Diário de um Pateta – Pt XI: Últimos dias, Grand Floridian, Disney Quest, Sea World, Valentine’s Day, Último Wishes.
Finalmente cheguei a minha última semana em Orlando. Por muita coincidência estamos em novembro, exatamente um ano em que parti para essa viagem mal sabendo tudo que passaria e como minha vida estaria completamente diferente agora. E se ela está assim, completamente diferente, é devido em grande parte a essa última semana que vos relato agora.
10 de Fevereiro 2011
Era meu último dia de Woody e havia checado no sistema que seria com o meu Buzz. Eu estava muito animado porque eu adorava ser o Woody e queria mesmo fazer na última semana como despedida, ainda caiu de ser com o meu Buzz que foi o meu primeiro também, nos dois sentidos possíveis. Confesso que nem sabia qual seria minha reação ao vê-lo. Se ficaria feliz, se me sentiria estranho, mas fui. Eu havia mandado mensagem falando que ele teria uma surpresa, dai quando ele me viu na sala de warm-up já falou algo do tipo “tava torcendo que fosse isso! Quase dei call sick porque tô meio resfriado e blá blá blá mas pensei que poderia ser isso e vim”, dai pronto, já fiquei feliz só de ver que ele tava muito de boa mesmo eu tendo furado com ele horrores. Principalmente fiquei mais feliz ainda pois ele ainda era aquele mesmo ser fofo que eu havia conhecido.
Eu não queria falar que tava saindo com outra pessoa, e acabou que nem foi preciso. Ele era tão fofo que o fato dele estar resfriado já era um motivo pra gente não se beijar e ele mesmo falou isso. Eu normalmente cagaria e ficaria com a pessoa mesmo assim (inclusive já fiz isso), mas né, simplesmente perfeito pra situação. Foi um dia bem emotivo pra mim. Emotivo e cansativo. Fazia tempo que eu não trabalha lá, não lembrava que eram tantos sets seguidos e nos últimos eu já tava morrendo, mas tive umas visitas tão bacanas que só fizeram desse dia lindo mais do que memorável.
Primeiro foi a Erika linda, da qual dessa vez eu tive o prazer de ver né, diferente do Pirate Goofy.
Ela fez a guest padrão com a bolsa da Tommy. Se tivesse ido com casaco da GAP, levaria um soco na cara e eu me recusaria a tirar a foto. Iza e Mari Rio me visitaram, mas elas foram duas vezes, uma comigo sozinho e depois com o meu Buzz. Por isso deixarei por último e falarei primeiro da May que me proporcionou um magical moment tão lindo que merece ser contado com detalhes.
No meu penúltimo set antes do almoço eu já a vi do lado de fora pela janelinha, ela fez um sinal do tipo “aguarde, no próximo eu vou”. O tempo no backstage passa tão rápido que quando me dei conta, já era pra voltar. Pois voltei e ela foi uma das primeiras. O “aguarde” dela na verdade era um “aguarde que irei te fazer desidratar seu filho da puta”. Chegou quase chorando, segurando um papel dobrado que tinha “De: May / Para: Woody”. Então ela abriu e eu vejo isso:
O desenho dela com o Woody e a letra de “You’ve Got a Friend in Me” que agora está devidamente pendurada no meu guarda-roupa. Enquanto eu lia aquilo eu chorava tanto, mas tanto, que no final já não tava conseguindo enxergar direito. Peguei o papel e fiquei mostrando pra attendant, pro photopass, pra todo mundo que tava ali e devo a ter abraçado zilhões de vezes. Não tenho nem palavras direito pra expressar a emoção que foi na hora. Uma coisa tão simples, singela, mas que naquele momento conseguiu ser maior do que qualquer presente que eu poderia ter pensado em ganhar.
Eu fiquei o set inteiro ainda chorando. Ela continuou me esperando do lado de fora e de vez em quando eu ficava olhando com as mãos no coração para ela. Quando acabou eu só fiz voltar mostrando o desenho pro meu Buzz e ele “omg, that’s so amazing. She better come back when I’m there!”. Eu ainda pensei em sair pela portinha como Woody pra dar um outro mega abraço nela, mas eu seria atacado por crianças loucas sem menor sombra de duvidas. Foi a razão falando por cima da emoção no último segundo. Me segurei e fui voltar a ser Charles antes.
Sai já dando um mega abraço apertado, agradecendo feliz da vida e fomos passear rapidinho pelo parque. Ficamos com a Iza também, ainda fomos tentar tirar foto com a Nat de Handy Manny mas a attendant não deixou (é num restaurante e pra tirar a foto tem que ser guest). De qualquer forma fomos passear e por ser no Hollywood, eu sempre amava.
Eu morro com essas fotos de fugidas do trabalho porque eu consigo claramente ver minha cara de acabado, basics disfarçadas como roupa e lá no parque para os guests eu era no máximo alguém com um gosto duvidoso para roupas ou nem isso se for levar em conta o que muita gente de fato vestia para ir ao parque.
Depois dessa companhia maravilhosa, voltei pro tronco chorando quase todo set por algo que acontecia. Primeiro foi a volta das minhas lindas Iza e Mari Rio:
Iza além de ótima visitante, ainda tira as melhores fotos. Eu trabalhei lá e se não fosse a foto, não saberia que o Woody fica em cima da cama. Mesmo. O mais engraçado foi no final quando ela pediu pra tirar uma foto só dos dois (ela tinha mania de tirar até do personagem sozinho!) e eu fiz essa pose ai em cima. Ela queria uma pose Woody e Buzz, mas eu não contive e tive que fazer Charles Woody e o seu Buzz. Ela só saiu de lá gritando “que viaaado!” e eu chorando de rir. Eu cheguei a beijar o Buzz, colocar o pézinho no alto à la princess pose e tudo mais e a cara da minha attendant era de “whathahell?!” mas acho que só o photopass pegou e eu não peguei as fotos ainda, a Iza fica enrolando pra me mandar! Ela só me mandou essa que mostra que eu fazia o P.A.S.S direitinho:
Ela com cara de quem tá confiscando se tá direitinho, vê se pode? Depois disso ainda ganhei um desenho do Woody de uma criança mega hiper blaster fofa:
E pra terminar o dia, no último set o meu Buzz me surpreende dançando tango comigo. Eu, morto, acabado, já desidratado de tanto chorar o dia inteiro, e ele ligado no 220 em seu modo espanhol. Ele é uma pessoa muito querida da qual lembrarei sempre com carinho (apesar daquela parte fail que não preciso relembrar) e antes de cada um seguir seu caminho na vida, tirei uma foto para registro.
Ele parece uma menina, né? Passividade define. Me pergunto agora se eu tava numa seca aloprada, se o fato dele ser fofo afetou, se era só eu querendo realizar o que deu inicio ao Ano Fouquet, tudo junto ou algo que desconheço. Nunca mais falei com ele desde então. Ele me deu o email (outro que não tem Facebook) só que eu me esqueci. Era alguma coisa com crazyfordogs@email.com, mas né… Acho que eu ia brochar de escrever um email sempre que lembrasse que esse era o endereço.
Eu comprei uma mochila do Buzz e pedi pra ele autografar. A do Woody parecia ser muito brega, peguei a do Buzz mas me arrependi logo em seguida (sou complexo), mas enfim, uma das mochilas mais estilosas que tive na vida (apesar de ser visivelmente para criança). Eu alternava com a outra do Mickey e sempre recebia elogios pelo caminho, me sentia como né? Aqui no Brasil ainda não usei, acho que meu espírito Woody aflorado renega.
Saindo de lá esbarrei muito ao acaso com o Tyler. Era tanta coisa acontecendo que eu realmente me esquecia de quase tudo. Nem vocês devem lembrar direito, mas é o garoto do meu training, que o Vini me falou dos babados lá que ele ficou uma vez com um amigo nosso, se apaixonou crente que era namoro, dai ficou revoltado quando o viu com outro. Ele tinha me mandado aquela mensagem no Facebook querendo saber se eu ia sair, eu nem respondi nem nada, e assim ele deu a entender que eu tinha o ignorado de graça. Fui convincente ao falar que estava perdido no tempo, ele riu e me deu uma carona de volta pra casa. E foi ai que fiz minha boa ação do dia e fui ator fora do trabalho (habilidade essa que cumpro de vez em quando).
Como já disse, ele já havia me dado carona no seu carrinho amarelo lindo e fofo, só que daquela vez eu nem tinha sentido que ele havia dado em cima de mim. Agora seria a minha vez, mesmo não querendo ficar com ele, eu daria a entender que queria ficar com ele e caso ele retribuísse, inventaria alguma coisa que até então estava ainda processando. O motivo pra isso? Sei lá. Parecia divertido na minha mente, e a cena em si foi muito engraçada. Sim, sou perturbado. E no fundo, queria que ele sei lá, meio que visse que brasileiro não é tão whore assim (muito embora seja) e que existem excessões blá blá blá.
Eu comecei falando que tava numa loucura sem fim, que o programa já tava acabando e que o trabalho acabava tomando o tempo vago que eu tinha e assim muitos podiam pensar que nem ele, que eu tava ignorando, mas não era. Ele falou que entendia e tal, que pra ele era diferente por ele morar lá, dai eu já fui “pois é, se eu morasse aqui eu não ia nem querer só sair com você, eu ia querer te namorar sem dúvidas”. Ele sem reação, do tipo “whaaaat?” e eu continuando “mas como não rola, prefiro nem começar algo que teria potencial de ir muito além de só uma noite”. Silêncio básico e ele responde “really? pensei que você não me via com esses olhos…” e eu respondo lindamente “via desde a semana de treinamento, mas nunca te falei porque pensei que não teria chance, só bem depois que criei coragem era tarde pois fiquei sabendo que você ficou com o *amigo*”.
Ele falou que foi um erro, que foi uma vez só, eu já sabia mas ficava respondendo com “juraaa?”. A partir dai rolou um papo super eu puxando a bola dele que no fundo, era bonito mesmo, só não era muito meu estilo, mas meio que fazendo um magical moment sem ele perceber. Quando chegamos em casa, ele respondeu “se eu não te ver mais, saiba que foi um prazer te conhecer e essa foi provavelmente a melhor carona que já dei na vida”. Respondi “Pode ter certeza que foi a melhor carona que já peguei, mas me prometa não tentar pensar no que teria sido, e sim, no que você poderá e terá no futuro com alguém que te merece”. Dei um beijo e sai. Mereço ou não mereço Oscar?
Agora ele trabalha como Chef num dos restaurantes lá. Também não falo muito mais com ele, mas curto alguns status que ele posta (descobri agora que ele também curte musicais) e consequentemente, ele curte alguns dos meus. Aparentemente ainda solteiro, mas espero que um dia ele arranje alguém e venha me falar “sempre acreditei no que você falou!”.
Cheguei em casa, tomei banho, dormi um pouco até ser acordado pelo meu verdadeiro amor de verão. Ele tava me chamando pra ir assistir filme no lugar onde ficam os computadores. Eu nem sabia que podia ver filme lá, mas fui só pra ficar com ele mesmo. Estavam Loren, Sarah (a americana que eu também achava que era australiana e conheci no mesmo dia que conheci Loren e Cody) assistindo Peter Pan. Eu odeio Peter Pan com todas as minhas forças, o filme filme eu acho mais chato ainda, mas só estando com alguém que você goste muito que você acaba descobrindo que consegue fazer coisas que nem imaginaria ser possível só para estar perto daquela pessoa.
Não satisfeito, ele coloca um filme da Queen Latifah super antigo que eu assisti nos meus tempos de cursinho de inglês em que ela é ex-presidiária e fica na casa do Steve Martin (outro que não me desce). É um filme tão ruim que eu lembro que na época que eu assisti eu nem tinha critérios ainda para achar um filme ruim ou não e ainda assim eu já tinha achado horrível. Assistir aquilo novamente era simplesmente deprimente. Mas eu olhava pro lado, via aquele ser lindo me fazendo carinho, colocando pipoca na minha boca, eu ria olhando pro band-aid que ele colocou pra tapar os resquícios do meu chupão, ele jogando M&M em mim, que pronto, o filme não importava.
Depois de reclamar com ele sobre a péssima seleção de filmes só por encher mesmo e de me despedir de Sarah e Loren, fomos a casa dele onde pretendiamos assistir Inception no seu laptop. Pretendiamos, mas claro que não rolou. Foi mais algo nesse nível:
Só que eu super recomendo Inception, assisti quando estive pela última vez em São Paulo e nossa, fazia tempo que não sentia tanto nervosismo assistindo algo. Foi até bom não ter visto lá que não teria dado a atenção que ele merece. Nem tinha como. E a trilha sonora é foda mesmo, isso pelo menos eu já sabia desde Orlando.
Ainda liguei pra Diva Marcela depois em busca de festa, novamente não encontramos, mas fomos parar na casa de uma das gêmeas lindas onde teve aquela festa bafônica e Vini Tigger estava lá, ficamos bebendo e discutindo/analisando músicas de Rihanna que aliás, faz parte da minha trilha sonora ICP. Toda música pop que eu ouvia em boate e amava se eu fosse conferir, era da Rihanna. Praticamente todas do CD dela que se eu escuto, sou só mix de saudade com vontade de levantar e dançar loucamente. Depois segui com Cody para meu cafofo 2910 para um segundo round e dormir.
11 de Fevereiro 2011
Havia combinado de ir tomar café-da-manhã no Grand Floridian com Mari Rio e SP e suas roomies. Eu até então não havia comido em nenhum restaurante da Disney se quer. Nem fazia questão, mas fui nesse pela companhia e pra ver como é a visão de um guest num restaurante com Characters. Antes de ir, não resisti e fiz uma brincadeira fofa com Cody. Como estavamos ambos pelados, peguei a roupa dele jogada no chão e vesti no Stitch. Olha que coisa mais linda:
Chegamos super cedo, o hotel do restaurante é super bonitinho e o restaurante em si também. Tiramos foto com Pooh, Tigger, Mary Poppins (por coincidência a que eu peguei carona no dia que fui Fera), Chapeleiro e Alice. Ficamos do começo ao fim porque fomos pra comer eternamente. Minha geladeira era só pão, powerade (o energético que os characters ganham de graça) e four loko. Eu comeria ali o suficiente pra sobreviver o resto do programa inteiro. Você pode repetir quantas vezes quiser por um preço único, então vale muito a pena.
Como já disse, fui mais pra ver como é a visão de um guest quando se tem characters e no caso era um restaurante tranquilo só com dois fur characters. Foi engraçado perceber quando era um Pooh e quanto era o outro, mas coisa que só a gente repara, os outros (inclusive pessoas na nossa mesa) não faziam ideia. Eu sinceramente achei foi um saco ter que ficar levantando pra tirar a foto, mas as pessoas em geral curtem. Eu já me indagava se iria curtir quando via aquelas mesas lotadas de gente e tinha que esperar aquela cambada levantar quando trabalhava, mas é, definitivamente não é pra mim.
Seguimos de lá para o Property Control (era no caminho, por que não?) e eu comprei umas coisinhas básicas incluindo um trocinho do Peter Pan que tocava You Can Fly. Tava custando $10, acho que foi o que me fez comprar porque novamente, eu odeio o Peter Pan! Tinha o Capitão Gancho tentando enfiar a espada nele, acho que isso pode ser um motivo também. Depois, fomos pra casa deixar as coisas. Eu só fiz entrar, largar tudo e vi o Stitch já pelado só que um com detalhe no pescoço. Peguei e era o band-aid do chupão e nele escrito “I’ll miss you Charlie”. Pra quê, né? Lá estava eu caído no chão e chorando. Fiquei bem uns 10 minutos, até me tocar que já tava atrasado e sai correndo. Nós tínhamos uma entrada de graça pro Disney Quest que fica no Downtown Disney, por que não ir? Eu queria pelo menos ir uma vez em tudo e foi bem o que fiz.
Confesso que esperava mais, os brinquedos são meio patéticos mas como estava com a May, Mari Rio e SP, deu pra se divertir bastante. Valeu a pena pelo brinquedo de dança. Sim, aquele brinquedo de dança que tinha nos shoppings da vida. Aquilo faz parte da minha adolescência total, adorava dançar naquilo e gastava todo pouco dinheiro que tinha. Dancei horrores com May, de suar e ficar tão nojento quanto dentro da costume, e reviver esses momentos já fez valer a pena ter ido.
Depois seguimos direto para casa da Mari SP que resolveu fazer o jantar e o que era pra ser algo super pequeno, se transformou no evento. Todo mundo chegando, a gente chamando várias pessoas, incluindo o affair da Mari SP e o Cody. Só que eu fui ver o que ela estava fazendo e era praticamente arroz e feijão. Eu falei “o quê? eu convidei o amor da minha vida pra comer isso? no fuckin’ way!”. Fui correndo com a May no Walgreens e comprei uns troços lá que juro que nem lembro o que era, mas deu pra juntar e ficou bom. O Cody também amou e me falou depois que voltei pro Brasil que adotou arroz e feijão pra comida do dia a dia dele.
O mais engraçado era todo mundo falando “ai, ele é lindo!” “ai, ele é fofo!” “arrasou!” e eu rindo sem saber como reagir a isso. Eu nunca tive um namorado na vida, e agora tava tendo um (mesmo que com data de validade) que todos achavam fofo e amavam. Principalmente eu. E ele realmente era, não ficava tímido com ninguém, saia conversando e aturava minhas brincadeiras idiotas. Ria comigo e de mim, o que acho fundamental. Era felicidade plena.
Sai de lá mais uma vez feliz e o que já era bom, só ia melhorando com o tempo. Por mais brega e clichê que soe, sexo não era mais fazer todas as coisas que podem ser feitas e gozar, era mais. Era se conectar, entender as coisas que o outro curtia, fazer pelo prazer do próximo e isso em si te dar prazer também. Ele não é o tipo de cara que se eu visse na rua eu falaria “hmmm eu quero”, mas ele era tão fofo, tão sei lá, tão especial que era melhor que isso. Podia nem ser amor, mas aquilo me bastava.
12 de Fevereiro 2011
Era dia de Goofy Swan Dinner, shift mais tranquilo do mundo que eu amava fazer, mas eu tinha ingresso pro Sea World e se não fosse nesse dia, não iria mais! Portanto combinei com meu roomie amado Phe que me acordou e fomos só nós dois. E como já esperava, foi incrível.
Fomos bem cedo então fizemos tudo que tinha pra fazer. Tem uns showzinhos bem ruins, outros bem legais, é um parque mais família e pra quem curte ver pinguins, ursos, seres aquáticos e etc. Eu achei mega fofo e ainda tem dois brinquedos fodas que é o da Manta e o Kraken. Depois que terminamos o parque todo nós fomos fááárias fezis, bem umas 8 em cada. Um frio do cacete e a gente indo nesses brinquedos. Turista é assim mesmo né.
O melhor foi que fomos muito sem querer num que jogava água. Eu queria matar o Phelipe na hora por aquilo porque ficamos encharcados no final, morrendo ainda mais de frio, mas agora eu só faço dar risada lembrando da gente gritando com o povo que queria ver nosso sofrimento. Haviam maquininhas que colocando 50 cents dentro, cairia água na gente e as pessoas estavam pagando e eu gritando “NOOOOO, PLEASEEEE DON’T DO THAT!” e eles se acabando de rir e pagando os malditos cents.
Em alguma das minhas conversas com Cody eu perguntei qual animal ele mais gostava. Ele respondeu otter. Eu não sabia o que era isso, então perguntei e acabei descobrindo que é lontra. Ele chegou a me mostrar um vídeo no celular dele super fofo. Era um parque aquático, então imaginei que devesse ter pelúcia de lontra. Tinha. Comprei uma super fofa para dar para ele no Valentine’s Day. Tava me sentindo muito idiota por aquilo, mas o Phe mesmo me falou “você não tá gostando dele? não quer dar? então dê!”. Entre repetir os brinquedos, nós também fazíamos maratonas até o locker sempre pra pegar alguma coisa e dessa vez foi a última para deixar a otter lá dentro.
No fim do dia eu não sentia mais nada, tava morto de frio (e reparem que eu fui de bermuda!) então só fiz chegar em casa e me jogar no edredom! Confesso que era bom dormir logo também que assim não ficava ansioso esperando meu lindo chegar. Ele sempre ia e me acordava. Minutos depois estavam lá Marcela, Paulinha, Jeejay e Loren para uma festa particular, ai era acordar, beber, conversar besteira, sexo, dormir. Como não amar dias assim?
13 de Fevereiro 2011
Meu último dia de trabalho no Epcot e era Goofy no Character Spot. Confesso que estava com saudades de lá, isso até de fato chegar lá. Saudade essa que era pra ser utópica e não foi. Eu gosto de pensar que essa é a mesma saudade que eu sinto de querer voltar pra Disney, mas sobre isso conto mais detalhadamente pro final do post.
Eu nunca havia sido do grupo 1 e achei muito engraçado porque somos nós que abrimos o parque. Eu aprendi na hora, Biancão já havia mencionado mas eu já até havia esquecido. Nós temos que sair, dar um tchauzinho básico pra galera que já está na porta só esperando o parque abrir (momento fama total e as pessoas vão a loucura com você), quando a contagem regressiva chega no três tem que voltar correndo e aí assim que abrir pessoas loucas irão correr e o primeiro grupo que chegar ao Character Spot ganha uma foto com todos os personagens juntos. Um grupo de japonesas loucas ganhou e ficaram me puxando loucamente e eu só rindo por dentro. Depois cada um segue pro seu spot e pronto, dia normal.
Pelo menos achei que seria um dia normal, mas aconteceu tanta coisa que nossa. Um grupo de brasileiros (pra variar) arranjou um auê tão grande que voltando de um dos sets, uma attendant chorava como se não houvesse amanhã. Eu que normalmente não conforto pessoas (nem as que eu conheço, quem dirá desconhecidos) fui lá, dei um abraço, falei que não era pra ela se preocupar, blá blá blá. Era a segunda semana dessa attendant então meio que dá pra entender. Eu falei que era brasileiro mas que a maioria que vai pra Disney é a parte estragada e consegui faze-lá rir no breve intervalo que tive.
Depois disso eu voltei num set e a mesma attendant estava branca de tanto pavor. Fui ver o que era ainda de Goofy e ela disse que o outro Goofy teve um problema na costume e não ia poder ir e ela não sabia o que fazer. Eu confesso que tava morrendo de suor, mas né, coitada, falei “eu posso ir de novo nesse set e depois ele compensa com dois?”. Ele aceitou, logo, eu fui e ela com cara de “não acredito que você vai fazer isso”. Foi mais tranquilo do que imaginei porque meu corpo já tava bem acostumado, mas no começo eu provavelmente teria morrido. Ela morreu de agradecer e eu super de boa. É incrível o que o tempo lá não faz com você.
Saindo de lá, como já estava no Epcot, resolvi visitar Loren no trabalho que ficava numa área super idiota que eu nunca tinha ido e chegando lá eu só fiz comprovar o porquê. Innoventions ou algo do tipo o nome, bem pra criança retardada mesmo. O melhor foi eu chegando e olhando pra costume e falando “nossa, que linda” e ela “não precisa mentir, sei que é ridicula” e eu “é… realmente…”. Ela falou que o Cody também tava trabalhando (normalmente ele trabalhava a noite mas naquele dia o shift era na parte da tarde) então fui lá visitá-lo.
Ele trabalhava numa das lojas perto do Duffy Bear (o urso ridículo que a Disney “adotou” pra fazer pessoas idiotas gastarem mais dinheiro) e a costume dele era mais fofinha, uma camisa com várias bandeiras dos países. Ele tava tão lindinho lá e ficou todo feliz quando me viu. Eu ainda brinquei com ele. Tinha um cara lá trabalhando com ele que se chamava Javier e eu fiquei brincando que ele me traia com ele e que eu ia dar o troco. Fui com o tal Javier procurar algo pra comprar e fiquei enrolando dizendo que ia comprar uma cueca samba-canção ridicula que tinha lá mas falava que o tamanho pequeno ainda era muito grande pra mim. Cody quase morreu de tanto rir no fundo e eu me sentindo numa cena de As Patricinhas de Beverly Hills. Incrível como a Disney te deixa patético.
Tava indo pro Hollywood Studios sozinho mas na saida do parque encontrei Mari Rio, Júlia (uma amiga dela super fofa que acabou virando minha amiga também já na reta final) e mais alguém que tava no jantar da Mari SP. Elas iam só fazer algo rapidinho no Epcot e também iam para o Hollywood, então acabei seguindo com elas, fomos de novo na loja do Cody (porque elas também já o amavam como eu) e ai sim fomos para o Hollywood.
Ainda tinha atrações que eu não havia ido, consegui ir em algumas e ainda pude me despedir do Fantasmic. Provavelmente a melhor atração de todos os parques da Disney na minha opinião. Chorei do inicio ao fim só relembrando de quando eu sentei ali pela primeira vez sem nem saber o que viria e agora já sabia cada detalhe decorado e ainda assim era tão mágico quanto da primeira vez.
Fui pra casa me arrumar para última House of Blues. Fui com Cody, Loren (detalhe que na agenda que uso como guia tá Jordan haha), Sarah, Diva Marcela e Phe! Como já disse no último post em que fui lá (que sinceramente não lembro quando mas faz tempo) eu não curtia muito o ambiente, mas claro que com esse grupo e four loko na veia, foi diversão na certa!
14 de Fevereiro 2011
Meu último dia no Hollywood Studios de Frozone. Adorava ser, adorava o parque, mas era muito, muito triste acordar todo dia e ter que deixar essa criatura na minha cama:
Eu colocava o despertador uma hora antes (coisa que como vocês bem acompanharam aqui, não fazia sozinho de jeito nenhum!) só pra ficar cuddling e conversando, com uma finalização digna com sexo quando o Phe não estava (que nessa reta final, era quase sempre!). Era Valentine’s Day então o fiz fechar os olhos para dar minha otter de surpresa. Ele ficou todo feliz, me disse que tinha uma toda ferrada que a mãe deu quando ele era criança e ele tinha até hoje (e de fato me mostrou depois) mas que aquela era mais linda ainda e ele guardaria pra sempre com ele. Foi tanto amor (com sexo) que perdi a hora e mais uma vez, cheguei atrasado.
Eu não sei se o povo que trabalha no Animations lá (área do Frozone e cia incluindo os randoms) é fixa ou não, mas era o mesmo grupo de attendants/captains da última vez que havia trabalhado lá e eu mal cheguei e eles já vieram me perguntar se eu dessa vez eu havia levado a costume inteira! Eu só fiz rir e falar “sim sim, agora eu sei e conferi três vezes antes de vir pra cá!”. A Sra. Incrível era a mesma que trabalhou comigo no meu primeiro dia, mas ela tava com o Sr. Incrível enquanto eu estava… sozinho. É, passei o dia inteiro sozinho mas no fundo foi divertido. Eu podia interagir mais, fiquei quase que por conta própria, inventava várias coisas e sentia que os guests estavam gostando.
Uma garota do braço quebrado chegou a pedir se eu poderia se o Valentine dela, dai eu respondi que não era solteiro. Só que eu apontava pro dedo e ela não entendia. Dai eu apontei para mim mesmo, fiz um não e fiz com a mãozinha e o pescocinho o passo de Single Ladies. Todo mundo na fila começou a rir. O melhor é que eu saia do set, ia pro intervalo e tinha zilhões de mensagens do Cody e eu só ficava respondendo e já tinha que voltar de novo. Americanos amam text messages, tipo, o tempo inteiro. Eu como tava todo apaixonadinho adorava.
A Sra. Incrível no seu último set me fez uma surpresinha fofa. Ela me deu um pacotinho de balas que vinham com recadinhos fofos de Valentine’s e na capinha tinha “De: Ms Incredible / To: Frozone”. Achei aquilo tão fofo, ela era muito foda. Eu cheguei a provar as balas depois e são piores que os feijõezinhos do Harry Potter, mas enfim né, o que importa é o gesto e na hora eu fiquei todo abobadinho.
Cheguei em casa, tomei banho e fui passear com Loren, Sarah e a piranha da Ella. Antes passamos rapidinho na casa da Nat Teco que era aniversário dela. Iamos jantar no Applebee’s para comemorar o Valentine’s (acredito que todos já saibam mas enfim, caso tenha um desavisado, lá fora o valentine não precisa ser namorado em si – melhores amigos também se considera) só que estávamos esperando o Cody chegar do trabalho. Ele chegou depois e fomos. A atendente era a mesma do dia que eu fui com a família Fortaleza, foi tudo ótimo e tranquilo. A essa altura eu já não era mais o mesquinho que tinha que economizar pra NYC, eu nem sabia quanto eu tinha mas eu não conseguia não gastar estando com eles. A companhia deles era linda demais pra eu ficar recusando porque não podia gastar, simples assim. Que passasse fome em NYC, ali com eles eu não iria.
Dai tá, estou voltando pra casa e puxo o Cody pra ir comigo e ele fala que vai depois. Eu “como assim depois? vamos logo!” e ele falou “eu só quero falar algo em particular com a Loren rapidinho, eu vou depois” e eu “tá, tá” e fui né. Cheguei em casa e todo mundo sorrindo olhando pra mim, eu sem entender nada até que entro no quarto:
Sério, como lidar? Eu cai no chão que nem da vez do band-aid sorrindo, todo bobo com aquilo. Um tempinho depois o Cody chega e eu só faço jogá-lo em cima da cama e começar uma pegação frenética entre os chocolates, pétalas e o Stitch. Tá que logo em seguida o Phe bateu na porta e tivemos que parar, mas sério, se eu tinha alguma dúvida que eu tava começando a gostar muito dele, ali foi resolvido na hora. Só que com isso vinha um problema: teria um fim, um fim muito próximo.
15 de Fevereiro 2011
Era pra ser reserva no Animal Kingdom, mas Biancão havia dado call-sick e ela tinha o shift de Goofy no Camp Minnie Mickey. Eu já faria isso no dia seguinte (inclusive, último shift do programa) então simplesmente não queria ir para aquele lugar demoníaco. Também dei um call-sick lindamente (no total tendo três durante o programa todo, palmas para mim) e pude pela primeira vez dormir e acordar com o Cody. Sem o momento triste de deixá-lo para trás.
Ele acordou e abriu um sorrisinho e disse “que bom acordar e te ver aqui”. Ai, como não amar? Ele só ia trabalhar a tarde então pude passar a manhã e o inicio da tarde com ele. Biancão até me chamou pra ir fazer umas últimas compras (precisávamos de um casaco forte para NYC) mas não teve jeito, acabei ficando com ele. No começo do dia, ainda na cama, ensinei ele a contar em português:
No vídeo dá pra ver melhor como ele era, nas fotos ele sempre sai diferente! Ele já sabia falar “oi, tudo bem?” mas queria mais coisas pra poder impressionar os guests brasileiros. Ele pegou super rápido e eu achava ele falando português a coisa mais fofa do mundo. Depois ficamos conversando, mas só lembro que eu falei algo sobre sentir saudade do Phe e ele falou “mas vocês vão se ver no Brasil”, eu falei que ele morava em outro estado dai ele “mas ainda assim não é perto?”, tive que mostrar o mapa do Brasil pra ele que só fez um “woah, realmente é grande, não fazia idéia”.
Cantamos Elephant Love Medley do Moulin Rouge como se não houvesse amanhã (estávamos sozinho em casa, óbvio – e nem sei como não filmei isso), realizei meu sonho de sexo na cozinha (sorry roomies – dançar na bancada na primeira festa não foi a única coisa que fiz ali), fiz miojo pra dar de almoço pra ele sendo que ficou uma grande bosta e fomos para casa dele fazer outro, dai tomamos banho juntos, conheci o roomie dele que queria ser performer mas era maior do que eu então no máximo seria o Darth Vader, fizemos na cama dele pra variar um pouco o ambiente e então deu a hora dele ir embora.
O levei até o ônibus, deixei na porta e voltei pra casa. Sem perceber estava chorando, não conseguia parar. Deitei na minha cama e comecei a escrever na minha agendinha. Eu não atualizava tinha tanto tempo e vejo isso visivelmente agora o tanto que eu forcei pra conseguir lembrar os últimos acontecimentos. Nesse momento que estou agora está escrito “Finalmente cheguei no momento em que estou. Queria voltar no tempo e mudar algumas coisas e ao mesmo tempo creio que tudo ocorreu como deveria ter ocorrido, como explicar?”. É exatamente o sentimento do fim. Quando tudo aquilo está acabando, tudo aquilo que te deixa feliz dia após dia vai acabar. E você não sabe direito se curtiu da forma correta, se poderia ter aproveitado mais, e ai vai.
Sempre que eu saia pra trabalhar depois que conheci o Cody, além do pensamento “caralho, tô atrasado!” eu me olhava no espelho, via o meu reflexo, via ele deitado na cama, sorria e ia. O próprio já havia falado que eu sou lindo mas que o que eu tenho de mais lindo era meu sorriso. Eu nunca reparei direito mas realmente, meu sorriso é lindo mesmo. Incrível como a gente tem que esperar alguém notar algo em nós mesmo para então se dar conta do quão foda nós já somos. Eu estava com alguém que eu gostava muito, me achando lindo como nunca e indo para um emprego que eu amava. Era a vida perfeita. O único problema é que era temporária.
Na parte da tarde Biancão cortou meu cabelo mais uma vez já que iria pra NYC, já tava ficando mega grande e era um mês que ficaria lá. O namorado dela no programa, Tyler o nome dele também, nem sei se comentei sobre ele aqui, comentei? Enfim, ela também tava tendo um namorado lá que era um fofo, era chef num restaurante e cozinhou pra gente nesse dia. Eu quase morri quando ele veio com um prato lindíssimo com um peixe enorme e perguntei “isso tudo é pra mim?” como quem não acreditasse. Sem dúvidas foi a melhor refeição do programa inteiro, que o resto… Depois fui pra casa dormir mais.
A noite o Cody me acordou e ele tava com o laptop dele. Ele queria assistir Tarzan comigo porque era o filme favorito dele da Disney. Eu amo Tarzan, não é meu favorito (posto ocupado por Corcunda de Notre Dame) mas eu vi Tarzan umas três vezes no cinema. Tenho álbum, bonecos e o escambal e simplesmente amo a trilha, o roteiro, tudo. Já era fã da Terk sem nem saber quem era Marya Bravo. Quando tocou “You’ll be in my heart” eu olho pro lado e ele tá chorando. Comecei a chorar também e ao acabar a música ele fala junto com a mãe do Tarzan “always”. Pronto, paramos de ver o filme nesse exato momento para mais uma dose daquilo que vocês estão pensando só que com uma pitada de amor (ou paixão, ou seja lá o que aquilo era) que fazia tudo tão lindo.
16 de Fevereiro 2011
Chegou o último dia de trabalho. Goofy no Camp Minnie Mickey, tinha que ser logo no Animal Kingdom né? Esse dia era pra ser memorável, minha despedida e tal, mas não foi. Foi simplesmente um dia ruim. As pessoas naquele dia estavam piores do que nunca. Tava uma ditadura dos infernos a ponto de uma gorda escrota que nunca havia visto na vida ir falar de character por character que tinha que sair 10 minutos antes, que estavam todos avisados, e quem não fizesse era reprimand. Eu, chorando já saudoso, e a mulher falando isso comigo sem nem se dar ao trabalho de saber o motivo do meu choro. Animal Kingdom, a gente se vê por aqui.
A cada set que passava eu só conseguia chorar. Eu tentava parar mas era mais forte do que eu. E no celular só mensagens e mais mensagens de despedida, todo mundo na mesma vibe e uma que eu não esqueço foi da Diva Marcela em que eu li e conseguia claramente ouvir a voz dela falando aquilo no meu ouvido. Eu nunca, nunca tinha sentido isso antes. Aquilo mexeu comigo de uma forma que eu tive que sair e respirar um pouco, mesmo que me custasse um esporro por ter deixado minha roupa bagunçada lá (e sim, eventualmente a mulher foi lá mesmo).
Nesse meio tempo vi que o Giovani tava no break do almoço e veio falar comigo. Ele me viu chorando e antes que ele falasse alguma coisa já falei “é meu último dia, só isso” e ele muito fofamente “ah tá, não te vi no Tusker House pra te ver desse jeito”. Eu ri muito com essa. Depois falei “embora não tivemos contato nenhum, gostaria de te dizer mais uma vez que você é um herói de sobreviver aquele lugar 4 vezes por semana e que você com certeza é uma das pessoas que lembrarei desse programa pelo dia que me salvou”. Ele deu um sorriso, pedi um abraço e assim o abracei. Mesmo emocionalmente abalado, me aproveitei para tocar em seu tanquinho fenomenal. Precisava me despedir decentemente gente. E assim vi meu herói do Animal Kingdom pela última vez.
Fui almoçar, esbarrei com o Bruce que também me deu um abraço, Jessica Cracco, minha outra heroína (que aliás fui a SP recentemente e tive o prazer de conhecê-la melhor e sim, ela é made of awesome linda e já tá na Disney de novo arrasando na Haunted Mansion) e voltei para a porra daquele Camp amaldiçoado.
Chorei de rir ao reparar que a garota do braço quebrado (do dia do Frozone) foi lá tirar foto comigo. Até ai tudo bem, achei uma coincidência incrível mas tá, seria só isso até que ela pergunta “Goofy, lembra que ano passado no natal eu te pedi uma namorado e você falou que ele viria? Cadê?”, nossa, mas eu ria tanto, mas tanto. A garota não satisfeita em pedir pra sair com o Frozone, ela pedia para outros characters para arranjarem um namorado pra ela! E ainda vinha cobrar depois! Forever alone, a gente vê por aqui. Sério, que dó. Respondi que ele iria vir ainda esse ano. Só que ela tapada não entendia e eu tive que fazer “2011″ com a mão. Quando ela tava indo embora a attendant só me olhou com uma cara que diz “creeepppyyyy”.
Tirando isso, acho que não aconteceu nada de espetacular não, até o último set. Uma família com três crianças veio correndo na minha direção. Eu tava tão fraco, tão abalado, que eu cai no chão. A attendant cagou, simples assim, mas eu gostei. Fiquei lá no chão com as crianças todas felizes ao meu redor e a mãe tirando zilhões de fotos. Momentos depois acabou e foi isso. Recordo de voltar aquele caminho no meio do mato pela última vez, olhando ao redor como quem sabe que vai sentir saudades mesmo odiando mortalmente aquilo, esfregando uma luva na outra como quem se despede daquele ser tão querido por tantos e especialmente por mim.
Por mais brega, clichê, estupido, infantil, nonsense e o escambal que seja, o carinho que eu adquiri pelos personagens que fiz (em especial Goofy e Woody) é algo que só passando pra saber. Eu até pensei em escrever uma carta falando mais ou menos sobre a sensação e dar para um Goofy no dia seguinte, mas não tive tempo e no fundo sabia que essa pessoa um dia sentiria tudo aquilo também, logo, desnecessário. É uma sensação diferente, é um amor infantil, feliz. Você sabe que ali só tem partes de uma fantasia e ainda assim você deu vida a um personagem que faz parte da vida de muitas pessoas. Eu fui a alma dele. A gente acaba se apegando muito, a sensação é quase que eles são nossos filhos. Não sei se algum dia terei um de verdade, não pretendo, mas algo no fundo me diz que deve ser uma sensação parecida.
Devolvi a costume chorando e fui chorando até metade do caminho do Epcot. Passei lá rapidinho porque queria preparar uma surpresa final para o Cody. Nas nossas conversas, ele me falou que morava em Michigan, que fica perto do Canadá, e que ama a França e sonha em um dia morar lá. Lembrei que no Epcot tinha pelúcia do Goofy com a bandeirinha do Canadá e fui depois na França pedir o favor de alguém pra traduzir uma carta que eu havia feito durante o dia. Eu basicamente escrevi o que significou ter ficado com ele naqueles dias, que sentiria saudade, que ele foi uma das melhores coisas que aconteceu já pelo final, essas coisas babacas/românticas/bregas. Mas por ele amar francês, ter traduzido aquilo só deixou mais fofo. Comprei também uma caixinha de música que toca La Vie En Rose. Pronto, tinha meu presente de despedida.
Fui pra casa, tomar banho e ficar horas lá dentro pra me recompor e corri pra última Buffalos que foi outro momento emocionante. Era o melhor programa da gente e todos, todos sem falta foram. Muitas fotos, muitas despedidas, muito amor.

Loren, Sarah, Saulo (o macho de Fortaleza que me emprestou a roupa social!) e Diva Marcela ao fundo.
Iza Attendant revelvou umas fotos e me deu de presente a dela comigo de Woody e eu, ela e May na frente do chapéu do Hollywood com um “I’ll miss you”, coisa mais linda. O Cody não iria porque ele ia ter uma prova no dia seguinte (o programa dele era diferente, tinha a parte chata e burocrática da faculdade que no nosso não tem) só que quando eu olho, de surpresa aparece ele, Loren e Sarah. Mais feliz, impossível.
Detalhe que eu cantei Cabaret performando mais que a própria Sally Bowles (sério, gente que eu nunca vi na vida veio falar comigo depois daquilo) e ainda rolou o revival de I’ve Had the Time of My Life com a adição de Fabinho e Ju Attendant para fins de registro:
O melhor é que ele chegou nessa parte. Eu fiquei “ai meu Deus, era uma vez a mínima reputação que eu tinha!” só que ele simplesmente falou que amou. Pronto, era o que eu precisava pra ficar mais mal ainda. Ele não só era lindo, perfeito, como ria das minhas bizarrices. Era pra casar. E eu não ia.
O ônibus de volta da Buffalos era sempre uma loucura, super lotado mas numa diversão sem fim. Só pra vocês terem idéia:
Mesmo assim eu me acabava de rir. Nesse dia eu acabei voltando a pé com Cody, Loren, Sarah, Gabriel e Jeejay. O ônibus levava uma meia hora pra chegar, a pé era 20 minutos e de táxi era 5. Simples assim. Tá que eu só descobri isso bem depois e ainda assim, a palhaçada no ônibus fazia parte do fechamento da noite. E claro que nós, bêbados, andando também foi algo digníssimo. O Cody chegou até a zoar a forma que eu ia correndo atrasado todo dia pro ônibus. Chorava de rir.
Chegando em casa o Phe tava dormindo e Miguel ou Lucas também, então só tinha um quarto vago que era o do Ruan e Flávio que tava uma zona sem fim. Ficamos lá deitados, assinando coisas de despedida, naquela vibe não quero dormir amanhã é o último dia fodeu, mas eventualmente, fomos.
17 de Fevereiro 2011
Eu devo ter dormido questão de horinhas, acordei mega cedo pra ir resolver o lance das taxas. Nós brasileiros pagamos umas taxas que eventualmente são repostas para gente, pode ser feito no Brasil mas eles cobram taxas por isso também e acaba que o seu lucro não é tanto. Enfim né, nós sabemos bem o que é pagar taxas e mais taxas abusivas. Tinha planos de abrir o Hollywood Studios que nunca fiz e queria foto com o Goofy do Chapéu, mas entre ter mais dinheiro e ir abrir um parque por uma foto, ter mais dinheiro é prioridade.
Voltei pra casa, deixei as papeladas e tive minha despedida com Mari Rio. Ela precisava autografar um outro presente que ia dar pra Marcela Diva. E ainda assim, a própria era uma pessoa que havia me apegado muito, logo, tinha um presentinho especial pra ela também. Comprei um chá da Alice mesmo e dei. Ela começou a chorar falando “mas a gente se vê em NYC, você expert em musicais vai comigo em pelo menos um” e eu pensando “não sei se estarei ainda em NYC quando você for e se estiver, provavelmente estarei pobre” mas respondi “vou sim, claro” já quase chorando também. Fomos juntos a casa do Cody onde deixei meu presente em sua cama. Pedi pro amigo dele Darth Vader e fui. Coloquei a cartinha aberta com a caixinha de música em cima e o Goofy canadense usando a minha name tag (sim, dei minha name tag). Quem é Performer não se apega tanto a name tag já que nós nem usamos, e achei fofo na hora. Mari RJ olhou como quem diz “ih, fodeu, o negócio tá ficando sério”. E eu nem falei nada, só sai.
Ela foi trabalhar e ai sim fui pro Hollywood e à caráter, fui de Goofy pra despedida. Fui fazendo as rides que eu nunca tinha feito (e ainda assim faltaram algumas), depois chegou Biancão com o Tyler e fomos matando tudo na correria.
Fomos na área do Animations que eu sempre passava na frente como Frozone mas nunca entrei como Charles que era onde ensinavam rapidamente a desenhar os personagens. Entrei de Goofy e a moça falou que havia acabado de ensinar como me desenhar, que era uma pena, e eu falei “imagina, sem problemas” e então ela ensinou a desenhar a Minnie. A minha saiu até bonitinha levando em conta que sou eu desenhando. Dediquei até com um “to the best Minnie Disney ever had” e pretendia dar pra May na despedida. Só que eu iria perder aquilo no Magic Kingdom, o Gabriel iria achar e me devolver e eu iria perder na mala novamente para vir pro Brasil com ela, mandar pelo correio, a carta voltar e ficar aqui comigo até eu poder finalmente dar pessoalmente.
Depois corremos pro Magic para assistirmos o último Wishes. Enquanto esperava o ônibus, eu olhava pra trás como quem se despede do primeiro parque que entrou, se tornou favorito, amou visitar, trabalhar, tudo. Não chorei, tava tranquilo ainda, até mesmo que Biancão me deu um tapa e falou “olha pra frente!”. Chegando no Magic encontrei Cody e Loren na entrada e começou aquele que antecede, o do The Memories & You que tem as paradinhas do castelo, o lance do Woody que eu já havia chorado, etc. Claro que chorei de novo e logo em seguida começou o Wishes. Ai pronto, foi pra desidratar.
Naquele momento, pelo menos pra mim, não era mais Disney, não era mais o show de fogos de artifícios que é lindo e tal, era simplesmente a forma de cair a ficha dizendo “acabou”. Sabe esse garoto lindo que você tá ficando? Sabe essa menina do seu lado que você tem um carinho imenso e não sabe explicar? Sabe aquela sua amigona que também foi character e que você via todo dia? Sabe a sua diva das festas? Sabe o seu roomie querido? Sabe a família Fortaleza? Sabe a família 2910? Sabe tudo isso que você vem vivendo nesses dias incríveis? Acabou.
Quando os fogos cessaram eu tava destruído, sem saber direito como reagir aquilo tudo. Claro que Cody e Loren me deram mil abraços e tal, mas eles não sabiam o que era aquela sensação ainda. Eles haviam acabado de chegar. Quando a Loren foi embora ela me falou que ali sim ela entendeu, e é fato, é só nesse momento que cai a ficha. Eu abracei a Biancão e comecei a chorar mais forte ainda. Um aperto filha da puta que deu, até momentos depois eu a empurrei falando “eu vou te ver no Rio porra!” e ela “é, é…” chorando também. No fundo a gente sabia que não nos veríamos todo santo dia, mas é a vida. E assim fui de um em um. Para Marcela Diva dei a foto com todos os Characters autografada do nosso dia do Chef Mickeys, fui falando com todos que eu conhecia, até com pessoas que eu só trabalhei uma vez. O importante era abraçar e se despedir. O amor e a tristeza era mútuo.
Para despedida, eles fizeram uma reserva no Applebee’s. Mais uma vez eu, Cody, Loren e Ella. Eu tava em estado de choque ainda, não conseguia falar muito, mas fui voltando ao normal aos poucos e tive uma despedida fofa com eles. A sensação era que os conhecia tinha era tempo. Se uma semana lá parecia um mês, imagina quando você tá na sua última semana e encontra um grupo na vibe que acabou de chegar. Fiz coisas que se não fosse por eles, sem dúvidas teria voltado sem nem saber do que se tratava!
Cheguei em casa e bem, era hora de arrumar a mala. Deixei tudo pra cima da hora mas eles ao menos estavam lá pra me ajudar. Eu havia levado duas malas exatamente pra nem ter que comprar uma nova, só que eu só me toquei que uma das malas era extremamente pequena na hora. Não caberia nem 1/4 das minhas coisas ali! Entrei num desespero fodido, ficava andando de um lado pro outro sem saber o que fazer, até que decidi primeiro fechar a mala maior com todas as roupas e o que mais desse pra depois ver o que faria com a outra.
Tava lá Sarah me ajudando a dobrar as roupas, toda fofa usando técnicas que ela mesma aprendeu na Disney, Cody deitado me xingando por não ter feito aquilo antes, Loren me ajudando com os presentes e etc e eu tirando forças do além pra fazer aquilo. A Ella eu já havia me despedido porque a presença dela me perturbava, claro que não falei isso, mas ela falou que tava cansada e eu falei “sure, ok, you can go blá blá blá”, cheguei até a falar que ela não me devia nada de $10. Fui bonzinho no final das contas. E hoje em dia até de xingá-la eu sinto falta.
A Sarah levantou, disse que ia na casa dela rapidinho e já voltava. Deu 10 minutos e ela voltou com o laptop dizendo que ia ver se achava não sei o quê. Eu desesperado nem me toquei. De repente a Loren me chama pra ver algo ali, quando eu vou eles dão play num vídeo. Se eu achava que não era possível chorar mais que no Wishes, aqui eu chorei.
Para os que não conhecem, a música tocada é de RENT, meu musical favorito do qual descobri que Loren também amava. As fotos vão na sequência de quando a gente se conheceu, nossa primeira saída, o four loko, tá tudo ai. O mais engraçado é que eu realmente não estava documentando nada dessas coisas, mas ela estava não só com fotos mas com vídeos dos quais só vi naquele momento. Foi uma puta surpresa. Eu já perdi as contas de quantas vezes vi esse vídeo e morro de chorar sempre. Pra vocês podem ser no mínimo fofinho, brega até, mas pra mim é a lembrança de uma das melhores semanas da minha vida com pessoas fantásticas e incríveis. Não bastasse o vídeo, ainda me deram isso:
Porta retrato comigo de Fera e os dois. Sério, presente mais lindo que eles poderiam ter me dado. Foi mais uma hora pra conter o choro e voltar a arrumar a porra da mala. Eu havia levado meu cachecol do Mark (que nem usei) mas depois disso eu dei para Loren. Eu amava aquele cachecol, óbvio, mas aquilo era demais e eu precisava retribuir de alguma forma. Foi tão no impacto que ela mesmo recusou três vezes antes de aceitar, mas eu empurrei. Queria mesmo que ela ficasse e falei “you’re totally Mark Cohen, you deserve it”. Ela foi embora mas me prometeu ir lá cedo para um último adeus e ficou só eu e Cody. A partir daqui é tensão total porque eu queria muito uma despedida com ele, mas faltava tanta coisa pra arrumar ainda.
Corri na porra do Walgreens pra arrumar uma mala e tudo que achei foi uma horrenda toda rosa com bolinhas brancas. Era o que tinha pra hoje, foi o que comprei. Nem foi cara também, mas caguei, foi ela que me salvou. Comprei também um álbum de fotos que tem Woody e Buzz na frente, claro que já pensando nas fotos que revelaria no Brasil. Passei a madrugada fazendo a mala, era muita coisa que eu comprei, só nesse momento que me toquei. Queria estar com o Cody, ou me despedindo das pessoas que não vi, mas não, estava fazendo a droga da mala. Deu umas 2 e pouca da manhã e o Vini Tigger foi lá me visitar para se despedir. Um abraço que eu tava precisando mesmo, ainda mais de uma pessoa tão querida e especial como ele. Apontei pro Cody morto na cama e falei “se não fosse você, nem teria o conhecido, então obrigado”. Ele fofamente respondeu algo que não recordo e foi embora. Continuei fazendo a mala.
Fui na sala respirar um pouco, vi que ainda tinha um pouco de comida lá e liberei para meus roomies, tava todo mundo bebendo e eu adoraria estar com eles também mas né… Fui ver a porra do voo pra fazer check-in, desisti que não tava nem conseguindo usar o computador direito, o pessoal tava ouvindo pela última vez o Gato Mole, limpando tudo, todos dando um jeito também. Eu me sentia mais destruído do que qualquer dia de trabalho já feito ali. Meu emocional é muito mais sensível que o físico, só fui descobrir isso depois da viagem.
Em suma, eu fui terminar mesmo já pra 5 da manhã. Eu iria pegar o táxi lá pelas 7 ou 8, não lembro exatamente, mas eu tinha pouquíssimas horas. Tentei acordar o Cody, não consegui. Enfim, não teria a última relação mas no fundo nem sei se eu conseguiria também. Eu tava destruído de chorar, meu corpo tava cansado, não ia dar muito certo. Então só fiz me deitar do lado dele pela última vez.
18 de Fevereiro 2011
Acordei depois de dormir horinhas que eu nem senti direito. Já levantei meio desnorteado, conferindo se estava com as passagens, documentos, etc, até que o Flávio aparece no quarto todo desesperado falando para eu ir dar um pulo na sala. Não fazia ideia do que poderia ser, mas fui. Chego lá e vejo a May segurando o Stich com a cara destruída também de tanto chorar. Só fiz abraçar, não tinha nem forças pra consolar porque eu também tava na mesma situação. Eu lembro que eu cheguei a falar algumas coisas, mas o que meu filho, só Deus sabe. Incrível como a primeira performer que eu conheci na cama do meu roomie, agora estava ali, sendo a minha ultima despedida no mesmo lugar.
Phe tinha dormido fora, voltou só de manhã e deu tempo de dar um abraço, fui falando com meus roomies um por um mas só questão de abraço, chorar e é isso, ninguém tava conseguindo falar direito. O melhor é que eu tinha emprestado dinheiro pra meio mundo e nesse momento estavam todos me pagando e eu normalmente ficaria animado de estar recebendo dinheiro, mas nem isso me animava. Raissa me ligou e era isso, era hora de descer com as malas. Loren chegou bem nesse momento e eu decidi por puro impulso dar para ela o tal presente do Peter Pan que eu também comprei por comprar. Minhas malas estavam lotadas, aquela porra ia eventualmente quebrar e eu ainda estava querendo mostrar o quanto ela havia sido significativa. Ela adorou, claro, sem contar que ela se tocou que era porque havíamos visto o filme juntos, blá blá blá. E eu “isso, isso” sendo que né, nem era.
Eu desci com as duas malas por aquela escada e já estava morrendo. Cheguei lá em baixo e estava Raissa com a Fra. Essa vocês vão rir muito, mas lembra da menina que no momento em que entramos ao Vista estava morrendo de chorar que mencionei no primeiro episódio? Pois é, a própria. Adivinha quem me consolou nesse momento difícil em que eu estava botando minhas tripas pra fora em forma de lágrima? A própria também. Ironia do destino. Deixei as malas com ela e fui com a Raissa devolver os cartões, chave do apartamento, etc. No caminho eu ia encontrando pessoas e só conseguia abraçar chorando, na volta inclusive encontrei meu querido roomie Miguel. Ele foi o que eu tive menos contato mas por ele ser super na dele mesmo. Naquele abraço os dois começaram a chorar, sem nem falar muito ambos conseguímos passar a tristeza e a saudade que íriamos sentir um do outro. Mesmo sem muito contato, era parte da família 2910.
Volto e minhas malas sumiram, pergunto da Fra e ela diz lindamente com um sotaque fortaleza querido: “seu príncipe levou”. Cody e Loren haviam levado minhas malas para o táxi. Inclusive, se não fosse a Raissa, eu nem saberia como ir para o aeroporto porque eu simplesmente não tava com cabeça de programar nada, ela que resolveu e fomos com Johnny e Carina.
Coloquei as malas no taxi e fui dar o último abraço. Pronto, voltei a chorar como nunca e não parei mais. A própria Carina dentro do táxi falou “você não tem ideia do quanto isso tá quebrando meu coração”. Raissa falava “Charles, você tá indo realizar seu sonho!”. Eu não conseguia. Meu coração estava se partindo, sangrando, era uma dor que eu nunca havia sentido até então em toda minha vida. Eu peguei meu celular e já tinha mensagem dele, eu respondendo, momentos antes de chegar no aeroporto ele viu a surpresa que eu deixei. Ai pronto, mandou outra mensagem linda que me destruiu.
Chegando no aeroporto tinha muita gente conhecida, inclusive Diva Marcela que me viu e falou “esquece, esquece, já foi”. Eu consegui arranjar as passagens, Raissa tava tendo problema e teve que entrar na fila. Nesse momento eu não tinha mais forças de ficar em pé, encontrei um canto e sentei no chão. Alguma pessoas me acompanharam e inclusive a Isis, também performer, veio me abraçar e falou “não fica assim não, ano que vem a gente volta”. Só consegui pensar “caguei baldes pra Disney, não tô assim pela Disney, e sim pelo Cody”.
Toda a experiência foi incrível, como vocês bem viram, mas eu tava daquele jeito exclusivamente por ele. Eu sabia que teria um fim, eu quis aproveitar até o último momento, mas a dor eu não previ até mesmo que se eu tivesse ideia de que era algo naquele nível, eu provavelmente teria terminado com ele uns três dias antes ou nem começado! Eu estaria triste normalmente pela Disney, todo mundo fica, mas nesse caso, deixando alguém que você realmente se envolveu, é pesado gente…
Corremos para pegar o voo que já estava pra sair, entramos, tudo ok, tirando que nem do lado da Raissa eu sentei. De qualquer forma o voo era de 40 minutos. Eu nem senti, sentei, pisquei, estava em NYC. A partir daqui vimejá é outra historia, mas no fundo eu sabia que eu e Cody ainda teríamos uma história linda tipo…
The End.
Obrigado a todos que acompanharam a saga e espero que tenham gostado. Foi bacana relembrar esses eventos muito embora seja sempre bem difícil transmitir as mesmas sensações que vivi lá. Eu não anotei tudo portanto posso ter esquecido coisas, o próprio convívio com meus roomies queridos foi maravilhoso e eu não anotava porque era convívio diário, para explicar certas coisas eu teria que me prolongar mais do que o normal e no fundo, não interessa pra vocês. Coisas como roubos de pão, louça sempre suja, discussões e brincadeiras internas, coisas que de vez em quando surge e fico rindo sozinho. Esses dois meses e meio foram incríveis e destaquei aqui os momentos que davam para ser externados.
Se você leu porque é meu amigo da vida, agora você entende mais ou menos minha vibração na Disney assim que voltei. Se eu te conheci lá, agora você sabe o quanto é especial para mim. Existem pessoas que eu não listei pelo simples fato de que são muitas , mas se eu te dava nem que seja um “oi” quando eu passava por você, pode ter certeza que eu tenho lembranças suas. Se você leu porque pretende fazer o programa, super recomendo. É uma experiência única e se sentiu vontade, vá! Se você é Disney Freak, voltará mais ainda. Se não, ficará ao menos durante o programa e um tempo depois. Eu gostava muito mas não era muito freak e bem, devo confessar que tive meus momentos… Não chego ao nível extremo de muita gente, mas tive. Eu sou agora uma pessoa completamente diferente dessa que foi e viveu lá, mas parte disso é também pela minha experiência em NYC da qual relatarei provavelmente só ano que vem.
Luv, Goofy.












































































































































































































































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