhada básica só). Pra quê? Já tava acostumado em me arrumar em questão de segundos, logo, sai correndo para mais uma aventura Pokémon.

Cheguei muito, muito em cima da hora a ponto de ter que correr muito. Eu parava pra respirar 5 segundos e voltava a correr. Já tava no Outlet Premiu, já morrendo e vendo que por questão de minutos iria perder uma oportunidade única. Foi ai que uma moça que estava dirigindo um daqueles ônibus fofos que eu eu postei foto no primeiro capítulo para o dela e pergunta “tá indo pra onde?” e eu “pegar o ônibus que vai pro Busch Gardens!” ela “sobe ai, te dou uma carona até lá!”. Eu não pensei duas vezes, pulei em cima agradecendo ela zilhões de vezes, falando “I love you  I love you” direto e ela literalmente parou o ônibus na frente do ônibus que eu tinha que pegar que sim, já estava saindo. Sério, muita, muita sorte. Um viva eterno para essa motorista fofa.

O ônibus leva sei lá, umas três horas se não me falha a memória. Horas que nem preciso comentar né, dormi lindamente que nem vi o tempo passar. Pronto, havia chegado no Busch Gardens. Só que eu não iria entrar, fui o único, óbvio, a sair dali e encontrar um ponto de ônibus tão do lado do parque que nem acreditei que era ali. E não era mesmo.

É tão pequeno lá que os ônibus funcionam da seguinte maneira: passam de hora em hora e somente nos sentidos norte e sul. Eu tinha que ir pro sentido sul mas pra hora que eu cheguei, ele teria que seguir o sentido norte pra depois voltar no sentido sul. Eu não sabia disso ainda, então só esperei, subi e perguntei do motorista “tá indo pro sul?” Ele super bem humorado falou “de onde você está, aponta para o sul”. Eu apontei e ele “é, você não aprendeu isso direito na escola, mas sobe aí que você vai ter de esperar do mesmo jeito”. Eu chorando de rir porque né, eu achava que sabia onde fica o sul, mas tudo bem… Dentro do ônibus eu peguei uma fichinha que tinha o mapinha e entendi tudo que já expliquei pra vocês. Dai tá, segui com o ônibus até a porra do norte e depois ele mesmo seguia para o sentido sul. Eu ia ficar mofando no ponto do mesmo jeito, então antes entrar no ônibus mesmo.

Foi bacana poder ver um pouco da cidade, confesso que senti um pouco de medo porque é muito, muito deserto. As pessoas em 95% são negras, cheio daqueles rappers com a calça tão lá embaixo que você vê a cueca samba-canção vermelha de bolinhas brancas inteira, gordas tipo Precious já segurando dois bebês, zilhões de igrejas na rua com algum versículo na plaquinha e coisas do tipo “Jesus is coming back!”. Eu já fui entrando na vibe de the Color Purple. Passou por um campus de uma universidade também, igualzinho de filmes. Me deu maior vontade de passear por lá, mas não tinha como.

Cheguei no ponto final no sul, desci e não tinha ninguém pra pedir informações. Eu fui andando pelo o que eu lembrava do Google Maps, mas claro, lembrando que eu sou eu, comecei a me perder e me cagando todo porque na rua só tinha mendigo e galera rapper. Foi ai que peguei meu celular abençoado que apesar dele não saber tocar direito e ter um despertador de merda, ele tem GPS. Liguei e a senhora da voz robótica foi me guiando. Eu tava me sentindo em 2025, essa tecnologia era demais pra mim. Pois cheguei.

É um lugar que tem altos teatros grandes, tinham umas 5 ao mesmo tempo. Tava mega mega mega empolgado e cheguei faltando uma hora pra começar. Fui comprar o ingresso sendo que nem havia consultado os preços em casa. Podia ser quanto fosse, eu pagaria, tava ryco mesmo. Cheguei e falei “queria um ingresso de estudante” e mostrei minha carteirinha, dai o cara falou “onde você quer sentar? fileira A tá bom pra você?” eu pasmo falei que muito na frente, que podia ser um pouquinho mais atrás. Ele vai e fala “fifteen” (15) eu tinha entendido fifty (50) e falei “quanto é o ingresso normal só pra eu saber? que achei carinho essa meia… mas tá ok”, ele vai e repeter “você acha 15 caro?” ai eu “opaaaaaaaa, tinha entendido 50! ai meu Deus, só isso? te amo, te amo, obrigado, obrigado” e ele rindo me deu. Tava muito feliz, ia ver uma peça foda por $15!  Mero dois sets do meu trabalho ou uma comida no parque!

Olha que lugar lindo, eu estava pleno de felicidade de ter chegado ali. Liguei pra Disney, falei que tava doente, e é isso. Um ponto negativo no record card, um ponto positivo pra vida e liberdade. Liguei pro Leo Polo pra surtar um pouco pois ele era alguém me entenderia, ele assistiu the Color Purple na Broadway quando foi zilhões de anos atrás e ele que me apresentou mesmo que em vídeo, e agora ali iria finalmente assistir ao vivo.

Fui na lojinha, fucei tudo, comprei programa, comi alguma coisa correndo, entrei. Se tinha outro branco além de mim, tava no balcão, em algum lugar escondido, porque na platéia era só eu! Aqui no Brasil tranquilo se ver no meio de só velhinhas de van, único adolescente (muito embora graças a Deus isso tenha mudado e muito recentemente) mas ser o único branco era novidade. Pelo menos ninguém me olhava estranho, então tava de boa até mesmo que isso que importa.

Tava surtando, louco que começasse logo, emocionado, tava tudo. The Color Purple é baseado na obra de Alice Walker (alguns podem conhecer pela obra ou pelo filme estrelado por Whoopi Goldberg) ou se nem conhecem, aqui vai como é.

A peça começa com duas irmãs, Celie e Nettie, brincando numa árvore. Estamos num domingo em uma manhã em Georgia, com o típico coro negro de uma igreja dizendo que Deus trabalha de formas misteriosas. Ao fim da música Celie entra em trabalho de parto, é seu segundo filho que já é tirado dos seus braços por seu padrasto que se livra dele. Nem começou e você já vendo um momento tenso desses. Celie ainda é muito nova e não entende nada do que está se passando e pede a Deus um sinal (o que tá escrito no painel que cobria o palco antes da peça começar).

Uns anos passam, um fazendeiro chamado Mister pede para se casar com Nettie para ela cuidar de seus filhos, seu padastro oferece Celie no seu lugar e ainda dá uma vaca. Sendo assim ele leva Celie e mostra o quão duro e tenso será seu trabalho, maltratando-a sempre. Nettie foge e pede para morar com eles, Mister aceita, só que a ataca num dia enquanto ela ia para escola e ela revida, assim ele revoltado a expulsa e proibi as irmãs de se verem. Nettie promete escrever sempre, mas é Celie chegar perto da caixa de correio que Mister fala que se ela ousar chegar perto dali, ela morre.

Já tava chorando na cena em que elas se separaram, os gritos da Celie, ela cantando para Deus “Why you do this, dear God? What you done wit’ my sister? How this play in yo’ plan? (…) I never ask for anything but Im askin’ for this: If Im really a lily of the field, you will answer my prayer or you’re no God at all!

Somente no final do primeiro ato que ela descobre por intermédio de Shug Avery (mulher pela qual se apaixona, que já teve um caso com Mister e ele é apaixonado por ela até então) que sua irmã está viva pois encontra umas cartas de Nettie e que Mister escondia dela. O primeiro ato termina com ela gritando, extremamente feliz que Nettie está viva. E eu, chorando mais uma vez.

Eu tava amando tudo, só a Shug que dava pra ter mais energia, mas ainda assim voz foda, atuação fantástica, o elenco inteiro impecável. Tava exatamente como eu me imaginava ao ver uma peça ao vivo, extasiado. Então começou o segundo ato e eu não fazia ideia do que me aguardava. Digo, já sabia porque já havia assistido, mas ali ao vivo foi tudo muito diferente.

Acontecem muitas coisas importantes para trama das quais pularei e deixo para vocês assistirem um dia, mas vou logo para o momento em que eu desidratei de tanto chorar. Já no final Shug diz que se apaixonou por um carinha lá, e diz para Celie que vai viajar, mas que volta, e Celie vai e canta uma das músicas mais lindas e verdadeiras que existe:

Depois de tanto sofrer, apanhar da vida, ela conseguiu finalmente chegar num nível de amor próprio. Quando ela encontra a árvore que ela brincava com a irmã dela quando criança, pronto, foi de onde comecei a chorar e não parei mais. A platéia ia ao delírio gritando quando ela fala “I’m beautiful” todo mundo “yeaaaaaah girl!”, eu desidratanto total que nem conseguia falar e quando acabou a negona que tava do meu lado ainda me abraçou e ficamos os dois chorando lá. Não sei nem o nome dessa mulher, não troquei nem mais que 5 frases durante a peça, mas cara, que lindo que foi. Foi um dos momentos mais lindos que passei que lembrarei eternamente. No final ela até agradeceu o abraço (olha que coisa linda!) e foi embora.

A energia da platéia era algo assim, absurdo. Eu já vi de tudo, mas galera gritando loucamente como eu vi ali, nunca. Era “you go Celie!”, “daaaaaamn right!”, altos slangs de black bitch. Eu sai de alma lavada, chorando ainda que tudo aquilo tinha sido muito forte, mas pleno, feliz, leve. Sem menor sombra de dúvidas a minha melhor experiência teatral até agora.

Na saída olhei rapidamente uma lojinha que tinha lá, me segurando pra não comprar zilhões de coisas, e fui de volta para o ponto de ônibus que já tava quase na hora de sair. Era muita sorte, porque eu pegava o ônibus num horário que deixava no Busch Gardens faltando 10 minutos para o ônibus voltar para o Publix. Se eu perdesse o ônibus, já era. O caminho de volta eu dei mais uma cochilada ainda com as músicas na cabeça, com a sensação de felicidade plena, enfim, quem assiste um bom musical sabe o que é isso. Esse vídeo representa bem o feeling:

Cheguei em casa, ainda fiquei admirando o programa, quase descrente que aquilo havia acontecido. Detalhe que vi Young Frankenstein e foda-se né, não me tocou de forma alguma, mas the Color Purple foi exatamente o que eu sempre esperei, até mais. Dai chegou May e Danne pra me visitarem (pra deixar meu dia mais feliz ainda), fui jantar na casa da May e foi isso. Melhor dia de todos, sem dúvidas. Pela aventura, pela minha independência, pelo carão de se jogar, pela peça principalmente, foi tudo lindo. Ainda posso dizer que conheci Tampa.

No próximo episódio de Sakura Card Captors: Chefe Goofy no Contemporary, Goofy at the Hat, Vain, Frozone, Pulse, Wonderland.

The Color Purple terá sua estreia no Brasil ano que vem, acredito que em São Paulo. Quem puder, vá. Já começa a juntar dinheiro de agora. Se a montagem nacional for tão boa quanto a original (e tem tudo pra ser), lhes garanto uma experiência e tanto.

CategoriasAventuras, Disney

Dicas de um Ex-Character Performer 2010/2011

Eu comecei escrevendo meu diário mais para meus amigos lerem como foi e também para o grand finale que será tentar explicar o que se passou comigo em NYC, só que agora como existem futuros Performers vindo aqui resolvi dar uma breve pausa para dar dicas mais direcionadas que não darei nos episódios. Portanto, dedico esse post exclusivamente para os futuros Character Performers da Disney. Darei apenas as dicas que eu gostaria que tivessem sido dadas para mim, mas infelizmente aprendi da pior maneira possível (leia-se: levando esporro ou fazendo errado até descobrir sozinho a forma correta). Se vocês tiverem interesse em ler meu diário, bacana, mas não precisa. E se algum de vocês for fazer também, me avisem que vou adorar ler!

Treinamento: No meu ano não teve audição (e acho que não deve ter mais mesmo) então já começou com treinamento em si. Tente tirar o máximo proveito daquilo mas sabendo que nem tudo é tão levado a sério. As pessoas que trabalham lá a um tempo cumprem 30% do que é falado e olhe lá. O que eu acho essencial aprender no treinamento são as poses chaves e clássicas, as coisas que você realmente não pode fazer (tipo isso), onde fica o costuming/lugar de check in/etc dos parques (eles mostram muito rápido mas tente absorver o máximo, se não rolar sai perguntando que dá no mesmo!), tentar ter um tempo pra praticar os autógrafos (se não der também, isso é o de menos, eu aprendi no trabalho em si!), presta bem atenção como eles ensinam a carregar as coisas – vai parecer idiota mas faz total diferença, parece mágica! Só que eles ensinam isso em tipo, 20 minutos, super merecia uma dedicação maior. Eles ensinam as zonas certas e como carregar, você irá fazer um bem danado a sua coluna se seguir a risca. E o principal, tentar se divertir ao máximo! Ao mesmo tempo que é  mega cansativo, aquela vibe de trocar feedback, perguntar se fez certo, se fez errado, é só no treinamento. No seu dia-a-dia não tem isso, o que você fizer tá feito!  Aproveite que você tá na fase certa pra errar, depois vão cair em cima e nem ligam se é primeiro dia ou não…

Uma coisa que acho legal destacar também é que eles ensinam o P.A.S.S que consiste em: Pre-Show, Activity, Sign & Share, Snapshot & Send-off.

Pre-Show: Receber aquela pessoa. Na maioria das vezes é só dar tchauzinho mesmo, mas se ela tiver vestindo algo que dê pra brincar, se você sentir algo engraçado pra fazer, esse é o momento. É basicamente uma forma fofa de dar um oi.

Activity: Depois que você recebeu a pessoa, você ainda tem que fazer alguma coisa pra ela se sentir amada e especial. Com o tempo a criatividade vai fluindo, no começo é meio idiota, mas se você só apertar a mão, abraçar, já é considerado. Só que com o tempo você quer brincar mais e mais, e é ai que fica divertido. Flui naturalmente.

Sign & Share: Você tem que dar o autógrafo se possível com a criança vendo você fazendo, e sim, a maioria fica felizinha de ver só que existem lugares e casos que é impossível! Tem dia que te dão 10 bloquinhos e você tem que fazer tudo o mais rápido possível, sem condições de mostrar pra cada um, né?

Snapshot & Send-off: Tira foto (variando de pose de guest pra guest) dá tchau, vaza, próximo.

No treinamento você vai tentar ao máximo fazer isso, mas no dia-a-dia verá que é bem complicado. Principalmente no natal que as filas são imensas, se você ousar fazer isso com todos, você leva é esporro. Então se tá tenso, seja rápido, isso é o mais importante pra eles. Tem criança que vem correndo com o livro já aberto e esfregando na sua cara, você vai perder tempo querendo brincar com uma criatura dessas? Não, né? Assina, devolve, vaza. Muitos podem até pensar agora “que isso, jamais faria isso com uma criança”. Pois calma, calma que verás. Eu também nunca pensei que ia pensar em mandar uma criança ir tomar no cu, mas acontece, acontece… (e não, não mandei porque não pode falar, mas que lá dentro eu tava mandando, ah se tava!)

Costumes: Primeiramente o medo que todos possuem: o peso das roupas. É algo que seu corpo irá se acostumar com o tempo, questão de duas semanas no mínimo. O treinamento é intenso e eles não pegam leve exatamente para isso. É ir pro treinamento, chegar em casa e morrer. Não tem festa, não tem parque, vai depender muito do seu condicionamento físico e algo me diz que você nunca ‘brincou’ de ser personagem na vida. Não é que nem jogar bola, fazer natação, é ter uma cabeça e um corpo extra, requer tempo! Quem é Goofy então, prepare-se. O peso das nossas roupas é o dobro das de Mouse. Sei disso porque depois de um tempo eu já carregava a minha roupa e ainda ajudava a carregar de alguma menina Mouse e achava muito, muito leve. Com isso, no final do post dou dicas exclusivas para cada roupa que nós Goofy usamos. Dicas básicas que fazem toda a diferença e não, ninguém te ensina do jeito que ensinarei aqui.

No treinamento você irá trabalhar com no mínimo três personagens, mas você pode fazer muito mais que isso e existem roupas especiais no Natal, muda de location pra location, então cuidado redobrado na hora de ir pegar uma nova. Verifique se cada peça está presente. Enche o saco e pergunte da galera do costuming onde fica tal coisa, eles tão lá pra te ajudar e a grande maioria faz com o maior prazer (só não no Animal Kingdom!)

Quanto a roupa para ir trabalhar, você pode ir como quiser. Eu recomendo ir zoado. A maioria das pessoas vão normais, eu perdia meu tempo indo arrumado no começo mas pra quê? Você só fica com sua roupa normal no ônibus e chegando lá mesmo já tem que trocar. Depois de um tempo já ia até de pijama e é a melhor coisa que você faz, que assim não gasta roupa de sair pra ir pro trabalho e sim, você vai querer lavar aquela roupa depois de usá-la porque você a coloca todo suado e cagado.

Vans/Horário: Dependendo de onde você trabalhe, você pode ir a sua location de van ou a pé. Fique de olho nos horários, eles costumam ser bem pontuais e se você perder aquela, chegará atrasado sem dúvidas.

Eu era tão ruim com horário que sempre batia foto pra lembrar, tá ai um exemplo de como funciona. Veja que o primeiro set era as 10 da manhã e de 09:20 até as 10:00 você tem que arrumar a roupa, pegar a van (nesse caso nem fala ai que horas ela sai mas só era perguntar) pra 10:00 já tá pronto pra entrar em ação. Nesse caso era Woody no Magic Kingdom e eu lembro que pegávamos a van as 09:40 (20 minutos pra arrumar a roupa, se vestir, andar até a van) e ai é chegar lá, colocar a cabeça e ir dar e receber amor.

Cuidado também com suas black bags, deixem num canto que não dê pra confundir com outra, que não fique no caminho. Eu já peguei a roupa de uma pessoa por engano, então foco, foco! (é que eu dormi também, acordei na pressa hahaha mas tentem focar).

Performando: O principal segredo é fazer movimentos grandes. Exatamente por ter um corpo a mais, se você só se mexer de leve, não aparece. Tem que exagerar, tem que fazer movimentos bruscos. Não precisa ter talento de teatro, dança, nada. Eu não tenho e fiz numa boa, é só saber se comunicar usando seu corpo. Se alguém te faz uma pergunta e você sabe responder sem usar palavras, isso basta. Claro que existem perguntas impossíveis (um garotinho me perguntou quantos anos o Goofy tinha), ai você inventa qualquer coisa, aponta pro attendant, se vira. Eu teria ficado envergonhado e na esperança do attendant falar “ele tem vergonha de dizer” (quase um “ele é velho pra caralho!”  mais educado) mas essa criança ficou perguntando enquanto estava na fila e na hora dele em si tava tão chocado que não falou nada.

Uma vez eu estava de Frozone dos Incríveis e uma garota me chamou pra sair, eu falei que não podia, pois era casado. Eu apontava pro meu dedo simulando um anel e a garota era tão tapada que não entendia, dai não deu outra, acenei que não e dancei Single Ladies. Todo mundo riu e é isso, funcionou. Seja criativo, a graça tá toda ai.

Se você conhece o personagem que está fazendo, melhor ainda. Pense como ele, aja como ele. Você fica sabendo com antecedência quem irá fazer na semana toda, então se vier alguém que você não conhece, tente dar uma pesquisada no youtube. Existem fichas com informações desses personagens que ajudam também, mas você só vê na hora e aí fica complicado de ler na pressa e já ter que fazer. Eu por exemplo não fazia ideia de como agir como Brer Bear, li na ficha que ele curte música, é meio lerdo, então eu ficava dançando mas às vezes parava e ficava viajando. No fundo no fundo o guest vai te amar de qualquer forma, mas quando você faz seu melhor, com certeza você acaba recebendo mais amor ainda e no fundo você se sente bem, do tipo “fui foda, fiz meu trabalho decentemente”.

Se você está em parceria (tipo Mickey/Minnie, Goofy/Pluto, Woody/Buzz) tente trabalhar com essa parceria também. É complicado pois as pessoas que já trabalham lá a muito tempo não curtem, eles realmente ignoram sua presença ali. Mas quando são pessoas que curtem, que fazem por amor, ou que simplesmente fingem muito bem fazer aquilo por amor, seu trabalho passa muito mais rápido porque você começa a se divertir. É engraçado que tem gente que é um saco no backstage, mal olha na sua cara, mas no set brinca o tempo todo, vira o personagem mesmo. É a vida, melhor assim do que o contrário, acreditem.

E ah, se te pedirem pra dançar a Hot Dog Dance, é isso aqui (foca no personagem que você vai fazer, óbvio):

Magical Moments: Eles acontecem e muito quando você faz um trabalho bem feito. Como Woody eu presenciei um pedido de casamento e tudo porque houve interação. Vimos o botton de noivado, apontamos, perguntamos onde estava o anel, ela disse que não tinha ainda que só quando casasse, pá, o homem pediu ela em casamento ali na hora.

Se seus attendants forem fofos e vocês sentirem que eles não vão se incomodar em bater fotos, peçam. É a melhor coisa ter registro disso. Nesse caso nem é minha câmera, a Jessie pediu do fotógrafo o cartãozinho do photopass e ele deu. Se algo do tipo acontecer, peçam também. Uma vez eu fiz o Sulley do Monstros S.A e uma garotinha vestida de Boo foi nos visitar. Foi a coisa mais linda de todos os tempos, fui pedir o photopass mas a fotógrafa saiu e entrou outra, perdi, e até hoje me arrependo. Portanto, façam o possível para registrar. Vocês irão amar ficar vendo essas coisas depois que voltarem. Se o attendant for muito muito bacana, ainda peçam que filme. Eu poderia ter feito isso mas nem pensei, lá na hora, quando vira rotina, você esquece que um dia vai voltar e que aquilo que você até sofria fazendo vai fazer muita, muita falta. Tiveram diversos Magical Moments, chorei várias vezes, vocês vão amar essa parte. Existe parte negativa? Existe, mas o melhor é que você pode fazer a cara que você quiser lá dentro, ninguém vai ver.

Breakfast/Dining: No treinamento eles não te ensinam como fazer, só te dão um papel com algumas dicas e é isso. Tecnicamente é esquecer tudo que você aprendeu no treinamento. Como falei, eles ensinam o P.A.S.S. No restaurante existe o HSPB, ou seja, “Hello, Signing, Photo, Bye”. É exatamente isso, se você inventar de querer brincar você vai atrasar seu grupo, vai deixar seu back-to-back (pessoa que trabalha com você) puto, seu attendant vai ficar puto, e por aí vai. Claro que existem restaurantes que são tão mortos mas tão mortos que você não só brinca como inventa o que fazer, eu já cheguei a sentar numa mesa com a mulher e fiquei conversando enquanto ela comia, mas são exceções.

Minha maior dificuldade era em decorar as rotações do restaurante, pois uma coisa é você ir percorrendo aquilo com a sua visão, outra é com a do personagem. É muito limitada e existem pessoas, crianças, garçons, tudo conspirando pra você esbarrar neles. Então é muita informação pra processar e você não pode ir numa mesa que tenha garçom servindo ou que já tenha um character, dai você pula, e não pode esquecer de voltar depois. É todo um processo que com o tempo, se pega. Existem lugares que você vai odiar fazer mas outros que você vai amar de tão morto ou quando você já faz tanto que vira rotina.

Spare: É quando você é reserva, confesso que eu amava porque sempre tem aquele mistério “será que alguém vai faltar? Será que virarei um personagem aleatório?”. Minha dica nesse quesito só serve para os Goofies. Se quiserem fazer A Rainha de Copas ou o Baloo, peguem spare no Epcot e torçam pra ninguém faltar! Green Army Man (esse tem pra todas as alturas) spare no Hollywood Studios. Spare no Magic Kingdom é benção, pode vir tanta coisa que nem saberia citar! Eu dei sorte de ir parar numa Dance Party! Spare no Animal Kingdom é Brer Brear (outras alturas tem o brotherzinho lá do Irmão Urso e tal) mas se alguém faltar, é inferno na terra. Sério, Animal Kingdom é um lugar amaldiçoado e pode pergunta de qualquer performer que foi ano passado que todos vão te dizer que odiavam trabalhar lá.

Hora Extra: Essa é provavelmente a melhor dica que darei aqui. Muita gente vai pra curtir, eu fui pra trabalhar (até mesmo que nosso trabalho dá pra curtir e muito) e me revolto até hoje de ter descoberto tarde como pegar hora extra. Existem dois métodos:

A) The Hub. É um site que vocês irão acessar e muito por lá. Ele o EISS (que é onde você vê sua schedule da semana e podem ocorrer mudanças então verifiquem diariamente!), mas no The Hub é difícil pegar hora extra porque as poucas que aparecem somem rápido. Eu consegui umas duas vezes só, mas vale a pena tentar. Tem como pegar hora extra de outras roles até, mas eu que não quis. Como pegar vocês irão aprender na semana de treinamento, acho que no primeiro ou segundo dia! Se liguem na explicação.

B) Em todos os parques tem uma paradinha com as datas do mês coladas e papéis dentro de cada dia. É lá que vocês vão olhar e procurar papel por papel algum shift que dê pra você pegar. Achando um, você entra no computador e acessa uma área que vocês irão aprender no treinamento também e pronto, fazem a troca. O problema é, eles vão ensinar isso correndo no treinamento, foco, foco, muito foco nessa hora! (foco esse que eu não tive hahaha). Em alguns parques como Animal Kingdom e Hollywood Studios ficam em livros. Serve também caso você queira dar algum shift, é nesse mesmo lugar que vocês irão colocar. Eu sempre ficava olhando depois do trabalho, perdia uma meia horinha básica mas valia a pena.

Só que a melhor dica que eu posso dar é, essas coisas são velhas e ultrapassadas. Hoje em dia existe uma coisa chamada tecnologia. Eu ouvia toda hora os Goofies falando sobre um grupo que tem no Facebook onde a galera Goofy posta lá “quero trocar esse shift, blá blá blá, alguém quer?” e ai você troca na maior facilidade. Eu ouvi falar nisso tarde, tipo, já pra fevereiro. Então chegando lá, sejam cara de pau. Já chega perguntando para seus back-to-back se eles estão nesse grupo, se podem te incluir! Isso vai fazer total a diferença no seu programa porque se te derem shifts ruins semana após semana, sério, é um inferno e você pode estar perdendo shifts que amaria fazer. Assim, seu ICP que poderia ser fantástico não estará sendo por puro azar. Existem grupos para todas as alturas, novamente, sejam cara de pau, perguntem!

Finalizando: Muita gente vai te odiar por você ser CP (ainda mais brasileiro já que eles estão acostumados com os guests sem noção), sério, galera não escondia inveja ou ficava te achando metido por isso. Tem gente que é nojenta mesmo, principalmente os face characters que juram que são atores e só estão se aquecendo até de fato pisarem na Broadway. Eu cagava e andava muito pra essas pessoas, eu ia pra me divertir e via como um trabalho, ponto. Seja assim por uma Disney melhor. Se alguém falar mal do Brasil, ignora. Eu mesmo falava era mais mal ainda porque depois que você vê como os brasileiros te tratam, até você ganha ódio.

Bom, acho que não esqueci de nada, e se esqueci, no fundo vocês irão aprender sozinhos. Quem já foi Character também e queira contribuir, só adicionar nos comentários. Só desejo muita sorte, que vocês tenham experiências incríveis como eu tive, divirtam-se muito e apesar de todos os poréns, é uma role que amei fazer e muito! Andem com um caderninho e anotem depois de cada set as coisas engraçadas que vocês tiveram, eu lembro a maioria mas boa parte se vai no esquecimento quando a diversão vira rotina. Façam amizades com seus back-to-backs, alguns não irão nem querer olhar na sua cara, mas os que olharem, conversem. É a melhor coisa conhecer gente diferente sempre, eu pelo menos amei e tirei boas amizades disso. Qualquer dúvida, podem comentar aqui mesmo ou no Facebook que respondo numa boa. É isso, break a leg, have fun, luv, Goofy.

Agora darei dicas exclusivas para quem é Goofy mesmo. É uma delícia brincar com ele, é um dos personagens mais queridos, mas nós passamos por uns perrengues básicos também.

Goofy: Vocês são obrigados a olhar pro chão, sempre. Uma dica é sempre balançar a cabeça de um lado pro outro, assim você consegue ter um ângulo de visão maior. Só pode ficar meio tonto no começo, mas depois acostuma. A cabeça tem o neckfur (pele do pescoço) que é o que gruda sua cabeça nas suas costas. Se você tentar colocar isso sozinho fica muito mal colocado e sua cabeça fica balançando muito, tem quem prefira, mas eu preferia pedir pra alguém colocar (e eles sempre perguntam: how do you prefer?) e eu dizia “really really tight”, então eles puxam até alma e grudam no velcro nas costas, mas me ajudava muito porque eu sentia que a cabeça estava super fixa e não iria cair. Assim, me sentia mais à vontade de mexe-la loucamente. E ele tem muitas, muitas roupinhas diferentes. Sempre que você fizer uma nova, tente se arrumar com antecedência. Tipo uns 10 minutos antes de sair, porque na hora você pode descobrir que tem que abotoar coisas que você não precisava antes, e isso depois que coloca a cabeça, você mal consegue ver direito, então vai ter que pedir ajudar e faltando 5 minutos já tá todo mundo se arrumando e cagando pra você.

Existem cabeças com o chápeuzinho verde e outras sem! Confiram isso. Existem casos em que você nem vai precisar vestir a calça preta por baixa e sim só uma meia preta (como é o caso do Goofy normal), mas caso ele vista shorts e tal, ai é obrigatório. Outra coisa é a parte de cima, dependendo da roupa, se a manga não for muito curta, você pode só usar a luva. É uma dica legal porque quanto menos camada, mais fresquinho você fica lá dentro. O único local que eu trabalhei que era obrigado era no Tusker House, mas de resto, nenhuma manga é tão curta quanto.

Por fim, na hora de tirar a foto, a melhor dica é olhar um pouquinho abaixo do joelho. Nem pro pé, nem pro joelho, é tipo no meio da canela. E tente ouvir quem tá batendo a foto para poder virar a cabeça. Tem alguém com a máquina e o photopass, é complicado, mas é com o tempo. As vezes o photopass grita “over here!” e aí você vai pelo som.

Woody: É uma delícia, eu adorava fazer. Quem é mais bombadinho e fortinho vai sofrer porque o braço é bem apertado, tanto que se te machucar muito você pode comunicar que eles tiram isso da sua vida. Eu vi pessoas sendo reprovadas sendo que nem fitting tem. O único problema é que nesse caso você finalmente pode olhar no rosto das pessoas, mas ainda assim é pela boca dele. A boca fica grudada a distância de um cm da sua cara. É bem, bem perto. E minha maior dica é a seguinte.

A cabeça não é grudada com neckfur como o Goofy, mas tem um strap ali (juro que esqueci o nome em português) que você tem que prender. Na verdade você tem que pedir pra alguém prender, porque você sozinho não consegue. Só que deixe o mais curto possível, se ficar largo a cabeça fica bamba, você nem percebe a attendant te dá esporro. Deixe bem curto, o melhor é na altura do pescoço dele! Na hora da foto olhe pra câmera que fica direitinho.

Quanto a tirar a roupa toda, não precisa. Só é abaixar até o chão, trocar de basics, sentar e curtir seu break. Essa era a melhor parte. No treinamento vão te falar que não pode, é mentira. A não ser que esse ano todos os parques sejam tão nazistas quanto o Animal Kingdom.

Fera: Esse é o mais tenso de se fazer mas só porque não das as dicas. Ninguém te instrui, é impressionante. Graças a minha queridíssima Biancão (performer que conheci no meu programa) o que eu devia temer se tornou um dos mais divertidos. Você veste tipo como se fosse uma mochila. Tem o strap no meio que você aperta e é isso, mas a melhor dica é apertar muuuuuuuuuito e quase ficar sem ar, mas deixar bem apertado no peito. Sabe quando você diminui a alça de uma mochila? Então, coloque no mínimo. O peso todo da fantasia passa pra sua barriga, fica difícil de respirar um pouco, mas é questão de costume. Se você não apertar, o peso inteiro fica nas suas costas o que é muito, muito pior porque é bem pesado. E no camarim existem duas cabeças, vista uma e pergunte como ficou. Se ficar muito baixo, pegue a outra. É que uma é pra quem tem os ombros largos (como eu) e outra pra quem tem mais estreitos (eu usei essa e a Fera ficou do tamanho da Bela!)

Sulley: É parecido com a Fera, mas não precisa apertar tanto porque o peso é dividido entre os braços. Prepare-se para trabalhar e muito seus braços! Ficar levantando-os é bem complicado, minha dica é levantar pra foto, abraçar, dar tchau rapidamente pra descansar pelo menos por 5 segundos até falar com o próximo guest. Tem performer que tira foto com o braço no chão, eu acho feio, acho a pose dando susto fofa e se você tá lá pra isso, faça bem feito! Tem gente que vai até ouvindo música no Ipod, um absurdo! Por favor não sejam assim!

Capitão Gancho: É muito tranquilo, peso nenhum, só são muitas peças que você tem que pegar com o maior cuidado no costuming. Minha única dica é que a cabeça é muito pequena, eu coloquei com pressa e rasguei e me machuquei. E as vezes colocam umas paradas dentro pra quem tem cabeça pequena, tipo uns puffs. Verifiquem pra tirar porque se não seu olho não fica na altura do olho dele. De resto, amor eterno ao Capitão!

Baloo: Ele machuca bastante nos ombros, mas isso não tem como evitar, não tem truque nenhum (ou eu pelo menos não aprendi, só fiz uma vez mesmo). Só que é tão gostoso e as pessoas te abraçam de forma tão gostosa que você até esquece. Minha única dica é fique cantando mentalmente Bare Necessities e dançando, e claro, olhem pro chão pra não sair do lugar. Eu vivia migrando sem sentir.

Brer Bear: Eu achei tranquilo, é tipo o Baloo mas sem a dor nos ombros (ou não sei se porque já tava muito acostumado com a role que nem senti) mas é um saco que a mão dele é toda peluda, mal dá pra segurar as canetas. Não tenho bem dicas do que fazer não, é tranquilo porque o corpo é único, só jogar a cabeça por cima e tá ótimo.

Frozone: É com fitting e você tem que ser bem magrinho e cintura muito, muito fina. A roupa aperta muito, logo, fica visível e ele fica parecendo até uma mulher. Caso não passem, não fiquem tristes. É chato, mas é a vida. Quem passar, minha única dica é pegar emprestado as luvas do Capitão Gancho e usar por baixo das suas luvas de borracha. Tem que jogar talco para a mão entrar de tão apertado que é!

Mr. Incredible: Também é fitting e eu não passei, mas não passei por erro do costuming. Minha amiga Biancão havia me informado mas na hora eu tava meio bêbado, meio aéreo, sei lá, não tava ali de mente presente e só lembrei do que ela havia me falado depois que fui reprovado. É que ele tem uma pança extra, aquela barriguinha que ele tinha antes de voltar a ser o Sr. Incrível mesmo. Na roupa que me deram não tinha, dai me reprovaram porque tava muito magro. Quem tiver interesse em fazê-lo, preste atenção se ele tem a barriguinha ou não. No fundo eu gostei de ter sido reprovado porque são muitas camadas, o músculo aperta muito no peito, eu acho que iria sofrer fazendo. E quando fui reprovado, fiz o Sulley e só uma vez, ou seja, preferi até mais porque assim ao menos tive a sensação de ser o Sr. Incrível por questão de minutos.

Vocês também podem ser o LaunchPad McQuack (treinamento), Gênio (treinamento ou spare não sei em que parque), Green Army Men (spare no Hollywood Studios), Rainha de Copas (spare no Epcot) e Jafar eu acho bem difícil, mas sei lá né, você pode ter muita sorte. Como não os fiz, não posso dar dicas, mas ai vocês descobrem numa boa.

Basicamente é isso, se não for pedir muito mandem um beijo para o Rob (attendant, careca e fofo), Molly (Jessie, ruiva e linda demais!), Jeff (Buzz, branquinho, foda pra caralho como character) e Giovani (Goofy no Animal Kingdom, cabelo preto, tanquinho definido, se você for trabalhar no tusker House, ele deve estar lá!) e mais uma vez, divirtam-se!

Update: Agora eu faço parte do grupo dos Goofys no Facebook. Se você for se tornar, me avise que eu te adiciono lá!

Charles Fouquet.

Diário de um Pateta – Pt V: Natal em Família, Goofy Beach Club (Primeiro Breakfast), Trauma de Tusker House, Santa Goofy e o Ano Novo.

24 de Dezembro 2010

Acordei lá pras 11 e pouca e o Buzz não tava mais na cama. Levantei e ele já tava saindo pra passear com as cadelas e nem ia me avisar nada, imagina se eu acordo uns minutos depois? Ia ficar o procurando feito louco, não ia achar, ia sair correndo, chorando, louco da vida, bem cena de filme. Sou dramático sim, beijos. E o melhor, ele tava com uma calça de basics. Ele falou que já ia vestido de basics quando se atrasava. Depois dessa eu já sabia que o que havia acontecido na noite anterior foi coisa de one night only mes-mo. Saimos pra passear com as cadelas, o local que ele morava era lindo, como Orlando no geral. Tudo parado, verde, sol maravilhoso, cena de filme tirando que eu tava me sentindo estranho do tipo “fiz com esse cara mas foi tão ruim que putaqueopariu mas aqui estou eu brincando com as cadelas dele”.

Ele me deu carona até minha casa, no caminho ele conseguiu deixar o que já estava akward mais ainda, falando que ele não tava acreditando que tinha sido ativo na noite passada, que ele nunca se imaginou assim, minha vontade era de falar “na verdade você não foi, né?” mas relevei muito, meu presente de natal pra ele. Beijinho, tchau. Eu não tava arrependido, era um sentimento que eu não sei explicar. Do tipo “foi, não queria assim, mas foi”. Foi pior que no Despertar da Primavera porque nem de começo foi doce e feliz! Fui pra casa pois um peru me esperava e eu não sabia quantas horas se levavam pra ele ficar pronto.

Liguei pra minha mãe, ela me passou as instruções. Precisava de ingredientes pra temperar que eu não tinha, logo, Walmart pra que te quero. Véspera de natal e eu no Walmart, mas tudo bem, era por um bem maior. Fui mega rápido, comprei no modo the flash e voltei pra casa pra preparar. Algumas pessoas haviam me falado para filmar o processo, que ia ser engraçado e tal, olha, até seria, se não tivesse sido trágico. Eu sou uma negação na cozinha, e tudo, tudo tava beirando pro desespero.

Começo essa história voltando um pouco. Se tem uma data comemorativa que eu amo é o natal, não sei explicar muito bem, mas amo. Eu gosto de músicas natalinas, luzes, crianças felizes, eu demorei até pra entrar na vibe porque tava trabalhando muito mas só foi sair como guest no parque que você entra na vibe na hora. Nos backstages da vida só se ouvia isso:

Sério, Mariah Carey é praticamente a Simone deles. Mas né, prefiro isso que “hiroshimaaaa, nagasaaaaki”. Tocava também Baby it’s Cold Outside versão Glee, os personagens da Disney cantando músicas natalinas (o Goofy cantando Rudolph the Red-Nosed Reindeer é tudo nessa vida), a Mariah ano passado mesmo lançou uma música nova (Oh Santa! que é ainda melhor que a que eu coloquei), era loop eterno, mas eu amava. Adorava passear/trabalhar ouvindo aquilo. No Brasil é engraçado porque eu sempre tenho expectativa pro natal, mas é sempre ruim. Eu fico ansioso pra nada, minha mãe mais se estressa em fazer tudo em tempo do que curtir em si, a gente fica estressado por tabela, dai vamos pra casa da minha tia, ficamos em “família”, ganho um presente ou outro que eu nem queria, e é isso, mas sempre na expectativa de ser bom.

Enquanto eu fazia o peru eu tava muito, muito triste. Eu havia idealizado aquele natal como todos, mas por ser na Disney eu esperava que pela primeira vez pudesse ser como eu idealizava, mas não tava sendo. Eu me via assistindo o Mágico de Oz enquanto esperava o peru ficar pronto (na minha cabeça, com alguém me ajudando a preparar) e fechando a noite com muita felicidade, abraços e amor e se não fosse pedir muito, ouvindo e cantando RENT. Só que na realidade eu estava ali, apanhando de um peru que não ficava do jeito que eu queria, nem tinha certeza se ele ficaria bom ou não, sozinho (fui um dos únicos que conseguiu folga na véspera sem nem ter que pedir) e podendo muito bem tá num parque da Disney curtindo a vibe amor do natal mas não, em casa. Preparei, botei no fogão e fui é dormir pra tentar relaxar.

Eu acordava quase que de hora em hora pra ver se tava ficando bom, e não ficava. Juro que minha vontade era pegar aquela porra, jogar no lixo e pronto, foda-se tudo. Só que fui deixando. Mais tarde chegou o Ru e foi me ajudar. Se eu já o amava, depois disso é eterno. Ele praticamente salvou o peru. O fogão tinha duas opções lá e eu tinha ligado na errada, eu nem lembro os nomes (pra tu ver como eu usava aquilo com bastante frequência). Tinha só um lado do peru que tava bom, mas ele conseguiu salvar ele todo. Graças ao Papai Noel ele saiu cedo do trabalho! Porque se não… Foi ai que liguei o foda-se para as expectativas e fui curtir. Não era o que eu tinha planejado (como sempre) mas eu iria sim fazer daquele dia especial. Eu tava na Disney caralho! Tomei banho, coloquei uma camisa que eu comprei do Goofy (olhando agora ela parece até um pijama, mas na época eu achava linda haha) e fui pra sala esperar meus roomies amados chegarem. Era uma emoção a cada um que chegava, e foi chegando, foi chegando, não iriamos começar sem ter todos. O Lucas foi o último e chegou quase já 23:30, ainda foi se arrumar rapidamente para termos nosso natal em família 2910.

Flavio, Lucas, Phe, eu, Ru, Miguel.

O peru não ficou lá essas coisas, a pele parecia borracha, mas a carne em si ficou boa, todo mundo comeu, a galera de Fortaleza foi pra lá, foi lindo. Chegou a sobrar e eu jantei por uns três dias depois disso. No fundo eu queria um peru por isso, eu queria a representação de natal em família comendo um prato típico. Natal é família, e eu estava na família que me adotou em Orlando. Meus roomies amados e galera Fortaleza. Família a gente não escolhe, ela escolhe a gente. Se um de vocês está lendo isso nesse momento, só tenho que agradecer porque pela primeira vez na minha vida eu tive um natal. Sim, não foi o que eu esperava, mas foi tão bom quanto o esperado. Amo vocês.

O mais engraçado era todo mundo se dando de presente Ferrero Rocher. Eu não entendi o motivo disso até ir no Walgreens e ver que estava na promoção. Muito amor, não? hahaha. Era “Dinheiro no bolso, Ferrero Rocher!”. Não sei em que dia eu introduzi o Gato Mole na vida deles, mas esse vídeo fez história no nosso ICP:

Era nosso hit. Tovada todo dia, o Vista Way todo praticamente já conhecia de tanto que ficávamos cantando. Não é RENT, mas tão bom quanto, não? Depois seguimos para casa da Diva Marcela porque né, tirando o peru, nós não tinhamos mais nada! Mulheres serão sempre mulheres nesse quesito. E eis que o Gabriel (integrante da família Fortaleza) me surge recentemente com esse presente:

Juro que nem lembraria se não fossem os vídeos! Eu só lembrava que tinha sido bom, mas não disso. Obrigado Gabriel! Recomendo assistirem com fones de ouvido porque o áudio tá meio baixo. Ficamos nessa vibe do vídeo até tarde, vimos vários outros videos toscos no youtube e fui dormir porque trabalhava no dia seguinte.

25 de Dezembro 2010

Dia de Woody no Hollywood Studios, fui meio que esperando que não fosse meu Buzz, mas peguei um tão ruim e que tava doente, só ficava reclamando e fazia de tão mal jeito que me arrependi. Preferia o climão mesmo, ou talvez nem tivesse climão, ele era tão fofo que nem ia ligar pelo o que ocorreu (ou o que não ocorreu, né?)

Por ser natal, teve comida e tudo só que era numa salinha super num lugar difícil de chegar e eu, claro, me perdi. Só que eu nunca me perdi tão feio quanto dessa vez, pasmem, eu fui parar no backstage do the Great Movie Ride! Eu cheguei a entrar numa portinha e eu vi parte do cenário, o som do brinquedo! Uma moça foi lá desesperada perguntar quê que eu tava fazendo, falei que tava perdido e só queria a salinha da comida, dai ela me guiou. Almocei com outros performers, todos simpáticos, tinham uns attendants também e foi a primeira vez (depois do Rob) que tive a oportunidade de conversar mesmo com alguns deles.

Voltando ao camarim, tava passando o especial de Natal da Disney que eles filmaram no dia que fizemos o backstage no Magic Kingdom, lembram? Eu vi a maior parte (tirando as meias hora que eu tinha que ir trabalhar) mas juro que me emocionei vendo isso:

Eu tava na Disney no natal! Assistindo a parada de Natal da Disney! Sendo Woody, recebendo muito amor, dando muito amor. Demorou pra cair a ficha da felicidade, mas ali caiu. E quando uma attendant me viu chorando? Ela na hora “ai que lindo ver alguém que ainda tem esses sentimentos”. Morri de rir. As imagens da parada são da Disneyland, era muito engraçado ver o pessoal comparando as costumes, eles ficavam “nossa, cê viu? Lá eles tem não sei o quê!”, “nossa, milhões de vezes melhor que o nosso!”, e por aí vai.

Pra me deixar mais feliz ainda, quem surge no meu camarim? Biancão, linda, linda, linda. Ela era spare e virou o Green Army Man! Pedimos do attendant e ele bateu uma foto nossa juntos:

Eu amo essa foto porque é uma união um tanto inusitada, e bem, amo Biancão né, amo natal, não tem como não amar a foto também. Depois eu fui tirar foto como eu mesmo:

SALUTE!

Popular, she knows about po-pu-u-lar!

Antes de uma pessoa bater a minha foto uma garota pediu pra ela o autógrafo num post it! Bati a minha foto e falei “autógrafo em post it é foda em”, ela começou a rir e ai sai e fiquei admirando ela brincando com as criancinhas.

O melhor é que ela veio com um Buzz que era russo, uma gracinha, fofo que só o caralho, e ele tava num dia de spare bem agitado. Ele já havia sido alguma coisa que esqueci, Eeyore (o burro do Pooh) e agora seria Buzz. Três num dia só, tenso! Ele era tão fofo que perguntou como fazer, que nunca tinha feito antes, eu falei que a gente podia interagir brincando numa boa, falei o que meu Buzz fazia e tal, ele adorou. Super gente boa. Biancão realmente salvou meu natal trazendo bons fluídos e um russo fofo!

Ele não sabia pra onde ir embora, eu levei, pela primeira vez na vida eu me senti como veterano, sabe? Eu era ele ontem, e ali estava eu, sabendo o caminho, sabendo o que fazer e ajudando uma pessoa. Deu tempo só de ir no The Great Movie Ride (depois de ir no backstage, eu tinha que ir, né?). É sensacional, a parte do Mágico de Oz então… Como não amar? Eu tentei bater umas fotos mas ficaram todas horríveis (deve ter no youtube com certeza então procurem lá), a única que eu gostei foi essa que fica antes do brinquedo em si.

Cavalinho oficial do filme onde a própria deusa mor Julie Andrews sentou.

O parque fechou, voltei de ônibus com Paulinha conversando sobre possessões demoníacas com uma africana. Sim, só pra mostrar que os assuntos eram variados no caminho de casa. Cheguei em casa e morri na cama, afinal, eram 10 sets diários, sem condições de sair depois disso.

26 de Dezembro 2010

Woody de novo, só que no Magic Kingdom. A Jessie era uma loirinha com maior bundão, juro que nem sei como ela conseguia entrar na costume. Ela era meio fofa, mas meio amostrada também. Do tipo que quer mostrar que é foda naquilo, que é a melhor Jessie e tal, e desculpa, prefiro a Molly Diva. Mas gostei dela, até mesmo que foi com ela que presenciei um puta Magical Moment.

Imaginem a cena: Era a última família que iriamos falar (os attendants gritam “this is your last family!”) e veio um casal super fofo. Eles estavam com um botton de noivado e escrito 21 anos. Eu sei gente, 21 anos é um número bastante grande pra noivado, mas a vida é deles! Prefiro gente assim do que casar pra separar em seguida. Então como eu sempre fazia, batia palmas e tal, dai apontei pra mão dela perguntando do anel. A Jessie louca vai e puxa a luva da mulher, procurando o anel. Eu fiquei mega preocupado porque tava muito frio, se a mulher fosse grossa aquilo podia ter dado merda. E não precisava né, eu já meio que tinha perguntado, dai ela toda triste “não, ainda não tem anel, só quando a gente for de fato casar”. Eu fiquei “pronto, deixou a mulher triste”.

O cara chega em mim e pergunta escondido “vocês tem um tempinho?”, eu fui e balancei a cabeça que sim. Ele coloca a mochila no chão e começa a procurar alguma coisa. A mulher “omgomgomg”, chorando já, eu na expectativa fodida, dai o cara tira o anel da bolsa e pergunta “Arlene, would you marry me?” Foi tão intenso que até o nome da mulher eu lembro.  Comecei a chorar baldes (2ª vez agora) e fiquei chocado, passado em Cristo, todo mundo aplaudindo, dai ainda saímos com os dois pelo parque por uns três minutos, passeando, surreal.

Eu nunca pensei que presenceria algo do tipo, fazem isso com Mickey, Minnie, mas Woody e Jessie? Foi super o acaso mesmo. Aquele cara tava esperando o momento perfeito e nós provemos isso a ele. Depois que voltamos, ainda no caminho de volta, a Jessie grita “holymotherinheaveeeeennnn!!!!!” e eu “omggggggg!” abraçando ela, pulando, os dois mega felizes. As attendants passadas também, eram duas negras fantásticas e elas explicando pros nossos back-to-back porque demoramos e tal. A Jessie pediu um cartãozinho pro photopass e tenho registro desse momento lindo:

Sem dúvidas essa foto está no álbum de família dessas pessoas, o quão lindo é imaginar isso? Minha dica para quem passar por essas coisas, peçam. Eu infelizmente sempre fiquei ou muito emocionado ou perdia o photopass, mas por sorte essa Jessie fez isso por mim.

Aproveitei e fui assistir a parada de Natal abençoada da qual já comentei, inclusive coisa fofa, assisti com essa minha Jessie e meu Woody back-to-back; e a namorada desse Woody (uma outra Jessie) tava na parada e ficava mandando beijos pra ele, ai meu Deus, como lidar com tamanha fofura?

ABENÇOADA.

EU QUEEEROOOO!

MEU LINDO.

MEU OUTRO LINDO.

Tirei altas fotos, fiz o turista total, mas óbvio que escolhi só essas né. Era lindo ver pelo backstage e depois ver pelo olhar dos guests mesmo. O cara que fazia a Fera, nossa, ele ficava até o último segundo que ele podia sem vestir aquela roupa enorme. Sem contar que conversei com Mary Poppins e Bert, lindos lindos lindos! Pena que na hora que eu ia pedir pra bater foto, eles já tinham que ir. Mas eles eram perfeitos, super in character. Sem contar que amo a roupinha vermelha da Mary e o Bert de chimney sweep.

Eles lá no fundo!

Tecnicamente foi só isso novamente, fui pra casa meio acabado por conta dos zilhões de sets, só que no dia seguinte haveria inspeção do apartamento. Nas primeiras semanas eles falam que vão verificar se tá tudo limpo e tal, só que é ridículo porque é agendado, logo, nosso apartamento que não sabia o que era limpeza desde que chegamos só foi descobrir isso naquele dia. Eu fiz minha parte, varri e passei pano na casa toda. Não tinha ninguém em casa, mas deixei um recadinho falando que tinha feito isso e pra cada um organizar suas coisas. Feito isso, cama.

27 de Dezembro 2010

Era spare no Epcot as 6 da manhã! Como lidar? Sem contar que ainda não sabia, mas poderia ter sido a Rainha de Copas ou Baloo, mas não, algum Goofy faltou e eu virei Goofy Beach Club. É uma roupinha fofa, o sapato é mega confortável, o colete também, primeiro Goofy sem chapéu mesmo, curti. Só foi tenso porque era meu primeiro breakfast (café da manhã) e minha attendant quem era? Quem era? A maldita anã do olho de vidro que levou uma pá na cara. Ela é meio estupida, mas ainda viria a conhecer piores. Por isso nem pedi pra bater foto minha, mas pra ilustrar:

BAD, BAD FOCUS GOOFY.

O melhor é que a Minnie não só era Minnie como havia puxado hora extra de motorista de van. Sim, ela que nos levou até o restaurante. Como era minha primeira vez no local, a attendant sai com a gente e mostra como é a rotação. É questão de costume, mas no começo é tenso. Ela sai apontando mesa e falando “aqui, aqui, aqui, depois sai e vai pra lá, e aqui, aqui, aqui”. Só que existem vários imprevistos que te ferram. Se sua mesa seguinte tem um personagem/garçom, você tem que pular e depois voltar, e ai você já se desconcentra e se perde um pouco. É uma loucura e a attendant ao menos nos primeiros sets te salva se você parece muito perdido.

A parte bacana é, eles não te ensinam isso no treinamento. Eles te dão um papel onde tem as regras escritas e é isso. E claro, como sempre, metade das regras são ridículas e ninguém leva a sério. Lá diz que não pode sentar na mesa, todo mundo faz isso. Entre outras coisas que eu nem lembro porque mal li aquele papel pois já imaginava que ia ser que nem o treinamento, milhões de coisas aprendidas, nada posto em prática. E aqui é o completamente contrário, pegue tudo que você aprendeu no treinamento e esqueça! Dar amor? Não. É chegar, dar autógrafo, foto, tchau. É exatamente assim.

O melhor do dia é que antes da primeira rotação a attendant falou “fica ai que vou ver se já tem gente o suficiente pra você sair”, eu óbvio, fiquei esperando. Deu a hora que eu tinha que ir, mas ela pediu pra esperar, estava esperando. Dai a mesma Minnie que era uma porto-riquenha do caralho falando comigo em espanhol ainda “que quê você ainda está hazendo aqui? vá! vá!” e eu “a attendant falou pra esperar, tô esperando!” ela “mas já deu seu horário!” eu “eu sei, mas ela pediu pra esperar, eu espero.” Ela “mas…” Eu “mas nada, eu sigo as ordens dela, não as suas”. Juro que saiu muito, muito sem querer, é que de manhã eu não penso direito ainda, então também não tenho filtro. Me arrependi depois que falei, mas ela calou a boca na hora, a attendant voltou e ainda falou “tem pouca gente, bora aguentar mais três minutos” e ela com a maior cara de cu. Fiz uma inimizade quase que sem querer e essa vaca ainda iria pegar no meu pé futuramente.

Lá ainda tem uma rotação fácil, então depois de dois sets já tinha decorado perfeitamente, a attendant até me elogiou. O que salvou meu dia na verdade foi ver um momento Aretuza (sim, a garotinha vomitou na minha frente!), um garoto que tava tão empolgado que se entornou todo de Coca e claro, eles davam café de graça!

COMI O MICKEY!

Meu Buzz tava de Buzz naquele dia e eu queria uma foto com ele, eu falei que se eu fosse guest ia amar que ele fosse o Buzz, logo, aquele era o momento. O foda é que eu tinha puxado hora extra pro Character Spot na parte da tarde, mas dava tempo. Corri, mas deu tempo. Isso era no Epcot, logo fui pro Hollywood Studios pegando o ônibus de guest mesmo, fui pra fila e devo dizer que é uma outra emoção que bate. Pela primeira vez eu entrei numa fila de um lugar que já trabalhei, vendo crianças mega super hiper empolgadas para ver quem eu brincava de ser. A Disney é esperta nisso também, a fila leva uma hora, mas é uma hora que você fica brincando e se divertindo porque tem altas paradas pra tirar foto no caminho até chegar no seu objetivo. Mostro fotos disso mais pra frente porque voltaria naquela fila novamente.

Dai tá, bati foto com meu Buzz, inclusive, o photopass era o mesmo do dia em que nos conhecemos e conversamos e ele ficou rindo pra mim, do tipo “aham eu sei tá” e eu ignorando total. Ele era super amigo do Jeff e ele só iria vir a me contar depois.

O sexo foi horrível, mas eu ainda tinha um carinho por ele né. Ele ainda era fofo, divertido, engraçado, e foi meu primeiro. Acho digno ter uma foto, apesar de estar horrível. Olha meu cabelo todo nojento, eu fui tão correndo que nem penteei, malditas skullcaps!

E assim voltei voando ao Epcot (lugar que já estava e poderia ter enrolado no parque mas né, provavelmente não teria outra oportunidade de tirar foto com ele e de fato, não tive). Primeira vez que havia pego hora extra e dei conta do recado numa boa. Fiz Goofy no Character Spot pela primeira vez, aquele lugar que eu ia só pra cobrir o almoço na primeira semana, lembram?

Fazer parte do horário certo é muito mais tranquilo, você tem um cantinho destinado a você onde você coloca sua roupinha em paz, dá até pra dormir que ninguém te perturba. Eu adorei. Mickeys e Minnies odeiam aquele lugar porque as filas são gigantescas e eles são os primeiros, se a fila anda rápido ou não dependem deles. Com a gente é mais tranquilo, somos os últimos, logo, tem hora que até tem fila, mas tem hora que você não faz nada e fica dançando e zoando as pessoas que passam pelo espelho. Como era época de natal, não tinha muito disso não…

Um brasileiro era spare e deu a sorte de virar a Rainha de Copas, bati umas fotos com ele:

Eu nem conhecia esse performer direito, conheci nesse dia. Mal sabia que iria rolar treta e tudo mais, já já vocês verão.

Cheguei em casa como? Jornada dupla de trabalho pela primeira vez, tava podre. Fiquei feliz que passamos na inspeção que é muito, muito tranquila. Eles nem confiscam nada, olham por cima e vão embora. Cheguei a colocar algumas fotos no Facebook (primeira vez desde que cheguei lá! Usava muito pouco o computador, digo, pra essas coisas né. Só usava pra pegar hora extra e tal) e fui dormir.

28 de Dezembro 2010

Woody no Magic Kingdom e com a minha primeira Jessie (a loirinha de óculos bacana), meu back-to-back era o Rafa, o único Goofy brasileiro hétero (tirando a Biancão, óbvio) e eu não o conhecia. Eu simplesmente olhei de longe e perguntei “where are you from?” ele “Brazil” eu “ahá, sabia! tô ficando bom nisso!”. Depois de um tempo você realmente fica bom em sacar quem é brasileiro e quem não é. Eu falei muito pouco com ele, mas sabe aquelas pessoas que você gosta de graça? Então. Dava pra ver que ele era muito, muito gente boa. Sem contar que eu gostava de ver héteros trabalhando, era engraçado. Nós ficamos todo empolgados com qualquer coisinha, pra eles é um trabalho como outro qualquer. Não é descaso, é simplesmente um ponto de vista diferente e eu admiro e respeito.

Eu amei esse dia, foi bem tranquilo e aconteceu alguma merda que não lembro o quê que ficamos dois sets sem ir (isso acoplado já com a parada de natal abençoada) então deu tempo de assistir quase um filme inteiro que tava passando lá no trailer/camarim. “Easy A” o nome, o melhor é que no filme tem um cara que fazia o castor animador de torcida e tal, dai ele tira a cabeça do castor numa parte e a personagem principal fala “ouvi dizer que se você faz isso na Disney eles te matam”, todo mundo chorando de rir. O filme em si é uma comédia meio sessão da tarde, mas pra matar tempo é maravilhoso. Chorei muito de rir com essa cena:

Era meu último dia de Woody do ano, então fui comer no parque com essa Jessie pra comemorar. Uma linda. O melhor era eu “nossa, olha o tamanho daquele #1″ ela “you should eat it, come on, eat it, eat it, EAT IT!”. Como resistir? Gastei bem uns $15 num hambúrguer mas né, Jessie said, Woody does.

Passei no Premium Outlet que queria comprar umas roupas, mas descobri uma coisa: não sei fazer compras sozinho. É triste, solitário, ruim. Não curti. Fiquei meia hora e fui embora. Só valeu a pena porque fui numa loja e tinha um atendente loirinho mega fofo. Dai eu fui experimentar duas calças, ele foi lá na portinha perguntar se havia ficado bom. Eu abri e perguntei dele se tava, ele foi, me agarrou, começamos a nos pegar dentro do provador e… tá, mentira, hahaha. Ele só falou que tava bom, mas eu não gostei então nem comprei e fui embora.

Cheguei em casa, tomei banho, mesmos esquemas de sempre, fui dormir né, no que eu deito na cama recebo mensagem da Danne linda me chamando pra cantar no karaoke que tava tendo festa no Vista mesmo (de boas vindas que sempre tem), por muito pouco não levantei e fui, mas a preguiça falou mais alto e dormi num piscar de olhos.

29 de Dezembro 2010

Primeira vez que iria trabalhar no Animal Kingdom, finalmente né! Era spare mas futuramente iria descobrir que é raro não faltar alguém por lá já que é um parque amaldiçoado e repleto de pessoas malignas, pelo menos na área Entertainment. Logo, me deram o shift Goofy Tusker House e Santa Goofy. Eu iria pegar um trauma fodido e não sabia ainda.

Tusker House é um restaurante, logo, iria fazer outro breakfast. A roupinha é super complicada, o pior é que ele tem um chapéu que você só prende quando chega no lugar mesmo. Você pega a roupa, vai andando até o camarim (uma distância considerável até), entra pela cozinha, dai chega numa sala minúscula onde divide com Mickey, Minnie, Daisy e Donald, mal tem lugar pra você colocar sua roupa e fica todo mundo alfinetando o chapéu na cabeça. É tenso, voltei pro Brasil sem saber fazer aquilo direito, sempre pedia pra alguém. Eu tinha 15 minutos pra me arrumar, perdi 10 minutos só tentando colocar o chapéu e nem ficou tão bom assim. Depois tem que se vestir, e ele tem uns suspensórios super tensos de colocar porque você coloca depois que já colocou a cabeça, ou seja, não consegue ver direito, ninguém te ajuda, desespero bate, e é isso. Chega sua hora, você vai todo errado, mas vai.

Era minha primeira vez lá, chegou a attendant antes disso tudo e perguntou “how are you?”, eu disse que bem, obrigado. Esperei um tempo pra ver se ela iria me mostrar a rotação, quando meu back-to-back pergunta “você não vai mostrar a rotação pra ele?”, ela revoltada “mas eu perguntei se ele já sabia e ele falou que sim, muito bem!”, eu revoltado na vida “você perguntou como eu estava!”, ela “eu quis dizer a rotação, não ligo a mínima pra sua vida!”, eu “não é minha culpa se você não tem educação!”, pra quê? Inimiga pra vida parte 2. Ela foi me mostrar a rotação puta da vida, já tinha uns guests chegando então ela falou “irei te mostrar discretamente, não me segue!” quase gritando. Ela ia apontando mega rápido, era 7 da manhã, já tava revoltado, já tava querendo sair dali, mas era a vida…

Esse restaurante tem simplesmente a rotação mais tensa de todas, óbvio que eu não peguei de primeira, e ele é muito, muito cheio! Eu fazia da melhor maneira que eu podia, vinha a filha da puta e falava “você tá muito lerdo, imagina que tem uma foice nas suas costas, bora, corre!”, “você tá olhando muito pra cima” (claro né, não queria atropelar nenhum garçom!), “seu autógrafo tá muito devagar” (8 caderninhos empilhados, sou Goofy, não ninja!), desse jeito! Não aguentei, comecei a chorar como nunca. Por fora eu era só abraços, autógrafos, beijos, por dentro era uma choradeira sem fim. São só dois sets, mas de 50 minutos então é como se fosse uma eternidade.

A melhor parte vem agora, ela foi tão filha da puta que não me explicou o que eu tinha que fazer na metade do set. Toca uma música e você tem que parar tudo e correr pra uma salinha. Fazer o quê? Iria descobrir na hora. Fiquei olhando sem entender nada e tinha uma mulher com uma espécie de tamborim. Ela me deu, e gritou “agora vem todo mundo seguir o Goofy!”. Começa a tocar uma música e eu tinha que ficar chacoalhando aquela porra e pulando e dançando com as crianças me imitando. É divertido, bastante até, mas isso é no meio do set! Eu tinha mais 25 minutos pra dar autógrafo, abraçar, e eu lá dentro estava morto, suando feito porco, ofegante, querendo morrer. Outra, a pele do braço ficava presa entre o dedo indicador e o dedão, quando você chacoalhava meio que queimava, doía muito dar autógrafo depois daquilo! Quem quer que inventou isso, nunca foi character sem dúvidas!

Pois eu volto, querendo respirar, tomar água, e a filha da puta volta com grosseria, me perturbando baldes. Eu falei “se não for pedir muito, dava pra você me dar pelo menos 10 minutos só pra mim? É minha primeira vez aqui, não tô bem mesmo!”. Ela foi pro meu back-to-back que era um lindo, tesudo, gominhos mais definidos que já vi na vida (mas tava tão abalado que nem isso me motivava) e falou “ele só fez um pouco da metade da rotação, dá pra você terminar o resto?” e ele foi né. Na volta ela super vadia fala “ai, só você mesmo, te amo” e um “bora!” pra mim.

Mais um set de tortura, ela me perturbando, sério. Dá raiva só de lembrar pra escrever aqui. Quisera eu não ter feito aquilo antes, não sei se ela implicou comigo por aquilo ou porque é uma mal-comida mesmo, mas queria matar. Lembro o nome até: Crystal. Tenho pesadelo até hoje. O mais engraçado é que a galera Mickey/Munk odeia o Crystal Palace (um outro restaurante tenso lá), mas nós Goofys não vamos pra lá. Logo, eu tinha a minha Crystal particular. Foi sofrível, nunca pensei que passaria por algo do tipo, mas me senti humilhado, massacrado, e ainda tinha mais um set a cumprir.

O tal Santa Goofy é cobrir o almoço de quem tá sofrendo no Camp Minnie Mickey onde iria trabalhar em breve então relato melhor depois, mas uma merda sempre cobrir almoço. É tudo muito corrido, sem um espaço digno pra você, e você vai no embalo e nem tem cabeça de improvisar muito com os guests, você faz o básico e tá ótimo. Como eu era spare e ainda faltava um tempo pra dar meu horário, ainda me jogaram no costuming pra ajudar. Eu tinha que ficar ajeitando headgears (ferrinho que colocamos na cabeça), chinstrap (pro queixo), eu lá, fazendo isso e chorando. Parecia a Cinderela sem ratinhos pra ajudar. A moça perguntou se eu tava bem, eu falei que tava emotivo só. Coitada né, nada a ver ficar desabafando com ela. Eis então que chega meu muso, meu divo, meu herói, meu back-to-back que me salvou. Eu fui agradecer que ele tinha feito mais do que ele supostamente faz porque eu não cobri a rotação toda, ele falou que imagina, que sabe que lá é complicado mesmo.

Ele viu que eu tava meio chorando, dai falou “ignora aquela vaca, ela já foi escrota comigo também quando comecei, agora eu trabalho lá 4 vezes por semana, por isso sou bom”. Eu “quatro vezes por semana? nossa, você é um herói!”, ele riu e até me ajudou um pouquinho. Ele além de lindo, um fofo. E novamente: tanquinho mais definido que já vi na vida! Naquele momento eu já tava no mood de poder admirar. Lá na Disney quando alguém faz algo que você fica muito feliz e tal e quer retribuir de alguma forma, você pode dar um fanatic card. Eu não sei ao certo a quantidade, eu acho que é isso, mas ele dá um ponto positivo (ou mais? ou menos? não lembro) pro record card, algo assim. Só sei que quem trabalha lá e ganha, fica mega feliz. Logo, era questão de honra dar para ele. Ele realmente me salvou muito e conseguiu me deixar felizinho. Nem sabia o nome dele, mas falei lá pra captain procurar, ela achou, era Giovani. Única fanatic card que dei na vida, mas muito bem dado.

Cheguei em casa destruido mais emocionalmente que fisicamente, lá é tudo mais intenso que aqui na vida real. Sobre isso eu falarei no último post com certeza. Era como se essa attendant tivesse sei lá, xingado minha mãe. Phe lindo percebeu isso e me levou pra fazer compras. Eu fui pra comprar roupa, mas acabei comprando três tênis lindos que tavam na promoção. Ó que lindo, compra três, um sai de graça e o outro com 50%. Só isso já tinha me deixado feliz. Ainda tentei comprar calça, mas novamente, não consegui. Merece um post melhor falando sobre futuramente também.

Cheguei em casa, fui pra casa da Biancão desabafar, ela me deu amor, me atualizou sobre sua vida, e foi isso. Mas peguei trauma, trauma!

30 de Dezembro 2010

Dia do shift mais intenso de todos por conta do natal: Santa Goofy no Animal Kingdom, o tal do Camp Minnie Mickey que eu fiz o lunch coverage no dia anterior. Sente como é, você entra as 08 da manhã e sai as 21h! São 13 sets, 13! Era tenso, muito tenso. Lá pro 10º seu corpo já tava pedindo arrego e você ia total trabalhado na força do espírito santo, porque força física mesmo, zerada.

O que animou meu dia foi que vi o Gio lindo salvador da pátria (ele cobriu meu almoço) e ele veio todo sorridente agradecer o fanatic card e eu “nossa, já te deram? que rápido! imagina, realmente it meant a lot to me, blá blá blá, quero te dar, dá dá dá dá dá dá dá”. Só que no geral o dia todo em si foi um saco, eu odeio o Animal Kingdom com todas as minhas forças. É um lugar pesado de se trabalhar. Primeiro que ele tem uma frescurada do cacete pra entrar, tem que descer no estacionamento, andar, passar por uma porta lá que tem que passar o seu cartão, pegar outro ônibus, chegar no ponto, andar uma ponte (só gostava dessa parte porque cantava Mulan) andar pra caralho até o costuming, pegar a roupa, andar até o lugar, começar a trabalhar. Segundo que as pessoas que trabalham lá devem odiar tanto isso que descontam nas outras pessoas. Nunca vi tanta gente mal comida num lugar só! Uma das piores era a Jane, uma attendant que falava mal de tudo, tu-do. Ela enchia meu saco de todas as formas que conseguia encontrar.

Como já disse, no treinamento a gente aprende que não pode sentar com a roupa, mas todo mundo faz isso. Adivinha logo com quem ela vem reclamar? Eu, claro. Falam também que não pode ficar descalço, eu estava mas estava sentado! Não tava pisando no chão. Ela não inventou de reclamar? Agora a melhor parte, vamos dizer que meu horário era de 03:00, depois 04:00, e assim vai indo. Como lá nós temos que andar até nossa tendinha (e a do Goofy era a 03) ela queria que todo mundo saisse mais cedo, tipo 02:50, 03:50 pra dar tempo. A galera das antigas barraqueando com ela, eu fui o único que obedeci e ela não veio querer dizer que eu tava sempre me atrasando e que se eu continuasse assim ela iria me denunciar pra minha captain pra ela me dar um reprimand? Não xinguei, já havia aprendido que se eu fizesse isso, era pior. Então eu me arrumava 15 minutos antes e ficava lá, brincando no matinho, fazendo porra nenhuma só pra essa escrota me deixar em paz. Ela me elogiou depois disso? Nada, era minha obrigação aparentemente. Deve ser tão chato trabalhar lá que ela inventa formas de se divertir infernizando os outros, certeza.

Eu acho que choveu no dia anterior, só sei que a minha tenda tava molhada no chão e tinha tipo uma laminha. Eu estava de Santa Goofy e tem partes brancas na roupa. Eu fiquei no dilema “me abaixar e sujar ou ignorar esse detalhe e continuar limpo?”, pensei pelo lado Disney né, “não, tudo por amor, porque se sujar faz bem, as crianças precisam disso”. Nunca vi tanta criança pequena, Jesus, eu tinha que me ajoelhar sempre. No começo demora pra acostumar e seu joelho fica roxo, mas depois passa. Fiz uns três sets o cara vem e fala “olha, tá muito óbvio que tá mudando de Goofy porque você tá sujo e o outro limpo, vai pegar uma roupa nova”. Eu perguntei “e quando eu voltar, não me agacho?” Ele “ah, fica de cócoras”. Eu só fiz rir, e ri na cara dele, do tipo “não, eu tenho uma coisa chamada coluna que se eu foda-la, ai que não trabalho mais aqui!”. Depois que troquei a roupa fiquei simplesmente ereto até aquela porra secar e ai sim eu voltar a dar amor aos pequeninos.

Lembram da Mickey cheerleader que trabalhou com a Re Luz no meu primeiro dia no Visa? Ela era a Minnie nesse dia, só que back-to-back então só falava com ela quando já tava voltando. Era o último dia dela lá, então tava chorando horrores. Eu fiz um magical moment pra ela. Enquanto ela foi fazer o último set, eu escrevi uma cartinha e coloquei em cima da mochila dela. Escrevi algo do tipo “Como a vida é engraçada, não? Você esteve comigo no meu primeiro dia, e aqui estou eu no seu último. Não lhe conheço direito, mas sei que você agora já faz parte da memória de muitas e muitas pessoas assim como essas pessoas fazem da sua. Continue assim na sua vida como quem você é, que com certeza magical moments como esse irão acontecer sempre”. Era algo assim, mas tão brega quanto o que eu escrevi agora. Deixei e fui embora. Não sei que reação ela teve, mas no fundo sei que deve ter ficado bem feliz porque eu no meu último dia tava destruído também.

A única sorte desse meu dia foi uma japoquinha que era Mickey ou Minnie e me ajudou em todos os 13 sets. É chato não ter ninguém conhecido porque você tem que encher o saco de alguém pra puxar a pele do pescoço e colar na corcunda, e ela fazia super de boa, sem fazer cara de cu nem nada, agradeci ela baldes no fim do dia. Pensei até em dar fanatic card, mas né, bora deixar para momentos ainda mais lindos. Saindo de lá fui com o Fabinho (encontrei no caminho, deve ter sido Baloo provavelmente) diretamente para o Magic Kingdom pois eles iriam fazer os fogos da virada do ano, só que tecnicamente eram os fogos da virada para o pré-ano novo, mas né, melhor que ir pra casa. Ele tava todo “ai, mas tô sujo” e eu “querido, você vai se sujar lá também! Ninguém sabe”, joguei um perfurminho nele e pronto. Foi até engraçado que ele encontrou uma amiga que trabalhava na entrada do parque e ela “nossa, tá cheiroso!”.

A Raissa era quick-service (galera que trabalha com comida sem ser em restaurante) e tava fazendo a festa pegando comida de graça. Ela conseguiu duas turkey legs pra gente, cada um comeu uma, ainda voltamos e pegamos outras e guardamos na bolsa pra comer no dia seguinte. Cúmulo da pobreza mas super útil. Fomos pra frente do castelo assistir os fogos. Lindos, lindos, dai virou e o DJ grita “happy new year’s eve everybody!” Motivo pra se comemorar coisas é o que não falta.

Fabinho, amigos quick da Ra, Ra, Nat, cara intruso sem noção.

JEEEJAAAAAAAAAAY!!!1111

Começou o pancadão e ficamos nessa vibe até 2 da manhã! Sim, não bastava ter trabalhado das 08 as 21, tinha que ficar dançando até mais tarde! Não sei de onde eu tirava forças, mas tirava e me diverti horrores. O mais legal é que boa parte dos performers estavam lá, geral dançando, se divertindo. Eu cheguei a por um momento fazer todo mundo me seguir, fiz trenzinho que foi crescendo, crescendo, crescendo, devia ter uns 100 ali. Uma noite memorável, sem sobra de dúvidas. E voltar para casa com esse povo também era algo que não tinha preço. Íamos apertados, zoados e acabados, mas numa felicidade sem fim.

31 de Dezembro 2010

Tecnicamente era meu dia de folga, mas eu tava na vibe “money money money, must be funny, in a rich man’s world”. Peguei a mesma hora extra do dia anterior. Preciso agradecer a Beatriz que me acordou, ela era Donald no back-to-back, mas conversando no New Year’s eve lá ela me falou que ia trabalhar também no Animal e me mandou mensagem perguntando onde eu tava, que o ônibus já havia chegado. Sou ou não sou uma pessoa de sorte? Daria ainda mais sorte porque a Danne tava de Mickey e uma gringa fofa que fala português, Sara, tava de Minnie. O sotaque dela é a coisa mais linda de todos os tempos. Dali já sabia que o dia não seria tão ruim quanto o de antes, e muito pelo contrário, me divertiria muito!

O meu back-to-back era o performer que tinha sido a Rainha de Copas no dia que eu tava no Character Spot, só que ele foi muito, muito estupido. Ele chegou perguntando “foi você que separou cada peça do Santa Goofy lá no costuming?”, não entendi a pergunta mas na hora pensei que ele estivesse falando da minha roupa, porque eu sempre separava mesmo peça por peça pra facilitar na hora de vestir, respondi que sim, pra quê? Ele estupidamente responde: seu idiota, perdi horas no costuming juntando tudo! Momento pausa: sim, agora eu havia entendido. Eu peguei o último set completo bonitinho de Santa Goofy e ele teve que pegar peça por peça. Respondi na mesma altura “ahn? claro que não! Pensei que tava falando da minha roupa, porque sabe, eu tenho coisas mais importantes pra fazer do que chegar mais cedo no costuming, pegar a sua roupa e ficar dividindo peça por peça só pra te dar trabalho”. Ele “ah tá, desculpa” mas já era, já tinha pego raivinha. O costuming do Animal Kingdom é cagado mesmo, consegue ser tão ruim quanto a galera de Entertainment de lá.

Oh, I get by with a little help from my friends.

Perceba que meu foco não tá perfeito, mas é que tinham duas attendant e eu foquei na errada. Pensei que ela que estava com a máquina. Foi um dia bacana e o ambiente já na tendinha era tranquilo. As filas não eram tão monstruosas levando em conta que ainda era uma fase meio de natal, tinha um carinha que ficava tocando violão e improvisando músicas com os guests no parque e eu me divertia só de ouvir. De vez em quando ele falava “vai visitar o Goofy, olha ele lá!” e eu ficava pulando de alegria e ele ria, tentava procurar por ele mas nada, não fazia ideia de onde ele estava. Era uma voz do além que me divertia, tava de boa com isso.

Claro que a Jane tava lá, só que dessa vez eu tinha Danne e Sara linda para ficar falando mal dela em português. Comecei a chamar ela de macaca (Jane é o nome da mulher do Tarzan, mas ali ela tava “com a macaca”! Duplo sentido horrível, mas na hora pareceu engraçado). Ela cismou com a Sara também, falando que ela tinha que tirar o piercing e blá blá blá, ela ficou revoltada mas não tirou e deixou por isso mesmo. É sério, essa mulher realmente tentava destruir a felicidade alheia. Nesse dia ela não conseguiu. Eu era tão irônico que na hora de sair até soltei um “happy new year, may all your dreams come true” e ela “amen”.

Depois de um tempo ainda surge o Fabinho que era spare e virou o Brer Brear (o urso da Splash Mountain). Eu chorei, mas chorei muito de rir. Novamente, mais uma prova que o costuming do Animal Kingdom é nojento e vive tendo alteração. Eles mal cuidam das roupas, tanto que o Fabinho colocou uma cabeça que tinha uma aranha dentro! Só vejo ele voltando correndo grintando “tira! tira! tira!” em português mesmo, de tão desesperado que tava. Dai só escuto “ai amigo, tinha uma aranha ai!”. Sério, chorando de rir! A galera pedindo desculpas e ele todo trabalhado na diva, admirei muito.

Meu dia ainda teve uma pérola fantástica pra fechar lindamente meu último shift do ano. Uma neguinha chegou e pediu meu autógrafo, dei né, dai ela vai e fala “are you Goofy?” toda no black bitch attitude. Gente, automaticamente me desceu uma negona que eu só fiz black bitch com a mãozinha. e por dentro fazendo a cara e tudo, e a mãe dela começou a rir respondendo “claro que é o Goofy, ele só está disfarçado de Pateta Noel!”. Foi nesse momento que eu percebi o quanto eu já tava ficando in character, sem nem pensar, meu corpo processou algo imediato à resposta da garota. E funcionou, tanto que a mãe entendeu e riu.

Fui embora com Danne e a Sara ainda tinha que fazer o ACG (uma espécie de fechamento do parque onde ela fica em cima de um carrinho balançando pom pom e é isso), no meu schedule tava escrito que eu faria aquilo também, só que eu procurei me informar antes e a mulher entrou em desespero porque o Goofy tem que ser treinado. Enquanto o Donald e a Minnie balançam pom pons, ele fala altas paradas e tem que mexer a cabeça no tempo, dai não podia fazer. Ela arranjou alguém lá em cima da hora pra me substituir. Fomos pra casa, marcamos de nos encontrar rapidamente porque já tava tarde (lembrando que saimos as 21h) e não queriamos perder a virada do ano, né? Tomei banho, coloquei uma roupinha ok e fui. Todos os performers já estavam no ponto, só que o Fabinho que mora no Chattam se atrasou, dai preferi esperá-lo e ela esperou comigo. O que foi uma coisa ótima porque nos divertimos muito!

Fomos para o Epcot (já que já havíamos visto os fogos do Magic Kingdom) e para isso temos que pegar o monorail (é tipo um trenzinho mas que anda num trilho que fica suspenso) e o nosso “vagão” estava todo vazio então já fomos no embalo fazendo pole dancing básico. Danne ainda deu uma massagem maravilhosa nas minhas costas, tive orgasmos múltiplos. Chegamos lá já era 23:30, por aí, corremos mas os fogos já iam começar.

Decidimos parar onde estávamos então, Canadá. Tava muito, muito lotado, era um martírio conseguir andar. Começou cedo porque os fogos seguem uma ordem fofa, eles fazem os fogos na sequência dos países que já tiveram a virada até que quando faltam uns 10 minutos pra virada deles, começa de fato o show de fogos em si. Antes ainda tem um IllumiNations especial, e falo sem brincadeira nenhuma, nunca mais verei sequência de fogos tão linda ou impactante quanto aquela. No final o céu inteiro fica branco, tão branco que tudo ao seu redor tá iluminado como se fosse dia. Foi mágico.

Quem não tiver saco pra ver tudo, só joga nos minutos finais pra ver do que estou falando. Sério, Copacabana nunca mais, né? Pensei “Adeus Ano Fouquet, e obrigado por tudo” e abracei meus lindos Danne e Fabinho desejando tudo de bom.

Danne queria que sua primeira refeição do ano fosse na França, fomos acompanhá-la e ela ainda pagou pra todo mundo, uma linda! Ninguém levou máquina (na correria de se trocar) mas fiz um registro pelo celular:

Com efeitinho do Instagram porque tinha saido escura.

Fomos tentar dançar um pouco, mas tudo acaba as 2 da manhã, não deu muito tempo mas adorei de qualquer forma. Ficamos passeando pelos países, sério, duvido muito um ano novo melhor que esse também. Pelo menos não nesse meu presente. A oportunidade de passear por vários países, ver pessoas bebendo, pulando, felizes, teoricamente num parque da Disney? Não tem preço.

No próximo episódio de Power Rangers Ao Resgate: Goofy Dinoland, Captain Hook meu amado, meu primeiro Dining e Spare Brer Bear.

CategoriasAventuras, Disney
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.134 other followers