Divulgado o Peter Parker de Spider-Man: Turn Off the Dark

08/11/2009 por Charles Fouquet

Reeve Carney foi o escolhido para interpretar Peter Parker no musical do Homem-Aranha, depois de diversas audições e retirando o rumor de que poderia ser Jim Sturgess (e que a própria Rachel Wood gostaria que fosse).

Reeve é vocalista da banda Carney, que irá lançar seu primeiro disco “Mr. Green” no inicio do ano que vem. Reeve atuou em “The Tempset”, filme de Julie Taymor que também será lançado ano que vem.

O elenco continua com Evan Rachel Wood de Mary Jane e Alan Cumming como o Duende Verde, pois agora novos produtores aderiram o projeto e assim esperam conseguir levantar todos os fundos necessários para a montagem.

Enquanto o Homem-Aranha não chega na Broadway, ele está aqui no Brasil! Já até recebeu a chave do Rio pelas mãos dos filhos do prefeito Eduardo Paes! (clique aqui para ver essa atrocidade) Isso é parte de divulgação do espetáculo “Homem-Aranha: Ação e Aventura”, uma mega produção ao mais estilo show pirotécnico.

(momento risada do dia em 01:58-02:22)

E é claro que iriam confundir isso com o musical, já era mais do que previsto:

http://colheradacultural.com.br/content/20091005031734.000.5-M.php

Eu não sei o que é mais engraçado, o fato do Brasil estar na frente da Broadway, ou alguém achar que uma montagem dessas de fato poderia ser uma montagem da Broadway.

Voltando ao musical de verdade, a estreia estava prevista para fevereiro de 2010, agora estão anunciando somente como 2010. O elenco completo deve ser anunciado quando tiverem uma data fechada. Só nos resta aguardar.

Resultado do Prêmio Arte Qualidade Brasil 2009 e Indicações do 3º Prêmio Contigo de Teatro

03/11/2009 por Charles Fouquet

Saiu hoje o resultado do Prêmio Arte Qualidade Brasil 2009:

Melhor Espetáculo Teatral Musical

O Despertar da Primavera – 5.447 Votos
Hairspray – 4.411 Votos
Avenida Q – 4.006 Votos
Gloriosa – 3.985 Votos
Essa é a Nossa Canção – 2.184 Votos

Total de Votos Válidos nessa categoria: 20.033 Votos válidos

Melhor Ator Teatral Musical

Edson Celulari – Hairspray – 5.441 Votos
Rodrigo Pandolfo – O Despertar da Primavera – 4.971 Votos
André Dias – Avenida Q – 3.628 Votos
Tadeu Aguiar – Essa é a Nossa Canção – 3.051 Votos
Eduardo Galvão – Gloriosa – 2.971 Votos
Pierre Baitelli – O Despertar da Primavera – 2.161 Votos

Total de Votos Válidos nessa categoria: 22.223 Votos válidos

Melhor Atriz Teatral Musical

Marília Pêra – Gloriosa – 5.342 Votos
Sabrina Kogurt – Avenida Q – 4.018 Votos
Simone Gutierrez – Hairspray – 4.009 Votos
Malu Rodrigues – O Despertar da Primavera – 2.985 Votos
Amanda Acosta – Essa é a Nossa Canção – 2.602 Votos

Total de Votos Válidos nessa categoria: 18.956 Votos válidos

Melhor Direção Teatral Musical

Charles Möeller e Claudio Botelho – O Despertar da Primavera – 4.991 Votos
Miguel Falabella – Hairspray – 4.594 Votos
Charles Möeller e Claudio Botelho – Avenida Q – 4.008 Votos
Charles Möeller e Claudio Botelho – Gloriosa – 2.147 Votos
Charles Randolph-Wright – Essa é a Nossa Canção – 1.419 Votos

Total de Votos Válidos nessa categoria: 17.159 Votos válidos

Para checar as categorias não-musicais, visite: http://www.premioartequalidade.org.br

Parabéns a todos os vencedores! (muito embora o Pandolfo merecesse mais que o Edson Celulari) A entrega dos prêmios acontecerá no dia 16 de novembro no Citibank Hall, no Rio de Janeiro.

Agora é hora de migrar os votos para o 3º Prêmio Contigo!

As indicações relacionadas a musicais são:

Melhor Espetáculo Musical Nacional
Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna. Direção: João das Neves. Direção musical: Alexandre Elias
Eu Sou o Samba, de Fátima Valença. Direção: Fábio Pilar. Direção musical: Helvius Vilela
Noé Noé! Deu a Louca no Convés, de Adriana Falcão e Nelson Caldas. Direção-geral: Ivaldo Bertazzo
O Primo Basílio – O Musical, de Francisco Braga. Direção: Dan Rosseto. Direção musical: Dyonisio Moreno
Opereta Carioca, de Gustavo Gasparini. Direção: João Fonseca. Direção musical: João Callado e Nando Duarte
Tom & Vinicius, o Musical, de Daniela Pereira de Carvalho e Eucanaã Ferraz. Direção: Daniel Herz. Direção musical: Josimar Carneiro

Melhor Espetáculo Musical Versão Brasileira
Avenida Q, de Robert Lopez, Jeff Marx e Jeff Whitty. Versão brasileira: Claudio Botelho. Direção: Charles Möeller e Claudio Botelho. Direção musical: Marcelo Castro
Esta É a Nossa Canção, de Neil Simon e Marvin Hamlisch. Direção: Charles Randolph Wright. Direção musical: Liliane Secco
Gloriosa. Texto de Peter Quilter. Direção: Charles Möeller. Direção musical: Claudio Botelho

E nessas categorias, leva-se em consideração teatro no geral, mas com indicações que se relacionam a musicais:

Melhor Ator
João Miguel, por
José Wilker, por A Cabra ou Quem é Sylvia?
Otávio Augusto, por Rock’n'Roll
Sérgio Britto, por A Última Gravação de Krapp / Ato sem Palavras 1
Thelmo Fernandes, por Tom & Vinicius
Thiago Lacerda, por Calígula

Melhor Atriz
Betty Faria, por Shirley Valentine
Cássia Kiss, por O Zoológico de Vidro
Denise Fraga, por A Alma Boa de Setsuan
Fernanda Montenegro, por Viver Sem Tempos Mortos
Irene Ravache, por A Reserva
Marília Pêra, por Gloriosa

Melhor Figurino
Antonio Medeiros e Cao Albuquerque, por Medida por Medida
Carlos Gardin, por Noé Noé! Deu a Louca no Convés
Inês Sacay, por Réquiem
Kalma Murtinho, por Gloriosa
Rodrigo Cohen, por Farsa da Boa Preguiça
Verónica Julian, por A Alma Boa de Setsuan

Melhor Cenário
Carla Berri e Paulo de Moraes, por Inveja dos Anjos
Marcelo Larréa, por Noé Noé! Deu a Louca no Convés
Márcio Medina, por A Alma Boa de Setsuan
Marcos Flaksman, por Traição
Mauro Martorelli, por Réquiem
Nello Marrese, por Opereta Carioca

Para votar, acesse: http://contigo.abril.com.br/premio/teatro/enquete/201791_pergunta.shtml – o prêmio será entregue na 1ª semana de dezembro (e Avenida Q super já ganhou!)

Campanha “Vá ao Teatro” em São Paulo.

31/10/2009 por Charles Fouquet

Os melhores espetáculos de São Paulo a R$ 5.     O Governo de São Paulo está realizando, no período de 26 de outubro  a 13 de dezembro de 2009, na cidade de São Paulo, a campanha “Vá ao Teatro”. Esse projeto tem a finalidade de fornecer ingressos a preços populares, incentivando a difusão do bem cultural e a política de formação de público.      Foram convocados os produtores culturais de espetáculos teatrais e circenses para efetuar inscrição até o dia 21/10/2009.

Mais informações e lista das peças disponíveis no site: http://www.vaaoteatro.org.br/

Por Uma Noite – um pesadelo nos bastidores de uma montagem de fim de curso decadente.

31/10/2009 por Charles Fouquet

Como vocês mesmos já podem ver, o marketing visual da peça é terrível. Se fosse pra analisar só pela foto, eu sem dúvidas nem iria, mas ainda assim ignorei esse detalhe e fui assistir “Por Uma Noite” por três motivos. Primeiro porque sou fã de musicais, tentar conferir os musicais em cartaz aqui é o mínimo. Segundo porque conta com Jules Vandystadt e Rodrigo Cirne, atores que integravam Beatles num Céu de Diamantes e por ledo engano pensei que isso traria alguma credibilidade ao trabalho. E por fim, porque por incrível que pareça tinha muita gente falando nele atualmente (o marketing *cof falso cof* nesse sentido é ótimo) e me perguntando se eu já tinha assistido, se era bom, etc. Para essas pessoas eu venho agora e respondo: não, não é bom. Está muito longe de se quer ser ao menos ruim…

Depois de ouvir os três sinais mais ensurdecedores que eu já ouvi num teatro, começa a rodar um vídeo tocando “Oh What a Night” e mostrando a ficha técnica do espetáculo, conseguindo ser mais brega que a abertura do programa do Amaury Jr. Ainda assim, tinha esperanças… vai que essa breguica era proposital? Mas não, com um minuto de peça rolando você já sente o nível do amadorismo.

O elenco estava passando o texto como se estivessem num ensaio, lá pro 5º corridão numa madrugada… e a suposta sinopse é que um grupo de jovens músicos integrantes da orquestra “Fantasma da Ópera” se envolve na encenação de um musical consagrado, graças a John, que coloca em prática a realização do seu sonho. Clichê, sim. Mas consegue ser muito pior do que vocês imaginam…

O roteiro é uma desculpa ridicula para tocar músicas conhecidas de musicais. Logo depois da primeira cena falada, alguém fala “ah, você ia arrasar cantando essa música, tenta ai” então a menina vai e começa a cantar Somewhere Over the Rainbow. Depois de um tempo tudo se apaga, e aparecem 3 dançarinos vestidos de Espantalho, Leão e Homem de Lata, e a mesma menina reaparece terminando de cantar a música. Sim, wtf? E o “musical” é isso o tempo inteiro, música atrás de música com desculpas terríveis pra se tocar a tal música.

Coisas como “ontem sonhei com Pequena Sereia” (toca Under the Sea), e casos mais bizarros ainda como “minha avó morava em Baltimore com minha mãe, que queria ser uma estrela e fracassou e blá blá blá” e vem a faxineira (sim, a faxineira) e fala “posso cantar Good Morning Baltimore para saudar Baltimore e sua avó, mãe, whatever, blá blá blá?”. O mais ridiculo e nonsense sem dúvidas foi quando um carinha dá em cima da mulher, e ela até então não quer… então ela começa a cantar And I Am Telling You. Claro, uma música em que a mulher fala que não vai embora mesmo que o cara não a queira, super no contexto da peça, em? Depois que ela termina de cantar, eles se beijam e começam a ficar. Oi? Sem contar que ela é branca. Não chegou a ser de um todo ruim vocalmente, mas essa não é uma música para uma branca cantar, assim como outras e essa menina sempre estava no meio…

Pior que as desculpas esfarrapadas, eram os que nem desculpa dentro de um contexto tinham. Conseguiram usar Seasons of Love e The Nicest Kids in Town como músicas de passagem de som, testar mixagem, coisas do tipo… é irritante porque o texto falado quando não era pretexto pra desculpa, eram piadas piores que do Zorra Total. Todas, todas as “piadas” são iguais. Sempre eram perguntas que davam espaço pra garota que faz papel de burra retrucar alguma idiotice ou algo do tipo. Os personagens se chamavam Olivia, John, Julie… ou seja, zilhões de piadas sem graça com Olivia Newton-John, John Travolta e Julie Andrews. E todos zoavam o John por ele ser pobre e não ter dinheiro nem pra comprar um sanduiche. Quando ele conta sobre a história da mãe dele (que é patéticamente ridicula), todos ficam com pena e uma das meninas (acho que a burra) ainda fala “quer um sanduiche? dois sanduiches?”, argh!

Mesmo os próprios Jules e Cirne conseguiram ficar péssimos. A diretora deve ter falado “Jules, sabe aqueles idiotões de high school que fazem de tudo pra aparecer? Então, seja exatamente isso com uma pitada de garoto pobre sonhador” e pro Cirne ela falou “você vai aparecer na peça depois de uma hora de duração, pra não fazer nada demais e ainda fazer piadas dizendo que você não pode ajudar com dinheiro, mas que no resto você tenta”. Entendo que pra ator, trabalho é trabalho. Mas depois de uma belíssima temporada de Beatles em Lyon, cair nessa montagem fim de carreira é demais…

Preciso dizer algo sobre cenário, figurino e iluminação? Tudo no melhor estilo “montagem de final de curso” e ainda assim, levando em consideração que é um curso muito ruim… 2 telões com imagens patéticas (quando tocou Fantasma da Ópera, ficava mostrando a máscara com zoom in, zoom out) e quase sempre as pessoas tampavam os telões com uma cortina preta. O fundo branco com aquela iluminação de festa de 15 anos e bem, se você já foi (nem que seja obrigado ou por consideração ao seu amigo aspirante a ator) a uma montagem amadora, sabe bem do que estou falando!

Uma cena que merece destaque é Under the Sea. Provavelmente uma das cenas mais ridiculas e de vergonha alheia que eu assisti na vida. É encenada pelo Jules e pelo carinha que queria a menina que eu mencionei no And I Am Telling You. Eles tiram a camisa, revelando camisetas de listras brancas/azuis sem manga, super apertadas. A coreografia dessa cena é tão, mas tão, mas tão bizarra que nem focar nos maravilhosos braços do Jules eu conseguia… só conseguia sentir muita vergonha alheia. E outra cena que merece destaque é quando entra um dançarino de b-boy, com um rádio, e eu crente que ia tocar In the Heights ou algo do tipo, não. Ele dá play no rádio e imagina o que começa a tocar? Dancing Queen! wtffffffffff? O carinha fazendo maior street dancing, ao som de Dancing Queen!

Não costumo ignorar nome de atores, direção, iluminação, enfim, todos que participam num espetáculo. Mas nesse caso eu nem me dei ao trabalho pois eles também não se deram ao trabalho de fazer uma coisa decente. Se fosse uma montagem de fim de ano de um curso, tranquilo… as pessoas vão sabendo o que esperar. Mas estão fazendo um marketing dessa peça como se fosse O musical, e não é. É uma arapuca e das caras. O ingresso está custando R$50 a inteira! Quem tem amor a vida, coloque mais 10 reais e vá assistir O Despertar da Primavera (aliás, foi o que eu fiz logo em seguida. Fui na sessão de quinta, que é às 17hrs e sai correndo pro Villa-Lobos limpar minha alma!)

O espetáculo tem seus momentos Wikipédia, onde começa a falar sobre o que um ator deve ser, que o palco é um templo que deve ser respeitado, essas coisas. Meus caros, desculpem, mas vocês estão indo completamente contra isso. O que vocês estão fazendo é uma ofensa ao teatro musical brasileiro, e eu não consigo imaginar o que Barbara Heliodora diria se fosse assistir…

Se por ventura você é uma pessoa que gosta de tosquices, gosta de amadorismo, gosta de sentir vergonha alheia, gosta de gastar dinheiro à toa, e de rir de montagens péssimas, ele se encontra no teatro das Artes, no shopping da Gávea. Terça e Quarta às 21hrs, quinta às 17hrs. Se você sabe o que é musical, tem um mínimo de bom gosto e tem amor a vida e ao seu dinheiro, fique bem longe.

Crítica: Oui Oui, vale a pena ver sim!

28/10/2009 por Leandro Giglio

Antes de falar sobre a peça, que estreou na semana passada no Teatro Maison de France, aqui no Rio de Janeiro, queria pedir desculpas aos nossos leitores sobre a falta de atualização do Blog. Tenho recebido mensagens e e-mails sobre espetáculos que temos que ir ver, diversas indicações de pautas e com certeza lemos todos com muito carinho. Para quem não conhece o Leandro fora do Blog e das redes sociais, sou Consultor Educacional, trabalho com capacitação profissional e consultoria para cursos no exterior e nessa época do ano, o volume de trabalho aumenta demasiadamente, o que é ótimo, entretanto fico com menos tempo disponível para vir postar aqui no Blog e nas comunidades do Orkut. Quem quiser saber mais sobre este trabalho, podem acessar meu outro Blog – www.cp4blog.wordpress.com ou o site da minha empresa – www.cp4.com.br . Chega de jabá!!! Vamos voltar ao assunto inicial, Oui?

Fomos assistir Oui Oui, a França é Aqui – A Revista do Ano, uma revista com 01 título, 02 subtítulos, 03 músicos, 06 atores, muitas canções e muitas risadas. A peça é uma realização de Gustavo Gasparani, e propõe-se a ser uma Revista sobre os 500 anos de influência francesa na cidade do Rio de Janeiro, aproveitando o gancho do Ano da França no Brasil para homenagear os dois países.

Incompreendido por alguns e odiado por muitos, o gênero de Teatro de Revista é sempre polêmico e gera críticas tanto positivas quanto negativas. O gênero nasceu na França e se popularizou no Brasil no fim do século XIX e caracteriza-se por mostrar modos e costumes, regados por irônias e músicas com duplo sentido com certa sensualidade. São peças descontraídas e que no fundo criticam a sociedade na qual a ação é inserida. Os cenários geralmente são bastante coloridos e irreais, os figurinos são exóticos e irreverentes e as musicas ajudam a passar a ideia crítica por trás do texto frívolo. O Teatro de Revista muitas vezes é composto por elementos como dança, folclore, esquetes satíricos e operetas, sempre criticando os costumes.

Já no prólogo de Oui Oui, ninguém menos que São Sebastião, que nasceu na França, interpretado pelo hilário Cristiano Gualda, nos conta a proposta da Revista que será apresentada nas 02 horas de duração do espetáculo. A ação principal gira em torno do quase casal Henrique e Henriqueta. Os amantes são proibidos de se relacionar pelo pai da moça, que deseja que ela se case com um estrangeiro, seguindo a velha mania brasileira de valorizar somente o que vem de fora. Henrique, devoto de São Sebastião, roga-lhe por sua ajuda e é prontamente atendido pelo santo protetor dos cariocas.

Só que os planos de São Sebastião vão além da imaginação de qualquer realidade. Durante um concurso realizado no Olimpo, Zeus, sim ele mesmo, o Deus dos Deuses, define que os finalistas na eleição das Novas Maravilhas do Mundo são a Torre Eiffel e o Cristo Redentor. Cada um dos monumentos do concurso é representado por um dos atores do elenco numa das melhores cenas da peça. São Sebastião então pede que o Cristo Redentor e a Torre Eiffel ajudem o pobre Henrique a de alguma maneira conquistar a benção do pai de sua Henriqueta e assim, os dois viajam para o Rio de Janeiro, e causam uma grande confusão, passando desde a França Antártica, os antigos cabarés da cidade, pelo Bota Abaixo, para a criação do Rio Belle Epoque, a inauguração do Theatro Municipal, réplica da Ópera de Paris e até mesmo ao sensual rebolado da Gretchen cantando “Je Suis La Femme”. Nessa mistura, descobrimos diversas curiosidades sobre o comportamento do carioca e dessa relação estreita entre os dois povos.

A pesquisa musical foi cuidadosamente feita por Rodrigo Alzuguir, Michel Tasky, Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche, os dois últimos assinam também o texto que é deliciosamente recheado de referências franco-brazucas. O repertório passa por clássicos da música francesa como “Padam, Padam”, “Le Moulins de Mon Coeur” e “La Vie en Rose” e músicas brasileiras envolvidas pela atmosfera francesa ou de evocação à Cidade Maravilhosa como “Valsa de Uma Cidade”, “O Rei do Creoléu” e “Os Três Pagodeiros do Rio”.

Além dos mencionados Gualda e Gasparani, completa o elenco masculino o ator-cantor César Augusto. O elenco feminino é composto pelo excelente trio formado por Gottsha, Marya Bravo e Solange Badim. Todos se revezam em micro papéis durante as cenas e possuem destaques por suas atuações e vozes. O destaque solo surpreendente vai para Gottsha em “Non, Je Ne Regrette Rien” que mesmo com sua personagem em estado alcolizado faz uma excelente performance da canção. O dueto final com Marya Bravo e Gustavo Gasparani com “Hymné à L´Amour” também merece destaque. Os personagens mais marcantes com certeza são os mais impossíveis: Mademoiselle Eiffel, Cristo Redentor e São Sebastião, são muito engraçados e merecem o destaque. Apesar de ser uma revista longa e com muitos assuntos para se abordar, o tempo passa rápido, principalmente no segundo ato.

O cenário de Nello Marrese está de acordo com o estilo revista, com exageros e muitas cores, apesar de alguns altos e baixos como as ótimas colunas do Olimpo com pedras portuguesas do calçadão das praias, o lindo painel no fundo no formato do Pão de Açúcar contrastando com cortinas super simples e um Theatro Municipal que parece ter sido feito de papelão. Também não gostei de ver o Cristo Redentor colocado em cima do Morro Cara de Cão, ao invés do Corcovado. A iluminação sempre correta de Paulo César Medeiros e o criativo figurino de Marcelo Olinto abrilhantam a cena. A direção do João Fonseca é muito precisa, o espaço do palco é bem utilizado e a marcação de atores e personagens é construída de forma a parecer que o elenco é enorme, visto que a ação muda de lugar a todo o tempo enquanto as mudanças de caracterização acontecem.

Para quem gosta do gênero Revista, com certeza vai adorar, para quem não gosta, assista mesmo assim, lembrando que a proposta não é a mesma de um musical convencional.

SERVIÇO:

Oui Oui A França é Aqui

Teatro Maison de France – Av. Presidente Antônio Carlos,58 – Centro

Quinta a Domingo às 19:30 – Ingressos R$ 50,00 qui e sex e R$ 60,00 sab e dom.

Aproveitando o post, hoje é o lançamento do CD da Cantriz Marya Bravo, ela, que está no elenco da peça Oui Oui, lança seu CD mais tarde no Cinematéque, em Botafogo.

Simplesmente Eu, Clarice Lispector

25/10/2009 por Charles Fouquet

confirmado simplesmente eu clarice lispector

Nunca havia assistido nenhuma peça com Beth Goulart, e meu conhecimento sobre Clarice Lispector é médio, só conhecia textos já trabalhados em sala de aula mesmo. Então foi uma bela surpresa assistir a Simplesmente Eu, Clarice Lispector. Nunca foi tão prazeroso ganhar uma hora pra minha grade de horas extras-curriculares da faculdade.

Beth Goulart (que se auto-dirigiu e é também autora da peça) trabalha tanto com a obra da escritora quanto com sua biografia. Existem cenas em que ela é a própria Clarice (seja falando sozinha, ou via entrevistas, cartas, etc), e outras em que interpreta suas personagens. O visagismo, figurinos, trejeitos e até mesmo o sotaque que Beth adota são impecáveis, criando bem a figura da escritora. Ela se entrega de corpo e alma, tanto que em certo momento ela se engasgou e pediu desculpas e foi tomar um copo d’água. Tudo de uma forma que até deixou todos na dúvida se era atuação ou se tinha acontecido mesmo.

A seleção dos textos literários foi cuidadosa e muito bem estruturada, não é como se fosse uma leitura após a outra, existe uma lógica e ordem cronológica. O cenário é basicamente uma sala toda branca com uma cadeira com uma mesinha e uma máquina de escrever num canto, um banco no centro e um divã no outro canto.  O branco remete a uma folha em branco,  uma sala de psicólogo,  e a iluminação forte intensifica esse lado.

Impossível não se identificar com uma cena que seja, com um texto que seja. Numa das cenas que eu mais me emocionei (e me identifiquei pela semana que estava passando) Beth Goulart canta, e eu fiquei impressionado e arrepiado. Se na nossa montagem de Sunset Boulevard a Marília Pêra por algum motivo não puder fazer Norma Desmond, Beth Goulart tem que super estar na fila para replacement!

O espetáculo já esteve antes no CCBB e lotou rapidamente, logo, é uma oportunidade que não pode ser perdida. Os ingressos estão a R$20 (R$10 a meia) e podem ser adquiridos pela ticketronic.com.br ou diretamente no teatro Odylo Costa Filho (que fica dentro da Uerj, Maracanã). Curtíssima temporada, só tendo mais 3 sessões agora. Dia 28, 29 e 30/10. Quem puder, vá.

Prêmio Arte Qualidade Brasil 2009

25/10/2009 por Charles Fouquet

Desde 1977 quando foi realizada a primeira Cerimônia de Gala de entrega do Prêmio Qualidade Brasil em São Paulo já se passaram 32 anos. Sempre coerente em seu objetivo de reconhecer o talento do artista brasileiro, a premiação artística e cultural passou por uma grande reformulação em 1999 com a introdução de novos critérios e seu atual modelo de indicação e resultado através de votação pública pela internet, somando prestigio e credibilidade para se tornar um dos importantes prêmios de reconhecimento artístico do país.

A edição 2009 deve marcar uma nova fase da premiação. Pela primeira vez, o prêmio que até então era entregue em cerimônia conjunta com os destaques empresariais na área de Qualidade, ganha um evento focado apenas na premiação artística e, para reforçar o seu compromisso com artistas, profissionais e realizadores de Cultura, passa a se chamar Prêmio Arte Qualidade Brasil.

Os indicados na categoria Musical são (em negrito, os que eu gostaria que ganhasse muito embora vários dos indicados também mereça):

Melhor Espetáculo Teatral Musical:
Avenida Q
Esta é a Nossa Canção
Gloriosa
Hairspray
O Despertar da Primavera

Melhor Ator Teatral Musical:
André Dias (Avenida Q)
Edson Celulari (Hairspray)
Eduardo Galvão (Gloriosa)
Pierre Baitelli (O Despertar da Primavera)
Rodrigo Pandolfo (O Despertar da Primavera)
Tadeu Aguiar (Essa é a Nossa Canção)

Melhor Atriz Teatral Musical:
Amanda Acosta (Essa é a Nossa Canção)
Malu Rodrigues (O Despertar da Primavera)
Marília Pêra (Gloriosa)
Sabrina Korgut (Avenida Q)
Simone Gutierrez (Hairspray)

Melhor Diretor Teatral Musical:
Miguel Falabella (Hairspray)
Charles Möeller e Claudio Botelho (por O Despertar da Primavera, Avenida Q e Gloriosa)
Charles Randolph-Wright (Essa é a Nossa Canção)

Para votar, acesse o site: http://www.premioartequalidade.org.br

A entrega dos prêmios de Televisão e Teatro/Rio acontecerá no dia 16 de novembro no Citibank Hall no Rio de Janeiro desse ano e em 2010 se junta ao calendário do evento às premiações de Cinema e Teatro/São Paulo que acontecerão na capital paulista.

Divulgado o elenco de Meu Amigo, Charlie Brown

16/10/2009 por Charles Fouquet

Saiu o resultado das audições de Meu Amigo, Charlie Brown (que foi divulgado aqui). 3 membros do elenco já estavam selecionados, que eram:

Beto Marden – Snoopy

Leandro Luna - Charlie Brown (também co-produtor do espetáculo)

Mariana Elisabetsky – Sally Brown (também versionista do espetáculo)

Havia sido divulgado que Carina Porto iria interpretar Lucy van Pelt, porém, com o resultado das audições veio a notícia de substituição. Provavelmente algum problema contratual, até mesmo levando em conta que ela é atriz global. De qualquer forma, quem irá interpretar agora é:

Paula Capovilla - Lucy van Pelt

Paula Capovilla - Lucy van Pelt

(que está atualmente arrasando como Sra. Potts em A Bela e a Fera)

E agora, os 4 que fecham o elenco são:

Felipe Caczan - Schroeder

Felipe Caczan - Schroeder

Thiago Machado - Linus van Pelt

Thiago Machado - Linus van Pelt

(recentemente foi sub de Rolf, em A Noviça Rebelde)

Maria Bia Martins - Swinger Feminino

Maria Bia Martins - Swinger Feminino

Beto Sargentelli - Swinger Masculino

Beto Sargentelli - Swinger Masculino

Ficha Técnica:

Adaptação e Tradução – Mariana Elisabetsky
Colaboração de Tradução e Adaptação – Léo Abel
Produção Geral Brasil – Ricco Antony
Direção Geral – Alonso Barros
Direção Musical e Regência – Maestro Marconi Araújo
Iluminação – Paulo César Medeiros
Sonorização – Marcelo Claret
Cenário – Chris Aysner
Figurinos – Jô Resende
Assistente de Direção – Léo Abel
Assistente de Coreografia – Glaucia Fonseca
Assistente de Produção – Rafael Gigek
Coordenação de Produção – Fausto Almeida
Comercialização de Projeto Escola – Diverte Cultural
Realização – Produto Final Produções Artísticas e Leandro Luna

Gostaria de agradecer ao Ricco Antony por além de ter divulgado no Orkut, ter vindo aqui no blog e comentando com essas novas informações. A estreia está prevista para 20 de março de 2010, no teatro do shopping Frei Caneca.

Relembrando: Zé Com a Mão na Porta

15/10/2009 por Charles Fouquet

Ontem fez um ano da estreia de Zé com a Mão na Porta, no teatro do Jockey. O espetáculo é uma ópera-rock  que retrata a vida de um homem aparentemente comum, um “Zé”, que numa noite ao chegar do trabalho congela e se vê incapaz de abrir a porta de sua própria casa. Então, é narrado em forma de musical os arquivos emocionais de sua vida, enfrentando os maiores obstáculos de toda sua existência, seu medo, sua solidão, etc.

O elenco era formado por Cristiano Gualda, Betto Serrador, Ricca Barros e Ronnie Marruda.  Eles se conheceram no tour de Ópera do Malandro em Portugal, no início de 2005. No camarim faziam uma espécie de aquecimento vocal que começou como brincadeira, e logo se transformou num ritual obrigatório antes de entrarem em cena. A coisa chegou ao ponto de uma noite quase perderem o início do espetáculo, de tão concentrados nas improvisações vocais de OBARRA, como ficaram conhecidos naquela temporada. Jonas Hammar, de Beatles Num Céu de Diamantes e Fedegunda fazia uma participação especial cantando algumas músicas e na bateria/percussão. O clima harmonioso e o coleguismo profissional acabaram resultando na criação definitiva do grupo e, consenqüentemente, no seu primeiro musical, o Zé.

Em 2006, lançaram um cd duplo com todas as canções. que serviu como porta de entrada para uma entrevista no programa do Jô,  e para leituras dramatizadas que foram feitas no auditório do O Globo e na Casa da Gávea, em 2007. Só então, no dia 14 de outubro de 2008, o espetáculo teve sua estreia. Por ser uma ópera-rock, só de ouvir o cd você já entende e pega toda a história. Eu cheguei a conhecer antes de assistir, e achei tudo aquilo genial e não podia perder essa estreia, que obviamente, foi fantástica!

Houveram umas pequenas modificações, como exclusão de algumas músicas, mínimas cenas faladas inseridas, etc. Mas o que já era ótimo em áudio, conseguiu ficar perfeito no palco. Os atores se dividem entre vários personagens, trocando de acessórios no próprio palco, e o cenário é basicamente alguns objetos e obviamente, a porta.

Entrou não pode sair!

Falando na Porta, que está devidamente fechada e guardada na casa de um membro da produção, segundo Betto Serrador, esta era usada de diversas formas na metáfora da história. Lembro da porta como porta de apartamento, porta de banheiro, caixão, carro, barco, e até um espaço dentro da cabeça do próprio Zé, mas como o final dizia, “portas são apenas portas”.

O espetáculo foi montado todo do dinheiro do bolso deles, que totalizaram 8 apresentações, uma por semana. Toda terça já era um ritual. Pra mim, e pro Leandro, era o “Dia do Zé”. Das 8, eu fui em 6 e o Leandro em 5… e não éramos os únicos, Leo Ladeira foi diversas vezes com a gente e havia um grupo (na época, conhecidos como a “Galera do Metal”) que iam sempre, a ponto de não perder nenhuma! Nascendo assim nós, os Zemaniacs.

O único problema foi a falta de patrocinadores. Todas as apresentações foram lotadadíssimas, a última sessão então… nem se fala. Mas ainda assim, os ingressos eram 10 reais a meia, não houve lucro. Como eu já falei diversas vezes aqui no blog, atitudes dessas, de se montar por amor, defender o que gosta e o principal, ter talento de sobra e suar a camisa pra mostrar isso, é digno de aplausos e muitos aplausos. O Zé então, considero até então o melhor musical autoral brasileiro que já vi… e é por isso que mesmo depois de um ano de sua estreia, faço questão de ainda divulgar.

Se você não conhece ainda, clique aqui e faça o download da trilha e entenda. Confira alguns trechos que se encontram no youtube:

Sem dúvidas além da saudade (tanto da peça em si, como do clima que ela proporcionava naquelas terças), fica a vontade de reassistir… mas sabemos que essa porta jamais será fechada, e que o Zé há de voltar.

Promoção O Despertar da Primavera

12/10/2009 por Charles Fouquet

A todos os estudantes menores de 22 anos (ou com 22), O Despertar da Primavera está com uma promoção imperdível durante o mês de outubro. Nas sessões de quinta, o ingresso está custando apenas R$15,00!

O ingresso só pode ser adquirido na bilheteria do teatro, não vale pelo ingresso.com, mas tem uma vantagem pois não paga nenhuma taxa e você pode comprar para amigos sem ter que apresentar a carteirinha/identidade (só precisa apresentar no dia do espetáculo, na hora da entrada).

Ou seja, ainda tem a sessão do dia 15, 22 e 29 para serem garantidas. Uma oportunidade dessas não pode ser desperdiçada. O ingresso está praticamente de  graça tendo em vista o nível de qualidade do espetáculo. Divulguem aos seus amigos que ainda não foram! Sejam eles fãs de teatro/musical ou não… afinal, é uma peça que qualquer um sem dúvidas irá se identificar.

Em cartaz no teatro Villa Lobos: Av. Princesa Isabel, 440 – Copacabana. Perto do Rio Sul. Bilheteria: 2334-7153.